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Um problema de liberdade

Problema?! Sim, talvez haja um problema, mas de outra índole: o de termos um primeiro-ministro que lida mal com a liberdade de imprensa

3:38 Quinta, 4 de Fevereiro de 2010
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O episódio José Sócrates/Mário Crespo em que o primeiro-ministro aproveitou um contacto fortuito com o director de programas da SIC para atacar violentamente o jornalista revela duas coisas: primeira, um certo baixar de nível, no comportamento que deve ser exigido aos homens de Estado; segunda, e esta é mais grave na medida em que joga com a liberdade, a existência de um padrão, na forma como o chefe do Governo se relaciona com a comunicação social. Sócrates encara os media e/ou os jornalistas mais críticos como adversários políticos, logo, como alvos a abater. E não distingue os planos de actuação das partes, além de ignorar, olimpicamente, o papel dos media na dialéctica democrática.

Não sei se Sócrates andou, na sombra, a mexer os cordelinhos para tirar Manuela Moura Guedes dos ecrãs da TVI e José Manuel Fernandes da direcção do Público. Mas a verdade é que estes dois jornalistas já não ocupam os cargos influentes que ocupavam. Ambos eram bastante cáusticos relativamente à acção do primeiro-ministro e ambos foram por este publicamente atacados. Agora, com o jornalista da SIC, há uma identidade de padrão: Crespo escreve textos com críticas a Sócrates, que o refere a um seu superior hierárquico de forma insultuosa, sugerindo que a sua permanência no canal é um "problema". Problema?! Sim, talvez haja um problema, mas de outra índole: o de termos um primeiro-ministro que lida mal com a liberdade de imprensa. Já são demasiados casos para se tratar de um acaso ou de um mal-entendido. E a quem, por absoluta cegueira partidária, seja incapaz de encarar o assunto com frieza, sugiro o seguinte exercício: mude o protagonista destes episódios. Em vez de Sócrates, ponha Ferreira Leite a atacar, num comício, este ou aquele jornalista. Ou imagine Cavaco a dizer a um alto quadro da empresa de comunicação social onde trabalha o Mário Crespo que este é um "louco" a precisar de "ir para o manicómio" e um profissional "impreparado". Assim, de uma outra perspectiva, não dá para concluir que tais atitudes implicam um défice de compreensão sobre o que significa liberdade de imprensa?

Agora virou moda dizer-se que não vale a pena bater nas agências de rating, porque isso não vai resolver os nossos problemas. É verdade, resolver não resolve e muito menos no imediato, mas é importante não deixar cair o assunto, porque a manutenção da influência das agências de rating depois da total incompetência que evidenciaram face ao eclodir da crise financeira mundial é a prova provada de que nada mudou. Mais perigoso (para não dizer criminoso) ainda é que ninguém parece ter coragem de decretar a morte destas excrescências cujo imenso poder chega para decidir qual a cotação e a credibilidade de um país, no contexto internacional. Ou seja, são estas agências cuja falta de rigor ficou amplamente demonstrada que podem decidir de forma arbitrária sobre o destino de milhões de pessoas. Quem são estes senhores, quem os controla, de onde lhes vem tanto poder?

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Algo vai mal
a.dúvida (seguir utilizador), 2 pontos , 20:35 | Quinta, 4 de Fevereiro de 2010
Cara Áurea Sampaio,
Mais do que as farpas lançadas à comunicação social, parece haver um sentimento de ódio que provoca incidentes atrás de incidentes. Não sei se alguém passou a sofrer algum tipo de descontrolo emocional. O que me parece é que as pessoas deixaram de ser racionais. Perderam a noção do lugar que ocupam no país. E claro, isto é gravíssimo.

As agências de rating... quem são? Que credibilidade? Enfim...dariam por si só um texto de opinião. Mas o que lhe posso dizer é que estamos a chegar ao ponto..em que vamos permitir que muita gente ganhe dinheiro à custa da nossa suposta "incapacidade de cumprir com as obrigações". Somos alvo da ganância por parte da "alta finança".

Dito de outra forma, isto continua a ser um circo e a nós... os [pequenos] querem dar-nos o papel de palhaços !!!

Sara
Lidar mal
NÃO TENTO (seguir utilizador), 1 ponto , 12:18 | Quinta, 4 de Fevereiro de 2010
Cara Áurea Sampaio, este 1º ministro não é só com a comunicação social que lida mal. Ele lida mal com tudo que vai contra aquilo que pensa, porque não tem nada de democrata nas sim de ditador.
Ditador !
longueira (seguir utilizador), 1 ponto , 19:04 | Quinta, 4 de Fevereiro de 2010
Cara Áurea Sampaio

Como diz e muito bem o caro/a NÃO TENTO , este 1º ministro lida mal com todos aqueles que não estão de acordo com ele , não é só com a comunicação social , o problema dele é muito mais abrangente , mas como é evidente a comunicação social está mais á mão para bater , se for preciso calar !
Por isso a amizade que o liga a Hugo Chavez , eu até pensei que era por cauza do Magalhães , mas não , estão mesmo bem um para o outro .
Cumprimentos
Falta de pedigree!
IRTÓPITO (seguir utilizador), 1 ponto , 22:06 | Domingo, 7 de Fevereiro de 2010
O Primeiro Ministro ao contrário de muitos outros titulares do cargo que lhe antecederam, não tem qualquer "pedigree"!
Não o pedigree genético, porque esse dispensa-se na República!
Mas falta-lhe o pedigree cultural, político, e até académico!
Com um precurso profissional ainda pior que o de Santana Lopes, Sócrates nos momentos dificeis não consegue manter o discernimento e auto estima!
Depois acontecem estes incidentes, com comportamentos destemperados do Primeiro Ministro, que só degradam a imagem já de si negativa do poder, perante a opinão pública!
Também é isso..
alaurens (seguir utilizador), 1 ponto , 15:07 | Segunda, 8 de Fevereiro de 2010
Tudo correcto no que escreve. Contudo há sempre uma questão que também coloco. Jornalismo será ele também colocar uma basbaque à frente de um noticiário "importante" onde o único objectivo como notícia seja a caça a um homem e ideologia de dum partido de oposição. A democracia, assim, fica quite de parte a parte.
Bagunçada & Companhia
navegador (seguir utilizador), 1 ponto , 16:46 | Terça, 9 de Fevereiro de 2010
Estamos perante mais um caso de irracionalidade e de democracia. O primeiro ministro tem andado a compilar problemas graves. o FreePort, a Face Oculta, a persiguição a quem se atreveu a publicar o "esquema de licenciamento do eng. Socrates", isto sem esquecermos da pressão continua sobre os jornalistas.
Num país europeu NORMAL, o primeiro ministro já se tinha demitido ou teria sido demitido. O estado de corrupção e de favores pulula por todo o lado.
A sociedade portuguesa vive um momento muito dificil e não tem um governo competente. Estamos muito próximos de situações de conflitos, talvez mais graves que possamos prever.
Vive uma situação de medo em muitos sectores da vida nacional e a comunicação social está a ser CALADA e quem se atreve criticar, é marginalizado e atacado das mais variadas formas.
Cuide-se Aurea Sampaio ou num dia qualquer acontece-LHE alguma coisa, pois vivemos num pais onde o próprio governo não respeita a Liberdade individual de ninguém e nem o próprio governo tem qualquer nivel de honestidade.
Provalmente ainda vamos assistir á prisão de jornalistas, já estivemos mais longe...
Uma mentira
jvpaiva (seguir utilizador), 1 ponto , 23:44 | Quinta, 4 de Março de 2010

... repetida muitas vezes, não passa a constituir uma verdade, como bem sabe esta senhora!

A senhora tem uma desonestidade intelectual chocante ao persistir em afirmações e considerações que dá como verdadeiras, quando elas já foram desmentidas pelos protagonistas todos, com excepção do dito crespo, o único que montou toda esta grotesca comédia com um guião tão paupérrimo que só gente paupérrima se voluntaria para lhe dar seguimento!

O director de programas a que se refere já desmentiu que tivesse dito o que crespo disse que ele tinha confirmado.

Este desmentido faz de crespo o que ele é: mentiroso!

A senhora, ao subscrever o que diz um mentiroso, torna-se mentirosa!

É assim que quer progredir na profissão? isso é consigo!

Quanto às agências de rating e à proposta da sua extinção, que esteve por um fio, tal como com o FMI, as propostas só não avançaram porque o presidente da Comissão Europeia não teve suficiente inteligência e capacidade de mobilização para o consenso necessário com todos os mais influentes países.

Só isso!

Com todas as trágicas consequências, como já foi aqui muito bem referido por uma comentadora!

JVPaiva
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