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Diários de Viagem

Rute Norte na Índia [14]

E assim se passaram 14 horas

15:44 Terça, 9 de Março de 2010
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Rute Norte na Índia  - Rute Norte na Índia [14]

Agora é que fico curada do jetlag. O sono há-de ser tanto que dormirei a qualquer hora do dia. Já nem sei a quantas ando. Como é que eu vou dormir ali sentada? Com as bagagens ao meu lado? Arrisco-me a acordar e já não as ter ali. Não durmo, pura e simplesmente. Casa-de-banho? Qual casa-de-banho, nem sequer a vi, nem me  levantei. Comer? Qual comida, tinha duas bolachas Oreo comigo e foi isso que comi durante 14 horas.
Fui apanhada desprevenida e não torna a acontecer. As coisas exigem planeamento, e eu fiei-me no planeamento prévio, feito ainda em Portugal. Mas para isto nada foi planeado. Claro que existiam muitos vendedores de comida, mas bastou-me a gastroenterite no Vietname, quando comprei fruta na praça, agora mais vale passar fome. Aliás, viram as fotos dos vendedores de comida, quando andámos de riquexó nas ruelas da Velhi Delhi. Eram assim. É um risco muito grande para os europeus, que, como disse anteriormente, são flores de estufa.

Ainda arranjei uma táctica para dormir. O sono era muito, eu cabeceava. Tinha a perna encostada às malas. Se alguma se movia, eu sentia. A certa altura, um homem dos seus cinquenta anos que ia sentado à minha frente apercebeu-se desta minha táctica e testou-me. Empurrou duas vezes a mala grande. Eu abria os olhos e fixava-o. Com a cabeça encostada à janela, mas fixava-o. Percebi claramente que ele não queria fazer qualquer mal, que estava mesmo com curiosidade e a testar-me. Sim, sim, estou atenta, veja lá se me deixa dormir...


Rute Norte na Índia  - Rute Norte na Índia [14]

Depois todo o resto da viagem, até à última paragem, tive este outro passageiro à minha frente, bastante simpático e atento para comigo, apesar de não termos trocado uma palavra. Ele não sabia inglês. Melhor, trocámos uma palavra: ele perguntou-me "Udaipur?" e eu, depois de uns segundos a tentar perceber, respondi afirmativamente. Só aqui fiquei com a certeza de que seguia no comboio certo.

E durante as catorze horas que estive dentro daquela carruagem, mais as quase duas horas na estação de comboios, ninguém me pediu o bilhete. Ninguém me pediu o bilhete.

É a prova provada de que quem se sentia intimidado eram eles.

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Que ideia tão enganosa da Índia!
pumpkin (seguir utilizador), 1 ponto , 17:34 | Quarta, 10 de Março de 2010
Para quem já tenha estado na Índia, e viajado de mochila às costas por vários estados e contactado com as populações e os seus costumes, decerto que partilha a opinião de que estas crónicas são um verdadeiro atentado à dignidade do povo indiano! Nunca se pode esperar encontrar o que temos em casa noutros países, e muito menos no subcontinente indiano. É um país excepcional, desesperante por vezes, e que exige flexibilidade mental! E como alguém dizia há muito tempo, manter a mente aberta que as coisas fluem por si. Sinceramente, estas crónicas têm sido muito tristes - e o principal atingido nem tem sido a Índia e o povo indiano...
    Re:   
Rute.Norte (seguir utilizador), 1 ponto , 22:05 | Quinta, 24 de Junho de 2010
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