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Verão Morno

PS e PSD entendem-se ou desentendem-se ou as duas coisas ao mesmo tempo - e vice-versa...?

4:41 Quinta, 15 de Julho de 2010
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1. Há 35 anos, por esta altura, estávamos em pleno Verão Quente. Num mundo dividido em blocos, ainda em plena Guerra Fria e com muitas ditaduras na própria Europa, Portugal vivia um tempo "revolucionário", naturalmente conturbado, apaixonante e ameaçador, em que além do mais estava em jogo um modelo de democracia e de sociedade. Ninguém era indiferente ao que se passava, ninguém podia ficar de fora. No meio da dinâmica imparável, e da confusão subsequente, de um país durante décadas estagnado, oprimido, havia caminhos em confronto bem demarcados, opções claras a fazer. Foi difícil, duro, mas todos sentiam que Portugal estava bem vivo e apesar dos temores, até dos medos (vários), a esperança era uma realidade.

Hoje, num mundo já sem esses blocos, num país de democracia estabilizada, integrado na União Europeia, no meio de uma crise económica generalizada cujas causas próximas são claras - mas cujos responsáveis continuam impunes e impantes -, hoje, como estamos? Em vez de num Verão Quente estamos num Verão Morno, porque se diria que nada aquece nem arrefece; e confuso (pelas razões à vista...); e vazio de valores. Abundam as palavras sem sentido, as atitudes ambíguas ou contraditórias, as lutas por meros interesses pessoais ou de grupo, sem se vislumbrar a grandeza de uma ideia e de um desígnio. A nível da Europa e do País sobram aqueles cujos "gestos dão sempre dividendos", e faltam líderes com a estatura moral e política, a dimensão de Estado (e não só a preocupação do mercado...) capaz de despertar as consciências e mobilizar os cidadãos. Apetece dizer, com o poeta: "É a Hora". 

2. Desculpem os leitores esta súbita comparação entre dois períodos tão diferentes e a erupção de uma espécie de tristeza indignada e algo declamatória, provocada por muitas coisas, até pequenas/grandes coisas, da nossa situação atual, em particular política. Só dois exemplos:

a) PS e PSD entendem-se ou desentendem-se ou as duas coisas ao mesmo tempo - e vice-versa...? Porque, por um lado, com Passos Coelho o PSD deixou, bem, o tom guerreiro e fez transigências ou acordos em nome da governabilidade, que de facto os exigia. Mas, depois, o PSD faz outras coisas que indiciam ter feito as primeiras por elas lhe serem eleitoralmente favoráveis, como de facto são e as sondagens mostram - como aliás era previsível e aqui se previu, mas até às eleições ainda a situação pode dar muitas voltas. Por outro lado, o PS, que precisa do PSD (como o País precisa dos dois), e a certa altura não regateou elogios à sua nova liderança, quando agora Passos Coelho, mal, se manifesta, em Espanha, contra o uso pelo Estado da golden share na PT, ataca-o com uma violência verbal pouco compatível com a necessidade de entendimentos entre os dois partidos;

b) E que dizer do que se tem passado quanto às SCUT? Já não têm conta as curvas e contradições de PS e PSD a tal propósito no decorrer dos anos, e as mudanças de posições, as propostas e contrapropostas das últimas semanas. Onde está a clareza de princípios e de opções, quem consegue seguir, perceber, tal telenovela? Enquanto PCP, BE e CDS, neste e noutros casos, amiúde parecem sobretudo (pre)ocupados com os benefícios, também eleitorais, que deles podem tirar. Sendo certo que, no que respeita a esses partidos, o PS não estabelece as pontes de diálogo que se impõe existirem, em particular com PCP e BE. Impõe-se, quer em razão do interesse nacional, quer em razão da conveniência do próprio PS, cuja permanência no poder até ao fim da legislatura estará muito provavelmente deles dependente. Por sua vez, amiúde PCP e BE tudo fazem para o eventual derrube do Governo do PS, como se, apesar de todas as políticas direitistas que lhe assacam, o Governo que se lhe seguiria, seguramente só PSD ou PSD/CDS, não fosse mais direitista ou neoliberal, e por isso pior, na ótica dos mesmos PCP e BE.

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1 - Assalto, legitimidade e caudilhos.
bettencourt de lima (seguir utilizador), 1 ponto , 2:26 | Sábado, 24 de Julho de 2010
1 - Assalto, legitimidade e caudilhos.

O PSD de Sá carneiro, Mota Amaral , Cavaco Silva e milhares de militantes foi, e momentaneamente ainda é, de matriz social-democrata, como agora se convencionou dizer. Foi, envolto nesta matriz, que este partido cresceu e se tornou alternativa de governo em Portugal. Assim foi e ainda é. Esta matriz está configurada nos respectivos estatutos. Qualquer militante que se proponha dirigir este grande partido deve, e está obrigado, a se conformar com esta realidade.

2-
Já sofreu fortes ataques no sentido de mudar a raiz social-democrata, mas nunca tão intensos como agora, dirigidos por um grupo que se situa á direita do CDS, e, pretende tomar por dentro este grande partido e deslocá-lo para a direita liberal.

Para isso terá de mudar os estatutos, submeter a respectiva aprovação aos militantes e denominar o partido de outra forma, por exemplo, porque não, PLD - Partido Democrata Liberal.

Se isto acontecer será legitimo, não será é a mesma coisa.

Verão morno?
NÃO TENTO (seguir utilizador), 1 ponto , 15:35 | Segunda, 26 de Julho de 2010
Meu caro articulista, verão morno com temperaturas na ordem dos 40 graus? Estou em crer que nunca ouve entendimento, houve sim muita falta de coragem e honestidade de ambos os lados, e fundamentalmente
está-se a ganhar tempo, para mal do país.
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