Neste tipo de jogos diplomáticos, qualquer contagem das espingardas, antes do voto final, é um exercício fútil e perigoso
4:44 Quinta, 15 de Julho de 2010
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Ganhar um assento no Conselho de Segurança (CS) é, neste momento, um objetivo-chave da política externa portuguesa. No início do Outono, a Assembleia Geral da ONU decidirá, por votação secreta, quem vai estar no Conselho, durante o biénio 2011-2012. São dois os lugares que cabem à nossa área geopolítica, mas há três candidatos: a Alemanha, o Canadá e Portugal.
É impossível prever o resultado. Neste tipo de jogos diplomáticos, qualquer contagem das espingardas, antes do voto final, é um exercício fútil e perigoso. Pode criar falsas esperanças. As promessas feitas durante as visitas de cortesia e os portos de honra valem o que valem. É preciso batalhar até ao fim. Sobretudo quando, do outro lado, temos dois candidatos fortes, com meios e zonas de influência bem estabelecidas, como é o caso do Canadá, através da Comunidade Britânica.
A verdade é que a nossa diplomacia tem estado mobilizada. No fim da semana passada, por exemplo, o MNE conseguiu trazer a Lisboa cerca de três dezenas de embaixadores, representantes dos seus países junto da ONU. Foi uma iniciativa com sucesso, que permitiu aprofundar temas que estão no centro da agenda do Conselho: a manutenção e a consolidação da paz.
A campanha tem de insistir na reforma do CS. Sabemos que se trata de um organismo anacrónico, que não reflete a relação de forças de agora. Se tivesse sido inventado no século XV, Portugal e a Espanha continuariam a fazer parte dele, e com direito de veto. Uma vez no poleiro, nenhum Estado aceita perder poder. Os membros permanentes nunca votarão a favor de uma redução da sua influência internacional. Quase se diria que para conseguir mudar as coisas seria preciso um novo conflito mundial, ou, quem sabe, o descalabro económico de dois ou três membros. Talvez seja mais razoável esperar por um milagre de Fátima. Mesmo assim, é indispensável insistir na reforma. Como também é importante lutar por um Conselho mais aberto ao diálogo com os que estão de fora. Mais disposto a cooperar com as outras estruturas da ONU, a começar pela Comissão para a Consolidação da Paz. E por um Conselho que não procure expandir o seu mandato mas que se focalize na resposta às ameaças à paz e à segurança internacionais
Mas, para que serve um lugar no CS? Não é fácil responder, quando se sabe que os cinco membros permanentes são quem dá cartas. Esses estados mostram, além disso, pouco interesse na opinião dos outros. A presença no Conselho pode permitir, no entanto, que certos assuntos recebam mais atenção. No caso de Portugal, é certo que África ganharia mais uma voz de apoio. Temos uma história e uma cultura que nos permitem entender melhor os desafios que as nações africanas enfrentam. Na mesma linha de argumentação, conviria frisar que Portugal representaria, de modo mais adequado, a sensibilidade dos pequenos países.
Do ponto de vista do nosso interesse nacional, estar no Conselho serve de alavanca política em Bruxelas e noutros fóruns. Oferece, também, uma oportunidade de projeção que pode contribuir, pela positiva, para a nossa imagem internacional. A imagem de um país é um grande trunfo, nas relações entre os povos. Tem, além disso, repercussões económicas. Atrai investimentos e abre portas, nos mercados exteriores. Do ponto de vista sociológico, traz motivação, dá ânimo e cultiva o espírito cívico. Ao fim e ao cabo, o CS é um clube que todos criticam mas do qual todos querem ser sócios.
"No caso de Portugal, é certo que África ganharia mais uma voz de apoio."
Sem desprimor para com a sua opinião, permita-me comentar que era bom que fosse verdade. Parece-me que Portugal continua por transcender o trauma do colonizador. A experiência deixou-nos marcas negativas tão profundas que tudo o que desejamos é esquecer África.
Veja-se a atitude da Alemanha (Turquia); França (África e Norte de África); Reino Unido (Commonwealth). E Portugal? Tirando a ténue CPLP, que faz Portugal? A maioria dos miúdos de agora nem sequer sabe que também se fala Português em África e menos ainda, porquê?
Pergunta no seu artigo de opinião... e admite que não é fácil responder.
Tendo o CS 15 membros , sendo 5 permanentes (EUA, França, Reino Unido,Rússia e China) e sendo estes os únicos com direito a voto... e bastando um voto negativo de um dos membros permanentes para vetar qualquer decisão em análise...
Qual o papel dos outros membros rotativos eleitos de dois em dois anos?
A última vez que Portugal esteve representado foi em 1997/1998.
Visibilidade, influência? Não sei, mas vejo que tem havido muitos esforços diplomáticos para que Portugal conquiste esse lugar e compromissos de palavra entre por ex a Turquia e Cavaco Silva, aquando da sua última visita... e tantos outros de países Africanos.
O desafio de África...
Enfim, havendo dois lugares e três candidatos, um ficará de fora, mas tudo aponta para que não seja Portugal. Quem irá ocupar essse cargo? Vamos ter que esperar, para saber, como é óbvio.
Disse anteriormente que os Membros do CS que são 15 mas somente 5 possuem Direito de Veto ou seja são aqueles que mandam; de imediato deviam mudar as Regras do Jogo.
Não aceito o Direito de Veto - porque o considero Prepotente - da mesma forma que não aceito as Golden Share porque também é uma demonstração de Prepotência.
Conscientemente admito que uma mudança dessas Regras, será difícil ou quase impossível porque o Poder Instalado nesse Orgão não aceitará "Alegremente" qualquer mudança. Essa, salvo melhor opinião, somente será possível quando alguns Países que possuem esses direitos forem obrigados a tal por estarem dependentes.
a Independência, somente poderá existir se Países como os EUA e outros se tornarem livres do Enorme Débito Externo que possuem e que está coberto pela China, Paquistão Japão etc. caso contrário o US Dollar já não existiria. Dei somente um exemplo e talvez nem tenha sido o mais Feliz mas somente pretendi dar uma imagem sobre a possibilidade de alterar as Regras do CS utilizando Forças Paralelas.
Espero sinceramente que me tenham entendido.
A nossa colega, diz e bem..." Esperemos para ver quem irá ocupar o lugar..."(sic)
Vai ser certamente alguém que conhecemos muito bem e sairá "Airosamente" para ocupar um Cargo Internacional "Como fez "Durão Barroso" sendo uma Honra para Portugal...Agora sou eu a dizer... Aguardem .
Viu bem e muito bem o que se passa no CS; evidentemente não irei comentar ou refutar e muito menos criticar o seu Artigo.
Irei sim fazer somente um Comentário que se resume a uma pergunta e que poderá carecer de resposta para que o Diálogo se Estabeleça mas com Elevação. Assim:
-- Sabemos todos que o CS é uma Organização que somente existe para que "CINCO" (creio eu) Países mandem e possam exercer direito de Veto quando lhes convém:
-- Sabemos que os Outros Estados Membros são "Meras Figuras Decorativas" mas que contam para Votação quando os "Cinco" estão interessados;
-- Assim entendo que PORTUGAL poderá ser eleito porque é mais um cargo de SUBMISSÃO ou seja fará quilo que os "CINCO" mandarem.
----Durão Barroso Faz o Quê e a Mando de Quem?? ---
Assim, concordando com o seu Artigo vejo na nossa entrada mais uma SITUAÇÃO DE SUBMISSÃO até que posamos TER VOZ....