A iniciativa de Gordon Brown sobre o Iémen é apreciável. Precisamos, no entanto, muito mais
7:09 Quinta, 7 de Janeiro de 2010
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Neste começo de ano, o terrorismo voltou aos grandes títulos das notícias. Bin Laden continua a ser uma das personagens mais simbólicas, na cena internacional. Muita coisa gira à volta do que este homem representa. Não tanto do que faz ou comanda, mas do logótipo. É uma referência para os extremistas que vêem no terrorismo um meio legítimo de acção política.
A maioria das organizações da lista americana sobre o terrorismo não têm nada que ver com Al-Qaeda. Mas algumas têm. Entre essas, é importante que nos foquemos sobre Al-Shabaat, Movimento da Juventude Combatente, um grupo somali. Esta associação é, agora, a maior incubadora de futuros terroristas. Sem contar com o peso que tem na Somália, onde representa um dos maiores obstáculos à estabilização do país, o movimento tem profundas ramificações no vizinho Iémen.
O Iémen é um Estado frágil, com uma classe política corrompida, um crescimento demográfico avassalador, uma economia insignificante. Necessita da ajuda da comunidade internacional. Os perigos de contágio da crise somali são reais. Para já, a Somália exporta ideias e extremistas para o Iémen e importa o khat, a planta estimulante que se mastiga nestas paragens. A mistura de uma ideologia primária com a exaltação provocada pelo khat abre o caminho à acção violenta. Produz alienados que se deixam convencer de que matar em massa é um acto de herói e mártir.
Al-Shabaat também recebe armamento através da Eritreia, um canto do globo que tem todas as condições para ser um pequeno paraíso, mas que o não é. A ditadura que está no poder em Asmara tem uma obsessão: tornar a vida impossível aos líderes da Etiópia. Por isso, apoia os extremistas somalis, na convicção de que estes desestabilizarão a capacidade bélica da Etiópia. A ONU acaba de adoptar uma série de sanções contra os dirigentes eritreus. É um passo importante, mas não suficiente.
Como também não é suficiente concentrar a atenção internacional apenas sobre o Iémen. A iniciativa que Gordon Brown tomou de convocar, a 28 de Janeiro, em Londres, uma reunião de apoio às instituições de segurança e da governação do Iémen é apreciável. Precisamos, no entanto, de muito mais. Faz falta uma perspectiva regional, que tenha em conta a Eritreia, a Somália e toda a dinâmica política à volta do Corno de África.
É acima de tudo urgente que se chegue a um acordo sobre o futuro da Somália. Que se decida que medidas devem ser tomadas para restabelecer a ordem e o direito. A Somália não pode continuar a ser um alfobre de terroristas e uma ameaça para a navegação, numa das rotas mais críticas para o comércio mundial.
Recentemente, o meu colega Ahmedou Ould-Abdallah, representante especial da ONU para a Somália, dizia--me que o Ocidente avalia mal o perigo que esse país representa para a segurança internacional. E acrescentava que as células dirigentes, que planeiam as acções violentas, têm meios técnicos e humanos sofisticados. Sabem trabalhar em várias frentes, incluindo a mediática. Seria um erro pensar que são apenas uns tresloucados do deserto, sem outras habilidades senão a de matar.
Caro VA,
Desculpe o desabafo, mas não posso deixar de lhe dizer que na mesma página do seu artigo de opinião, a Visão publica um texto da lista negra dos países terroristas e fala inclusivé da Somália e da organização Al-Shabaat...
Sabe os seus leitores seguem o seu blog... senão parecia que VA copiou parte do artigo. Desculpe, mas talvez deva falar com o seu editor. (Ás vezes as pessoas conseguem decepcionar-nos... quando deviam ter atitudes mais nobres).
Claro que é a minha opinião e espero que outros leitores seus se manifestem.
Vamos ao seu artigo:
É verdade que há lugares que são "viveiros de terroristas". E como refere não são apenas uns tresloucados que empunham armas... sabem muito mais, são sofisticados, sabem como começar uma rebelião, como incitar à luta, sem qualquer razão que o justifique. Aliás as razões inventam-se... tudo serve de desculpa, mesmo que seja 1 Km2 de terra.
O terreno montanhoso do Iémen, a sua pobreza, a sua sociedade tribal fazem com que este país se torne o novo paraíso dos terroristas. Al-shabaat, o grupo somali é um viveiro em potência.
A atitude de Brown de discutir no próximo 28 de Janeiro, com Washington e a UE os problemas da radicalização islamita no Iémen... é muito pouco. Mas é uma atitude.
Que nesses lugares de onde nos escreve e que tão bem conhece, onde negoceia a paz a cada dia, nunca lhe falta a coragem para continuar o seu caminho na procura do entendimento entre os povos.
Com amizade,
Sara
Prezado senhor Victor Ângelo eu,no desejo de comunicar com a
senhora Sara,enviei um comentário ao seu comentário e ela respondeu-me e muito bem,que o comentário que lhe enviei,devia de o ter enviado ao senhor.E eu aqui estou para desabafar o que me vai na alma no que respeita a Terrorismo.Pois quando Cuba lutava
pela independência contra a Espanha,o Tio Sam mafioso e flibusteiro,
para ter um motivo de se apoderar de Cuba,fez dinamitar um cargueiro que se encontrava num porto cubano e assim forjou o
motivo para declarar guerra à Espanha e instalou-se em Cuba e no Porto Rico.A Gestapo incendiou o Reischtag e culpou os comunistas
que depois foram caçados e enviados para um campo de morte lenta.Depois que o Imperialismo anglo-saxão criou o Estado de Israel,usurpando o território aos palestinos,começou o conflito que
não mais tem fim e os actos desesperados dos fanáticos islamitas
contra os fanáticos sionistas.Lembro aqui um caricatura que eu vi no Diário de Lisboa(se não estou em êrro)ainda no tempo do chamado Estado Novo,que apresentava um viveiro em que as flores eram foices e martelos e os dois jardineiros com os regadores,eram
o Salazar e o Franco.Um outro episódio em que um prêso que havia estado detido em Caxias e que sem provas,foi posto na rua,o Inspector da Pide disse-lhe:-Tu quando fôste prêso,não sabias o que era o Comunismo,mas agora já sabes.E o ex-prêso respondeu:
-Agora graças aos senhores,já sei,pois aprendi em Caxias.
É muito interessante ler aqui semana a semana as reflexões de Victor Ângelo, e saber do seu corre-corre sobre o fio da navalha com base no acompanhamento diário da sua labuta em http://victorangelo.blogs... É realmente pouco vulgar podermos ler, corresponder, ser correspondidos (sim, que VA tem o hábito inusitado de responder a quem se lhe dirige) --- numa interacção com alguém tão longe e tão perto.
Boa sorte para si.
Muito boa sorte para os que a cada dia beneficiam dos seus esforços, e dos esforços da sua equipa vasta.