Na semana passada, tive a oportunidade de ler na revista "Visão" (com capa no mínimo discutível), uma extensa reportagem sobre a tragédia da Madeira. Dessa reportagem, destaco uma frase lapidar sobre aquilo que aconteceu:
"... a soberba humana - que nos leva a julgar sermos capazes de domesticar a Natureza e vergá-la às nossas extravagâncias..."
Fenómenos extremos sempre houve e continuará a haver. Cheias, terramotos, furacões, etc. Podemos atribuir culpa às alterações climáticas (sendo uma parte verdade) e à mão do Homem na destruição do meio ambiente. Mas certo é que a maior parte dos nefastos resultados das catástrofes naturais que, repito, sempre existiram, têm uma explicação. E essa está bem descrita na frase que reproduzi.
A estupidez Humana que continua a construir em leitos de cheias, em cursos de água, em zonas extremamente vulneráveis a abalos sísmicos, etc. é a principal culpada pela morte de milhares de pessoas. Mas depois a culpa é das alterações climáticas, do azar, da Natureza que não podemos controlar, de fenómenos que não podemos prever...
Dou como exemplo a erupção do Vulcão Vesúvio na Sicília que em 79 dC, matou milhares de pessoas. Cerca de 80% da população de Pompeia e cidades vizinhas. O que é que se fez, depois disso? Permitiu-se que se construíssem cidades à volta do Vulcão que continua activo, sendo o único, aliás, nessas condições na Europa. Neste momento vivem cerca de 4 000 000 pessoas próximas do Vulcão que poderão vir a ser directamente atingidas numa erupção semelhante aquela que destruiu Pompeia em 79 dC.
Mas como passaram 1931 anos, já ninguém liga... Se acontecer, embora existam hoje meios de alerta e conhecimentos para que se possa antecipar em algum tempo os acontecimentos, a acontecer, com toda a certeza, os prejuízos humanos e materiais serão enormes. Depois, a culpa será da Natureza, das alterações climáticas, do azar, da fúria divina...
O Planeta tem milhares de milhões de anos. A esperança de vida média do Homem ronda os 80. Se quisermos comparar, o nosso tempo de vida é menos do que um milionésimo de segundo da vida do Planeta. A própria existência humana enquanto espécie não tem grande significado temporal perante a idade da Terra. Porque é que insistimos em querer controlar e alterar algo que definitivamente não o podemos fazer?
A Natureza encarrega-se de corrigir os nossos erros e reequilibra-se sempre. Somos apenas uma espécie entre milhares, nada mais! Enquanto não nos consciencializarmos todos disso e deixarmos de provocar e afrontar a Natureza, havemos de continuar a ser castigados por ela...