Cavaco Silva disse uma vez que os livros de Saramago lhe desagradavam porque tinham demasiadas vírgulas. As explicações com que o Presidente da República justificou a sua ausência do funeral de Saramago tinham demasiadas reticências.
2:43 Quinta, 24 de Junho de 2010
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Para Eduardo Lourenço, a obra de Saramago é um diálogo extraordinário com a Bíblia. Harold Bloom dizia que Saramago era o mais talentoso romancista vivo. E Cavaco Silva afirmou uma vez que os livros de Saramago lhe desagradavam porque tinham demasiadas vírgulas. Enfim, cada crítico literário com a sua mania. A mim, que não percebo nada de literatura, pareceu-me que as explicações com que o Presidente da República justificou a sua ausência do funeral de Saramago tinham demasiadas reticências.
Bem sei que Cavaco decretou que a polémica em torno do facto de não ter comparecido no enterro de Saramago era estéril. Mas, por azar, as polémicas estéreis são as que mais me costumam interessar. Para polémicas fecundas sempre revelei menos capacidades.
Primeiro, e na qualidade de cidadão especialista em evasivas, devo lembrar que as melhores desculpas são singulares. Ora, Cavaco apresentou três. Por um lado, disse que não conhecia Saramago. Por outro, disse que não era amigo dele. Finalmente, alegou que prometera aos netos mostrar-lhes as belezas dos Açores durante quatro dias. Só faltou dizer que não iria ao funeral de Saramago por desconfiar que Saramago também não irá ao dele. São demasiadas desculpas e, como é próprio das desculpas múltiplas, são pobres. A circunstância de não ter uma relação próxima com os homenageados nunca impediu o Presidente da República de estar presente em cerimónias de Estado. Por exemplo, Cavaco comparece sempre nas cerimónias comemorativas do 25 de Abril, embora mal conheça a data e não seja propriamente amigo dela. Talvez seja melhor retificar a regulamentação do luto nacional. O País fará luto por ocasião da morte de uma personalidade de excecional relevância, a menos que o Presidente da República se encontre a contemplar as Furnas.
No entanto, também o facto de estar de férias não tem impedido o Presidente de intervir em matérias de Estado. Ainda fresca na nossa memória está a importante comunicação ao País sobre o estatuto político-administrativo dos Açores, por causa do qual Cavaco Silva interrompeu o merecido descanso, há cerca de um ano e meio. Creio que, se o estatuto político-administrativo dos Açores tivesse falecido, Cavaco teria pedido desculpa aos netos e ter-se-ia dirigido ao Alto de São João para lhe prestar a última homenagem. Tendo morrido só um homem, não houve necessidade de perturbar o turismo. Na verdade, foi apenas isso que aconteceu. Não morreu um santo nem um demónio. Morreu um homem. Logo por coincidência, dos três é o meu preferido.
Morreu um homem?
Defensor do comunismo, o mais repressivo de todos os regimes totalitários!
Um defensor da liberdade que saneou 30 jornalistas do Diário de Notícias...que ele tomou de assalto. Não morreu um demónio?
Fez muito bem em não ir ao funeral desse "senhor", Sr. Presidente!
Abaixo os falsos elogios a gente que não merece!
Cavaco foi igual a si mesmo. Cavaco é mesmo isso, um homem insensivel aquela tendência dos Portuguses de estar bem com Deus e o Diabo.
Aliás, os críticos são sempre os mesmos. Baralhadas as cartas, saem de lá as mesmas sequências lógicas.
Assim não vale! Digam lá alguma coisa de novo, se não ficamos todos enjoados com esta viagem!
Sei que nada sei ou que somente sei o minimamente aceitável para poder julgar a Obra de Saramago - que não aprecio - e que não consigo ler. Talvez a minha Santa Ignorancia não esteja à altura de uma Literatura somente virada para os Doutos (ou Pseudo Doutos). Foi realmente um Homem Controverso e esvreveu coisas que para quem tem o Sentido da Responsabilidade, deveia ter o cuidado de Analisar as Afirmações, antes de as Proferir.
Mas como disse nada sei e a minha Cultura em nada se assemelha à daqueles que andam a "Passear" livros de Saramago nas Ruas. Gosto daquilo que Gosto e nunca se me passou pela cabeça comparar os NOSSOS MAIORES (Eça, Garret, todos e até Torga, já para não falar dos Recentes que Aprecio mas não os menciono por não pretender Ofender nenhum por omissão), todos eles mereciam o Nobel da Literatura; mas as Influencias são em demasia e por vezes passam por cima de tudo e todos... Infelizmente.
Assim para além de ter apresentado as minhas condolencias à Família,(Bebi Chá em Criança) entendo que o Senhor Presidente da República devia ter Comparecido ao seu Funeral mas não como Cidadão mas sim como Presidente.
Mas se assim não fez atendendo às comutações politicas de Saramago, Reprovo. Não gosto de Saramago nem da sua Escrita mas respeito todos os que dela gostam (mas respeitem as minhas ideias). O tempo dirá e a história IMPLACÁVEL COMO É, ditará a verdade sobre tods as coisas. Aguardemos.
Muito fraco esse seu artigo, senhor Ricardo.
Estava a espera de um artigo de opinião ao estilo do que nos vem acostumando, mas este deslidiu-me.
Parece haver algum rancor contra o Cavaco e nota-se que gostava do Saramago e ficou mesmo chateado por Cavaco não aparecer no seu funeral.
Onde é que passou o seu humor?
Como disse, era só um homem. Poderia ter destacado também o lado oposto e o facto do Saramago viver no estrangeiro e ser enterrado em Portugal. Também tem o seu lado irónico. Se não gostava de aqui viver, porque deveria gostar de ser enterrado aqui?
É verdade, Saramago também não vai ao funeral de Cavaco, e se fosse vivo também não ia, por isso nada me choca o Cavaco não ter ido, o que temos que evidenciar é que o Presidente da República não foi ao funeral do único prémio nobel da literatura que foi atribuído a um escritor de língua portuguesa, com uma obra ímpar e reconhecida universalmente, de um homem que inspira qualquer agente de cultura. Mas que dizer da cultura de Cavaco?É economista, e tem um bom legado para um país à beira da bancarrota, que é um desastre económico.A literatura ficou mais pobre, só espero que mais cinco anos de Cavaco sejam travados para que tenhamos um País de progresso cultural e económico, sem oprimidos.
1º. É um homem sim, até porque demónios só sei deles na literatura.
2º. Comunista? Ou com idéias comunistas? É que a sua literatura não embala nos príncipios Marxistas.
3º. Cavaco economista? De fraca qualidade. Vidé o caso Partex.
Cavaco tentou com esta soez atitude, recuperar a benção católica, que estava a fugir-lhe. Mais uma vez cavaco pensou única e simplesmente em si.
Como sempre, mais um artigo muito bem feito, com inteligencia, mordacidade e grande pontaria.
Eu que nunca gostei por ai além de Saramago enquanto escritor (devo ser das poucas reconheço e se calhar sou eu que sou limitada, não sei) e também como pessoa nem sempre concordei com o que defendia, achei a atitude do nosso Presidente deplorável.
Na minha humilde opinião acho que, enquanto cidadão, Cavaco Silva tinha todo o direito e até seria estranho que assim não o fizesse, de não ir funeral do Saramago: Não era amigo dele, muito pelo contrário.
No entanto, ele não é um cidadão comum. É um chefe de estado e como tal, devia ter-se comportado como tal.
Ele já deve ter feito mais "fretes" na vida e já deve ter ido a outros funerais de gente que não lhe dizia nada, pelo que as suas desculpas não convencem.
Saramago era polémico e nem sempre consensual mas, quer se goste ou não dele, lançou o nome de Portugal e de Espanha (eheheheh) no mundo ao ter ganho o prémio Nobel da Literatura pelo que merece o nosso reconhecimento e respeito.
Achei que o PR esteve mal.
Cresça Sr. Presidente e deixe esse ressabiamento de lado.
Foi buscar os nomes de Eduardo Lourenço, Harold Bloom, para justificar a presença de Cavaco no funeral do Saramago? Mas que bem, você é um génio!
Eu, que muito aprecio o Saramago pela sua criação, inovação, literária, ainda muito fora do alcance da maioria, (incluso o confesso Ricardo, sem surpresa alguma, e sem necessidade de tal confissão para o que é tão visível) começo a ganhar anticorpos com tantos disparates saramaguianos. Se não se sabe nada de literatura, porque falar-se dela? O Saramago era sobretudo criação literária.
Ele abriu uma porta, valiosa, mas os seus idólatras não sabem nada acerca dessa nova porta, e por cá em Portugal nada mais se fará que mencionar os nomes de figuras famosas, como o Ricardo faz acima até para conseguir justificar o Cavaco nas cerimónias fúnebres do criador. Como cidadão, este, fazia tantos disparates como os outros.
Comunista? Os comunistas são como aqueles ricos (e remediados) muito religiosos que acreditam em Deus mas não partilham nada. São é eternamente gratos ao partido (ou igreja, pelos proventos).
Qual é mais importante, que o Cavaco tivesse ido às referidas cerimónias fúnebres? Ou que, pessoas de visibilidade tão destacada neste país, como o senhor, se cultivem, a fim de passarem melhor imagem e exemplo cultural?
Com a qualidade cultural que vemos diariamente nas televisões, qualquer dia nem temos presidente para nenhum dos nossos idolatrados, ou outros, funerais!
Por acaso alguém conhece as opiniões políticas de Leonardo Da Vinci, Servantes ou Camões?
Por acaso tal facto impede alguém de os admirar e de fazer monumentos às suas glórias.
Saramago é dos portugueses que fazem de Portugal um grande país.
Concorde-se ou não com as suas posições.
Morreu o escritor português que mais contribuía para a fama de Portugal no Mundo.
Isto devia bastar ao Cavaco economista se, por acaso, tivesse a mínima noção das funções de Presidente da República de todos os portugueses.
Mas não tem, nunca teve durante cinco anos.
Se estivesse em Portugal, pessoalmente, teria ido ao funeral de Saramago.
Mas não irei ao do Cavaco.
Porquê?
Porque Saramago foi um grande escritor e o Cavaco é um presidente que nem sequer sabe o que tal significa.
É uma verdade, rsss, o menino Ricardinho ficou de beicinho ao lado pela ausência do Cavaco na transferência da alma do Saramago aos céus, mas não deveria era incluir-nos a todos nesse seu desgosto.
Ele gostava de Saramago, mas porque dava jeito, como a maioria das figuras de esquerda, mas lê-lo? Tá quieto! Não era para ele.
Essa, foi a melhor que li pós Saramago, Paulo. Viver no estrangeiro e querer ser cremado em Portugal.
Tem o seu lado irónico e de que maneira. Um bom osso para o menino Ricardinho descarnar, mas o talento não se vende em avulso!
Deveria ter deixado o pó por lá, para os espanhóis mandarem uns snifes!
Portugal é mau para se viver, para se morrer, mas de trânsito para o céu, é o ideal! E ainda nem temos o TGV!
Vivemos em uma ditadura democratica...
Ditadura dos banqueiros, mas tudo em democracia... nem necessitam de outro modo, pois o dinheiro compra tudo inclusivé consciências... Se antigamente o dinheeiro fazia perdoar qualquer pecado, a troco de uns trocos (para os banqueiros) tudo se perdoa, e quem não sabe pode aprender com a Igreja... não não vou falar sa Santa Inquisição, pois até foi santa... perdoa-lhes Saramagos, o espirito é fraco, restando-lhes a fé...
Ricardo, enganaste e enganas os outros: Saramago vai ao funeral do Cavaco, nós é que não o vimos, e de certo quando passar a ressuscitação ainda vai para a sua alma para o levar mais depressa, ou julgas que as que cá se fazem, não são feitas um dia mais tarde espiritualmente?
Eu tenho 7 almas dentro do meu corpo, imagina o que é ter essas almas todas, é uma comédia, agora a minha próxima etapa é descobrir o que é que eles foram antes, para perceber se o que me acontece têm haver como o que lhes aconteceu, quando eram vivos.
Por isso Ricardo acredite na ressuscitação, que o Saramago vai provocar um Sarampo tão forte ao Cavaco que ele vai arder fácilmente, ou senão não era uma cavaca,ahah.
Quanto ao que dizes no final, se fosse no ano das eleições, de certo que vinha, já a aceitação dos homossexuais, foi um jogo subtil, para ter o apoio deles e o seu partido também, para não correr o risco de não perder mais nenhuma vez.
Então ele que é economista, algumas vez pensa nas pessoas?
Só se ele não tivesse essa formação, mas a sua formação sempre foi ligada ao dinheiro e já as pontes na altura dele como ministro deixaram de existir alguns feriados, por isso não me venham cá enganar-me.
Ambos podemos brincar, mas enganarmo-nos, não acredites, só se estivermos cegos e as virgulas no livro do Saramago, são mesmo obstáculos, ou tomates ou ovos podres jogados à cara do Cavaco.
Mentes como a dele, a mim não me enganam, já eu dizia que ele não ia ao funeral e não foi mesmo.
bm-f-s
Morreu um homem amargo e mau, incapaz de sorrir...
José Saramago, era de facto um homem mau. Provava-o a sua cara vincada incapaz de exprimir um sorriso, prova-o a sua escrita prenhe de ódio e crítica aos valores mais normais e caros à civilização que o viu nascer, valores esses que ele, com as suas ideias, suas declarações e sua obra, renegou em Lanzarote. Será que no fundo, Saramago, para além do seu marcado azedume e soberba, tinha valores? Nunca o saberemos.
Repito, José Saramago era um homem mau. Que o digam os seus colegas, que em pleno período revolucionário foram vítimas de saneamentos selvagens. O homem, nessa época, tinha o "estribo nos dentes", e era imparável algoz como sub-director do Diário de Notícias. Tinha por desporto arruinar a vida de quem não era comunista como ele.
Foram 87 anos de infecundidade, travestida de um aparente sucesso, revelado pelos livros que vendeu, e pela matreira estratégia de marketing que o conduziu ao Prémio Nobel, em detrimento de outros escritores Lusos, genuinamente com mais categoria e menos maldade crónica do que ele. Penso, por exemplo, no insuspeito Torga.
De Saramago recordaremos um homem que não sabia rir, que gostava certamente muito de dinheiro, e que o terá ganho, que era mau e vaidoso, e que o provou ao longo da sua vida, que quis viver longe da sua Pátria por a ela não saber ter amor, e que foi homenageado por meia dúzia de palhaços esquerdistas, "compagnons de route" coniventes com um dos últimos fósseis estalinistas.
Este é o meu segundo comentário e este Artigo do Ricardo. Pessoalmente entendo que ele não é suficientemente HUMILDE para escrever sobre coisas que bem podia escrever noutro tom e com Elevação.
O que ainda mais Lamento é ter lido comentários ao Artigo e alguns deles oriundos de pessoas que são consideradas como "BOAS COMENTADORES(AS)" e que finalmente o "Verniz" fissurou ao teceram comentários de Baixo mas mesmo Baixo Nível;
A crítica é Salutar e necessária; a Crítica séria contribui para uma melhoria e essas serão sempre Bem Vindas, desde que sejam sérias.
Somente Vos Peço; NÃO BAIXEM O NÍVEL INTELECTUAL QUE ATINGIRAM POR MÉRITO E TENTEM SUBSTITUIR A QUANTIDADE DOS VOSSOS ESCRITOS PELA QUALIDADE DOS MESMOS.
Sei que irei ter comentários menos favoráveis a este meu comentário mas fico triste por ver que o CLUBISMO está acima dos interesses Culturais e Nacionais; lamento mas é isso que penso.
Não me refiro concretamente a ninguém mas sim a todos aqueles que emitiram opiniões baseadas em "Politiquices" que somente prejudicam o País e fazem enriquecer ainda mais aqueles que deviam demitir-se de funções que ocupam.
Como disse, não "Morro de Amores" pelo Ricardo mas devemos sempre CRITICAR TENDO EM CONTA QUE ESSA NOSSA POSSIBILIDADE, NECESSITA SER FEITA COM RESPEITO PORQUE SE ASSIM NÃO FOR NÃO PODEMOS SER NUNCA RESPEITADOS.
Lamento que este espaço esteja tornar-se como o "Yahoo Rspostas" sem qualidade nem Interesse; pouco Falta.
eu penso que a verdadeira dúvida aqui é: o saramago queria lá o cavaco? (no funeral entenda-se...) eu penso que não...ora se cavaco nao queria ir e quase com toda a certeza saramago não o queria lá...está resolvida a questão. Agora deixando de lado a genialidade do escritor, que bem se assemelha à de Da vinci, que eu saiba o Da vinci nao andava a bradrar aos 4 ventos que era deste ou daquele partido, ou que defendia esquerdas ou direitas, geralmente os génios tendem a manter-se longe desse tipo de polémica, mas saramago sempre gostou da polémica. Se se gosta das coisas é tê-las, na vida e na morte.
E ainda por cima, era um homem sem fé, o funeral foi apenas simbólico, nao era nenhuma passagem para lado nenhum, foi mesmo o fim.