Estará Passos Coelho preparado para ser solitariamente livre?
Pedro Norton
23:57 Quarta, 28 de Julho de 2010
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O PSD de Passos Coelho é ainda um partido à procura de si mesmo e que continua a dar sinais contraditórios ao eleitorado. Não é um drama que assim seja - é para isso que servem os períodos de transição - mas vai sendo tempo de percebermos ao que vem o principal partido da oposição. Até porque parece que está decretado que herdará o Governo da nação lá para 2011. Não vou prometer a ninguém que passarei as minhas férias açorianas a pensar no destino da pátria ou no futuro do PSD. Para preocupação estival - perdoem-me a futilidade mas estou mesmo a precisar de descanso - chega-me o Roberto. Mas dito isto, confesso que, lá para meados de agosto, quando acabar a silly season, gostava de começar a entender três coisas simples sobre o putativo futuro Governo do meu país.
1 - Quer o PSD assumir-se, como já soube fazer no passado, como um partido de ruturas? Capaz de questionar verdades insofismáveis, de pôr em causa modelos sociais tão insustentáveis como sagrados? Quer o PSD pagar, efetivamente, o preço político e eleitoral da assunção desta agenda de transformação profunda? É que os sinais são, no mínimo, confusos. Passos Coelho tanto avança para propostas de revisão constitucional que, com todos os seus defeitos, não deixam de ser corajosas e fraturantes, como pede desculpa aos portugueses de cada vez que tem de maçá-los com as consequências práticas de uma realidade que, sabe-o bem, não têm outro remédio que não seja enfrentar. Em que ficamos?
2 - Se o caminho é de rutura, quer o PSD assumir-se, em concreto, como um partido de inclinação mais liberal? E aceitará matizar a sua histórica matriz social-democrata? Está o PSD preparado para enfrentar a ala mais à esquerda do seu próprio partido num momento socialmente muito sensível e em que o "neoliberalismo" se transformou no conveniente culpado de todos os males do mundo? Aceita o PSD pagar, para ajudar à festa, o preço de uma guerra sem quartel com algum empresariado que reclama simultaneamente as vantagens do mercado e o protecionismo desavergonhado do Estado? Aceita o PSD inverter o tenebroso concubinato entre poder político e económico, em que o PS de Sócrates se especializou? E aceita fazer tudo isto sem ceder a um eleitorado conservador que, mais à direita, desconfia tanto da liberdade - social e económica - como a esquerda mais ortodoxa?
3 - Quer Pedro Passos Coelho assumir-se como o líder efetivo do PSD? Saberá, na hora da verdade, dar voz a um bom senso de que tem dado provas e não ficar refém dos variados e tantas vezes opacos apoios que o levaram à chefia do partido mas que - ninguém duvide - serão sempre um travão, pelas agendas que defendem e representam, a um projeto político verdadeiramente reformador? Por outras palavras, será verdadeiramente seu o projeto que apresentará ao País? Estará Passos Coelho preparado para ser solitariamente livre?
Se não fosse pedir muito, eis o que, verdadeiramente, gostava de começar a entender. Palpita-me que o futuro do meu país é bem capaz de depender da resposta a estas metafísicas inquietações estivais.
Os jovens janízaros que tomaram conta do PSD estão prestes a alterar a matriz social-democrata do partido e a criar uma formação que nada tem que ver com a origem. Pois bem, para além da confusão que se está a instalar nas bases do partido, constituído basicamente por pessoas que ao longo dos anos se habituaram a ver o partido lutar pela melhoria das suas condições de vida, nomeadamente na saúde, na escola e nas reformas, vê-se agora o partido a ser elogiado pelos patrões, que enxergam no horizonte a possibilidade de despedir sem limite nem escrúpulo.
Não sei como se pode ser politicamente tão néscio em tão pouco tempo!
Ps. Para além das presumíveis jogadas maquiavélicas ou submissão a interesses instalados, as eleições ganham-se com votos e os eleitores não devem estar disponíveis para liquidar o chamado Estado Social.
Caro Pedro Norton,
Eu não terei resposta às perguntas que o inquietam... mas creio que Passos Coelho já cometeu alguns erros, já se desdobrou em "explicações" e confusões... Neste momento, ele parece um homem perdido ... que tenta aqui e ali "apalpar o pulso" aos opositores políticos e ver a reacção popular. Na verdade não o vejo com alma de "navegante" para assumir com razão e sentido o "comando do leme". Mas quem decidirá isso é o povo, que por vezes nos surpreende...
[Boas férias].
Portugal encontra-se num dilema complicado. A despesa do Estado tem de ser diminuída, pois vivemos à custa de bancos estrangeiros. O PS não a diminui, pelo contrário. O PSD, tem dito que a diminui na saúde e educação, quando devia ter acrescentado que iria acabar com todos os roubos e desperdícios e salários e reformas obscenas. Não há partido de poder alternativo. Está mesmo difícil.
que estou de acordo com Pedro Norton; parece que as férias nos Açores lhe estão a fazer bem.
Com efeito, contrariamente aquilo a que P. N. nos tem habituado, desta vez ele pôs o dedo na ferida - estará Passos Coelho à altura das responsabilidades que, provavelmente o esperarão em 2011? Pelo que temos constatado parece-me francamente que não. A sua deriva constante entre posições mais radicais como o tipo de revisão constitucional que propos cedendo ao sector mais conservador do seu partido, o seu pedido de desculpas aos portugueses pelo apoio a Sócrates no caso das portagens e a reunião com as IPSS são por demais contraditórias entre si para que ele se possa afirmar como o homem do leme do PPD/PSD capaz de suscitar consensos. O futuro dirá e a prova dos nove está para breve.
Estou farto de ver a classe política perder tempo ( e gastar o dinheiro dos contribuintes ) com problemas acessórios e deixando os verdadeiros problemas do país sem discussão.
Faz sentido, no contexto em que vivemos, estar a falar de revisão constitucional? Eu acho que não.
Fez sentido falar de casamento gay com a crise a estalar por todos os lados? Respondam vocês.
Os políticos que nos digam que pretendem fazer em relação à justiça. Que nos apontem como reformar a segurança social. Como tornar um Estado Social excessivamente gastador num Estado Social equilibrado, em que não haja uns a ter reformas milionárias em duplicado e triplicado e outros reformas de miséria. Em que não haja uma interminável moldura humana subsidio-dependente que consegue viver uma vida inteira sem trabalhar! E os mesmos a pagar...
Necessitamos políticos que acabem com a vergonha dos salários milionários dos gestores públicos, com o despesismo do Estado no acessório ( caso dos submarinos é o mais emblemático ).
Portugal paga todos os anos uma factura energética que é uma âncora amarrada aos nossos pés. Está na hora de fazer um plano energético nacional com a inclusão da energia nuclear. O risco já o corremos com as centrais espanholas ao lado da nossa fronteira. Alguem tem dúvida quanto à nossa capacidade de gerir uma central nuclear? Então mude de país.
Quero políticos capazes, senão de proceder as estas alterações, pelo menos de as discutir para encontrar soluções.