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GESTÃO DE FRAUDE

Que fez hoje contra a fraude? Que pensa fazer amanhã?

Nova crónica da secção Gestão de Fraude, desta vez da autoria de Carlos Pimenta

8:22 Quinta feira, 17 de Jun de 2010
Que fez hoje contra a fraude? Que pensa fazer amanhã?

1. Quantos de vós estão no desemprego porque alguns fizeram fraude contra a empresa em que esculpiam o vosso sustento?

Quantos de vós vivem com maiores dificuldades porque políticos, amigos de políticos e amigos de amigos influentes ganham fraudulentamente milhões em contratos viciados, em compras e vendas sobre ou subfacturadas, em favores pagos, em operações de lavagem de dinheiro, em apropriação indevida de valores que não lhes pertenciam?

Quantos de vós viram as vossas poupanças em perigo porque administradores sem escrúpulos, mesmo quando borrifados com água benta e com abraços de altas figuras públicas, manipularam cotações na bolsa, arruinaram o banco em proveito próprio, especularam com o dinheiro que era vosso, falsificaram sistematicamente as contas e os balanços?

Quantos de vós continuam a pagar escrupulosamente os vossos impostos enquanto outros utilizam sistematicamente os paraísos fiscais para pagarem menos (para outros Estados), falsificam o IVA, compram a informação do que vai ser fiscalizado, manipulam rendimentos?

Quantos de vós vêem os seus impostos aumentar porque se gasta "à tripa forra", porque se salvaram os bancos, os banqueiros e os especuladores bolsistas?

Esclareça-se. Não é o Estado que gasta "à tripa forra", mas muitos dos políticos que gerem esse Estado. Não é o Estado que deve emagrecer mas os que se comportam como sanguessugas, tal como na Grande Porca de Boldalo Pinheiro. Esclareça-se, não se salvaram os bancos para salvar os depósitos, os depositantes, as empresas industriais e os que precisam de crédito. Salvaram-se os bancos para se salvar os banqueiros que têm sempre os seus representantes nos órgãos do poder.

2. Desculpem, não queria dizer "vós". É assunto de todos nós. De todos nós portugueses, ganhando honestamente a nossa remuneração, trabalhando conscienciosamente, pagando os impostos legalmente estabelecidos, aspirando a um futuro melhor. Um futuro que custa a chegar porque a corrupção, em particular, e a fraude, em geral, diminui o desenvolvimento, piora os serviços públicos, bloqueia e desvia o rendimento criado, esbanja riqueza a favor de alguns, corrói a coesão social, deteriora a democracia, cerceia a liberdade.

Todos nós somos esfacelados na nossa liberdade quando um defraudador ganha milhões depois de reformado, quando o criminoso não é preso, quando um tribunal absolve um corrupto (activo ou passivo), quando os meliantes são informados das investigações de que são alvo, quando figuras públicas mentem "com quantos dentes têm" invocando em vão o "interesse nacional".

Não, não é um problema deles. É um problema nosso, no que há de mais sagrado: a nossa pátria, a nossa liberdade, a nossa dignidade.

Desde muito antes da crise, que defendemos que a economia não registada, a fraude, a promiscuidade entre o lícito e o ilícito, a degenerescência das relações éticas e do respeito pelo próximo não são uma excrescência do sistema financeiro e económico em crescimento depois do anos noventa do século passado. Não são uma excrescência! São parte integrante da economia de mercado contemporânea. A crise de sobreprodução poderia ter sido um momento catastrófico para se traçar novos rumos, mas a evolução recente aponta em sentido contrário. Há um reforço político da financiarização da economia - apesar da grande instabilidade que os mercados financeiros continuam a revelar. Uma continuação que significa uma degradação: os Estados dependem (ou aceitam depender) cada vez mais das empresas; são os Estados que vão à "falência", não o capital privado internacional.

Nós - exactamente, nós! - vamos à falência porque você e eu nada contamos para os objectivos da Economia e da Política, porque não somos nem grãos de areia na financiarização da economia, na economia não registada e no luxuriante mundo da fraude. Somos tão somente homens e mulheres, cidadãos. Honestos.

3. Não, não podemos cruzar os braços! Um advogado brasileiro, numa entrevista na televisão do seu país, afirmava "A população tem de ter consciência que tudo o que acontece no poder público [tem que ver com ela, que ela] pode actuar como fiscal das acções do Estado". Das acções do Estado e das empresas. Fazia este alerta como prelúdio para acções cívicas contra a corrupção.

Todos nós podemos fazer muito mais contra a fraude, as ilegalidades, o crime.

Sugira-nos como.

Voltaremos ao assunto.

 
Palavras-chave   gestao fraude
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Dirigentes honestos precisam-se.....
Maria Trindade (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 11:08 | Quarta feira, 23 de Jun
Vivemos uma crise de valores, as pessoas honestas são "tótós", os crápulas, mentirosos,e cretinos, são pessoas de bem, fazem carreiras de sucesso, antes de cair na alçada da lei, mas não há problema, como a justiça não funciona, ou funciona mal, processo arquivado!
Os politicos só mudam se forem obrigados, só pensam em si próprios, os cidadãos são "um mal necessário", eles precisam de votantes...
É necessário que os cidadãos se organizem para agir colectivamente, em novas organizações para exigir novas politicas que assegurem o seu bem estar e segurança .
Hoje e ontem
NÃO TENTO (seguir utilizador), 1 ponto , 16:36 | Sexta feira, 18 de Jun
Quem são os principais fraudulentos? São aqueles que roubam aos milhões. E sabemos quem são. Então temos que os eliminar, destituir, vamos a isso. Só falta é coragem. Até a própria oposição é cobarde a esse ponto.
Dizendo NÃO
bluelizard (seguir utilizador), 1 ponto , 0:31 | Quarta feira, 23 de Jun
Saramago dizia que é necessário ir dizendo NÃO. Dissemos NÃO em 25 de Abril de 1974 maas rapidamente um outro sim acabou com o NÃO. Hoje mais do que ontem um novo NÃO se torna evidente e urgente. Se os NÃO não forem ciclicos, os sim instalam-se e volta tudo ao mesmo senão a piorar. Foi assim na URSS, na CHINA, em Cuba, na Coreia do Norte, no Chile, um bocado por todo o mundo. Ninguém dá nada a ninguém. A liberdade e a igualdade tem que ser conquistadas todos os dias e a todas as horas. Uma pequena distração e estamos de novo sob a pata dos endinheirados que apenas pensam em si, embora jurem a pés juntos que não. A única maneira de conseguirmos acabar com a fraude é começarmos por acabar com os fraudulentos e isso, se a sociedade quiseré tão fácil. Em 1789, em França, deram cabo de imensos. Em 1917, na URSS de outros tantos. Mao Zedong limpou muitos também. O mal é que, como as ervas daninhas é necessário ir limpando estar atento porque o que é mau e daninho cresce rapidamente alimentando-se do que é seu mas principalmente do que é dos outros tornando-os frágeis e moribundos.
Só mesmo assim. E há tantos productos novos para tal...
Dizendo NÃO por exemplo.
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