Na Catalunha, o parlamento regional proibiu a tourada, pondo fim a uma das maiores tradições da região. Em Portugal, apenas se proibem os touros de morte, mas há um movimento contra esta prática popular. Contudo o que interessa aqui saber é se a tourada deve ser apoiada pelo Ministério da Cultura, conforme está previsto na lei.
Interessa saber se a tourada deve ser apoiada pelo Ministério da Cultura? Óbvio, faz parte da nossa milenar tradição mediterrânica. O que me parece uma barbaridade é lidar o touro, enchendo-o de farpas para enfraquecê-lo e depois, não o matar na arena. Eis a glória da besta: viver ou morrer.
Curiosamente, não existe argumento mais infeliz a favor das touradas que o ad nauseam “tradição milenar”. Os seus defensores podiam argumentar utilizado aspectos mais elaborados: a necessidade pulsionar da catarse de um inconsciente colectivo, atirarem para o discurso Eros e Tanato, umas postas de pescada com a chancela de Freud, os fados inspirados nas touradas, a necessidade de afirmar a ordem social através da morte do animal totémico, debitarem profícuo discurso sobre os quadros com representações de touradas realizadas por Picasso…etc. Optam pela pobre argumentação sobre a defesa da “milenar tradição mediterrânica” dando pasto a todo o tipo de divagações. Quem tem saudades: do libertador cinto de castidade, das divertidas fogueiras da inquisição, da adrenalina provocada pela proibição da utilização de anti conceptivos, a alegria provocada pelo direito da pernada, a saudosa escravatura, a encantadora proibição do divorcio, a festiva lapidação por adultério…? Enfim, tanta costumes ancestrais que foram dar uma volta ao bilhar grande!
Penso que as touradas estão em vias de extinção, porque não acredito que possamos viver eternamente na Idade das Trevas. Apoiar a Tourada é apoiar a incultura, logo o Ministério da Cultura não pode apoiar tal acto incivilizado, e cada cidadão se se diz civilizado, devia fazer o mesmo. Só podemos avançar se deixarmos para trás o que pertence aos tempos rudes do antigamente.
Afinal porque razão,
é o chamado Ocidente,
dominado p'la Religião,
do cristão impenitente?
Vemos que é sádico,pagão,
o modo de vida da gente,
pois tem o culto da dôr,
e do sangue do Senhor.
Ns Igrejas pendurado,
está o Cristo na cruz,
e também dilacerado,
põem-lhe o coração à luz,
e com espinhos coroado,
o que impressiona e seduz,
muito vermelho,sangrento,
e o Povo reza em lamento.
Talvez por esta razão,
o culto do sangue e da dôr,
e dos gritos de emoção,
mas também de desamor,
nas arenas,onde no chão,
o touro jaz em estertor.
Quem maltrata um animal,
não é de bom natural.
Pois é de facto bem curioso,
que,antes da «lide«,o toureiro,
reza à Virgem muy piedoso,
ou ao Santo seu milagreiro,
e depois soberbo e airoso,
domina a arena,sobranceiro,
pica,maltrata o bravo touro,
pensando na fama e no ouro.
Cultura, no dia-a-dia das sociedades civilizadas (especialmente a sociedade ocidental) e no vulgo costuma ser associada à aquisição de conhecimentos e práticas de vida reconhecidas como MELHORES, superiores, ou seja, erudição.
Cultura é INFORMAÇÃO, conjunto de conhecimentos teóricos e práticos que se aprende e transmite aos contemporâneos e aos vindouros.
A Cultura é CRIAÇÃO.
A cultura é EVOLUÇÃO
A cultura é um factor de HUMANIZAÇÃO.
Acredito que enquanto explorarmos, torturarmos, submetermos a todo o tipo de práticas brutais e desumanas, e finalmente matarmos, outros seres sensíveis, seja por hábito, vaidade, lucro ou tradição, não nos será possível abolir as mesmas práticas entre humanos.
A banalização da morte e do sofrimento traz mais morte e sofrimento.
Cabe-nos decidir em que mundo queremos viver e que legado pretendemos deixar aos nossos filhos.
O MC não tem de apoiar!!! Não é por ser uma " actividade" milenar, mas que esteve suspensa no sec.XVIII, que deve ser apoiada. Há outras tradições milenárias, o trabalho infantil, a violência contra as mulheres, o alcoolismo, etc... Cultura não é só o que é antigo e enraizado em determinadas faixas da população. Cultura é algo sempre relacionado com o desenvolvimento pessoal, mental e relacional do ser humano. Nas touradas, o sofrimento dos animais, nossos companheiros no Planeta, não desenvolve, não engrandece ninguém, não melhora quaisquer relações, é um espectáculo degradante e lamentável, prova do estádio inferior de muitos de nós, que nos consideramos os reis da criação...
Defender algo com o argumento da tradição revela uma grande pobreza de espírito. A cultura não é estática e faz parte da sua dinâmica a revisão dos hábitos, costumes, tradições à luz dos novos códigos éticos pelos quais as sociedades se regem.
Onde é que já se viu criar uma secção permanente para regulamentar uma actividade? Onde é que já se viu criar uma secção de tauromaquia num ministério que não tem uma secção de música ou de dança? E todas as outras actividades artesanais onde é que cabem?
Não foi por acaso que os blogues tauromáquicos rejubilaram com a nomeação da ministra, ela serve bem os seus interesses.
O interesse do Ministério da Cultura pela tourada não será descabido de todo se for para a limpar de tudo o que a suja. E essa "sujidade" resume-se quase quase à violação da integridade física do touro na arena e ao espectáculo degradante do sangue a escorrer pelo dorso abaixo do animal ferido pelas farpas, perante a multidão em delírio, insensível ao sofrimento da besta. Há já largos anos que imaginei um sistema de lide que de algum modo se assemelharia à esgrima, no qual toureiro e cavaleiro teriam símili-farpas ou espadas dotadas de sensores digitais na ponta que, ao tocarem num alvo também ele digital previamente colocado no dorso do touro, marcaria pontos, consoante o lugar atingido no alvo, pontos esses que seriam imediatamente conhecidos dos espectadores, graças a um mostrador gigante. A adição dos pontos numa tourada e nas diversas touradas do ano permitiria a realização de uma espécie de campeonato anual de toureiros e cavaleiros dotado de taças, títulos, remunerações eventualmente faraónicas, mas o essencial é que os touros deixariam de sofrer na pele com a bestialidade sádica (para não dizer asselvajada) dos praticantes da tauromaquia. Prever-se-ia além disso que os touros deixariam imperativamente de ser abatidos depois da lide.
Foi esse o estratagema que imaginei então para tornar as touradas mais "civilizadas". No entanto ulteriormente apercebi-me de que mesmo assim nem tudo batia ainda certo: por um lado, o cavalo sofre com as esporas do cavaleiro e regra geral sai da arena com o lombo ensanguentado pelas mesmas. Não será que seria então recomendável acabar com o toureio a cavalo? Por outro lado, acontece que, mesmo que deixasse de ser ferido, o touro continuaria a ver-se obrigado a participar num espectáculo que só é lúdico para terceiros, toureiros e afins, mais os aficionados, que não para ele próprio. Estamos, pois, com a tourada, perante um espectáculo de dominação desnecessária e degradante do homem sobre o animal.
Assim sendo, embora permitisse evitar o sofrimento do animal decorrente dos ferimentos que lhe são infligidos, o sistema tauromático que acima exponho não deixaria de representar uma marca de profundo desrespeito do homem para com o animal, pelo que talvez se devesse ponderar o progressivo desaparecimento do espectáculo tauromático. Talvez o Ministério da Cultura ganhasse em dar uma olhadela para o que se passou em Viana do Castelo, onde não se esteve com meias medidas e se acabou de uma vez por todas com as touradas. No entender de alguns a solução terá sido excessivamente radical. Poder-se-á considerar no entanto que aponta na direcção correcta.
...Faz parte da cultura! E está enraizada em muitos povos e países por este mundo fora, em especial todos os que são de origem latina.
Como apreciador do espectáculo que é a tourada, até era capaz de admitir o conceito de barbaridade a quem o soubésse exprimir de forma isenta e exemplar, sem, após o protesto, ir deliciar-se com um belo bife de qualquer animal, ignorando o sofrimento que o mesmo teve para lhe chegar ao prato. Certamente seria bem mais "humano" o toiro ser estocado mortalmente em praça, pois sofreria bem menos que a galinha que lhes faz as canjinhas!...
E para os vegetarianos, que se escondem de forma completamente idiota atrás da "fórmula" *comam vegetais, não seres vivos!*, nem tão pouco existe resposta mereçam receber (exceptuando os que o fazem por razões de dieta, saúde, ou outra comparável!...)
Depois... Há muita gente que nem merece direito de opinião, tanto neste como noutros assuntos, porque nem sabe do que fala, não está minimamente informada, e apenas é "do contra" porque... Nem sabe bem: quer é vir para aqui dizer qualquer coisa, seja lá o que fôr, pois não tem nada mais de interesse para fazer e as pessoas com quem costuma falar já nem lhe ligam nenhuma!
Já agora, enquanto estiver a ler este comentário, não se atreva a matar nenhuma melga que lhe esteja a "azucrinar" os ouvidos e a causar desconforto: no fundo, também é um ser vivo, e o facto de lhe querer sugar um pouco de sangue não é mais que um acto natural!...
Fico triste com os argumentos dos pró-tourada, porque carecem de humanidade. Parecem que pertencem a uma espécie de seres sem alma. A tortura de um ser vivo, cujo corpo interiormente é igual ao do homem, só pode se reprovável. Tortura não é nem nunca foi cultura, a não ser "cultura da morte". Isso é terrível. Não é um atributo da espécie humana.
Desde quando um espectáculo degradante, violento, cruel, bárbaro pode ser considerado cultura ? Desde quando o dinheiro dos contribuintes pode ser aplicado num espectáculo que é uma vergonha nacional, quando isso não acontece com tantas actividades culturais dignas desse nome ? Desde quando deve ser alimentada uma tradição deste jaez ?
Desde quando a boçalidade expressa numa praça de touros é uma arte ?
Sinceramente...