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Uma data marcante na história

Portugal e Espanha demonstraram o seu europeísmo e a importância de uma Europa Unida, solidária e mais justa

2:33 Quinta, 17 de Junho de 2010
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A Comissão para as Comemorações do Centenário da República - que tem realizado um trabalho notável, com enorme participação popular - teve a excelente ideia de integrar, entre os eventos que tem organizado, um colóquio intitulado "Integração Europeia e Democracia", no Mosteiro dos Jerónimos, no passado dia em 11 de Junho.

Foi aberto, pelo seu ilustre e incansável presidente, Artur Santos Silva, pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, e contou com a participação de portugueses, muito bem escolhidos, pelo seu conhecimento e experiência da temática, como José Medeiros Ferreira, Álvaro de Vasconcelos e Carlos Gaspar (que trataram da "União face aos desafios internacionais"); Marcelo Rebelo de Sousa, António Vitorino e Guilherme d'Oliveira Martins (sobre "a legitimidade democrática em tempo de crise"); Ernâni Lopes, Victor Martins e Maria João Rodrigues (sobre "a União Europeia à prova da Crise Mundial") e Jaime Gama, Felipe Gonzalez e eu próprio (sobre "integração e democracia: os casos de Portugal e Espanha").

No dia seguinte, 12 de Junho, que foi o dia da assinatura do Tratado de Adesão, houve uma comemoração oficial em Lisboa e depois em Madrid, como no dia da efeméride, há 25 anos. Em Lisboa, presidida pelo Presidente da República, prof. Cavaco Silva, e em Espanha pelo Rei D. Juan Carlos. Tanto em Lisboa como em Madrid falaram ainda o presidente do Governo espanhol, José Luis Zapatero, o primeiro-ministro português, José Sócrates, bem como os presidentes da Comissão Europeia, Durão Barroso, e do Parlamento Europeu, o polaco Jerzy Buzek.

Juntar as duas datas foi, quanto a mim, uma boa ideia, dado que a implantação da República (5 de Outubro de 1910) e a adesão à CEE (12 de Junho de 1985) constituem, com o 25 de Abril de 1974, as três datas mais marcantes do século passado e as que mais contribuíram para a modernidade de Portugal e o seu prestígio internacional. Acresce que a celebração da nossa adesão à CEE, hoje União Europeia, e, depois, à Zona Euro, quando era primeiro-ministro António Guterres, é de uma enorme actualidade, dada a crise especulativa que está a atacar a moeda única e, através dela, a própria integração europeia.

Realmente, desde a fundação da Comunidade Europeia, em 1957, nunca a integração europeia correu tão grandes riscos de se desintegrar como hoje. Uma situação que podia ter sido evitada, se tivesse havido bom senso e mais solidariedade entre os Estados-membros, nomeadamente da parte da Alemanha, reunificada - note-se - graças ao esforço dos seus parceiros europeus. Não houve. Mas agora parece que a chanceler Merkel compreendeu a gravidade da situação e dispôs-se a actuar. Propôs a criação de um fundo monetário europeu para valer aos Estados-membros em dificuldades, que hoje são praticamente todos, incluindo a Alemanha.   

Mas um tal fundo implica a sua gestão, em tempo de recessão, ou seja: um governo económico da União. Será a saída lógica para a crise mas, em si mesma, reclama um novo modelo de desenvolvimento económico e político, numa lógica de tipo federal... A União a 16 está reunida precisamente hoje, 17 de Junho. Veremos o que decide.

A circunstância de Portugal e Espanha, como referi acima, terem dado quase simultaneamente uma manifestação pública de unidade e solidariedade, foi oportuna e importante. Como disse Sócrates, em Madrid, "a actual crise só pode resolver-se com mais Europa". E eu acrescento: com mais política e ousadia. Portugal e Espanha, nas cerimónias comemorativas de adesão, demonstraram o seu europeísmo e a importância de uma Europa Unida, solidária e mais justa.

Palavras-chave  opinião, Mário Soares
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Comemorações!
joadearievilo (seguir utilizador), 1 ponto , 12:54 | Sexta, 18 de Junho de 2010
Pois claro! Comemorações, é connosco!
Penso até, nem se compreende, como não temos mais comemorações! Mais fitas, e mais homenagens! O povo anda triste, atribui-se-lhe como causa o desemprego, o futuro incerto, a falta de segurança, mas não é nada disso! É apenas falta de celebrações!
Assim, o doutor Mário Soares deveria empenhar-se em promover mais comemorações, até que temos gente muito boa para fazer discursos, dissertar, como muito bem menciona alguns ilustres (espero que o Presidente da República esteja a tomar nota, para mais umas medalhas).
Comemorações e medalhas nunca são demais. São elas que dão prestígio a um país. Um país sem medalhas nem comemorações é um país condenado ao esquecimento, ao fracasso!
  Juntar datas comemorativas, acho mal; Acho melhor alternar e fazer pontes!

«Realmente, desde a fundação da Comunidade Europeia, em 1957, nunca a integração europeia correu tão grandes riscos de se desintegrar como hoje.»
É uma grande verdade, a poder repetir-se todos os dias, que estará sempre, ou cada vez mais certa!

Continua a ter razão, doutor, o problema é o raio do guito! Para que é que os alemães não nos mandam mais guito! Pois se os países pobres não têm guito, não podem comprar-lhes os produtos, e a economia, está visto, para! (pára).
Os alemães são bons a fazerem guito, nós somos bons a gastá-lo; cada um na sua função, lógico! Só assim a comunidade pode manter-se bem coesa! Doutor, demonstre lá isso aos alemães, eles são cabeça dura, mas entendem.

«...Alemanha, reunificada - note-se - graças ao esforço dos seus parceiros europeus.»
Ora, isto não dá direito a uns dinheirinhos cá pa gente? Imposto de reunificação, já! Aquilo deu-nos muito trabalhinho!
    Re: Comemorações!   
FSTavares (seguir utilizador), 1 ponto , 13:19 | Sábado, 19 de Junho de 2010
    Re: Comemorações!   
kizzaka (seguir utilizador), 2 pontos , 17:43 | Sábado, 19 de Junho de 2010
    Re: Comemorações! \ A doença não tem cura!   
joadearievilo (seguir utilizador), 1 ponto , 22:55 | Sábado, 19 de Junho de 2010
    Re: Comemorações! \ A doença não tem cura!   
FSTavares (seguir utilizador), 1 ponto , 0:06 | Domingo, 20 de Junho de 2010
Há tantas datas marcantes na história...
bluelizard (seguir utilizador), 1 ponto , 13:36 | Segunda, 21 de Junho de 2010
Meu caro Dr. Soares, nós até nem nos importamos que comemorem, que festejem, que se juntem todos numa união europeia e ibérica, defendida por Saramago, mas por muito mais gente. E que bebam champanhe, vinho fino ou borba. O que nos chateia, mas imenso, é que os festejos apenas sejam sempre para alguns, sempre os mesmos. Nós, Povo/Povo, sofredor, que fica sempre apenas com as migalhas, quando há, gostaríamos que vocês festejassem o ordenado mínimo europeu e que esse ordenado mínimo fosse em toda a europa igual, pelo menos, ao do Luxemburgo. E que a vidinha dos Portugueses fosse equivalente, em vencimentos, protecção social, etc, etc, etc, à dos Suecos, Dinamarqueses ou Holandeses. Para isso valia a pena terem gasto aquela pipa de dinheiro com aqueles discursos muito lindos mas que não nos tiram nem do sofrimento nem da miséria que se aproxima. Filosofica e historicamente tudo isto é maravilhoso, só que o Povo não digere muito bem discursos, reuniões entre os mais altos governantes das diversas nações; prefere uma carninha, um peixinho e pão mais barato e leite para os seus filhos. De modo que, senhor dr. veja lá se diz ao senhor sócrates se se pira, se dá o lugar a quem saiba governar este país maravilhoso. Entrou cá tanto dinheiro,que dava, se bem utilizado, para vivermos todos maravilhosamente bem e para podermos ter festejado convosco e não precisarmos de ficar sem os friados que tanto jeitinho nos dão. Afinal são datas históricas também.
    Na na na na na, vamos lá a ver!   
Olá (seguir utilizador), 1 ponto , 23:34 | Segunda, 21 de Junho de 2010
A falar ninguém o prende
joadearievilo (seguir utilizador), 1 ponto , 0:26 | Terça, 22 de Junho de 2010
Estive a ver o doutor Mário Soares no programa Prós e Contras. A falar ninguém o prende, são muitos anos de prática! Num instante e ficou tudo bem em Portugal. Nem sei para que precisamos da grana dos alemães, nem das medidas de austeridade...

Na verdade, quem está bem, tem sempre outro modo de ver as coisas, outras perspetivas!
O Dr. Mário Soares é um ponto.
bluelizard (seguir utilizador), 1 ponto , 13:11 | Terça, 22 de Junho de 2010
Ontem vi e ouvi o Prós e Contras de que não gosto pela atitude da Fátima; nunca me esquecerei de quando lá foi Manoel de Oliveira, um horror.
Mas ouvi o Dr. Mário Soares e pensei, quem iria dizer que este homem já esteve no governo e deixou isto como deixou, que foi continuado mais tarde por Guterres e Sócrates há-de acabar. Não estou a fazer a apologia dos belos governos do Salazar e muito menos dos de Cavaco que foi quem afirmou que aos funcionários publicos lhe restava esperar que morressem e sempre foi afirmando que é preciso trabalhar para garantir a reforma condigna. Condigna para eles mas miserável para os restantes. Lá filosofia tem esta gente. Filosófica , Demagógica e Sofista são as atitudes desta gente. Mas como não conseguem prescindir do bem bom pedem sempre que sejam os outros a sacrificarem-se. Desde que eles mantenham os cargos, os ordenados e as reformas que mesmo de 5.030,00€ são exageradíssimoas para um país que tem os ordenados que tem e as reformas que tem. Comparo isto à Igreja, vem-nos prometendo a eternidade, a salvação, a terra prometida mas há séculos que ninguém vê nada disso. Na terra prometida cada vez há mais conflitos e se as coisas não modificarem a terceira guerra mundial irá começar por aquelas bandas. Bom pelo menos acaba-se a peçonha. Honestamente não sei que futuro poderá vir a ter a humanidade se tudo vê em função de dólares, libras ou euros. Lucros, bolsas especulativas, ganhos, lucros exagerados à custa do Povo, não sei mesmo.
Republica imposta
Jorge Duque (seguir utilizador), 1 ponto , 21:09 | Segunda, 5 de Julho de 2010
Como se sentia se, com as dificuldades actuais e o descontentamento popular, alguns militares dessem uns tiros em várias cidades do pais, um barco da marinha disparasse umas salvas para assustar. Perante a confusão e o medo, um diplomata estrangeiro percorria as ruas de Lisboa com uma bandeira branca no carro. O povo pensava que a revolução monárquica triunfara e corria para as ruas. Os monárquicos aproveitavam e, na televisão proclamavam a restauração da monarquia. Achava este regime legitimo e digno de comemoração? Em vez de querer comemorar um golpe de estado, a Republica deveria legitimar-se através de referendo. Sem medo dos resultados.
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