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O perigo das sereias

O Governo corre o risco de chegar ao fim de 2010 num situação de extrema debilidade

5:31 Quinta-feira, 3 de Dez de 2009

O partido do Governo fez uma campanha insuportavelmente optimista, pelo que teve de falaciosa, e só agora se deu conta da dificuldade de dar a volta ao texto. Em menos de um mês, a realidade impôs-se e teve que apresentar o orçamento rectificativo (travestido de "distributivo"), cuja urgência há muito tempo vinha negando por razões meramente eleitoralistas. E os números são demolidores: um pedido de endividamento adicional de 4,9 mil milhões de euros, um défice na casa dos 8% e uma dívida pública galopante que muitos economistas garantem ter já ultrapassado os 80% do PIB. Isto para não se falar dos últimos dados do desemprego - mais de 500 mil portugueses estão sem trabalho e, infelizmente, as perspectivas de o conseguirem no próximo ano são tudo menos animadoras.

As consequências desta situação que só as vozes de sereias amigas, mas irresponsáveis, ajudaram a mascarar, não vão tardar a reflectir-se, ainda mais, na vida dos cidadãos, das empresas e do Estado, como bem revelam as intenções das agências de rating divulgadas no final da semana passada, que prenunciam o aumento do preço do dinheiro, acarretando a subida dos juros. Aliás, mesmo que esta triste notícia não tivesse acontecido, o crescimento das taxas de juro, na zona euro, era já um dado inexorável face aos sinais de retoma económica. Se até agora, os juros baixos ainda permitiram, a quem tem emprego, dispor de algum rendimento para equilibrar contas e gastos, a alteração dos custos do dinheiro pode inverter esta situação e contribuir para o empobrecimento das famílias endividadas.

Ora, esta situação põe o Governo de pés e mãos atadas. Desgastado pela deterioração da situação económica e pelo processo Face Oculta - de onde se saem muito mal dois dos ministros mais prestigiados, respectivamente, Teixeira dos Santos e Vieira da Silva -, o Executivo tenderá a ter cada vez maiores dificuldades em responsabilizar as oposições pelas vicissitudes da governação, sobretudo quando levar ao Parlamento medidas que visem, de forma mais ou menos clara, o agravamento da carga fiscal. Como ainda agora aconteceu com a imposição do adiamento, por um ano, da entrada em vigor do Código Contributivo, ou o chumbo do Pagamento Especial por Conta. Por muito que alguns governantes barafustem contra a "deslealdade" ou o "populismo" dos partidos da oposição, deve ser muito complicado encontrar, fora do seu círculo, quem venha apoiar leis que aumentem os custos do trabalho ou potenciem as dificuldades das empresas, num momento de grave crise económica.

Por isso, das duas uma: ou o Governo arranja formas mais imaginativas e mais justas de conseguir receita, de preferência cortando na despesa e pondo a pagar quem efectivamente não paga ou tem carga fiscal reduzida; ou corre o risco de chegar ao fim do próximo ano numa situação de extrema debilidade e sem condições para vir a provocar a sua própria queda no momento oportuno, com vista à reeleição. As oposições, por seu lado, foram desta vez inteligentes nos chumbos legislativos, mas devem ser responsáveis e apresentar alternativas coerentes tendo em vista a superação da crise. Agravá-la, prometendo o céu, está visto, só conduz ao abismo.

Palavras-chave   Opinião   Áurea Sampaio
 
 
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A oposição foi inteligente?
a.dúvida (seguir utilizador), 2 pontos , 12:39 | Sexta-feira, 4 de Dez de 2009
Um mês depois do governo ter tomado posse a oposição impediu em bloco a aprovação do Código Contributivo e uma série de outras medidas que têm um impacto pesado nas contas públicas.
Quando o governo fala de ingovernabilidade , tem razão.
A oposição uniu-se mas no sentido de humilhar, de mostrar que no Parlamento a maioria já não é do governo.
Se em matérias de educação e saúde PS e oposição deram mostras de entendimento, esses sinais não foram extensíveis a outras áreas de governação.
O que me parece é que existe um claro "défice" de responsabilidade por parte da oposição. Se as votações no Parlamento seguirem como até aqui provávelmente o governo não consegue levar adiante o rumo que definiu e.... teremos novas eleições.
Independentemente de quem vier a ganhar [admitindo que até possa ficar tudo na mesma] fica a "irresponsabilidade" dos políticos [todos] que não se entendem e não só não conseguem encontrar soluções para a crise como ainda a agravam.
Cumprimentos,
Sara
    Re: A oposição foi inteligente?   
NÃO TENTO (seguir utilizador), 1 ponto , 15:01 | Sábado, 12 de Dez de 2009
    Re: A oposição foi inteligente?   
a.dúvida (seguir utilizador), 2 pontos , 19:03 | Sábado, 12 de Dez de 2009
Aldrabices
vguerra (seguir utilizador), 1 ponto , 10:44 | Sexta-feira, 4 de Dez de 2009
O governo está desgastado pela adrabice e falta de nível de quem o dirige .Infelizmente ,o país terá de cair bastante mais ,até os portugueses abrirem os olhos
ajudem-me
pmsf (seguir utilizador), 1 ponto , 19:19 | Sexta-feira, 4 de Dez de 2009

oi amigos eu sou um estudante e estou a fazer um trabalho de português em que tenho que apresentar na aula um trabalho oral sobre um texto de opiniao. Nesse texto temos que apresentar a teses, os argumentos, os recursos estilisticos e a nossa opiniao sobre o texto.

Eu escolhi eu texto porque acho um texto interessante so que nao sei qual a tese, os argumentos e quais sao os recursos estilisticos.

se alguém me puder ajudar agradeceria muito. Obr
Governo de mentirosos
caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:15 | Sexta-feira, 4 de Dez de 2009
O socialismo Portugues permite a corrupção e a vigarice descura os interesses dos mais fracos, dos mais pobres e dos mais honestos que assim são vítimas fáceis dos mais oportunistas e dos astutos individualistas, que continuam descaradamente a mentir não assumindo honestamente o cargo que desempenham.
boa tarde
poeta (seguir utilizador), 1 ponto , 14:29 | Sábado, 5 de Dez de 2009
boa tarde antes de tudo. Eu so tenho a dizer que gostei muito deste texto so que nao percebi agumas coisas como por exemplo os sues argumentos e qual a sua tese, se me pudessem ajudar agradeceria. estejam descansados que nao é para nenhum trabalho como o pmsf esta a fazer. É mesmo so para compreender melhor o texto. obr
Terrorismo da Oposição
lmiguelgomes (seguir utilizador), 1 ponto , 23:36 | Segunda-feira, 7 de Dez de 2009
A atitude da oposição para com o novo código contributivo (NCC) foi um acto de terrorismo. Não percebo como é que os partidos à Esquerda não aprovam este código, quando este visa combater a injustiça fiscal. O NCC tem como objectivo que a tributação seja efectuada não apenas pelo vencimento do contribuinte, mas por todas as benesses que este recebe (Carro, Gasolina, Telemóvel,...) Não foi isto que BE e PCP apregoaram na Campanha? Por isso não concordo com o que foi publicado neste artigo de opinião. Se fosse chefe de governo demitia-me e ganhava as novas eleições com maioria absoluta!
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