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Turismo

"Somos um destino de nicho"

Aos 76 anos, André Jordan, chairman do Grupo Jordan e "pai" da Quinta do Lago, no Algarve, mantém-se atento ao rumo do turismo em Portugal. Leia a entrevista completa 

Rita Montez
14:59 Quinta, 24 de Junho de 2010
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"Somos um destino de nicho"

 

Que balanço faz dos 70 anos do grupo?

O negócio do imobiliário sofreu uma enorme evolução. Há 40 anos, não existiam promotores nem especialistas e hoje existe uma grande profissionalização.

Já no urbanismo, a situação agravou-se. Com a revolução de 74, as autorizações urbanísticas foram transferidas para as câmaras municipais, que não tinham competências nem conhecimentos para analisar estes processos. Isto deu lugar ao aparecimento de bairros muito maus, à volta de cidades como Lisboa e o Porto.

Por outro lado, deu-se um grande desenvolvimento urbanístico à conta da evasão fiscal dos construtores civis, os chamados "patos bravos". As habitações puderam baixar muito de preço porque os construtores tinham lucro não sobre a obra, mas sobre os impostos que não pagavam. Surgiu ainda a corrupção, porque os construtores puderam passar a pagar favores. Com os Planos Diretores Municipais e um maior controlo do fisco, estas situações foram corrigidas.

 O Algarve foi uma das regiões que mais sofreu com este fenómeno...

Este processo afetou o imobiliário turístico entre os finais dos anos 70 e ao longo dos anos 80. O Algarve, que tem o grosso deste mercado, acabou por ser muito afetado pela falta de controlo urbanístico. Mas tem havido um upgrade na região. Cidades como Portimão, Albufeira e Quarteira já não estão degradadas.

 A Quinta do Lago nasce antes desta explosão...

Na altura, era chique a elite de Lisboa dizer que não conhecia o Algarve. Passavam férias em destinos como Cote D'Azur, mas não lá. A Quinta do Lago fez com que a elite lisboeta começasse a ir para o Algarve.

 Porque investiu lá?

Ao fim de quase 60 anos de trabalho, não sei se tem mais peso a pesquisa e os estudos de mercado ou o feeling e a intuição. Penso que deve existir uma mistura dos dois. Quando tomamos uma decisão como esta, encontramo-nos num estado quase inconsciente, pouco racional.

 Como surgiu o projeto?

Quando o meu pai morreu, em 1967, fui trabalhar para os Estados Unidos da América, na área do imobiliário. Nessa altura, achei que a Europa estava pronta para este tipo de projetos. Existia apenas o Marbela Club, um empreendimento pequeno com muito êxito, mas eu tinha uma ideia mais próxima de um country club, com golfe também.

Ideologicamente sempre me coloquei na social-democracia. Em 1970, quando cheguei a Portugal, tinha ideia de que a situação não podia perdurar e que após a primavera marcelista, o regime se ia abrir. Foi com essa sensibilidade que vim para cá.

 Mas pouco depois de inaugurar a Quinta do Lago, veio a revolução...

Colocámos as primeiras casas à venda em julho de 1972 e tivemos sucesso de imediato. Respondemos a um mercado que eu tinha intuído mas que nunca tinha sido formalizado com estudos de mercado. Entretanto, veio a revolução. Foi decidido não nacionalizar a Quinta do Lago para não a deixar morrer, mas haver uma intervenção do Estado. O conceito da Quinta do Lago era oportuno e, é mais espantoso que ainda hoje seja. Foi o projeto que teve mais sucesso em todo o mundo.

 A atual Quinta do Lago continua a corresponder ao que idealizou?

O conceito de investimento substancial numa casa de férias está ultrapassado. Projetos como os que temos agora no Monte da Quinta e no Victoria Residences- com unidades não muito grandes para alugar-, são o modelo atual.

Os empreendimentos são organismos vivos. Este já passou por várias mudanças e agora passa por mais uma. O atual proprietário está a tentar convertê-lo num resort. É uma das coisas que tenho pena mas que compreendo.

 Porque vendeu a Quinta do Lago? Foi uma decisão difícil?

Depois de regressar ao grupo, em 1982, estive durante sete anos a recuperar e relançar a Quinta do Lago. Foi um processo muito duro, em que trabalhava sete dias por semana. Quando já existiam suficientes ativos para começar a realizar dinheiro e começaram a aparecer propostas, era altura de vender. Tenho uma máxima que diz que quando começam a chover propostas, é hora de vender.

 O mesmo poderá acontecer em breve com o Belas Clube de Campo?

O empreendimento de Belas vai entrar em Outubro na fase final. Acredito que, mesmo com a atual situação, vamos ter sucesso. Não penso para já na sua venda mas, como em todos os negócios, se aparecer um parceiro rico, estou pronto para conversar.

 Qual foi o projeto que mais o marcou?

Cada projeto é um desafio: profissional, intelectual e financeiro. A Quinta do Lago foi o meu primeiro filho, tenho uma emoção especial e um grande afeto. Mas, Vilamoura foi também um desafio extraordinário, em que tivemos de recuperar a zona antiga e criar uma nova. Já o Belas Clube de Campo foi o único em que tínhamos a ideia antes de encontrar o local.

 Está preocupado com os efeitos da crise em Portugal?

Esta é uma crise do tipo global, bastante preocupante. Quando as coisas estão difíceis, temos de nos concentrar naquilo que temos na mão. Esta filosofia tem-me servido ao longo da vida.

Mas, se em Portugal ficarmos paralisados, vai ser difícil recuperar. Temos um tecido empresarial que se habituou a trabalhar com crédito. Quando comecei a trabalhar, se não tivesse metade do capital para um investimento, o banco não me emprestava nada.

 O turismo imobiliário foi um dos mais afetados...Numa nova conjuntura, acredito que muitas pessoas do norte da Europa podem querer morar no sul de Portugal. Mas para isso, é preciso ter produtos adequados e serviços, sobretudo na área médica. Hoje, os estrangeiros que vivem cá quando chegam aos 70 anos ou têm problemas de saúde regressam aos países de origem, porque não têm confiança no nosso sistema de saúde. Para resolver esta questão, os grandes empreendimentos deviam juntar-se com as companhias de seguro e partilhar custos.

Da parte do Governo português, não existem ações para atrair mais investimento nesta área. É preciso que todos se juntem e o Estado crie medidas fiscais e de incentivo para este segmento.

 Os projetos PIN (Potencial Interesse Nacional) ajudaram a resolver alguns destes entraves?

Os projetos PIN não tiveram uma análise técnica e financeira adequada. Infelizmente, foram afetados pela crise e, por uma questão de menos sorte, vieram atrasados, apesar de terem muita qualidade.

 A promoção está a ser eficaz?

Não é o Estado que tem de tratar da promoção turística, são os privados. O erro esta aí. O Estado apenas devia apoiar a promoção, dando benefícios fiscais e apoio ao crédito. As campanhas que se fazem, não são coisa nenhuma. As verbas são tão pequenas que quase não têm impacto.

 O crescimento dos voos low cost alterou o perfil turístico do País?

As ligações low cost são um instrumento, não um fim. Qualquer passageiro usa estas

companhias, que tornaram os destinos curtos mais acessíveis. Não temos oferta para nos afirmarmos como destino barato nem resorts tudo incluído como no norte de África, com preços muito baixos.

 Como pode o país então afirmar-se?

Sempre fomos um destino de nicho, não somos competitivos no nível mais baixo, mas no segmento mais alto porque o estilo português é de qualidade, bom gosto e discrição.  Que é o estilo que o público hoje quer. A fase da "torneira de ouro" acabou. A corrida pelo maior e melhor acabou. Há uma nova ética, até no lazer.

 Onde costuma gozar férias? Vai aceitar o repto do Presidente da República e ficar em Portugal?A minha vida são férias constantes. Basicamente, não viajo em férias. Tenho casa em Lisboa e Londres e acabo por repartir o meu tempo também pelo Algarve, Rio de Janeiro e Washington.    
Palavras-chave  entrevista, visão, turismo, Anfre Jordan
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Zé Cravinho (seguir utilizador), 2 pontos , 10:17 | Sexta, 25 de Junho de 2010
Eu,um simples operário emigrante na Holanda desde 1964 e já velho
(86anos),não entendo nada de negócios,mas quero aqui frisar que
de facto são os estrangeiros,não os portugueses,que tomam iniciativas desta natureza,o que é de lamentar.Êste senhor André Jordan tem um nome que me soa a holandês,pois Amsterdam até
tem um Bairro típico de nome Jordam.E a propósito de holandeses, direi que êles no passado e no presente,sempre tiveram e téem mais iniciativas,sempre foram e são mais espertos do que os portugueses
Por acaso,eu também sou algarvio,nascido em Boliqueime-Loulé,mas
não tenho nada no Algarve,nem em Portugal,a não ser os meus familiares que visito sempre que puder.Não conheço a Quinta do
Lago,local da Alta Burguesia,incompatível com a minha condição
de proletário plebeu.Quando,passados muitos anos, fui a Quarteira-Vilamoura,fiquei abismado com o que vi.Quarteira tem uma bela
Avenida marginal,um empreendimento que nem a Capital do
Algarve-Faro,consegue ter.A terra quarteira,nome derivado dos chamados «quartos»de terra na Quinta do Morgado e que eram arrendados aos pequenos lavradores de Boliqueime para nêles fazerem culturas de regadio,pois a Quinta do Morgado tinha água a rodos.Quarteira era uma pequena terra de pescadores que não eram hortelãos nem camponeses e que até chamavam serrenhos aos de Boliqueime,enquanto que os de Boliqueime chamavam marrachos
aos de Quarteira.
Admiro imenso o Sr.André Jordan
Sabetudo (seguir utilizador), 1 ponto , 3:44 | Sexta, 25 de Junho de 2010
De facto o seu 1º Filho, para mim hoje está estragado, mas não é o único empreendimento que eu tenho essa visão.
A parte de imobiliário em empreendimentos ligados ao Golf, vai ser uma das minhas críticas e defesas da minha tese no Algarve.
A minha melhor amiga namorou com um filho do antigo dono da Quinta do Lago, e tenho lá uma senhora que têm o seu apartamento em guerra com o proprietário da Quinta, porque como diz, eles querem fazer aquilo um resort e querem comprar os apartamentos das pessoas, mas não conseguem, pelo menos neste caso.
As Câmaras M. como deixam os investidores fazerem o que querem sem impostos, Portugal um dia torna-se Dubai, devido ao género de construção que estão a fazer e que não param por Portugal inteiro.
Por isso, por mais que construam resort em Portugal, enquanto muitas mentes não mudarem e a construção também não, vamos ter um país massificado e horrendo.
Basta olharem para o novo hotel em Cascais, e mostra já a destruição deste país e da sua beleza e estética.
Admiro o André Jordan e continuarei, mas acho que deveria mudar algumas partes na sua empresa e nos seus investimentos.
A minha defesa será no imobiliário e não só na minha tese e, de certo convidarei algumas pessoas para virem quando a realizar, na minha defesa, pois acredito que podem vir a melhorar muito mais, do que têm feito até hoje.
Fico triste por ainda não ter visto nada disso mas espero que este país 1 dia melhor,pois a esperança em mim será sempre a última a morrer.B.F.S
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