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Entrevista

"Um gato pode salvar vidas"

Após ter perdido subitamente o filho mais velho, a neo-zelandesa Helen Brown recuperou a alegria de viver graças à entrada de uma gata bebé na sua família. Cleo*, o livro que a colunista lançou, 27 anos depois, é um tributo ao poder curativo dos animais de companhia

Clara Soares
12:42 Quarta, 3 de Março de 2010
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"Um gato pode salvar vidas"
José Carlos Carvalho
Como é que Cleo entra na sua vida?

Na altura eu tinha 28 anos, dois filhos, um casamento a ruir e um cão. Tinha prometido aos miúdos que lhes faria a vontade de aceitar mais um animal, no 9º aniversário de Sam: um gatinho de uma ninhada que havíamos visitado. Três semanas depois disso,  Sam morreu atropelado perto de casa, na presença do irmão mais novo, enquanto tentava salvar um pássaro. Quando os amigos de Sam bateram à porta com a cria, a quem já tínhamos dado o nome de Cleo, vi o meu filho Rob sorrir pela primeira vez desde o funeral do irmão.

O que representou esta gata para si?

Há uma coisa de que as pessoas nem sempre se apercebem: os animais exercem um efeito terapêutico, e até mágico, nas suas vidas. Acima de tudo, ela significou - para mim e para Rob - o último elo de ligação com Sam. Depois do acidente, tudo se transformou: voltei a casar, mudei de casa, tive mais dois filhos. A gata persistiu como a nossa única ligação ao passado. Creio que Cleo permaneceu connosco durante o tempo que achou que nós precisávamos dela, da sua protecção. No caso, foram 23 anos, que equivalem a 160 nos humanos...

 O que quer transmitir com o seu livro?

Testemunhar que a morte de alguém muito próximo não é o fim de tudo. Nos filmes, o herói morre, e vamos para casa no fim. Na vida real, nem sempre estamos preparados para o que acontece depois. Achei importante partilhar o facto de ser possível ter uma vida plena, depois de um incidente trágico. E mostrar como um animal de companhia pode dar amor e salvar vidas.

Que reacções teve dos leitores?

Não podia ser melhor. O livro já vendeu três mil exemplares e foi traduzido em oito línguas. Recebi, e continuo a receber, correspondência de várias partes do mundo. Houve mulheres que me confessaram: "Se não tivesse os meus dois gatos, não sobreviveria ao meu divórcio como o fiz, mantendo-me viva". Também aconteceu isso quando, após a morte de Sam, decidi partilhar a minha experiência na coluna semanal do jornal para onde escrevi durante décadas, sobre assuntos de família.

 As pessoas identificaram-se consigo, na altura?

Choveram cartas de pais que tinham sobrevivido a traumas idênticos e que me devolveram esse sentimento. Não podemos esquecer que, à data, não existia aconselhamento para pais que perdiam os filhos [por doença, desaparecimento ou acidente]. Parar de escrever a minha coluna e fazer de conta que nada se tinha passado não era alternativa. A partilha funcionou como uma terapia.

 Que mais a cativa no comportamento felino?Os gatos têm uma sabedoria profunda acerca da vida. Os antigos egípcios já o sabiam e ficavam fascinados pela visão nocturna destes animais independentes e misteriosos, com acesso a outros níveis de sabedoria. Não há animal mais independente. E há mais: se não gostar da pessoa que tem ao lado, procura outro lar. Um gato escolhe-nos a nós, humanos, e não o contrário. Estas características inspiram respeito, admiração e, ocasionalmente, temor.  O que pensa da humanização dos animais de companhia pelos seus donos?

Bom, não tenho a intenção de ir por aí, mas há aquele terrível cliché de que os felinos são como as mulheres e os caninos como os homens (risos).

 Pode explicar isso melhor?

A ideia de que as mulheres se assemelham aos gatos por serem necessidade de seduzir, por serem mais subtis e difíceis de compreender. Já os homens se aproximam dos canídeos, pela sua natureza mais simples, que se contenta com exercício, água e comida.  

 Os efeitos terapêuticos dos gatos foram comprovados pela ciência?

Existem pesquisas sobre o impacto que os animais têm na saúde. Afagar um animal de companhia baixa a baixa de pressão arterial e a frequência cardíaca. Há quem tenha registado melhorias físicas no plano dos músculos e articulações, através do convívio com os seus bichos.

Tem alguma recomendação a fazer para quem não consegue decidir se quer ter um inquilino destes em casa?

(risos) Basta pensar que é quase impossível encontrar o amor incondicional na vida. As pessoas separam-se. As que nos são próximas envelhecem, adoecem, morrem. Os animais de companhia, sejam cães ou gatos, oferecem amor de uma forma que os humanos, por vezes, não têm capacidade de dar.

 Que cuidados recomenda para preservar o bem-estar do animal que habita connosco?

Depende do ambiente. Cleo viveu ao ar livre, no campo, mas o gato que temos agora., em Melbourne (Austrália) não tem essas condições: temos de levá-lo à rua numa caixa. Procuramos mantê-lo na nossa casa quando estamos em viagem e contratamos uma senhora que faz pet sitting. No contexto urbano, a esterilização, pode ser um mal menor.

 

Pode referir três qualidades felinas que nos ajudem a viver?A primeira é a capacidade de estar no presente. Estes animais não perdem tempo a pensar no que vão oferecer à mãe no Natal ou frustrados com o que se passou na semana passada no trabalho.

Segunda: resiliência. Quando as coisas correm mal, os bichos não precisam de horas de terapia nem se abandonam à auto-piedade. Já reparou num animal lesionado? Recupera e segue em frente. Terceira: alegria. Quando um gato está feliz, esse estado emana-lhe do corpo.

 
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Um gato...
a.dúvida (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 20:40 | Sexta, 5 de Março de 2010
"Falai aos animais em lugar de lhes bater" (Leon Tolstoi).
UM GATO PODE SALVAR 7 VIDAS
joadearievilo (seguir utilizador), 1 ponto , 18:57 | Sexta, 5 de Março de 2010
É uma grande verdade, um gato pode salvar até sete vidas. Daí dizer-se que o gato tem sete vidas. Mas acho melhor ficarmos pelas seis vidas do gato, para o bicho ficar vivo.
Se for um gato desses domésticos, bem nutrido, frito, ou cosido, temos gato para uma pessoa comer durante um mês, à-vontade. Com um bom acompanhamento de batatas, arroz ou massa, garantiu-me a dona Lisete, cozinheira do restaurante O Gato Pardo, temos comida para dois meses, a duas refeições de gato por dia.
Eu, confesso, já comi gato e não gostei. Encomendei um coelho ao Alberto do talho, ele perguntou-me, ‘Quer que o traga já cortadinho aos bocados? ‘fiquei a pensar, porque raio aos bocadinhos? Mas não desconfiei. Só depois de comer um bocado é que percebi. O resto deitei fora. Mas admito que a culpa fora minha, um coelho deve vir sempre inteiro e com cabeça!
No entanto, muita gente come gato por coelho e não se queixa.
2010-03-05
    Re: UM GATO PODE SALVAR 7 VIDAS   
mferncosta (seguir utilizador), 1 ponto , 19:28 | Sexta, 5 de Março de 2010
    Re: UM GATO PODE SALVAR 7 VIDAS   
pasme-se (seguir utilizador), 1 ponto , 20:21 | Sexta, 5 de Março de 2010
    Re: UM GATO PODE SALVAR 7 VIDAS   
joadearievilo (seguir utilizador), 1 ponto , 21:42 | Sexta, 5 de Março de 2010
    Re: UM GATO PODE SALVAR 7 VIDAS   
mferncosta (seguir utilizador), 1 ponto , 19:45 | Domingo, 7 de Março de 2010
PEDIDO À REDACÇÃO
joadearievilo (seguir utilizador), 1 ponto , 22:05 | Sexta, 5 de Março de 2010
Peço à redacção que não leve em conta por eu ter carregado em ‘Alertar comentário abusivo’, foi simplesmente por engano, porque eu penso serem estes comentários muito importantes (para quem queira ter uma ideia mais próxima da nossa cultura). Depois, quando há injúria, ela até pode não retratar o visado, mas o autor da mesma é sempre retratado. Muito obrigado.
2010-03-05
    Re: PEDIDO À REDACÇÃO   
a.dúvida (seguir utilizador), 3 pontos , 22:17 | Sexta, 5 de Março de 2010
UM INSULTO E UM GATO
joadearievilo (seguir utilizador), 1 ponto , 23:33 | Sexta, 5 de Março de 2010
Os insultos são de facto um grande meio de auto-retrato.
O texto é banal, mas é precisamente aquele que as pessoas gostam de ouvir. Será sim interessante, não pelo que é dito de modo directo, mas por mostrar a superficialidade, indirecta, do ser humano actual. As pessoas já não fazem a mínima ideia do que é a vida, viver. Alguém que precisa de um gato para encontrar alegria de viver, nunca aprendeu de facto nada sobre a vida, ou estará muito doente e sem capacidade de reflectir. Depois a morte é algo que pode acontecer a qualquer momento, quem não morre, chora o morto. Temos de ensinar às crianças a guiarem-se nos trilhos traiçoeiros. Um pássaro, uma bola, numa estrada podem ser fatais a uma criança. Quem lhes fala que a sua baixa estatura, falta de experiência, não lhes permite uma avaliação correcta das velocidades?
Esses textos teriam mais interesse se fossem de facto analisados por alguém com competência, e não só passados a mensagens que não ensinam nada, antes agravam.
Ainda neste Natal vi uns gatos na casa de uns amigos, e fiquei horrorizado, aquilo já não era nem gato, nem porco nem foca, antes almofadas com pernas.
As escolas não estão ensinando a ver, a ouvir, a sentir, e sobretudo, mesmo nada a reflectir. A liberdade de pensar, a coisa mais bela que o ser humano pode ter, acabou. As crianças entram na creche, desembocam nas escolas e são despejados na sociedade com um preservativo ‘Tomem lá e se por acaso se sentirem perdidos, Comprem um gato!
    Re: UM INSULTO E UM GATO   
mferncosta (seguir utilizador), 1 ponto , 19:51 | Domingo, 7 de Março de 2010
    Re: UM INSULTO E UM GATO   
jvpaiva (seguir utilizador), 1 ponto , 20:38 | Segunda, 8 de Março de 2010
    UM ELEFANTE NAS ESCOLAS   
joadearievilo (seguir utilizador), 1 ponto , 23:32 | Segunda, 8 de Março de 2010
    Re: UM ELEFANTE NAS ESCOLAS   
jvpaiva (seguir utilizador), 1 ponto , 0:54 | Terça, 9 de Março de 2010
    O GRÃO DE AREIA   
joadearievilo (seguir utilizador), 1 ponto , 2:59 | Terça, 9 de Março de 2010
    Re: O GRÃO DE AREIA   
jvpaiva (seguir utilizador), 1 ponto , 10:42 | Terça, 9 de Março de 2010
    O AUTO-RETRATO DO AMANTE DE FILOSOFIA   
joadearievilo (seguir utilizador), 1 ponto , 14:55 | Terça, 9 de Março de 2010
    Re: O AUTO-RETRATO DO AMANTE DE FILOSOFIA   
a.dúvida (seguir utilizador), 2 pontos , 15:12 | Terça, 9 de Março de 2010
SERÁ O SEU CASO?
joadearievilo (seguir utilizador), 1 ponto , 17:24 | Terça, 9 de Março de 2010
– Mas contou as vezes que essa personagem me insultou? Ser tolerante não é permitir que façam de nós o bombo da festa, ou será? Há um pensamento, do qual, infelizmente, esqueci o autor e que diz mais ou menos assim ‘Não é digno de qualquer respeito aquele que também o não exige!

“Será o seu caso?’’ não me parece uma pergunta muito inteligente, pois que para inquirirmos sobre a personalidade de alguém o que temos de analisar é o que esse alguém pensa, e não o que pensa que é!

Mas já que o pergunta. O que estou a pensar de mim, precisamente neste momento, é que me sinto um perfeito palerma por estar aqui a aturar-vos, a perder o meu tempo. São as crónicas, os artigos, as entrevistas, aqui publicados que deveriam merecer a vossa atenção, não o que eu escrevo. Aqui sou apenas um mero leitor com direito a opinião livre concedida pela Visão e por um país que ainda me parece de livre expressão. Mal de mim, se dependesse de um público assim, há muito estaria desempregado, e sem qualquer pressão do primeiro-ministro Sócrates.

Grato pela atenção.
Joa
    Re: SERÁ O SEU CASO?   
a.dúvida (seguir utilizador), 2 pontos , 18:36 | Terça, 9 de Março de 2010
Pensamento magico
madre silva (seguir utilizador), 1 ponto , 0:16 | Domingo, 14 de Março de 2010
É o coração que nos permite amar como ama uma criança: totalmente, sem reservas e sem qualquer capa de sarcasmo, depreciação ou protecionismo. É ele que evoca as moleculas e atomos e o que seja necessario para sarar as nossas feridas. Acreditar no fantastico, sair da mente restrita, celebrar o inracional, transcenderno-nos, permite tocar as forças da vida-morte-vida, descer ao reino dos sentimentos e vencer!
Obrigada Helen Brown por compartilhar a sua história de vida, certamente terei muito prazer na leitura deste livro! :-)
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