Visão - Homepage
Faça aqui o seu
Subscreva dos feeds RSS da visão.pt
RSS
Assinaturas: Papel | Tablets e Vouchers | Digital
Convite aos Leitores: Deixe aqui a sua Opinião

O TEMPO QUE NÃO SE PERDE (quando "há dias assim...)

Nunca se perde tempo quando o que nos move é a defesa de princípios básicos do funcionamento democrático da sociedade.

[Com a devida vénia aos comentadores a.dúvida, Manuel dos Santos e Bruder, inspiradores deste texto]

Artigo escrito por Paulo Rato
7:07 Sexta, 5 de Março de 2010
Partilhe este artigo:
O TEMPO QUE NÃO SE PERDE (quando "há dias assim...)

Não considero possível que todos os jornalistas e cronistas que escrevem atafulhados de preconceitos, como o autor de "Há dias assim..." (cujas fragilidades são desnudadas pela comentadora a.dúvida), integrem o grupo, mais ou menos vasto, de cidadãos que pretendem "abater (...) o Primeiro Ministro deste País", como afirma, mais adiante, Bruder.

Também não faço ideia se o PM é ou não culpado (no todo ou em parte) das malfeitorias que lhe atribuem, nenhuma delas até agora assumida pelas entidades constitucionalmente incumbidas de zelar pelo cumprimento da lei. E, para o caso, é-me indiferente: discordo das linhas gerais da sua política; e nunca votei no PS, nem votarei. O que não me impede de estar de acordo com a parte mais substancial dos argumentos de Bruder.  

Também os alegados planos socráticos para deitar mão a tudo o que é órgão de comunicação social não me fazem perder o sono. Até porque me vêm logo à ideia comportamentos, palavras e acções do madeirense Dr. Jardim, que me parece jamais terem provocado as acções e reacções expectáveis dos, agora, tão numerosos campeões da liberdade de expressão: talvez porque não se trate de conspirações secretas ou de "queixas" sobre linhas editoriais, mas, v.g., de ameaças públicas de punições a jornalistas, como já assisti em conferência de imprensa transmitida em directo...

Já do ponto de vista do que é mais importante, politicamente, para o País, isto é, para o seu povo, para as pessoas concretas, tenho as minhas ideias, cujo debate não cabe nesta intervenção.

Mas, do importantíssimo ponto de vista dos meus direitos, assaz me incomodaria que um bando de responsáveis de um semanário publicasse informações falsificadas sobre mim, pondo-se "a monte", no intuito de fingir desconhecer uma decisão judicial proibindo tal publicação. Um exemplo, este, de uma situação que, eventualmente - pese, embora, a minha morigerada pacatez - me induziria a perder a tramontana e dar digno uso à bengala avoenga, face à incapacidade demonstrada pelo Estado na defesa desses direitos.

Mas há coisas que eu sei.

Sei que a atitude mais fácil e menos trabalhosa - donde, irresistivelmente tentadora - para qualquer jornalista mal preparado, de rarefeita cultura e capacidade de análise crítica praticamente nula é não pôr em causa as "evidências" cultivadas pela maioria dos "pensadores" instalados e deixar-se conduzir placidamente para o "lado de onde sopra o vento". Pior ainda é que, em geral, este espécime não tem sequer consciência dessa atitude e de quais as suas causas.

Conheço bastantes bons jornalistas, alguns meus amigos e até familiares.

Mas é minha convicção, por muito que a afirmação incomode, que a maioria dos elementos desta tão digna e necessária profissão se integra, desgraçadamente, no modelo descrito. Claro que o período anterior me pode tornar alvo de um variegado leque (apenas limitado pela escassez de vocabulário dos autores) de viçosas tentativas de desconsideração e ofensa (condenadas ao malogro, hélas!...).  Francamente, não consigo preocupar-me com isso... E persisto na vaga esperança de que, a alguns dos que se considerem feridos em suas evidências e ventanias, lhes ocorra pensar... e interrogar tudo aquilo com que lhes foram atestando os cérebros, em anos de estudo e exercício da profissão. 

"Evidências" (título de uma intervenção pública que fiz, há alguns anos, a propósito da censura e suas formas) são aquelas coisas sobre as quais estão quase sempre de acordo todos os participantes do programa "Prós e Contras" (os dos prós e os dos contras): a economia de mercado é a melhor coisinha que há; o privado é sempre melhor que o público; os funcionários públicos são uma corja de calaceiros principescamente pagos; as ideologias acabaram; o PCP diz sempre a mesma coisa (vem na cassete); quanto menos Estado, melhor Estado;

ou, para ficar por aqui e a propósito do que agora nos ocupa, a liberdade de expressão (o seu uso, os seus limites - essencialmente determinados pela ausência de colisão com a liberdade e direitos de outros) é definida pelos próprios jornalistas, grandes e heróicos cavaleiros dessa "dama".  

O "lado de onde sopra o vento" é composto por aquelas tendências de formação de opinião, semeadas em redacções, meios empresariais, partidos, bares e outras capelinhas, que se vão, a bem dizer, ajuntando, até se agregarem num mesmo rumo e transformarem numa certeza íntima, que cada um dos seus portadores acarinha como se de sua lavra fosse. Ainda que o terreno onde germinam seja uma mistela quimicamente anómala (e instável) de variados interesses, que vão dos baseados em objectivos concretos e inconfessáveis até aos que se limitam a não perturbar a integração do paciente no regimento que está na moda - passando, entretanto, pelo piores carreiros.  

O que está a acontecer, actualmente, é que "o lado do vento", pelo menos nos meios "informados" (que são os que contam, claro!) se tornou contrário ao "lado do PM". 

Ora, somando o "lado do vento" com as "evidências", encontramos, como resultado, os preconceitos que referi no início.

Quod erat demonstrandum! 

Eis por que chegamos ao  milagre do "depoimento arrasador" - evidentemente uma evidência, de per si ou porque a depoente exibiria uma aura virginal e luminosa, genuína prova de estar possuída pela própria essência da Verdade; bem como à concretização de "vários pontos" do plano "conspirativo", maugrado a sua dramática cisão em "dois cenários possíveis", mas ainda mais evidentemente evidente, pois quem o declarou foi o DECLARANTE... 

Aqui chegado, creio que nem precisaria de recordar a evidência de que nada disto requer o apoio dessas coisas chatas a que chamam provas. Como é evidente, que diabo! 

Há outras coisas que eu sei.

 Por exemplo, sei que o Dr. Balsemão é um permanente queixoso, junto da UE, pelos malefícios que lhe causam os serviços públicos de rádio e (sobretudo) de televisão. Tema que, por mero acaso (é evidente!), mais uma vez referiu, a propósito do sinistro plano governamental de legislar no sentido de prejudicar os operadores privados, coitadinhos.

Também sei que nunca (mesmo nunca! ) gostei do "estilo MMG", desde os seus tempos de RTP, em que já confundia agressividade com acutilância e pesporrência com coragem, pelo que guardei sempre uma distância sanitariamente prudente em relação a programas em que interviesse. Do tal Jornal de Sexta, apenas vi, em gravação, a entrevista a Marinho e Pinto, onde notei que aperfeiçoara os atributos que referi, mas lobriguei mais um pormenor: a peça editada, que antecedia a entrevista, era claramente tendenciosa e manipuladora, orientando os espectadores num sentido antagónico às opiniões conhecidas do Bastonário.  

Em conclusão: a balbúrdia em curso só convence os ingénuos ou os distraídos.  

É claro que quem vai ocupando o poder comete, com frequência, os pecados - por ideias, acções e omissões - de tentar chamar a si o maior domínio possível dos conteúdos dos "media" e de fazer uns favores a alguns amigalhaços. Não esqueço o assalto ao serviço público de rádio e televisão planeado pelo PSD de Durão Barroso, visando, em minha opinião (fundamentada na análise de factos e documentos), o favorecimento de operadores privados, e que incluía a oferta de redes de frequências de rádio: assalto que, felizmente, ficou longe dos sinistros objectivos que prosseguia, esses sim com gravíssimas consequências para a liberdade de expressão.

De igual modo, não me é estranho que a indigência moral de um elevado número de políticos lhes facilite admitir como "natural" o exercício de pressões sobre quem trabalha na comunicação social.   

Mas, se do outro lado, se perfilam integérrimos defensores das liberdades, estes procedimentos são inócuos! E se ninguém é preso, nem morto, nem perde o emprego, como no tempo da outra senhora, por que terríveis ameaças se expressam tais pressões?

Ah, mas as pressões exprimem-se pela não publicação de anúncios de instituições públicas, como se tem argumentado: mas, então, os operadores são mesmo privados ou, afinal, dependem do Estado? E de quantas grandes empresas privadas depende a sua "independente" sobrevivência? De quantas podem, ou não, falar à vontade?

Quantas perguntas para colocar, perante a tolice de dezenas de argumentos com que já deparei (dos quais, o do telefonema do PM para o rei de Espanha deve ser candidato aos mais importantes concursos de humor...)! 

O que actualmente me causa séria apreensão, no que se refere à liberdade de expressão dos jornalistas, são coisas como a precariedade dos seus postos de trabalho, o recurso de muitas empresas à contribuição profissional gratuita de muitos estagiários, o total desrespeito pelas leis do trabalho, que já nem são famosas; a ausência de acordos colectivos nas grandes empresas - o que coloca estes profissionais numa situação de total dependência da entidade empregadora. 

Quanto ao funcionamento nas Comissões da AR, o forense Manuel dos Santos disse o bastante e que a minha experiência pessoal confirma.   

São os percursos desviantes de quem intervém na política (e não só cá...) e a patética confusão na denúncia do que fere realmente as liberdades, por parte de jornalistas e comentadores, que põem em perigo a Democracia, aumentando os riscos (que já se notam, dentro da própria UE) de a perder para um qualquer "salvador" ditatorial. 

Numa sua crónica, Baptista Bastos, um dos grandes jornalistas portugueses de sempre, resume tudo isto muito melhor do que eu o faria. Termino com palavras suas (desculpa o abuso, BB):

"Afinal, existe mesmo liberdade de expressão e de informação, e esta sofre as mesmas ameaças e perigos existentes nas sociedades modernas. (...) Não confiamos em quase nada e em quase ninguém. Começamos a desconfiar de nós próprios. O indivíduo tem de ter em conta o olhar dos outros, mesmo que negativo: é o que assegura a nossa singularidade. E mesmo isso está a diluir-se, ante a configuração permanente da mentira política, o desprezo pela verdade e a duvidosa dimensão ética de certos jornalistas."

Paulo Rato

 
 
Aumentar texto  Aumentar texto Diminuir texto  Diminuir texto ImprimirImprimir Enviar por emailEnviar por email
Partilhe este artigo:
 
 
3 comentários
Página 1 de 1   
ordenar por:
mais votados ▼
opinando a propósito (meu desabafo-Ano 2000)
Zé Cravinho (seguir utilizador), 2 pontos , 15:15 | Sábado, 6 de Março de 2010
Os alvissareiros do Jornalismo/que enxameiam a Televisão/todos êles afinam p'lo diapasão/dos maestros do neo-liberalismo.
Há caras diversas,fêmeas e machos/com sorrisos mais ou menos bonitos/mas todos êles defendem seus tachos/assim como,da Globalização,os quesitos.A Religião era o ópio do Povo,antigamente/
mas hoje com a sofisticada digitalização/é,sem dúvida alguma,a tentadora Televisão/a «droga«mais alienante e entorpecente.
Até p'ràs crisnças,os desenhos animados/são estapafúrdios e com muita violência/e a Televisão com Programas de indecência/forja um enorme mundo de alienados.Depois queixam-se do muito vandalismo/que é praticado p'la malcriada Juventude/não querendo
ver que no dia-a-dia,amiúde/a Televisão exibe violência e sexismo.
Os Donos do Mundo querem finalmente/a Plebe submissa,acéfala,
embrutecida/e as diversas Televisões em sua medida/contribuem para isso,indubitàvelmente.A Nato,nos seus variados escalões/tira partido da manifesta circunstância/da Plebe,na sua ampla ignorância/ser maipulada pelas Televisões.E os grandes Barões do Imperialismo/que detéem as alavancas da Economia/promovem com refinada demagogia/os benefícios do neo-liberalismo.
opinando a propósito (meu desabafo-Ano 2000)cont.
Zé Cravinho (seguir utilizador), 2 pontos , 15:46 | Sábado, 6 de Março de 2010
Até os que se dizem socialistas/aprovam,da Nato,a sua má acção/
e os alvissareiros da Televisão/são,dela,fiéis propagandistas.
E de entre a juventude manipulada/é que o Imperialismo recruta sua
gente/p'ra fazer guerra ou Política indecente/pois que a juventude está alienada.E no bem concorrido Pop Festival/eu vejo a juventude embriagada/dançando ao som de violência musical/como que enlouquecida ou drogada.A maioria de Filmes de sexo e violência/são de proveniência norte-americana/e a mentalidade que dêles emana/gera muita brutalidade e indecência.
De Hollywood,os cineastas com facciosismo/espalham no Mundo a falsa noção/de que a América tem a solução/para salvar o Mundo do abismo.Nos Filmes de índios e vaqueiros/quem são os maus e malfeitores? São os índios,mas os ianques flibusteiros/é que cometeram os maiores horrores.Também nos Filmes com mexicanos/ são êstes,os maus,os salteadores/pois apresenta os norte-americanos/como os heróis que merecem louvores.
Mas a América do Norte,finalmente/nasceu de muitos actos de pirataria/que nos índios fez enorme razia/e o México roubou impunemente.
Nota:Êstes meus desabafos referem-se aos Média e aos seus
Mensageiros,Alvissareiros e também Alcoviteiros e à sua influência.
opinando a propósito (Guerra Fria)desabafo-Ano 200
Zé Cravinho (seguir utilizador), 2 pontos , 16:17 | Sábado, 6 de Março de 2010
Os Média com seus alvissareiros/nesta Holanda liberalizante/
mantéem a Guerra Fria actuante/d'acôrdo com os ianques flibusteiros.Da queda do Muro,sua comemoração/foi dada com enorme relevância/relembrandomo passado que à distância/se mantém actual na sua desafeição.Vimos o Chanceler Federal alemão/
como expoente da Social Democracia/colocar uma corôa de flores que todavia/não evita,da Alemanha,a sua divisão.E aqui na Holanda de sangue alemão/que também tem passado flibusteiro/os Média defendem o Sistema anglo-saxão/que quer Globalizar o Mundo inteiro.Então há que acicatar a odiosidade/e de manter o germe da Guerra Fria/e tudo isto em nome da Democracia/e para defesa da mercantil Liberdade.Mas p'ró Muro da Coreia,uma ideia ferina/
  não falam dos mortos,aos milhões/que os malvados ianques,piratas
ladrões/originaram na pobre terra da Indochina.Porque é que o
Tio Sam,longe da sua terra/e escudado sob a enorme capa da Nato/ mantém suas Tropas em pé de guerra/e continua a Guerra Fria de facto?!No Mundo,quem mata à fome,milhões?É certamente o Magno Imperialismo/que tem como Chefes,os anglo-saxões/e acólitos que até professam o cristianismo.Mas ainda o que é mais revoltante/são os que dizem defender a Democracia/que apoiam a pulhice do ianque traficante/que faz a Guerra Quente e a Guerra Fria.
A Democracia afinal,p'ra êstes trapalhões/consiste na Liberdade do Mercador/poder realizar o tráfico a seu favor/nem que seja p'la fôrça dos canhões.
3 comentários
Página 1 de 1   
PUB
 
Grupo ImpresaACAP