O tema das viagens no tempo sempre me fascinou. Não no seu aspecto técnico...confesso que premissas e fórmulas nunca me fascinaram por aí além, mas do ponto de vista das motivações subjacentes a tal projecto. O que é que leva as pessoas a desistirem do seu presente, para mergulharem uma vez mais no passado ou aventurar-se no futuro? Porque é que damos tão pouca importância ao momento presente?
Imaginemos que nos encontramos numa estação de comboios deserta e que se nos apresenta uma escolha. Lado a lado nos carris, dois comboios com destinos totalmente diferentes...um promete levar-nos ao passado, o outro dar-nos-á a possibilidade de responder a qualquer questão que nos inquiete ou fascine... Ambos partem à mesma hora e só podemos embarcar num deles, perdendo a oportunidade de viajar no outro para sempre. O que faria uma pessoa comum? Como optaria? E será que não haveria um punhado de pessoas que, quando confrontadas com tal opção, simplesmente se quedaram inertes na plataforma, esperando que ambos partissem, "desperdiçando" conscientemente uma oportunidade? Mas porque o fariam? Por medo, por passividade, porque as suas vidas são tão perfeitas, ou porque simplesmente não vale a pena?
Em que medida uma viagem ao futuro influenciaria as nossas decisões?
Saio da estação... e percebo que fiz a escolha certa. Sei exactamente o que quero no presente.
As escolhas que fiz no passado, erradas ou não, o caminho que trilhei, fizeram de mim o que sou. Se tentasse mudá-lo perderia parte daquilo que me tornei e muito do que aprendi até hoje com a vida. E não quero verdadeiramente saber, o que me espera no futuro, seja bom ou mau.
Decido-me pelo presente, pelos meus projectos, expectativas e sonhos, porque este tempo é meu e isso ninguém me pode tirar.
Na vida, as pessoas sofrem porque ficam presas ao passado, criam traumas, mágoas e ressentimentos, formando um conjunto negativo de percepções que as tornam infelizes, frustradas e incapazes de desenvolver tipos salutares de relacionamento. Uma pessoa presa aos problemas do passado, nunca terá capacidade de desfrutar das coisas boas do presente e, muito menos, de organizar seu futuro em termos de realizações e construções de uma vida sólida.
Dá pena enxergar pessoas que só lembram coisas do passado, como se os maiores valores da vida se tivessem esgotado por lá. Presas às lembranças pretéritas, tais pessoas deixam de perceber a riqueza do dia de hoje que, por dádiva, se chama presente.
O presente nos traz a certeza de que haverá um amanhã. O que ficou para trás não volta. É preciso construir o amanhã em cima das riquezas do hoje. É hoje que estamos vivos, com capacidade de viver, de desejar, de ambicionar e de construir alguma coisa.
No entanto, há uma SABEDORIA no olhar para TRÁS, em busca de algumas lições, pois a experiência de vida começa a partir daquilo que a gente ou outras pessoas CONSTRUÍRAM NO PASSADO. O filósofo Kierkegaard disse com muita propriedade que “A VIDA SÓ PODE SER COMPREENDIDA, OLHANDO-SE PARA TRÁS; MAS SÓ PODE SER VIVIDA, OLHANDO-SE PARA FRENTE”. Que não se diga que o simples olhar para trás é um mal. Não! O erro está em viver preso ao passado, de forma doentia e covarde, sem coragem de viver o hoje nem tampouco encarar o amanhã.
Abraços
Dalva
Prezada senhora Sara de qualquer forma o presente tem ligações com o passado,até se pode dizer que é consequência do passado,
tem suas raízes no passado.Toda a história presente de todo e qualquer indivíduo e de toda a Humanidade está ligada ao passado.
Para si,os meus respeitosos cumprimentos.
Cada um de nós desejaria prolongar ao máximo o tempo biológico, escreve o Prof. Almerindo Leça - personagem ilustre que tive a honra de entrevistar para a 'Antena2' (RDP).
Também lhe pertence, quanto a mim, a melhor definição de tempo que alguma vez ouvi:
«O tempo é uma imagem parada no espaço.»
Se, observa Einstein, compreendermos que o tempo não passa de uma obstinação nossa, (só existe na Terra), deixaremos de recear o futuro. Não ter medo é um poder.
Portanto, sendo a vida é eterna, o melhor será tirarmos o máximo proveito desta passagem pela "escola mais famosa do Universo" (a Terra) para não sermos repetentes...
Porque fiquei a meditar na pergunta " Mas que escolherias tu? "
Entao continuo no presente com os olhos no futuro, através dos sonhos, dos projectos e a ambicao de concretizar o que sempre procurei.
Penso nao ser utopia...
Não quero ser repetitivo na análise aos seus belos textos, começa a faltar-me adjectivação conveniente. Assim uma vez mais os meus Parabéns!
E porque a beleza que está nas palavras ganha também significado quando dá suporte à música, que não tem que ser sempre erudita, embora também goste desta, deixo aqui alguns versos de Marcio Mello duma canção de que gosto, Nobre Vagabundo, interpretada pela jovial Daniela Mercury.
Pode ser que haja alguma conexão com o que referiu.
Se tu foges o tempo
Logo traz ansiedade
Respirar o amor
Aspirando liberdade
(…)
Tenho a vida doida
Encabeço o mundo
Sou ariano torto
Vivo de amor profundo
Sou perecível ao tempo
Vivo por um segundo
Sara, ou se quiser a.dúvida, eu faria provavelmente o mesmo que você!
Como diz um brasileiro amigo, quando aprecia alguma afirmação ou pensamento com a qual ele se identifica:
-Valeu!
O seu texto, belo como quem escreve com a naturalidade do respirar, e a franqueza de quem não tem receios, deixa-nos uma pergunta interessante --os dois comboios que partem para destinos diferentes --e uma resposta certa. Muitos de nós embarcaríamos no comboio do futuro, que a fuga em frente, ou a ânsia de conhecer, atraem muitos. Outros, seriam talvez tentados pelo conforto do passado. A sua escolha é a fazer frente e aproveitar os desafios do presente. Há outro nome para essa escolha: viver! Parabéns, com admiração, VA
Esta questão da nossa transmutação "no tempo" não é nova e acompanhar-nos-à sempre!
Vejamos: há presente sem passado? ou, dito de outra forma, o presente de "ontem" não é o "passado" de hoje? e o presente de hoje, não será passado "amanhã", sendo que este "amanhã" pode ser mesmo "logo", ou "daqui a minutos" se quisermos optar por um tempo mais breve? E, considerando que cada um de nós é uma unidade de um todo que se tem transmitido, por replicação e aprimoramento de há muitos milénios a esta data, numa sucessão de passados, presentes e futuros, será que "o presente" não é um "instante", um "momento", de uma passagem sem tempo marcado, pela impossibilidade de conhecermos a nossa origem e o percurso da nossa descendência?
Acha mesmo que não está presa a um "momento"? e a que "momento"?
A Sara, que é mãe, não vive, já, no "futuro", que concebeu num dado "momento" de "um certo passado"?
A vida é uma linha, ... sendo certo que esta linha é constituída por uma sucessão de pontos, ou de "momentos", como se poderá aceitar para melhor compreendermos "ao que estamos presos"!
Olá Sara, é interessante este texto, aliás como todos os outros.
Pois eu penso que o futuro não existe, amanhã já é presente se, eu estou a vivê-lo, também não conseguimos desligar-nos do passado porque o hoje é passado de amanhã, ou seja cada espaço de tempo é passado e logo a seguir presente; o passado é um eco do presente, repare eu grito e o eco repete-se logo de seguida, eu oiço o grito (presente), que eu dei (passado).
Agora olhando noutro prisma, ou seja um passado mais remoto, a Sara ou qualquer outra mulher que tenha um filho, sempre que ele faz anos, o passado volta ao presente, fechamos os olhos e está tudo ali de novo, até a cara do médico que fez o parto! é pena que outros passados que voltam não sejam sempre tão felizes, aí não fechamos os olhos para o ver, ao contrário abrimos bastante os olhos para não o ver, porque logo logo, algo nos leva de novo ao presente.
O passado e o presente conjuntam-se e conjugam-se, o futuro só para além da vida e daí ninguém regressa ao presente nem ao passado, porque será um tempo em espaço infinito??? ou talvez um espaço sem tempo!!!
Portanto no comboio do futuro, eu não entrava, porque não saberia onde ia parar, apanhava o comboio do presente, porque o do passado, já estava em andamento...
Cumprimentos Sara, prazer em tornar a encontrá-la no comboio do presente!