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  <title><![CDATA[Visão]]></title>
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    <title><![CDATA[O lugar certo]]></title>
    <pubDate><![CDATA[Fri, 02 Dec 2011 16:09:00 GMT]]></pubDate>
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    <description><![CDATA[- Não leve a mal o que lhe vou dizer, mas não gostava de estar no seu lugar...- Sabe que esse tipo de atitude não ajuda nada em negociações desta natureza... Além do mais, nem todas as empresas atribuem 1,3% por cada ano...- Sim, sei disso tudo. Mas acredite que estou a ser sincero, não o digo com qualquer ironia. Vejo que é sensível e acredito que não está confortável nesse papel. - É verdade que ninguém gosta de o fazer. A empresa também não, mas a austeridade dos tempos a isso obriga. - Certo, certo, mas queria apenas que soubesse que não a acho adequada para esse lugar.- Bom, mas afinal em que ficamos? Aceita a proposta?- E tenho alternativa?- Não, na verdade, não tem.- Então isso não é sequer uma proposta...- Entenda como quiser.- Bom, então, aceito.- Faz muito bem.- Então adeus e obrigado.- Felicidades. E olhe...- Diga...?- Não leve a mal o que lhe vou dizer, mas eu também não gostava de estar no seu lugar... ]]></description>
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    <title><![CDATA[In vino derivas, XXXVII]]></title>
    <pubDate><![CDATA[Mon, 28 Nov 2011 12:01:00 GMT]]></pubDate>
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    <description><![CDATA[A exibicionista e o voyeur casaram-se e viveram tarados para sempre. ]]></description>
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    <title><![CDATA[In vino derivas, XXXVI]]></title>
    <pubDate><![CDATA[Tue, 08 Nov 2011 14:58:00 GMT]]></pubDate>
    <link><![CDATA[http://aeiou.visao.pt/in-vino-derivas-xxxvi=f632243]]></link>
    <description><![CDATA[Não penses na vida que a vida também não pensa em ti.  ]]></description>
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    <title><![CDATA[Diário de um sapateiro]]></title>
    <pubDate><![CDATA[Tue, 25 Oct 2011 16:55:00 +0100]]></pubDate>
    <link><![CDATA[http://aeiou.visao.pt/diario-de-um-sapateiro=f629663]]></link>
    <description><![CDATA[Enquanto houver pé(s) há esperança. ]]></description>
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    <title><![CDATA[Brel]]></title>
    <pubDate><![CDATA[Fri, 14 Oct 2011 16:25:00 +0100]]></pubDate>
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    <description><![CDATA[Há noites em que o nosso nome soa a eternidade.- Vem Jef, vem. Vem Jef, vem - repetia ele incessantemente.- Vem comer amendoins comigo. Não há ninguém como tu a comer amendoins Jef. Lembraste daquela noite em que comeste um pacote sozinho? Um quilo, nunca hei-de esquecer-me. Elas, ali em tanga, de boca aberta a abanar o mundo para a esquerda e para a direita e a apanhar os amendoins que tu lançavas. Não eram elas quem apanhava, eras tu quem acertava sempre na boca delas. O dinheiro que gastámos ali Jef. Mas isso nunca foi um problema. O dinheiro nessas noites não se gasta... E a outra noite em que saímos do bar e vimos uma cria de javali no meio da rua. Lembraste Jef? Bem no centro da cidade. Quem é que deixa uma cria de javali no meio de Bruxelas às quatro da manhã? Só alguém muito esquecido. Vem Jef, vem. Anda daí.Eu permanecia em silêncio, estava em baixo, não havia como negá-lo, queria sofrer uma congestão por excesso de dor, mas ele não parava.-  Vem Jef, vem. Vem comigo. Vamos salvar a noite. Tu salvaste a noite vezes sem conta Jef. Tu sabes disso. Há pessoas a quem qualquer trapo fica bem, um casaco, umas calças, uns óculos, um chapéu, um nariz vermelho ou um coração azul. Tu descascas a noite como quem descasca um amendoim Jef. São os teus óculos de sol coloridos. Vem Jef, vem. Não desistia, ele. Estava disposto a arrancar-me o sofá do corpo. E pediu ajuda. Chegou um, outro, três, sete no total. Chamou mais sete amigos. Todos os meus amigos, em minha casa, a pedir para eu ir. E eu fui. Calcei os sapatos, que eu nunca gostei de sair à rua descalço, e fui. Não me lembro de ter comido tantos amendoins como nessa noite. Paris parecia a Bruxelas da nossa juventude, apenas com mais luz, e as ruas pistas de atletismo. Corremos de bar em bar como se fossemos clones de Zátopek. Tinha visto nessa tarde uma reportagem sobre Zátopek, o único homem a vencer os 5.000, 10.000 metros e a maratona nas mesmas Olimpíadas. Zátopek era o melhor mas não tinha estilo, era desengonçado, a sensação de que poderia morrer a qualquer segundo. Se havia algo que até então me ligava a ele era isso: a possibilidade de morrer a qualquer segundo. Mas não nessa noite. Durante essa noite fui Zátopek de cabeça levantada.Não houve copo, corpo ou casa que nos tivesse escapado. O público esperou-o cerca de duas horas - o concerto estava marcado para a uma - , mas ninguém pareceu incomodado com o atraso. Receberam-nos com palmas. Receberam-no com palmas. Estava quente nessa noite, lembro-me perfeitamente que estava quente como tudo nessa noite, e ele transpirava por todos os poros. Não fez caso. A noite era dele, estava escrito. Agarrou no microfone, deu duas ou três indicações aos músicos e cantou de improviso como há muito não o ouvia.Uma música com o meu nome. Quase cinquenta anos depois e, às vezes, ainda me custa acreditar. Era assim o Brel. Ninguém sabia salvar amigos como ele.  Jef, Paris (2011)http://www.youtube.com/watch?v=T4Mx8AN0GF4   ]]></description>
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    <title><![CDATA[In vino derivas, XXXV]]></title>
    <pubDate><![CDATA[Fri, 07 Oct 2011 17:17:00 +0100]]></pubDate>
    <link><![CDATA[http://aeiou.visao.pt/in-vino-derivas-xxxv=f626348]]></link>
    <description><![CDATA[O dom é aquilo que te pertence sem que tu o mereças.  ]]></description>
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    <title><![CDATA[Só de barriga cheia se escreve um policial]]></title>
    <pubDate><![CDATA[Tue, 27 Sep 2011 01:07:00 +0100]]></pubDate>
    <link><![CDATA[http://aeiou.visao.pt/so-de-barriga-cheia-se-escreve-um-policial=f624429]]></link>
    <description><![CDATA[Mike Fingers renega os micro-contos e dedica-se à bíblia para ver se aprende a escrever um policial. Enquanto não chega ao apocalipse, entrega-se à poesia parva, que é uma outra forma de passar fomeca. O que vale é que quinta feira é dia de cozido.  ]]></description>
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    <title><![CDATA[Bicho da madeira]]></title>
    <pubDate><![CDATA[Tue, 20 Sep 2011 14:09:00 +0100]]></pubDate>
    <link><![CDATA[http://aeiou.visao.pt/bicho-da-madeira=f623333]]></link>
    <description><![CDATA[Era uma vez um bicho muito feio e muito barulhento que vivia isolado numa ilha tão bonita que mais parecia um jardim.O pior é o que o bicho tinha um apetite voraz por madeira e não parava de se alimentar do solo onde assentava as suas patas.De tantos buracos fazer, um dia, a ilha afundou.  ]]></description>
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    <title><![CDATA[In vino derivas, XXXIV]]></title>
    <pubDate><![CDATA[Mon, 29 Aug 2011 16:15:00 +0100]]></pubDate>
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    <description><![CDATA[Alcançamos a maturidade quando percebemos que os nossos pais estão tão perdidos como nós.  ]]></description>
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    <title><![CDATA[Fundo de garrafa]]></title>
    <pubDate><![CDATA[Thu, 25 Aug 2011 12:58:00 +0100]]></pubDate>
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    <description><![CDATA[Almoça sozinho numa tasca ao virar da esquina. Menu: prato do dia, garrafa de vinho e copo de whisky. Os jornais a acompanhar. Um hábito mais do que um ritual. "A conta, por favor". Óculos na mesa, lentes embaciadas, lenço de pano em círculos a apagar o que não se vê. Acena aos empregados e sai aos esses em direcção ao escritório. Como se os seus olhos fossem os seus óculos e os seus óculos estivessem bêbados. Os colegas, cada vez mais preocupados com o estado em que se apresenta para trabalhar da parte de tarde, avisam-no para que tenha mais cuidado com a bebida. Não faz caso. O problema não está no álcool, garante-lhes. Mas nos seus velhos óculos fundo de garrafa.   ]]></description>
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