Agora é suposto dormir. Para mim são cinco e meia da tarde. É certo que estou cansada, é certo que dormi apenas três horas (e a más horas), mas dormir oito horas às cinco e meia da tarde...
Tomei um comprimido. Há quem se habitue mais facilmente, porém eu não encarrilo na diferença horária. E pior, nem com o comprimido a coisa foi - dormi quatro horas e acordei. Ou seja, são duas da manhã na Índia e eu não consigo dormir... Enfim. Felizmente estou no Imperial, hotel famoso pela sua elegância e beleza extraordinários. Não me cansei de lhe tirar fotos. Havemos de cá voltar daqui a vinte dias e nessa altura já muito mais conheceremos; ainda estamos verdes, ainda não saímos de Nova Delhi, tudo é estranho por enquanto.
Fica aqui a nota de que, ao contrário de algumas crónicas anteriores, onde existiam capítulos dedicados exclusivamente ao alojamento, bem como à alimentação, nestas crónicas da Índia vamos acompanhar diariamente quer um, quer outro. Ou seja, diariamente falaremos das refeições e serão apresentados os hotéis. Impõe-se este novo modelo e em breve perceberão porquê: cada refeição é uma aventura, e cada alojamento é um palácio ou forte convertido em hotel, com a sua própria história. São monumentos a visitar, portanto. Este foi um dos requisitos solicitados à agência de viagens: procuro hotéis com tradição, com história.
Ainda a piscina não tinha aberto, já eu estava à porta. Afinal de contas desde as duas da manhã que estou acordada... abram lá a piscina, se fazem favor... até o canto dos muçulmanos já ouvi, a ecoar pelas ruas, antes das cinco...
Por esta altura estariam uns trinta graus. Ainda está frio, a água está fria. Sim, eu sei, é estranho, mas é verdade. Estou particularmente adaptada e preparada para o aquecimento global... Serei uma das últimas sobreviventes, está visto, antes de morrermos todos assados.