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Estreia dia 9

Sacha ataca de novo... agora na pele de Brüno

... E acerta outra vez no alvo. Com a personagem Bruno - apresentador austríaco (e gay, muito gay...) de um programa de moda - Sacha Baron Cohen volta a atirar-se, da maneira mais divertida, a fanatismos e preconceitos (veja os VÍDEOS dos seus personagens)

Pedro Dias de Almeida
17:46 Quarta, 8 de Julho de 2009
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"O que raio é isto?!" é a pergunta que vai surgir na mente de muitos espectadores incautos logo aos primeiros minutos de exibição de Brüno.

Comecemos por dizer o que não é "isto": não, Brüno não é uma inofensiva, levezinha e idiota comédia de Verão. E não, também não é um filme soft-porno gay, a pensar nesse nicho de mercado.

A bem dizer, Brüno nem é bem um filme, no mais restrito e sério sentido da nossa cultura cinematográfica. Brüno, que esta quinta-feira, dia 9, se estreia em Portugal, é mais uma extensão do projecto de vida e do talento do actor britânico Sacha Baron Cohen, 37 anos - visíveis, primeiro, no formato televisivo do programa Da Ali G Show (emitido no britânico Channel 4 e, depois, no norte-americano HBO), espalhados, depois, em episódios à solta na internet e massificados em três longas-metragens: Ali G Indahouse (2002), Borat: Aprender Cultura da América para Fazer Benefício Glorioso à Nação do Cazaquistão (2006) e, agora, Brüno.  

E que "talento" é esse? Criar meticulosamente personagens bizarras e fazê-las entrar na vida real, enfrentando figuras públicas ou "vítimas" anónimas. O resultado tanto pode ser um nonsense absurdo e muitas vezes hilariante (como quando Ali G consegue marcar uma reunião para apresentar ao empresário multimilionário Donald Trump, incrédulo, a sua genial invenção: uma luva para comer gelados sem sujar as mãos) como uma surpreendente revelação do que as pessoas podem dizer em determinados contextos (Borat levou o candidato republicano ao congresso norte-americano James Broadwater a afirmar que os judeus "vão para o inferno", porque só Jesus pode conduzir-nos "ao céu..."). As personagens de Sacha mostram que, muitas vezes, a melhor maneira de contestar, ou questionar, uma ideia é levar os seus defensores a expô-la com toda a clareza... 

Um filho por um iPod

"O que raio é isto?" é também a pergunta estampada nos rostos de muitos dos que, involuntariamente, se tornaram actores secundários de Brüno. É isso que diz a cara do candidato a candidato presidencial republicano Ron Paul ao ver Bruno tentar seduzi-lo, sugerindo luz de velas e champanhe, e baixar as calças à sua frente. É isso que pensa um fanático religioso e conversor de homossexuais quando Bruno lhe dispara: "Estás a atirar-te a mim?" É isso que pensam as cantoras Paula Abdul e Latoya Jackson quando Bruno, à falta de mobiliário, as convida a sentarem-se em cima de "um mexicano" de gatas, a "última tendência" do design. É isso que, certamente, passa pela cabeça de um representante palestiniano e outro israelita quando Bruno, tentando aproximá-los, confunde Hamas com humus (a pasta à base de grão muito popular no Médio Oriente). E é isso que os militares de um campo de treino do exército americano pensam quando vêem Bruno fardado mas com... um vistoso cinto Dolce & Gabbana.

Tal como acontecia com o filme de Borat, Brüno tem um guião básico, como se fosse apenas um pretexto para cozinhar os melhores sketches conseguidos em mais de cem horas de filmagens. A cena em que Bruno interrompe o desfile de Agatha Ruiz de la Prada, semeando a confusão na Semana da Moda em Milão (e que foi logo nessa altura parar às notícias e ao YouTube) serve aqui como a razão para a partida de Bruno da Áustria (onde, na sequência desse incidente, é despedido do seu programa Funkyzeit) em direcção aos EUA, onde vai tentar ser "o segundo austríaco conhecido mundialmente por tentar fazer algo que nunca tinha sido experimentado antes". Todos os episódios (nunca se percebe bem a fronteira entre o real e o encenado) enquadram-se, então, numa busca da celebridade a qualquer preço. Uma das cenas mais politicamente incorrectas (mas será que este conceito faz mesmo sentido no planeta Sacha?) acontece quando Bruno decide adoptar uma criança, trocada, em África, por um iPod (mas "de uma série especial"), como admite, perante uma audiência escandalizada, cheia de afro-americanos, num desses programas que convidam à participação do público.

Sacha por Sacha

Para conseguir levar um projecto destes a bom termo, Sacha precisa, além de muitíssima lata, de uma equipa de produção à altura. Para marcar os encontros das suas personagens com celebridades, os contactos começam muitos meses antes e são preparados ao pormenor. Para o filme Brüno, por exemplo, inventaram-se dezenas de falsas empresas de televisão - como as "alemãs" Rehinland Films ou a German Youth Television, com respectivos websites... - para tornar tudo o mais credível possível. Em Borat o esquema era mais simples, uma vez que a personagem se apresentava como repórter televisivo, vindo do Cazaquistão.

Depois, claro que não é impunemente que se arrasta para a vida quotidiana personagens assim, ainda por cima com o gosto por pisar o risco - melhor: por dar um passo para lá do risco, um risco que marca a fronteira do mau-gosto, do ridículo, do inapropriado... Sacha Baron Cohen e a sua equipa acumulam processos e múltiplas queixas, mais ou menos consequentes. Não é raro acabarem as cenas em conversas com as autoridades.

Na verdade, Sacha atrai tanta admiração como ódios - de quem se sente atingido, ofendido, ou de quem apenas não tem um pingo de sentido de humor... Mas aí está outro dos seus grandes talentos, a protecção: ao mesmo tempo que celebriza mundialmente as personagens de Ali G, Borat e Bruno, consegue proteger a sua vida privada. O principal método para esse feito notável é muito simples: quando está em promoção dos seus filmes, quando as suas aparições públicas são mais frequentes, Sacha Baron Cohen surge sempre protegido atrás das personagens que criou e que o podem acompanhar horas a fio ao longo do dia (mesmo quando não está a ser filmado). Quem promove Borat é Borat, e não Sacha.

O mesmo para Bruno. Assim, são raras as entrevistas em que o actor britânico deixa cair a máscara. Quem o conhece de perto diz que ele é, até, bastante reservado e tímido, muito charmoso e inteligente. O jornalista Neil Strauss, que o entrevistou, sem disfarces, para a Rolling Stone, destaca a importância que Sacha dá "à família e à religião". Mesmo assim, uma das comunidades que mais o tem atacado é aquela que ele conhece melhor: nasceu numa família judia ortodoxa e ainda hoje respeita muitos dos seus rituais. A sua mulher, a actriz australiana Isla Fischer (de quem tem um filho, Oliver, de 2 anos), converteu-se ao judaísmo em 2007. E a acusação mais repetida contra Sacha (sobretudo graças à personagem de Borat, que tem um medo irreprímivel de judeus) é, afinal, a de anti-semitismo... Lutar contra preconceitos, afinal, pode ser a mais dura e difícil das batalhas.

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Normalidade hipocrita
costa22 (seguir utilizador), 4 pontos (Bem Escrito), 14:01 | Terça, 14 de Julho de 2009
Gostaria de destacar, o que já disse em resposta a outra pessoa, que esta personagem, o Bruno, foi considerada "homofobica", sobretudo dentro da comunidade gay, por ser politicamente incorrecta e ousar dar destaque a um gay efeminado. E nos ultimos anos a luta dos gays tem sido precisamente no sentido de fazer uma espécie de branqueamento, impondo uma normalidade hipocrita.

Um branqueamento que está roubando a originalidade dos gays e a transforma-los em replicas dos heteros. E os gays (efeminados) que divergem desse padrão, imposto, tornaram-se os vilões do gueto.

Ou seja, os valores homofóbicos voltaram reforçados, só
que agora também exercidos entre os próprios homossexuais.

Mais do que nunca, é preciso saber comportar-se, para não dar nas vistas. Trata-se de um secreto desejo de se identificar com o padrão da normalidade heterossexual.

Assim, em nome de um comportamento "mais adequado", instaurou-se uma nova classe de excluídos, entre os próprios homossexuais. Ou seja, substitui-se uma velha normalidade por outra igualmente intolerante, exercida, em nome de uma "normalidade" hipócrita.

Aquilo que os gays poderiam oferecer à sociedade como o seu contributo mais original - o ponto de vista das margens - começou a ser soterrado e neutralizado, em troca da aceitação como "normais"...
    Re: Normalidade hipocrita   
cmvg1971 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:26 | Quinta, 16 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
costa22 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:59 | Quinta, 16 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
cmvg1971 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:25 | Quinta, 16 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
costa22 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:01 | Quinta, 16 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
cmvg1971 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:52 | Quinta, 16 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
costa22 (seguir utilizador), 1 ponto , 21:12 | Quinta, 16 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
zezinho (seguir utilizador), 1 ponto , 21:48 | Quinta, 16 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
costa22 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:25 | Quinta, 16 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
cmvg1971 (seguir utilizador), 1 ponto , 8:32 | Sexta, 17 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
costa22 (seguir utilizador), 1 ponto , 9:37 | Sexta, 17 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
cmvg1971 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:33 | Sexta, 17 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
costa22 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:35 | Sexta, 17 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
zezinho (seguir utilizador), 1 ponto , 12:02 | Sexta, 17 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
cmvg1971 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:38 | Sexta, 17 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
zezinho (seguir utilizador), 1 ponto , 14:45 | Sexta, 17 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
cmvg1971 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:04 | Sexta, 17 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
cmvg1971 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:47 | Sexta, 17 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
costa22 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:35 | Sexta, 17 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
cmvg1971 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:55 | Sexta, 17 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
cmvg1971 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:13 | Sexta, 17 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
costa22 (seguir utilizador), 1 ponto , 18:53 | Sexta, 17 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
cmvg1971 (seguir utilizador), 1 ponto , 19:35 | Sexta, 17 de Julho de 2009
    Re: Normalidade hipocrita   
zezinho (seguir utilizador), 1 ponto , 0:10 | Sábado, 18 de Julho de 2009
Aprendam com o Sacha
costa22 (seguir utilizador), 1 ponto , 8:50 | Terça, 14 de Julho de 2009
A personagem Sacha consegue atingir o alvo e deixar a descoberto uma das maiores hipocrisias da nossa sociedade, a homofobia. Espero que as pessoas consigam aprender alguma coisa...
    Re: Aprendam com o Sacha   
zezinho (seguir utilizador), 1 ponto , 9:58 | Terça, 14 de Julho de 2009
    Re: Aprendam com o Sacha   
costa22 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:16 | Terça, 14 de Julho de 2009
    Re: Aprendam com o Sacha   
cmvg1971 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:15 | Sexta, 17 de Julho de 2009
Delicioso, no mínimo
Madalena Jesus (seguir utilizador), 1 ponto , 13:14 | Terça, 14 de Julho de 2009
Chorei de riso em algumas partes do filme.

Aquela em que ele se mete com o anormal do fanático que é um dos que querem "curá-los" pelas rezas, é o meu favorito. Pela ironia de tudo, porque os fanáticos são feitos de preconceitos. Não têm mais nada.

Para o Zezinho
cmvg1971 (seguir utilizador), 1 ponto , 13:03 | Domingo, 19 de Julho de 2009
Eu percebi perfeitamente o objectivo do filme e apenas disse que muitos homossexuais não se revêem no estereotipo apresentado!!! Será que isso faz de mim uma "nazi" ou uma pessoa intolerante??? Por amor de Deus!!!!
Páre de deturpar as minhas palavras, páre de me chamar "nazi" ou intolerante ou homofóbica!!! Eu não sou nada disso!!!!
Páre que já começa a ser demais!!!!!
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