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Os BAD BANKS podem ser uma das soluções para a nossa triste realidade

Por muitas voltas que o mundo dê, não somos nem de longe, nem de perto, capazes de sozinhos tapar o buraco financeiro que fomos escavando ao longo de anos.

Artigo escrito por MarcoAzevedo
15:58 Sexta, 6 de Agosto de 2010
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Das duas, três: ou nos deitam a mão; ou os "camones" compram as nossas empresas públicas (incluam aqui os delicadíssimos casos BPP e BPN) ou decretamos falência e deixamos este rectângulo peninsular à esturreira dos paraísos fiscais.

Temos ainda uma outra solução, que nenhum dos nossos inteligentíssimos políticos se lembrou de debater. A criação de um (ou mais) BAD BANKS.

Esta medida para resolver problemas nos balanços das instituições financeiras não é nova. Este modelo já foi utilizado em vários países, sobretudo em alturas de crise económica, permitindo ser utilizado tanto na reconversão de um banco em particular ou impedir que um possível colapso do sistema financeiro de um determinado país (ambas as situações se aplicam em território português).

Os BAD BANKS eram, aliás, uma das soluções previstas pela Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu para se conseguir lidar com a crise no sistema bancário, tendo sido utilizada em países como a Alemanha, Irlanda e Reino Unido.

Perguntam agora os leitores, o que é um BAD BANK?

É uma medida que separa os bons e os maus activos. É um veículo que compra e reúne activos problemáticos que estão a pressionar o balanço de determinada instituição financeira. O valor pelo qual os activos são comprados ajuda a aliviar as pressões no capital da entidade. O objectivo é pois isolar estes activos distintos para que não contaminem as operações da instituição, permitindo assim, que o banco volte a ser competitivo.

Estes activos podem ser comprados pelo próprio Estado ou por uma entidade privada, sendo que o Governo pode e deve conceder garantias à entidade compradora. A sua gestão pode também ela ser estatal ou ficar a cargo de uma instituição especializada em gerir activos problemáticos. Fica uma ressalva, o preço é um dos factores mais sensíveis a ser ponderado na criação de um BAD BANK. Por exemplo, se a avaliação for feita a um preço muito elevado, existe o risco de perdas para o Estado, caso este suporte a operação através de financiamento ou garantias (que me parece ser o único caso possível para Portugal).

A Suécia nos anos 90 teve um caso de sucesso. Os bancos afectados por uma tremenda crise financeira tiveram exactamente de fazer o que acabei de escrever acima, separar os bons dos maus activos. Criaram normas exigentes para que se pudesse calcular as eventuais perdas e o preço dos activos a transferir para os BAD BANKS. A coisa correu como o esperado, a avaliação foi bem feita, os activos problemáticos começaram a recuperar solvabilidade, dando lucro ao Estado sueco, que injectou dinheiro nos bancos e, para as entidades privadas responsáveis pela gestão. Este modelo foi copiado com régua e, esquadria na crise de "savings" e "loans" dos EUA.

A Irlanda recebeu no final de Fevereiro um OK da Comissão Europeia para dar seguimento a um BAD BANK estatal que irá absorver os activos problemáticos dos bancos privados com problemas de dinheiro. O objectivo será assegurar a estabilidade do sistema. Esta medida poderá chegar a um "negócio" na ordem dos 77 mil milhões de euros de activos de risco e existe interesse de investimento por parte de privados.

Poderemos comparar este modelo, ao que o nosso Governo está a utilizar no BPN?

Não. Primeiro, o Governo tinha que comprar o BPN (instituição, holdings, empresas financeiras e não financeiras do grupo). Segundo, a injecção de capital tinha que ser feita através dos seus cofres e não dos da CGD (ainda que dissesse que esta é a sua instituição gestora, não me parece que esta seja especializada em gerir activos problemáticos).

 

 
 
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