No nosso país, aquela máxima sobre a plena realização pessoal foi ligeiramente adaptada. Aqui, ao que parece, só tem uma vida verdadeiramente completa o cidadão que tiver um filho, escrever um livro e queimar uma árvore
3:35 Quinta, 12 de Agosto de 2010
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É todos os anos a mesma coisa: chega o verão e começam os incêndios, os jornalistas fazem reportagens em direto à frente das chamas, os bombeiros queixam-se da falta de meios, os comentadores perguntam como é possível que ninguém se tenha lembrado de limpar as florestas e há sempre um parvo que assinala que é todos os anos a mesma coisa. Cada um tem a sua função nesta farsa - e a minha, pelos vistos, é esta.
O aspeto mais intrigante dos incêndios de verão é a aparente surpresa com que acolhemos um fenómeno que é recorrente e pontual. Não há nada mais previsível do que os fogos em agosto, e no entanto continuam a abrir telejornais. Todos os anos Portugal escorrega na mesma casca de banana, e é sempre notícia. Trata-se de uma tradição que sobressalta.
Toda a gente está preparada para a Volta a Portugal em Bicicleta, mas ninguém espera a Volta a Portugal em Carro de Bombeiros, que decorre todos os verões exatamente na mesma altura. Imagino que, nas redações, os jornalistas tenham uma minuta com o modelo da reportagem e as questões que é preciso colocar a populares, bombeiros e ao ministro da Administração Interna. No final de julho, tiram a minuta da gaveta e dirigem-se para onde houver labaredas. O espetador tem a sensação de estar a ver sempre o mesmo jornalista, o mesmo bombeiro, e o mesmo ministro da Administração Interna. Não são reportagens, é uma peça de teatro. E está em cartaz há mais tempo que Te Mostrar em Londres.
JORNALISTA: Estamos aqui em [colocar nome da localidade], onde um violento incêndio está a consumir a floresta e começa a ameaçar algumas casas. Comigo tenho o comandante [nome do bombeiro]. Sr. comandante, qual é o ponto da situação?
BOMBEIRO: Olhe, com os meios que temos estamos a fazer o melhor possível. O batalhão é pequeno e, além disso, precisávamos de mais dois camiões cisterna e dava-nos jeito um helicóptero.
JORNALISTA: Aproveito então para falar com o ministro da tutela, que também tenho junto a mim. Sr. ministro, o que é que está a ser feito para prevenir este desastre?
MINISTRO: Disse desastre? Costuma ser flagelo.
JORNALISTA: Tem razão. Desastre é para as cheias. Peço desculpa. O que é que está a ser feito para prevenir este flagelo?
MINISTRO: Estamos a trabalhar no sentido de criar condições que permitam promover um esforço muito sério com vista a desenvolver mecanismos que conduzam ao reforço das infraestruturas. E recordo que a área ardida este ano é menor que a do ano passado.
JORNALISTA: Obrigado, sr. ministro. Adeus e até para o ano no mesmo sítio e à mesma hora.
E depois cai o pano. Os atores recolhem aos bastidores e a plateia boceja. O incêndio continua a queimar tudo, incluindo o papel onde os responsáveis apontaram que, para o ano, é mesmo necessário limpar as matas. Os únicos metros quadrados que não ardem são aqueles em que as estações de televisão montam o tripé para o jornalista entrevistar os bombeiros e o ministro. O resto costuma desaparecer, até porque Portugal parece ser um país que tem mais pirómanos por metro quadrado do que árvores. A vida também está difícil para eles. A quantidade de pirómanos residentes em território nacional sugere que, no nosso país, aquela máxima sobre a plena realização pessoal foi ligeiramente adaptada. Aqui, ao que parece, só tem uma vida verdadeiramente completa o cidadão que tiver um filho, escrever um livro e queimar uma árvore.
As 10 crónicas mais lidas desde o início do ano:
(clique no título para aceder)
Mas estranhamente há uma discussão que falta em torno dos fogos florestais. Anda muita gente convencida que o problema está na limpeza das matas. É uma maneira de ver as coisas. De facto, muito mato indígena de Portugal é resinoso, por isso arde tão bem. Mas há um outro motivo pelo qual as árvores portuguesas ardem bem: é que a árvore de eleição dos sapientes gestores da nossa floresta é o pinheiro.
Ora a seiva do pinheiro, também conhecida por «resina», é uma matéria-prima muito procurada pela indústria química alemã para fazer trebentina.
Portanto os proprietários dos terrenos a que chamamos floresta e que são naturalmente livres de plantar na sua terra as árvores que bem entendem, decidem plantar árvores que têm trebentina como seiva em sítios onde não chove durante 4 a 5 meses do ano e onde as temperaturas durante essa estação seca chegam aos 40ºC.
Braaaaaavo Ambrósio!
A 3 de Agosto parti de Lisboa de carro em direcção à Galiza, assim que passei a fronteira e olhei para trás para Portugal avistava 3 focos de incêncios no nosso pais. Ao longo de 11 dias andei de carro pela Galiza e fui até ao pais Basco (Bilbao) e nunca me deparei com um único incêndio, nem sinal de fumo. De x em x kms, nas autopistas espanholas, avisos a relembrar que atirar cigarros/beatas pela janela constitui uma infracção, em Portugal zero!
Dia 14 de Agosto de madrugada passo a fronteira em Tui e a primeira coisa que avisto ao longe no meu pais é um foco de incêndio. Da fronteira até Coimbra sempre o cheiro/fumo de incêndios. Às 2h45 da manhã paro numa estação de serviço do norte do pais e deparo-me com uma caravana de veiculos dos bombeiros de Pombal que ai se reuniam com toda a certeza para a seguir se juntarem a outros grupos no combate aos incêndios.
Pois é! E se isto já é um inferno à face da terra para alguns, para nós sê-lo-á não direi a médio mas a quarto de prazo, pois já começámos também a sofrer as consequências das nossas inconsequências. E digo nossas pois por exemplo o efeito de estufa é responsabilidade de nós todos, em ultimíssima análise ao permitirmos impávidos o insucesso das conferências dos altos dirigentes mundiais, ou pior ainda ao ignorarmos deliberadamente a gravidade da situação, em que os termómetros continuarão a exibir valores cada ano mais aleatórios. Por sua vez, os porta-vozes do clima, como que camuflando ou minimizando esta verdadeira tragédia que se vai desencadando numa ou noutra parte do globo e chegando um dia a todos, dizem: "Aquecimento global? Não, longe disso pois que as médias da temperatura praticamente não se alteraram". Pudera, vou explicar em detalhe contando com aqueles que não aprenderam a fazer contas: suponhamos que há 30 anos num certo lugar a temperatura média era de 22 graus no Verão e 10 graus no Inverno, a média anual era pois de 16 graus (22+10 a dividir por 2); suponhamos que nesse mesmo lugar a temperatura média no Verão é agora de 26 graus e no Inverno de 6 graus, resulta que a temperatura média anual é NA MESMA de 16 graus. Não é por aí, veêm? O clima não mudou nada! Podemos continuar a fazer as mesmas asneiras, a indústria a laborar igual, os bolsos dos países ricos a encher, a ensinar como é aos emergentes, não podemos é deixar de engavetar os pirómanos, isso não.
Mas esses tais altos dirigentes são tão estúpidos, cegados de ganância, que não quiseram perceber que lhes (/nos) vai sair muito mais caro remediar esta situação. Vá lá que alguém já vai dizendo que há coisas que já não têm remédio, uff, tardava, mas agora não me chateiem, quero gozar o Verão. "Nina, hoje foi o enterro daquela bombeira!". "Qual bombeira? ". "Aquela que morreu cercada por fogo". "Olha, não sei... azar, passa aí o leite-creme". Mas embora saiba que é como muita gente reaje, só disse isto para o irritar, ele que é tão sensivelzinho, pois mal virou costas dei por mim a balbuciar entre-dentes "Porra!!", e só assim senti que tinha desculpa. Mas é que ele ontem ouviu as explicações de uma tal presidente e depois encheu-me a cabeça, também abusou: que os fogos dão-se com esta frequência hoje em dia porque ja não há agricultura, não havendo campos cultivados de permeio o fogo corre sem barreiras, que também ja não há tantas espécies autóctones (o sobreiro por exemplo), muito mais resistentes ao fogo, substituídas por eucaliptos e pinheiros facilmente combustíveis, que se antigamente utilizavam os pinhais para obter madeira e agulhas, para lenha e outros fins, hoje em dia esses matos permanecem intocados, muito mais vulneráveis a estas novas temperaturas, que os camponeses que restam ainda não interiorizaram a nova necessidade de limpar os terrenos, que ainda não foram suficientemente sensibilizados nesse sentido. Afinal aprendi a lição, desculpa e obrigada... querido!
Olha Ricardo, gostei do que escreveste, a brincar disseste coisas muito sérias, que nos entristecem, mas tu fizeste-o para clarificar que estas situações podem mudar; realmente todos os anos há uma festa dos bombeiros, ninguém liga! uma banda a tocar pela rua fora que interesse tem? pois digo-te, já vi um desfile de bandas de bombeiros, até é interessante, porque não tocam todos da mesma maneira, "cada terra com seu uso", o bombo tem que se lhe diga, eu exemplifico: na banda dos bombeiros de Seia, quem toca o bombo, fá-lo de uma maneira, que põe todos a rir, os pauzinhos que tocam no bombo vão ao ar, tipo malabarismo, voltam a tocar, depois são trocados atrás das costas, por cima da cabeça, sempre em andamento e com uma rapidez surpreendente, que se eu tentasse, ficava cheia de galos na cabeça e música só se fosse o som das minhas gargalhadas; mas realmente é digno de se ver e é um apoio que eles merecem! não é só chamá-los para situações de risco! e como tu disseste e muito bem, se as pessoam saem de casa para ver passar a volta a Portugal, porque não saem também para ver um desfile de bandas de bombeiros???
Agora coloco aqui outra questão, com o acordo ortográfico, há palavras que ficam ridículas, repara nesta frase que tu escreveste: - "O espetador tem a sensação de estar a ver sempre o mesmo jornalista, o mesmo bombeiro..." espetador, deveria pelo menos, ter um acento grave no (e) ficaria espètador, porque dá ideia de, espetar algo! como ficará traduzindo p Espanhol ?
Por volta de 1990, a Judiciária emitiu um relatório sobre fogos florestais e suas causas (daquele ano entenda-se): 95% dos incêndios tinham sido causados por descargas/faíscas dos postes de alta tensão, que tanto aconteciam de noite como de dia, em épocas de alta temperatura.
Nunca mais ouvi falar deste relatório e nunca mais se aludiu a esta causa de fogo.
Portanto, Sr. Ricardo não caia no erro de dizer que somos um Pais de pirómanos.
Como sempre gostei da tua crónica, e sabes além do que já escrevi sobre as medidas que se devem tomar, acho que existe ainda outra a ser tomada, que seria meter dentro do corpo das pessoas que incendeiam as florestas um clip que fizesse e desse a localização dessas pessoas, mas elas terem sem elas saberem, serem adormecidas, receberem um tratamento, quando são apanhadas pela gnr, e outras pessoas, porque só assim saberíamos quem é que meteu o incêndio sem mesmo eles saberem.
Mais uma vez acho que os jornalistas se convocarem advogados que mudam as leis no governo, o advogado que quem manda neles todos, que agora não me lembro do seu nome, e as pessoas do nosso governo, bombeiros e ecologistas, num debate para mudar para prisão de 25 anos, ou morte pela população ou as outras soluções que já referi noutro artigo e aqui, acho que deviam ser postas em prática.
Portugal e turismo que é onde se gera mais receitas pelo país, acaba por perder imenso.
Até um bancário e membros do Turismo, deviam ser chamados para esse debate, que tenho a certeza que batia o record em nr de pessoas a verem.
Qt ao fulano tal que disse que existia menos fogos do que no ano passado, foi dizer, que podem incendiar mais que ainda há muito para arder, isto por outras palavras que ele mesmo referiu.
Pena tenho que não haja incêndios ao lado das casas destas pessoas que não tomam medidas nem mudam as leis para um país mais seguro.
No programa e por cá, mandem a petição para as pessoas assinarem , a
mudança da lei.
Mas não se esqueçam também de convidar famílias que perderam tudo e que tinham uma vida estável e outros que ficaram piores, sem apoios nenhuns, porque se questionarem qual seria a justiça no ponto de vistas dessas pessoas, elas serão directas e dirão, por isso façam-no o quanto antes.
Mas metam e digam que a justiça muda mal esses programa for feito, e não daqui a meses, porque se disserem logo, podem meter medo e acabar com o mal pela raiz, mas o clip que meterem no corpo deles, esse pormenor não devia ser revelado, mas sim sempre escondido pelos jornalistas e membros de saúde que metiam, para que assim eles fossem apanhados e sem saberem como e nunca virem a saber, para não fugirem e tentarem ser operados para tirar esse clipe escondido dentro do seu corpo sem eles saberem e nunca sentirem.
há seitas que fazem isso, porque não haver também medidas que protejam o nosso ambiente e o nosso país?
Porque este país é dos corruptos, dos pedófilos que foram soltos e vão ser que fizeram um acordo com o bibi, que está tb solto.
Não entendo como é possível, amarmos e defendermos este país, se os políticos nunca nos defendem e se não defendem o que é importante para nos vivermos.
Sei que o nosso 1º ministro q foi ministro do Ambiente cometeu graves problemas e crimes no ambiente e está a deixar que continue, mas será q não deve ser atacado fortemente, de modo a mudar as leis?
Façam a petição o+rápido e divulguem-na de modo a mudarmos essa lei q hj nd nos ajuda.
Se Portugal fosse um "Pais de pirómanos" então teriamos aqui um grande estudo de caso para a Psiquiatria, Psicologia ou até mesmo Sociologia: "quais as causas deste pais ter o maior nº de pirómanos por 1000 habitantes no seio da Europa?" ...
A minha hipótese de estudo a ser investigada ou validada seria mais outra: Os ditos "pirómanos" portugueses parecem ser mais pessoas que gostam/precisam de ganhar uns trocos por fora a atear fogos servindo dessa forma interesses que não só os imobiliários...
Se tivessemos um governo com políticas coordenadas, pelo menos no que à prevenção dos fogos florestais diz respeito, não havia tantos fogos e os valores e os meios dispendidos ao seu combate eram menores. Se o sr. Rui Pereira, ministro responsável do M.A.I. e a sra Dulce Pássaro, responsável do M.A.O.T., definissem medidas corretas de prevenção aos fogos, não se veriam na situação desagradável de , através da comunicação social, inventarem desculpas sem nexo e prometerem para o futuro o que nunca fizeram no passado. É bonito e de aplaudir o apoio que o Ministério da dra. Pássaro deu a uma iniciativa privada que foi executada recentemente e com sucesso, por gente anónima, na recolha de detritos e limpeza de alguns espaços rurais e florestais, mas uma andorinha não faz a Primavera.
Artigo pertinente, que nos leva a refletir as causas de tanto fogo em tão pouco tempo, ora para mim a principal causa é o negócio, tanta malandrice que até chega a por em causa o ar que respiramos, para quê: Facturar uns milhões. Mas a prevenção utilizando dinheiros dos Fundos comunitários, ou seja, na ordenação florestal, habitação rural com regras, ou limpeza de acessos no inverno, etc, etc, mas destas receitas está o inferno cheio..que ardam no inferno, estes malandros do negócio.
Limpeza dos terrenos, mais meios claro que e necessario. Mas a vigilancia da floresta, bem como a puniçao, exemplar, dos criminosos tambem sao muito importantes.