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A Política económica da UE vai continuar mais do mesmo, e a nossa?

Um Obama Tuga

Jack Soifer *
13:19 Quarta, 4 de Agosto de 2010
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Precisamos de um Obama Tuga, com coragem de fazer o óbvio e não sucumbir às pressões dos lóbis que nos levaram à esta crise. São os mesmos que agora mandam os políticos apertar-nos os cintos. A política económica da UE vai continuar mais do mesmo, e a nossa?

As crises económicas, a maior travada por Roosevelt nos EUA, foram resolvidas com investimentos em pequenas obras de infra-estrutura, aumentando, não reduzindo, a dívida pública. Foram pequenas firmas pelo interior, contratadas para melhorar, não construir de raiz, escolas (aí Sócrates vai bem), hospitais regionais (menos mal), estradas locais e regionais (muito mal), e, sobretudo, facilitar o crédito e modernizar o controlo para pôr no mercado a inovação (péssimo); pois aqui imperam os cartéis.

A nossa maior dívida lá fora é da banca, para financiar o consumo e não investimentos produtivos. É para supérfluos e importados, como carros de luxo, TV LCD, longas viagens, roupa de marca, bebidas que dizem ser boas, mas contêm aditivos perigosos. A nossa obesidade aumenta com estas importações. Mau para nós e bom para os grandes da UE, França, Alemanha, Inglaterra; quanto mais nos endividarmos lá, e eles nos enfiarem os seus produtos, melhor. Inventaram ser a dívida pública, não esta dívida privada, a principal razão da falta de equilíbrio. Mas a UE, leia-se eles, nos impede de proibir estas tolices.

Um Obama nos tiraria da UE, pois se ela foi boa no início, agora já não é. Sim, às vezes usamos mal os recursos que de lá vieram, o Tribunal de Contas está sempre a questionar as derrapagens e contratos inusitados do Ministério das Obras Públicas. E quando os 12 novos dos 27 pedirem mais apoio a partir de 2012, ficaremos sem ele; e com uma dívida privada dez vezes maior que até há pouco. Ao cortarem de vez o nosso crédito, o desemprego vai crescer, o salário real baixar, a precariedade aumentar e os lóbis vão mandar ainda mais nos nossos políticos.

Para consumir menos importados, basta o governo legislar um temporário limite no uso do cartão, para evitar os desastres familiares, quando o desemprego apanha os que devem metade do seu ex-salário ainda por cinco anos; pois compraram um carro importado, sem ter a maior parte do valor na sua conta. A dívida feita na banca lusa foi financiada na dos países que mais exportam para nós. Foi como fizeram com a Grécia, Itália e Espanha.

Agora, quando finalmente a regra de cautela, que por séculos dominou a banca, suspensa pelos especuladores dos EUA e UE para permitir nos saquear, voltou ao normal, a banca lusa sofre restrições e aperta a pequena empresa - ela que gera emprego.

Estudos indicam que o crédito do cartão é usado para produtos e serviços de PME até o valor de 40 euros, não passam dos 98 ao fim do mês. Fácil de regular e controlar.

Ao limitar supérfluos, reformar um terço dos 700 mil burocratas e todos os boys, vender metade dos valiosos edifícios públicos de Lisboa e mudar as Secretarias de Estado para outras cidades, o governo mostraria real autonomia.

* Consultor internacional, autor de Entrepreneuring Sustainable Tourism e Como Sair da Crise

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UM OBAMA TUGA
jackson (seguir utilizador), 1 ponto , 21:32 | Segunda, 16 de Agosto de 2010
Muito próprio, destacar a dívida privada ao consumo, ao contrário do que muitos sublinham, a pública. Realmente um ciclo de depressão só pode ser combatido com mais emprego e gastos onde se criem empregos no país.
investigar a estratégia de aplicabilidade dos empr
romeu_060 (seguir utilizador), 1 ponto , 18:52 | Domingo, 22 de Agosto de 2010
O 3º parágrafo é brilhante. Seria interessante investigar o destino dos actuais 48 mil milhões de € que a banca nacional pediu ao Banco central europeu... De Junho e Julho o aumento foi de 21%... (férias lá fora..?)
2 comentários
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