Dos jornais: o PNR (Partido Nacional Renovador) participou, em Tóquio, num congresso mundial para discutir o futuro dos movimentos nacionalistas e lança as sementes de uma "internacional nacionalista". Esta bem podia ser a cereja no topo do bolo da silly season. Leram bem: trata-se de uma internacional... nacionalista! O que é que faltará inventar? Um partido fascista/leninista? Uma "internacional nacionalista" é um fenómeno capaz de deixar de olhos em bico qualquer politólogo. E, no entanto, três factos interessantes, e que dizem respeito à nação, decorriam, ao mesmo tempo que os "nacionalistas" se internacionalizavam: no primeiro caso, passavam (14 de agosto) 625 anos sobre a batalha de Aljubarrota, acontecimento refundador de Portugal. No segundo, a pátria de Nun'Álvares consumia-se numa voragem de incêndios que remetem todo o espaço do País para o litoral urbano, encurtando, na prática, o território útil para uma dimensão muito menor do que a do tempo desse nosso avoengo. No terceiro, Pedro Passos Coelho ensaiava, "nos algarves", a primeira ameaça séria ao Governo da nação, prometendo chumbar qualquer orçamento que inclua aumento de impostos, ainda que encapotado em redução de benefícios fiscais no IRS.
Vamos por partes: Nuno Álvares Pereira é, em certo sentido, o verdadeiro fundador de Portugal. Na lógica de fidelidades a senhores e suseranos, a fina-flor da nobreza legalista estava, no conflito de 1383-85, a favor de Castela. Com ele, e depois dele, a primeira fidelidade passa a ser para com a comunidade e a terra onde se nasceu. O nobre Nun'Álvares percebeu a mudança dos tempos e colocou-se ao lado da "arraia-miúda", isto é, do povo e dos cidadãos. Com ele nasce, também, a ideia de cidadania portuguesa. Mais do que um estratego militar genial, ele é sobretudo isto: um político inovador. E por isso é tão importante e - ao contrário do outro - o maior português de sempre.
Esta capacidade de adaptação a novas circunstâncias, utilizando as sinergias do momento a favor do bem comum dos portugueses, nem sempre tem sido honrada pelos políticos do nosso tempo. Muito menos a fidelidade para com a comunidade e a terra onde se nasceu, que Nun'Álvares percebeu, e que hoje, livre de egoísmos nacionais, deve ser praticada numa lógica europeia. Nenhum dos nossos responsáveis recentes previu, por exemplo, uma alternativa para o fim da agricultura, primeiro fator responsável pelos incêndios. A desertificação, o abandono da terra e a falta de saídas para a reutilização do território fizeram dos campos um matagal incoerente, desleixado e negligenciável.
No seu discurso do Pontal, o líder do PSD ignorou esta matéria tão importante - e atual - preferindo enveredar pela previsibilidade da ameaça de chumbo do Orçamento. Está o PSD disposto a arcar com as consequências económicas de uma crise política? Tem o PSD uma explicação para as agências de rating que, sem dúvida, juntarão mais um isqueiro à já incendiada dívida da República? Poderá o PSD garantir que, caso constitua Governo, jamais tocará nos benefícios fiscais que tão pressurosamente agora defende? Estará disposto, então, a explicar como cumprirá os critérios do PEC apresentado em Bruxelas com o seu beneplácito? Veremos, mais para diante, se o PSD está suficientemente forte para incendiar a política ou se se prepara para nos dar mais uma banhada.
Eu,um simples operário emigrante na Holanda desde 1964 e já velho
(86anos),direi que tanto o PSD como o PS apesar das suas diferenças
de pormenor,são Partidos que apoiam e praticam a Política Liberal e apoiam a Horda mercenária da NATO.O que aqui estranho é o Filipe Luís,não sei por que carga d'água,meter nesta embrulhada o termo
fascista/leninista.Ora o Filipe Luís sabe até melhor do que eu que sou um operário,que o Fascismo é adverso do Leninismo.Sabe que o
Fascismo é a Ditadura dum Sistema Capitalista,ou seja,das èlites que
sempre téem governado desde há séculos,enquanto que o Leninismo
defende a Ditadura do Proletariado ou seja da maioria da população.
dum País ou seja o Poder do Povo pelo Povo e para o Povo.É claro que eu sei que só será possível uma Ditadura do Proletariado ou seja da maioria da População,quando êsse Povo tiver consciência
e capacidade para Governar,o que no meu fraco entender,é uma
utopia,dado que o Povo,em especial a Plebe,manter-se-á sempre
semi-analfabeta e aliemada pela Religião e ou pelo Futebol,porque a
pulhice humana não tem limites,pois o Homem é lôbo do Homem.
De modo que haverá sempre um ou outro indivíduo até mesmo da
pequena Burguesia que ascenda à categoria de Condutor das massas
populares e tenha atrás de si capangas ou sicários recrutados de entre o Povo e até com a bênção da Igreja.Não é necessário que seja nobre para conduzir o Povo como o Nuno Álvares que tinha a
bênção da Igreja.Afinal o que é um nobre?!
Quanto a incendiar a política, não acredito que o PPC seja capaz: falta-lhe "chama". Quando muito vai atirando umas achas para a fogueira e depois, tal como agora com os incêndios, vai verificando os resultados.
Mas a que políticos deste país interessa o povo? Só se servem dele para se servirem.
Caro Filipe Luís,
Quando PCoelho envereda pela previsibilidade da ameaça de chumbo do orçamento... urge questionar o que é mais importante neste momento para o País: um orçamento, ou antes um governo capaz de governar?
E que papel positivo pode desempenhar Passos Coelho? Muitos se quiser, e deixar uma marca que lhe permita no futuro alcançar o lugar que almeja... ou seja a cadeira de Primeiro Ministro.
Se o PSD lançar uma crise política... quem ganhará? O PSD? Passos Coelho? Não creio.
Passos Coelho não pode garantir nada. Podia mostrar mais qualidades de liderança e de objectivos... mas por agora ficam as palavras apenas.
Apertado pelas sondagens e pela catadupa de ineptidões que se seguiram ao primeiro entusiasmo, Passos Coelho muda de estratégia e rapidamente passa da «não temos pressa para chegar ao poder» para a de «se o Presidente não dissolve agora, não aguento o desgaste» , tendo como plano B a reacção do CDS, o qual, vendo parte dos seus deslizar para este PSD «liberal», não deve estar interessado nestas aventuras, ou então, tendo-lhe passado rapidamente a «postura de Estado» demonstra o que realmente lhe vai na alma : o país é secundário, quanto pior melhor.
Mais um profundo erro de cálculo como adiante se verá.