FOTOGALERIA Quatro dezenas de peças configuram um percurso de 15 anos - Sem Rede é a primeira exposição antológica de Joana Vasconcelos, que abriu ontem 1 de Março, ao público, no Museu Colecção Berardo, em Lisboa.
Maria Leonor Nunes
15:39 Terça, 2 de Março de 2010
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Um dos nomes mais destacados da actual cena artística portuguesa, a escultora tem desenvolvido um trabalho marcadamente original e crítico, estilhaçando e ironizando sobre alguns lugares comuns, estereótipos, mitos e representações contemporâneos.
As suas peças recontextualizam e reutilizam materiais quotidianos como embalagens de comprimidos, tampões higiénicos, tachos, panelas, talheres ou matérias tradicionais como o crochet, a azulejaria ou as cerâmicas Bordalo Pinheiro, combinando diferentes referências culturais e artísticas. "Joana Vasconcelos interpreta o mundo moderno através de uma singular apropriação das mentalidades, mitologias e iconografias da sociedade de consumo. Inspirando-se no imaginário comum, analisa distintas problemáticas da vida social", escreve Miguel Amado, comissário da exposição. E acrescenta: "Cruzando tradição e modernidade, inconsciente colectivo e história e sublime e simbólico, a artista equaciona a identidade, releve esta do género, da classe ou da nacionalidade." Sem rede possibilita uma visão panorâmica, integrando obras de grande escala que marcam a última década do seu percurso, assim como as mais significativas do início da carreira, em meados dos anos 90. A Noiva, Donzela, Sofá Aspirina, Cama Valium ou O Mundo a Seus Pés, Burka, Contaminação e Jardim de Éden (Labirinto), estas remontadas em função do espaço expositivo, são algumas emblemáticas que agora podem ser vistas em conjunto, permitindo uma estimulante redescoberta do universo de Joana Vasconcelos. Até Maio.