Treze mortos é o resultado dos confrontos entre populares e polícia em Maputo, quarta e quinta feira da semana passada. Conheça as razões do descontentamento da população. VEJA AS FOTO
João Dias Miguel e Luís Ribeiro
16:49 Segunda, 6 de Setembro de 2010
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Maputo assemelhava-se durante a tarde a uma cidade-fantasma. O centro da cidade estava, durante a tarde, calmo, com a polícia e o exército a dispersarem eventuais manifestações e a controlarem as ruas. "Dentro da cidade houve um só confronto. De resto está calmíssima. Há uma greve geral, não entram carros, as lojas fechadas, não há cidadãos a passear pelas ruas, as pessoas não vieram trabalhar, até porque não há transportes...", disse à VISÃO Maria Manuel Vilanova, da Embaixada Portuguesa em Maputo. "A cidade está parada."
Na embaixada, aperceberam-se dos tumultos que tornaram os arredores da capital num inferno (e que terão resultado em seis mortos) pelas 7h30 da manhã, com o fumo dos pneus queimados a chegar à cidade. Mas não foi propriamente uma surpresa. "Já se estava a espera: foram anunciadas subidas do pão, da água, da luz - o pão subiu um metical, o que é um aumento brutal para o nível de vida das pessoas aqui", explica Maria Manuel.
A moeda moçambicana tem sofrido sucessivas desvalorizações e o dólar subiu dos 25 para 39 meticais num ano. Mais grave do que a descida da moeda moçambicana em relação ao dólar americano foi a desvalorização face ao rand: num ano passou de 2,5 meticais para os 5,2 - com o consequente agravamento da balança de pagamentos com o principal parceiro comercial da antiga colónia portuguesa. "Moçambique importa muito mais do que exporta. Os produtos alimentares vêm todos da África do Sul", aponta ainda Maria Manuel Vilanova. O governo de Armando Guebuza não teve assim outra hipótese senão a de repercutir o aumento na população.
Outra causa para o crescimento súbito do custo de vida terá sido, segundo o jornalista moçambicano Fernando Veloso, a manutenção de preços artificialmente baixos por razões eleitoralistas. "Os preços subiram de um forma brutal. Deviam ter aumentado gradualmente, mas isso não aconteceu - estávamos em período eleitoral. Agora, tiveram de corrigir isso. E a correção está a ser violenta." Alguns produtos básicos aumentaram 40 por cento. Um café, por exemplo, subiu dos 25 para os 35 meticais em menos de um ano. Os imigrantes portugueses que recebem em meticais também não estão em bons lençóis: o câmbio para o euro está pior do que nunca.
Não há uma solução fácil à vista. Apesar de ser considerado um modelo de desenvolvimento em África, o país sofre de problemas estruturais graves, com uma indústria quase inexistente e um mercado de trabalho em défice profundo. "Há 800 mil empregos para uma população ativa superior a 10 milhões de pessoas", diz Fernando Veloso.
A desvalorização da moeda de um país com deficit comercial não é apenas natural: é também saudável. Um metical baixo é um incentivo a produzir e a exportar e uma penalização à importação. Isso representa um mundo de oportunidades para os produtores moçambicanos.. se eles quiserem trabalhar e produzir, claro.
Com importações mais caras, torna-se possível a empresas moçambicanas competirem. A desvalorização é um problema porque inflaciona as importações.. mas é uma oportunidade porque torna a produção interna mais competitiva. A desvalorização não é boa nem má «em sí».. a desvalorização é o que os moçambicanos fizerem dela.
Se Portugal ainda tivesse uma moeda própria que pudesse desvalorizar seria possível a muitas das empresas que estão a fechar manterem-se à tona. Seria mais fácil produzir em Portugal e seria mais caro importar da China.
A desvalorização é o que muitos empresários portugueses gostariam de ter...
A subida do metical (moeda) ou a falta de alimento
Moçambique à semelhança de outros países de Áfica tem pessoas que vivem numa pobreza extrema e o comércio, indústria,exportações,importações estão nas mãos de uma elite ligada aos meios políticos, aos grandes senhores.
Moçambique importa quase tudo o que consome da África do Sul e isso faz pensar... que um país outrora próspero em alimentos, fruta, hoje não tenha nada.
Não tem porque as gerações que ficaram não sabem ou não podem cultivar a terra... porque a instabilidade e os roubos não lhes asseguram a colheita do que plantarem... não convêm aos grandes senhores que a população encontre formas de sobrevivência que não passem por eles.
Moçambique é um mundo de oportunidades... sim, mas de risco máximo da própria vida. Onde existem as oportunidades é aí mesmo que elas "findam" porque a vida de quem quer fazer alguma coisa fica comprometida pela insegurança.
É claro que a fome, a miséria geram a revolta. Estão em jogo as regras mais elementares de sobrevivência humana.
Coitados desses jovens, nascidos já depois da independência, povo, sem culpa nenhuma na consciência, passam fome enquanto os senhores do governo e outros se governam como nunca. Agora sim, que os exploradores, toda a raia de oportunistas, não podem ser acusados de colonizadores, é que é explorar à-vontade.
Quem sabe das capacidades desse país na agricultura, como esta se desenvolveu nos tempos coloniais, em tão poucos anos, bem reconhece os contrastes da fome de agora e da comida em abundância dantes.
Brancos e pretos bem poderiam viver juntos, com certeza que com muitos ajustes, mas não havia necessidade desta miséria.
Culpados? A inveja que grassava pelos países europeus e outros mundos, todos os doutos revolucionários da Europa que apoiaram uma descolonização sem projeto algum, Europa agora a pagar bem caro pelas suas doutas ignorâncias!
Na verdade tudo apontava para um progresso maravilhoso, sem igual, se os países de língua portuguesa e inglesa houvessem sido descolonizados com a sapiência requerida tendo em conta os milhões de seres humanos que disso beneficiariam.
Qualquer humilde agricultor em África soube prever este desastre económico e humano, este inqualificável crime, tão conveniente para alguns.
..é este que deixa os moçambicanos nesta situação? Como é que um pais com as potencialidades que todos conhessem tem de importar alimentos? O que faz o governo? Não faltam sinais exteriores de riqueza, que devem ter contribuido para pôr os suburbios a ferro e fogo.
Era suposto que a independencia viesse trazer paz, justiça e abundancia, afinal, só "mudaram as moscas"!!
...e analisar de quem e a culpa, e se Africa estaria muito melhor sob o jugo europeu nao me parece facil, simples ou funcional.
E que a Historia nao volta para tras, e feliz ou infelizmente o Destino dos Homens so da passos em frente...
Soubessem os Africanos aprender com o Passado, nao estaria este Continente, talvez o mais rico do Mundo, mergulhado na pobreza, fome, doenca e morte...