O que é hoje 'insustentável' começou a sê-lo há muito, e nesse processo Cavaco Silva foi mais parte do problema do que da solução
3:29 Quinta, 1 de Julho de 2010
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As declarações do Presidente da República (PR) sobre a situação do País, que declarou insustentável, são difíceis de aceitar e causariam repulsa pública se os portugueses ainda dessem muita atenção aos dirigentes políticos e se os meios de comunicação não estivessem dominados por comentadores conservadores. O ritmo pausado contribui para conferir solenidade e finalidade à verdade do discurso, fazendo-a passar por discurso da verdade, uma verdade parida pela sabedoria oracular e registada na página da internet da Presidência da República.
Os portugueses sabem por experiência que vivem momentos difíceis e que essas dificuldades são o resultado de uma acumulação de fatores nacionais, europeus e globais. No que respeita aos fatores nacionais, a acumulação vem de longe. Tudo começou quando os fundos estruturais e de coesão, depois de contribuírem para a necessária infraestruturação física do país, ficaram reféns dos lóbis do betão e se descurou o investimento na educação, na formação, na criação de um sistema nacional de ciência, na diminuição das desigualdades sociais de modo a que os ganhos de produtividade se transformassem em bem-estar dos portugueses.
Ora, os governos de Cavaco Silva contribuíram para este desvio fatídico. A formação profissional foi entregue à corrupção generalizada; iniciou-se o desinvestimento nas universidades públicas, sujeitando-as à pilhagem dos seus recursos para alimentar os aviários universitários que então proliferaram; em termos de desigualdade social, o País era mais injusto em 1995 que em 1990 (e mais que em 1980). O que é hoje "insustentável" começou a sê-lo há muito, e nesse processo Cavaco Silva foi mais parte do problema do que da solução.
Quanto aos fatores europeus, os portugueses sabem que a Europa está num momento de bifurcação: ou se desagrega ou se transforma numa Europa federal ou confederal, com partilha democrática de custos e benefícios, de políticas e aspirações. A segunda opção é a única desejável e só se realiza quando os cidadãos europeus a assumirem como sua e disserem "Basta!" à transformação da crise real em pretexto mal disfarçado para destruir todos os direitos sociais por que lutaram, com tanto sangue vertido, ao longo de todo o século XX.
Quanto aos fatores globais, os portugueses começam a saber que a União Europeia se deixou minar pelo capitalismo financeiro global. O FMI é uma instituição nefasta, que os EUA não deixaram intervir no país durante a crise mas que a UE acolhe como um imenso cavalo de Tróia em cujo bojo se escondem os bancos alemães e franceses, à espera que lhes sejam pagos empréstimos feitos a juros confiscatórios. Com objetivos convergentes, foi permitido às agências de análise de risco converter os orçamentos nacionais em campos de apostas para o casino financeiro. Tais agências são peritas em utilizar as afirmações irresponsáveis dos responsáveis políticos "locais" para transformar em realidade as especulações em que assentam as suas previsões. Objetivamente, o PR recomenda às agências que obriguem os portugueses a confiarem no mercado financeiro e a confiarem tanto mais quanto menos o mercado confiar neles. Isto, sim, é insustentável!
Por que razão tudo isto, sendo claro, escapa ao PR? Porque está em campanha eleitoral, tendo deixado de fazer política de Estado para passar a fazer política partidária, e querendo testar a sensibilidade dos media para o apoiarem e ao seu relutante partido. Os resultados mostram que tem razões para se sentir confiante. Tragicamente, a sua confiança é construída à custa da destruição imprudente e injusta da confiança dos portugueses no país e no mundo em que vivem, o que é particularmente grave num período de crise. Mas a cegueira eleitoral é assim mesmo, tanto mais seletiva quando menos o devia ser. Ao PR escapa que os portugueses podem começar a pensar que ele quer acima de tudo ser re-eleito, pouco lhe importando se é re-eleito Presidente de um país ou Presidente de uma ruína de país.
Bem-vindo de volta à Esquerda, Professor! Pensar ainda não é ilegal. Continua a ser urgente pôr o dedo na ferida. O Presidente da República actual mais parece ter fraca memória - ou, pior, parece cultivar a atitude da desresponsabilidade na construção do caixão colectivo em que os imobilistas do costume pretendem transformar Portugal.
Quanto aos "aviários universitários", bem- haja por ter a coragem de chamara as coisas pelos nomes.
Finalmente alguem na imprensa teve coragem dizer algumas verdades.
É verdade que este modelo económico teve origem nos anos do "Cavaquismo" e no desperdicio dos fundos comunitários que então chegavam em grande quantidade.Certo é que ninguem aponta essa contradição ao P.R. , assim como tambem ninguem ousa chamar atenção para a mentira que pomposamente anunciou de que não tinha "acções" ou coisa alguma no Universo BPN e depois confirmou-se que num mês tinha ganho muito dinheiro (imagine.se que esta "pequena mentira tinha sido cometida por outro politico). Como quem prega a verticalidade não pode ter tantas reformas visto que ainda está no activo .
A explicação para tudo ser permitido ao impoluto politco advêm do facto como salienta o articulista da comunicação social e os respectivos comentadores, na sua esmagadora maioria, ser gente de horizontes muito laranjas e com isso contaminarem tudo à sua volta pela falta de principios morais .
É pena que algumas brechas neste imenso laranjal como de Boaventura S.Santos só se manifestem em alturas de eleições. como as presidenciais que estão próximas, e o articulista é parte.
Claro que sempre pode ser dispensado se insistir com aconteceu a muitos, vamos acreditar que não
III GUERRA MULDIAL vencida pela Alemanha e França?
Óptima referência ao FMI e outras agencias financeiras...
Se calhar já são proprietários não só de Governos, Empresas, terras, imobiliário... será que vamos ter uma nova "escravatura" encapotada?
Não sendo financeira não sei como resolver mas haverá especialista que o saibam... talvez pela tal " Europa federal ou confederal" mencionada no artigo???
Não resisto. Sim li os vossos comentários, mas só agora e gostei.
Não resisto ao seguinte:
Kizzaka, quando diz"... porventura, uma boa ideia para combater a escravatura encapotada, seria criar sindicatros fortes, cuja linha de reivindicações e defesa dos interesses dos trabalhadores não se resumisse a discussões pecuniárias. Isso depende de nós apenas; da nossa capacidade associativa; da nossa solidariedade ", é sem dúvida o que começou a faltar por altura dos governos de Cavaco Silva. E quando diz "...da nossa coragem para enfrentar as consequências trágicas da reacção do capitalismo violento.", acertou na mouche.
Os sindicatos dos bancários são o exemplo do que menciona, tendo eu ouvido duma sindicalista que estava prestes a sair porque o ambiente era baixo rasco e sem interesse nenhum. Vão-se safando as comissões de trabalhadores (mais independentes apesar de tudo).
Meu caro
Tudo isto é resultado da boa formação cívica dos políticos que temos, e agradecer a Otelo e Mário Soares pela doutrina que está implementada, pois tiveram as maiores responsabilidades.
Sériedade é uma palavra escassa nesta sociedade.
Parabens meu Caro Professor, gostei sinceramente da sua cronica e das verdades que menciona,o que doi , é que TODOS concordamos com o que escreve, mas POUCOS têm a sua frontalidade.
Vislumbro , como é costume alguns opinadores, como eu, a arranjar-lhe futuro na esquerda..., como se isso ,fosse propriedade ou estigma para valorizar o tema; sinceramente esses, parece que nunca mudam e depois só vêm para o mesmo lado.
Parabens mais uma vez pela sua analise e pela forma como nos passa a mensagem, simples e objectiva, como foi a sua intervenção nos Prós e Contras.
Pela deficiência de funcionamento da lista completa do fórum da Visão dado que se recebe aviso de publicação e depois os artigos não são publicados...
Embora em 11-10-2010 parte deste problema tenha sido resolvido, no meu caso, ainda muitos dos meus artigos e acredito que de muitos utilizadores não foram publicados (rebuscados de uma forma útil e acessível, pelo menos)...
Assim continuo a não confiar na qualidade de funcionamento da lista completa do Fórum...
Declaro que vou continuar a tentar publicar e comentar na Visão mas vou publicar em simultâneo em
Convido todos que acreditarem numa imprensa (digital) livre a lerem os meus artigos nesse endereço acima e se entenderem comentar agradecia...
Convido, ainda, todos os que entenderem que lhes cortam a palavra e os artigos a fazerem uma conta (atenção que devem fazer, para que as pessoas não tenham receio de comentar, uma configuração especial para só registar o IP dos users anónimos que comentarem os vossos artigos) lá e publicarem em simultâneo na Visão e no livejournal.com! Se me quiserem convidar para ler os artigos no livejournal agradeço...
Um Artigo muito bem feito, por isso a maiuscula...
No entanto temos de ir mais longe, continuando a chamar as coisas pelos nomes...
Sem ser saudozista, nenhum Governo nem nenhuma oposição foram na realidade eficazes desde o 25 de Abril de 1974... Não quer isto dizer que as coisas antes estivessem bem mas... Antes havia muito menos pessoas a delapidar o País.
Ao longo destes anos todos, desde passagens administrativas a "aviários universitários", desde ordenados milionários a reformas milionárias (com acumulação de outras receitas milionárias por nova nova actividade profissional pré-comprada pela actividade politica) tudo tem acontecido! E isto refere-se a qualquer dos quadrantes politicos.
Na minha humilde opinião (sujeita a erro) um País assemelha-se a uma Empresa... tem de dar lucro... mantendo (aumentando mesmo) o bem estar (fazendo garantir a integridade de direitos e deveros individuais) dos seus acionistas (num País todos os cidadãos o são) e trabalhadores! Tem de ter qualidade de métodos, condições de vida e ambiente, e de resultados! E isto não são os politicos que o conseguem pelo menos pelo que se tem visto na Nação Portuguesa...
Proponho por isso que a Nação Portuguesa seja gerida por GESTORES contratados para o efeito com uma cláusula de despedimento imediato no caso de exercicio incorrecto da Função...
Quanto á " Europa federal ou confederal" perfeitamente de acordo é urgente mas dificil de executar devido aos interesses Individuais de algumas pessoinhas!
Ora muito boa tarde à Su e ao Kizzaka, os meus comentadores favoritos nestas paragens. E para que não se sintam sós, cá vou eu…
Falando de insustentabilidade e do “nosso” PR, nosso entre aspas, porque não votei nele, pese embora o facto de já ter alguma dificuldade em memorizar algumas coisas, não me esqueci do (des) governo deste senhor enquanto PM. Foi dos momentos mais terríveis que vivi enquanto trabalhadora.
Ainda continuo a ser trabalhadora, e espero que por mais alguns anos, até NÃO ter a certeza de vir receber a minha reforma quando for o momento, mas a verdade, é que só as “moscas “ mudaram. O (des)governo continua a existir, pouco ou nada mudou, e se me apetecer ser pessimista (o que é raro em mim), dou-me ao luxo de dizer que não me lembro de nada tão mau a nível económico como esta primeira década do século XXI.
Argumentam muitos que a crise é global, que o planeta está assim em todos os cantos… mas há situações e situações. E agora, correndo o risco de ser egoísta, é neste país que eu vivo, nesta Europa, que há muito tempo já deveria ser uma confederação.
As orientações políticas, os interesses verdadeiramente Nacionais ficaram escondidos no canto mais escuro de um baú gigantesco que alguém (ou todos nós) resolveu construir e colocar lá tudo ao molho, para ninguém perceber a desarrumação que vai nesta casa à beira mar plantada. Ficamos todos distraídos e não demos importância na altura devida aos brutais salários (?) que todos pagamos aos gestores
Será que já não se pode dizer a verdade? Ou temos que continuar sistematicamente a ser enganados, a ouvir que tudo está bem, quando sentimos na pele que as condições de vida vão de mal a pior. Já fomos enganados muitos anos.
Acho que Cavaco já se realizou em tudo na Política
Alguém me diz o papel do P.R, neste país?
Já sei "assassinar" papeis, para f o povinho.
Um dia questionei o meu prof.de Direito de Lisboa, se ele não gostava de estar na política.
A sua resposta foi simples: Não, porque tenho clientes que são Políticos e vejo o que eles fazem, que resume-me nisto:Nada, passam o tempo lá dentro, dormem a sua sesta, dizem que não querem ser encomodados, assinam apenas umas folhas, e ganham raíz de dinheiro sem fazer nada, e nós somos roubados constantemente por eles, por isso esses lugares nunca vou querer ocupar.
Apartir daí e apartir de uma professora de Integração compreendi o mundo da política e a bola de neve que dia após dia aumenta e depois não se tem modo de corrigir.
Para mim o nosso P.R, está só a querer receber mais umas massas, afinal ele quer porque sabe o tempo das reformas e o seu objectivo é ficar com uma boa reforma, e muitos de nós nem a ver um dia.
Não acredito que Cavaco possa ser um bom P.R, no futuro, mas qualquer um que vá para lá, vai fazer pouco mais que ele, ou seja assinar alguns papeis apenas.
Mudar algumas leis, e concordar ou discordar com o nosso 1º Ministro.
Acho que Cavaco realizou-se na vida política, mas não acredito que ganhe de novo este lugar, pois a malta mais nova é tudo menos reservada e se eles votarem muitos deles não vão fazê-lo e mais se foram alunos dele,ahah
A todos um bom fim de semana.