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Quem nos governa?

O PS pensa que ainda tem maioria. A oposição acha que ganhou as eleições

5:45 Quinta-feira, 10 de Dez de 2009

O primeiro episódio de "coligação negativa", ou seja, de votação conjunta de todos os partidos da oposição para anularem uma iniciativa do Governo, surgiu com a suspensão do Código Contributivo (CC). A falta deste CC, que garantia receitas ao Estado e ajudava a financiar as suas prestações sociais, é acompanhada pelo fim do Pagamento Especial por Conta (PEC), agora com o acordo do PS. Ora, o instrumento do PEC, embora cego em distinguir empresas cumpridoras e não cumpridoras, permitia, ao menos, combater a evasão fiscal. O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, deu a entender que, "assim, não é possível governar". António Vitorino, na RTP, pediu a Cavaco para intervir. O PS força a nota e prepara o eleitorado para eleições antecipadas, no curto intervalo de tempo, em 2010, em que elas podem ocorrer.

O crescente protagonismo dos partidos da oposição no Parlamento, bem como a resposta acossada de homens a quem se atribuía capacidade de diálogo e jogo de cintura parlamentar (Francisco Assis, presidente da bancada do PS, e Jorge Lacão, ministro dos Assuntos Parlamentares) indicia que o espírito de negociação é um mito. Os partidos da oposição estão a desforrar-se de Sócrates. Pensam que Sócrates perdeu as eleições - e que eles as ganharam. Embriagados por um poder novo, sentem-se relevantes. Mas Sócrates sabe que quem provocar a queda do Governo pagará um preço eleitoral. Acha que é como se tivesse maioria. E o Governo sente-se como uma fera enjaulada, a passear de cá para lá. O que, num quadro de maioria se justificava - debates quinzenais - é excessivo em maioria relativa. Sócrates devia ir menos à AR. Um debate mensal seria suficiente. É que, tendo a AR uma maioria de oposição, a sua capacidade fiscalizadora está automaticamente reforçada.

A própria acção governativa parece manietada por factores internos e externos: os novos ministros, de quem muito se esperava, não têm peso nem visibilidade. E o debate parlamentar quinzenal está inquinado pelo tema recorrente das escutas e da "espionagem política".

Objectivamente, o facto de serem transcritas, em discurso indirecto, nos jornais, parte das alegadas conversas privadas entre Sócrates e Armando Vara, condiciona, objectivamente, a acção política do PM, retirando-lhe margem de manobra. Assim, o conceito de "espionagem política", com este ou outro nome, aplica-se à situação como uma luva.

Para que todos tenham armas iguais, falta conhecer as conversas privadas dos outros líderes políticos, para sabermos quem mente mais no Parlamento. Ou para saber o que pensa, realmente, Manuela Ferreira Leite ou Cavaco Silva de José Sócrates e que tipo de linguagem usa, em privado, Pacheco Pereira, quando se refere ao primeiro-ministro...

Mais: não se compreende o escarcéu, primeiro corporativo, do sindicato dos magistrados no Ministério Público e, depois, dos partidos, à volta de Vieira da Silva e das suas afirmações sobre espionagem política. Num país onde o Ministério Público é independente, nas suas investigações, do poder político, não há pressões possíveis. E a opinião de um ministro é apenas a opinião de um ministro. A não ser que a propalada autonomia do poder judicial seja uma história que nos contam para adormecer.

 

Palavras-chave   Opinião   Filipe Luís   Sexto Sentido
 
 
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Quem nos governa?
a.dúvida (seguir utilizador), 2 pontos , 11:29 | Quinta-feira, 10 de Dez de 2009
Caro Filipe Luís,
Percebo a sua pergunta. Mas quem conseguirá servir o país?
Não haverá nunca governo ou sistemas perfeitos. Governar "pressupõe" decidir, mandar, exercer uma autoridade cuja legitimidade ou proveniência será sempre contestada.
O que se passou ontem, o que acontece hoje... o que será amanhã a nossa "democracia". Qual o seu ADN? Como nasce, como cresce ou como "mirra". De que se alimenta? Como vive, de que padece, como sobrevive?
"Quem mente mais no parlamento"? ... todos gostávamos de saber, porque quanto mais as vozes sobem de tom, mais desconexo e perigosamente ensurdecedor é o discurso.
Cumprimentos,
Sara
    Re: Quem nos governa?   
Filipe Luís (seguir utilizador), 1 ponto , 19:57 | Quinta-feira, 10 de Dez de 2009
opinando a propósito
Zé Cravinho (seguir utilizador), 2 pontos , 10:45 | Sábado, 12 de Dez de 2009
Aqui expresso a minha fraca opinião e direi que afinal a DIREITA,
(PS;PSD;CDS/PP),embora com pequenas diferenças,continua dispondo de maioria na Assembleia da Rèpública.O Partido PS e o
PSD são como dois irmãos gémeos que disputam entre si a herança
da Quinta-Portugal,com a vantagem para o PSD que pode contar com a ajuda do CDS/PP.Êstes três Partidos afinal apoiam a Política
Liberal emanada de Bruxelas e são apoiantes da Horda mercenária da NATO nas suas guerras sujas.À Esquerda só lhe resta elucidar
o Povo para que não bata com as ventas na torneira.
Com populismo e demagogia,
muita mentira,verdade parece,
mas em liberdade e democracia,
o Povo tem o Governo que merece.
A farsa está a acabar
vguerra (seguir utilizador), 1 ponto , 19:31 | Quinta-feira, 10 de Dez de 2009
A farsa da pseudo-governação Sócrates está a acabar.5 anos perdidos ,mais 30 mil milhões de dívida e o "rating" português desacreditado.O nariz de Pinóquio precisa de uma bolinha vermelha...
É preciso é saber governar
NÃO TENTO (seguir utilizador), 1 ponto , 14:55 | Sábado, 12 de Dez de 2009
Quem nos governa é o governo eleito para tal. Agora é diferente governar com maioria absoluta ou com maioria relativa. O governo anterior tinha essa maioria absoluta, e como tal pouco ou nada ouvia os parceiros, impunha as medidas a seu belo prazer. Agora a sua maioria é relativa e como tal não sabe governar assim, pois está mal habituado.
Já não é o primeiro governo com maioria relativa, e não esquecer que houve um govermo com maioria absoluta que foi dissolvido pelo Jorge Sampaio, então presidente da republica.
Presença excessiva no Parlamento
Olá (seguir utilizador), 1 ponto , 22:41 | Segunda-feira, 14 de Dez de 2009
Li o artigo a correr, mas chamou-me a atenção a sugestão de que o Primeiro-Ministro deve ir menos frequentemente ao Parlamento. Já tinha pensado um dia destes que ele se metera numa "alhada" da qual corria o risco de sair desfeito, tendo em conta o desgaste físico e moral que lhe deve causar tamanha agressividade por parte de toda a oposição. Ignaro na matéria, nunca me ocorreu que a situação pudesse ser invertida. Aparentemente, pode, sim senhor. Pois então inverta-se, que quatro anos a "conviver" nessa atmosfera deve ser de caixão à cova.
........................................................
Mas o Sr. Filipe Luís é um responsável da Visão "multimédia", creio. Se me permite, gostava de lhe solicitar o seguinte: que o meu comentário, enviado ontem, sobre uma notícia relativa à altercação entre Maria José Nogueira Pinto e outro deputado, fosse efectivamente publicado e não apenas anunciado num correio electrónico à minha atenção como tendo sido publicado, porque tal não aconteceu. O Sr. Filipe Luís compreenderá que, a ser voluntária, tal atitude -- não publicar, e anunciar ao interessado que sim, que o seu comentário foi publicado -- tal atitude encerra em si, a ser voluntária, repito, o seu quê de perverso. Muito me alegraria aperceber-me, pela realidade dos factos, de que a Visão não tem práticas perversas no seu seio para com os leitores-comentadores. Muito obrigado.
    Re: Presença excessiva no Parlamento   
Filipe Luís (seguir utilizador), 1 ponto , 22:45 | Segunda-feira, 14 de Dez de 2009
    Re: Presença excessiva no Parlamento   
Olá (seguir utilizador), 1 ponto , 23:01 | Segunda-feira, 14 de Dez de 2009
Quem nos governa?
vguerra (seguir utilizador), 1 ponto , 11:08 | Terça-feira, 15 de Dez de 2009
Quem nos "governa", desgoverna-nos.Um dia, os portugueses vão perceber..
Afinal quem manda aqui?
cohen123 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:21 | Sexta-feira, 18 de Dez de 2009
Os partidos políticos portugueses têm vivido tempos conturbados. Desde a falta de ideias que mobilizem as pessoas para o combate político, passando pela crise de identidade e de valores que estão a enfrentar no meio de uma crise internacional que põe em causas as suas propostas sociais, até à crise de líderes que não se conseguem impor dentro dos partidos. Analisemos o panorama português precisamente por este último ponto.
        Em primeiro lugar, o caso mais evidente, o PDS. Actualmente, o PSD tem um líder que vai deixar de o ser. Portando, não tem um líder, tem um gestor em transição. Um gestor em transição que não sabemos se vai passar a pasta a um líder ou a outro gestor. Logo, o PSD não só não tem um líder como também não está previsto que irá ter.
        Depois o PS que tem três líderes. Um é o Secretário-geral do PS, maioritário. Outro, o Primeiro-ministro, minoritário, que se confunde com o anterior. O terceiro é Manuel Alegre que se está a impor ao líder afim de ser o candidato do PS a Presidente da República. Logo, o PS tem muitos líderes a tentar controlar demasiados fogos sem apagarem nenhum.
        Mais à esquerda do PS temos o PCP. Ora, o líder do PCP é um líder eleito de braço no ar, comandado por um líder que ideologicamente está morto na sociedade actual: o comunismo. Logo, o PCP tem um líder que está morto politicamente e que toda a gente sabe que, por via da sua matriz ideológica, não vai ressuscitar.
                Ainda mais à esquerda do PS e do PCP temos aquele partido que bate todos os outros, pelo menos em número de líderes. O BE que tem nada mais nada menos que quatro líderes, onde apenas um se nota mais do que os outros. Assim, o BE não tem um líder, mas uma amostra de líder que ora ofusca os outros líderes ora se impõe como líder. É um aspirante a líder à espera que os outros líderes digam que querem deixar de ser líderes.
        Resta-nos o senhor líder do CDS que pensa, por via de ser o terceiro partido com mais deputados, que é líder de várias coisas: líder do Primeiro-ministro, quando lhe acena com o Orçamento de Estado; líder da bancada parlamentar da direito, em resultado de o PSD não ter líder; líder dos reformados; dos agricultores; dos ex-combatentes; da Igreja Católica; da extrema-direita; dos conservadores; dos bons costumes e dos nacionalistas. Portanto, o CDS tem um líder de nichos, de sectores, que, por via dessas escolhas selectivas, é um sectário.
        Bem, caro Filepe, esperemos que a meia do pai natal nos traga o presente que à tanto tempo esperamos.
       
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