Visão - Homepage
Faça aqui o seu
Subscreva dos feeds RSS da visão.pt
RSS
Assinaturas: Papel | Tablets e Vouchers | Digital
Convite aos Leitores: Deixe aqui a sua Opinião
Página inicial  >  Actualidade  >  Economia  >  PME Investe?

PME Investe?

Mais uma crónica da secção Gestão de Fraude, desta vez da autoria de Henrique Santos

13:32 Quinta, 22 de Abril de 2010
Partilhe este artigo:
PME Investe?

Considerando que estou do lado de quem tem poder de decisão (que não estou!), aquela que considero ser uma das ideias mais interessante do actual contexto político-económico vai já na sua quinta edição e está mais ousada que nunca.

Grosso modo, a linha de crédito em referência pode traduzir-se no seguinte, a PME (Pequena e Média Empresa) investe, o Banco empresta, e o Estado garante e bonifica.

Esta é a linha da concórdia, e só tem aspectos positivos. Senão vejamos:

  1. Foi criada para as PME's, mas também se aplica às micro empresas, que têm sempre mais dificuldade em negociar com a banca;
  2. As empresas da referida dimensão têm acesso a uma linha de crédito bonificado, e em grande parte com garantia dada pelo Estado;
  3. A Banca "volta a poder dar crédito", correndo um mínimo risco (tendencialmente nulo) de crédito mal parado, e assim garante rentabilidade;
  4. O Estado agrada às empresas, sustem os bancos, e ainda pode reaver dívidas que tinha por receber (segurança social e finanças).
  5. Politicamente é possível anunciar novas linhas de crédito e novos milhões de euros disponibilizados às PME's, de forma contínua. Na sua quinta edição foram anunciados 750.000.000€. É sempre bom saber que há muito dinheiro disponível para investimento.
 

Atendendo a que uma moeda tem sempre duas faces, aqui deixo algumas reflexões:

a)      Por se tratar de uma linha de crédito, estamos naturalmente a falar de um empréstimo, e os empréstimos têm de ser devolvidos.

b)      Na prática, o Estado deu aos bancos a análise de risco do crédito que ele próprio vai garantir e em parte bonificar. É certo que os bancos irão tentar garantir o recebimento da dívida por todos os meios, em caso de incumprimento, e até podem exigir garantias adicionais aos devedores, mesmo na componente garantida pelo Estado (!). Parece-me que foram estes mesmos bancos que em grande parte estiveram envolvidos nos últimos acontecimentos financeiros nada favoráveis à economia.

c)       Politicamente o Estado vai poder anunciar, permanentemente, nova disponibilização de milhões de euros, cada vez que começarem a ser devolvidos os montantes das linhas anteriores, logo se infere que se trata sempre do mesmo dinheiro disponibilizado, isto é, passível de garantia e bonificação.

d)      Os bancos têm assim o apoio do Estado, não lhes injectando dinheiro directamente (que a sociedade em geral não veria com bons olhos), mas permitindo-lhe, de igual forma, a sua disponibilização, altas taxas de rentabilidade através de pagamento de juros, e dando-lhes garantia de reembolso. Os spreads e a rentabilidade garantida não são assim tão baixos, para um empréstimo que em grande parte tem uma garantia do Estado.

e)      O Estado até pode vir a garantir empréstimos que sejam suporte ao pagamento de dívidas ao próprio Estado. Sim, é possível!

f)       Não são conhecidas, de forma clara, as taxas de incumprimento (e portanto também incluído o potencial "erro" de análise bancária) das linhas de crédito anteriores.

 

Na sua essência, a linha de crédito PME INVESTE é, na minha opinião (no actual contexto político-económico), uma das medidas mais inteligentes (consegue matar vários coelhos, quiçá lebres, de uma cajadada só!), no entanto, não tenho as garantias suficientes que ela será aplicada tal e qual foi idealizada. Não tenho a certeza que o seu autor seja aquele que a está aplicar e assim, eventualmente, não esteja a ser subvertido o processo. Não sei ainda o custo que tal medida teve/terá, nem se foi realizada uma avaliação de impacte, ou delineados mecanismos de controlo e acompanhamento. A resposta a este conjunto de questões poderá ser a diferença futura e o saldo negativo desta linha.

Perguntar-me-ão, se não devia ou podia esta crónica estar noutra secção de economia, que não a de Fraude? Respondo como o outro: "Poder podia, mas não era a mesma coisa!"

Palavras-chave  gestão de fraude
Artigos Relacionados:
Faça login pelo Facebook e comente este artigo!
 
 
Aumentar texto  Aumentar texto Diminuir texto  Diminuir texto ImprimirImprimir Enviar por emailEnviar por email
Partilhe este artigo:
 
 
1 comentários
Página 1 de 1   
ordenar por:
mais votados ▼
Uma boa questão
Nuno Miguel (seguir utilizador), 1 ponto , 16:03 | Quinta, 22 de Abril de 2010
Aqui espelho a minha realidade.

Tenho uma empresa com um exercício fiscal encerrado e positivo. Dois bancos deram-me respostas diferentes de interpretação no acesso à linha, e a PME Investimentos, que me deveria dar respostas (ou o IAPMEI), informam-me que os bancos é que têm de responder, que eles só tiram dúvidas aos bancos.

Mas que diabo! Então a PME Investimentos é maioritariamente participada pelo Estado, o IAPMEI é um Insituto Público, e eu tenho de perguntar a um banco para me dar uma resposta que difere consoante o banco que for.

Relamente concordo que devemos pensar bem no que nos estamos a meter, isto é mesmo para ajudar os bancos, porque as PME duvido.

Já agora, se me puderem esclarecer ou ajudar... Agradeço
1 comentários
Página 1 de 1   
PUB
 
Grupo ImpresaACAP