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Página inicial  >  Opinião  >  António Lobo Antunes  >  Ó pastorinha de vitral e bruma

Ó pastorinha de vitral e bruma

agora, que ela tem noventa anos, olho-a e não a vejo com a sua idade, vejo uma rapariga, igual à dos retratos antigos, alguns mais antigos que eu, às vezes contente, às vezes séria, ainda menina, ainda adolescente, ainda jovem mulher

4:50 Quinta, 4 de Março de 2010
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A minha mãe diz que na altura em que eu era bebé lhe doía a boca de me dar beijos. Não me lembro deles mas alguma parte minha deve ter saudades desse tempo porque sinto a falta de qualquer coisa que não sei exprimir, qualquer coisa leve e doce, um contacto, palavras, cheiros, uma espécie de ninho de que eu fosse o ovo feliz, um ovozito de nada, pintalgado, minúsculo. É curioso: agora, que ela tem noventa anos, olho-a e não a vejo com a sua idade, vejo uma rapariga, igual à dos retratos antigos, alguns mais antigos que eu, às vezes contente, às vezes séria, ainda menina, ainda adolescente, ainda jovem mulher. Um desses retratos, não sei bem qual, foi tirado num fotógrafo que pôs uma cópia na montra. Ao passar pela montra, tempos depois, o meu avô não deu com ele. O homem da loja acabou por confessar tê-lo vendido a um estudante que se apaixonara por aquela imagem. Resultado: cena do meu avô ao fotógrafo e atrapalhadas explicações do sujeito que prometeu recuperá-lo. Semanas depois apareceu a devolver o papel, desfeito em desculpas, no medo que o meu avô o devorasse à dentada. Nas costas, a lápis, o rapaz escrevera uns versos de António Sardinha

Ó pastorinha de vitral e bruma

Que sobre mim a tua graça entornes

 

e, ao repetir estes versos, a minha mãe iluminava-se, de tão feliz. Nunca o disse mas estou seguro de haver sido o que de mais bonito lhe aconteceu na vida (o meu pai nem sequer tocava ao entrar em casa) e que, toda a sua existência, este episódio a acompanhou, e acompanha ainda, como uma lâmpada secreta. De quando em quando recito-lhe poemas de António Sardinha

 

Seguem-te os alicornes mansamente

Pastando neve na montanha azul

 

e ela, de pálpebras descidas, a sorrir. Este episódio, quando a minha mãe era pouco mais que uma criança, ficou-lhe para sempre na alma, e o tal estudante tornou-se como que o halo de um ideal que não chegou a viver. Trazia uma assinatura por baixo, contava ela, mas o teu avô apagou-a, e a lembrança da assinatura apagada ensombrecia-a. A voz tornava-se-lhe mais lenta

- Nunca soube quem era

e depois vieram muitos filhos, desgostos, o casamento com um homem difícil, meia dúzia de coisas boas, espero, e as palavras de António Sardinha a mostrarem-lhe o que devia existir e não viveu nunca:

 

Se eu te pintasse posta na tardinha

Pintava-te num fundo cor de olaia;

Na mão suspensa, nessa mão que é minha,

O lenço fino acompanhando a saia

a minha mãe, depois de silêncios compridos, um

- Pois é

baixinho com um mundo inteiro dentro, cheio de tudo o que não sucedeu. Seriam para mim, mãe, os beijos que lhe faziam doer a boca? Seja sincera, eu não me importo. Ou então, se calhar, só uma parte me cabia. A outra destinava-se a uma assinatura apagada pelo meu avô, um estudante que a ajudou a sonhar anos e anos

 

Deixa cair dos lábios de medronho

A perfumada voz do nosso sonho

Mas tão baixinho que só eu entenda

 

diante da injusta dureza dos dias. Ao pensar nisto, sabe, acho que a compreendo melhor: o desejo de ser idealmente amada, a magra consolação

- Valeu a pena casar-me pelos filhos que tive

e a possibilidade de se aproximar de um rapaz tão romântico, tão sensível, e que, segundo o fotógrafo, se desfez em desculpas aflitas. Como seria ele, não é, mãe?

 

Vejo-te assim, ó asa de andorinha,

Com ar de infanta que perdeu a aia

Envolta nessa luz que te acarinha

Na luz que desfalece e que desmaia

 

Sabe, não se preocupe, continua a ser a pastorinha de vitral e bruma, a palpar o caminho quase cega, ou numa cadeira da sua saleta, à espera de nada. Ou, então, na esperança oculta que o estudante que comprou o retrato na loja, lhe chame, ao ouvido, pastorinha de vitral e bruma e os seus olhos tornem a ver, os membros difíceis se desatem, não precise de remédios nem de médicos para nada e, envolta numa luz que a acarinha, se dirija não sei para que sítio, onde um júbilo sem manchas a espera. De uma das últimas vezes perguntei

- Como se sente?

uma espera difícil

- A desfazer-me aos bocados

e, palavra de honra, tive ganas de ser eu o estudante, rodeado de alicornes a pastarem neve na montanha azul: nesse caso, percebe, podia pegar-lhe na mão, nessa mão que é minha entornava a sua graça sobre mim e partíamos os dois

 

Linda menina ingénua de Velásquez

A flutuar num mar de seda e renda

 

sem tocarmos no chão, desprovidos de peso, no sentido do lugar onde está o seu pai, a sua mãe, os seus manos, tudo aquilo que desejou e não teve, que quis e não lhe foi dado. Claro que sou apenas seu filho: mas talvez que se lhe doer a boca de me dar beijos valha a pena. Guardo alguns no bolso para o caso do rapaz que comprou a fotografia aparecer. Então entrego-lhos

- A minha mãe manda isto

e aposto que os seus olhos, por um momento que seja, o conseguirão ver, enquanto eu fico, um pouco à parte, tão comovido com a sua beleza, a repetir não para si, para mim

 

Se eu te pintasse posta na tardinha

Pintava-te num fundo cor de olaia

 

e nunca mais ninguém a torna triste.

 

Palavras-chave  antónio lobo antunes, crónica
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Ó PASTORINHA.............
CARMEN BASTOS (seguir utilizador), 4 pontos (Interessante), 3:24 | Sexta, 5 de Março de 2010

Como não ficar emocionada?
Conheci-o como escritor há alguns anos atrás, poucos, infelizmente.
O meu país é um belo país, “belíssimo”, mas ainda carece de maior incentivo a cultura e a educação, sem as quais dificilmente um país atinge seu pleno desenvolvimento.
Iniciei as tuas leituras, li e ouvi muitas das tuas entrevistas, e em muitos momentos elas foram demasiadamente importantes na minha vida, muitas vezes misturando-se as minhas próprias memórias.
As tuas palavras foram capazes de corrigir o curso do rio, e encher-me de coragem e fé.
A tua fala foi conforto e abrigo em momentos difíceis, foi delicadeza e doçura, e mesmo na objetividade e dureza de algumas vezes, reconheci que a vida é mesmo de uma natureza impar, singular, tecida cada dia a nos surpreender.
Identifico-me com tuas palavras “bem ditas”, escreves o que eu muitas vezes escreveria.Tenho na minha alma lembranças como as tuas, histórias que parecem ter sido vividas neste longínquo e querido país, mas que aconteceram aqui, do outro lado deste enorme oceano que nos separa. Quantas semelhanças, jamais pensadas!
Difícil falar quando a subjetividade está presente e o outro ausente.
Mais difícil ainda saber colocar na fala o sentimento que vai na alma.
Muitas vezes estive eu “a palpar o caminho quase cega, ou numa cadeira da sua saleta, à espera de nada”.
QUEM GUARDA TEM...
arturgoncalves0 (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 15:51 | Quinta, 4 de Março de 2010
É costume dizer-se que quem guarda tem e isto aplica-se a tudo, inclusivé às memórias. Não basta dizer "Confesso que vivi" (Neruda), é bom saber dar/partilhar com os outros esssa vivências.
Cada pormenor do nosso dia a dia (por ser único e irrepetitível) deve ser vivido de forma profunda. Como se fosse o último, até que um dia nos esqueçamos dele e de nós próprios, ensemismando-nos, e alguém o recupere como concha encostada ao nosso ouvido fazendo-nos lembrar o verbo "a mar".
Recorrente esta atitude do António de se outrar: colocar-se no lugar dos afectos de sua mãe, e projectar-se nela e ela em si, e fazer juras de amor eterno, secretas, que há-de acompanhá-la até aos finais dos tempos. Uma cumplicidade que só quem ama de verdade sabe preservar. Não dizem que todos nós temos q.b. de feminino?!
Sabe António bela " fotografia a mexer fez da sua mãe ", tornando-a intemporal, e quando o amor é verdadeiro mesmo distante, a nossa mãe jamais envelhece: é sempre e tão só a nossa MÃE. E esta está sempre inteira mesmo que diga o contrário.
Foi corajoso ao fazer-se passar por cupido em causa alheia e na atitude (in)compreensível de adulterar os sentimentos, e fazê-los alcançar os ouvidos de alguém, que não o seu pai, a quem não foi permitido amar um sonho sequer através de um retrato.
As nossas memórias são como um baú: é só introduzir a mão e logo temos algo que nos faz regredir e escapar, por instantes ,à voracidade do devir.
Não lhe faço elogios não precisa
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carlos vargas silva (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 16:59 | Quinta, 4 de Março de 2010
...porque é disso que se trata

sendo a vida sempre a perder, estas sensaboras crónicas atapetam
afagando o declínio do ocaso!
Obrigado ALA (António Lobo Antunes)
Américo Contumélias (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 16:24 | Segunda, 8 de Março de 2010
Há muito que gostava de comentar as suas crónicas, não propriamente pelo conteúdo, que acho extremamente riquíssimos, este último é belíssimo, mas elogiá-lo (se isso ainda é preciso fazê-lo) pela forma como escreve, como consegue manipular as palavras e encaixa-las umas nas outras como de um puzzle se tratasse, uma matemática exacta das palavras onde cada virgula, cada ponto, são colocados estrategicamente no seu lugar. É um prazer ler os seus textos.
Muito obrigado por partilhar connosco a sua escrita.
Cumprimentos
    Re: Obrigado ALA (António Lobo Antunes)   
Apolo (seguir utilizador), 1 ponto , 22:17 | Segunda, 8 de Março de 2010
    Re: Obrigado ALA (António Lobo Antunes)   
arturgoncalves0 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:33 | Terça, 9 de Março de 2010
    Re: Obrigado ALA (António Lobo Antunes)   
Américo Contumélias (seguir utilizador), 1 ponto , 17:04 | Terça, 9 de Março de 2010
    Re: Obrigado ALA (António Lobo Antunes)   
Apolo (seguir utilizador), 1 ponto , 2:23 | Quarta, 10 de Março de 2010
Lindo! Faz reviver as nossas memórias como VIDA...
Maria do Mar (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 13:22 | Quarta, 10 de Março de 2010
Faz-me recordar e sentir que mesmo estando ausente fisicamente, quantas vezes ao querer situar numa ou noutra ocasião, a minha mente e o meu coração dizem: "Ah logo hei-de perguntar à minha mãe. E ela já partiu há muito, mas tenho-a tão presente como se a um tesouro escondido eu possa ir buscar e rebuscar as memórias da minha infância e com ela confrontar acontecimentos que só ela sabia registar...
Revejo-a sempre jovem, com uma certa vaidade e aprumo. Era uma mulher simples, mas com um sentido e um amor a tudo o que fosse arte que me fascinava. Até uma simples renda, colocada por ela, transformava uma peça de roupa num maravilhoso adorno.
Sem dar conta, quantas vezes a minha pequenita , de quase 3 anos quando me vê mais séria e calada, me interroga" Estás triste? Estás a pensar a pensar na tua Mãe? As crianças quando sentem a ausência da mãe devem sentir a nostalgia que ela ~possívelmente lê nos meus olhos.

Fico a pensar, se ela a minha pequenina me vê adulta, ou se em dados momentos a saudade sem darmos por isso, nos transforma e voltamos a parecer meninos...
    Re: Lindo! Faz reviver as nossas memórias como VID   
jvpaiva (seguir utilizador), 1 ponto , 15:29 | Quarta, 10 de Março de 2010
Um grande mestre merece um pequeno reparo...
Doutor Luciano Caetano da Rosa (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 18:06 | Quarta, 10 de Março de 2010
De novo, ALA oferta-nos (creio que é mais intenso do que oferecer) uma crónica espantosa a vários títulos pelo vasto e profundo conjunto de mestrias e saberes que desliza na sua escrita, qual riacho alpestre de água límpida. Talvez a felicidade consista em nunca tornar triste outra pessoa.
Entretanto, um pequeno reparo para o grande mestre da escrita que é ALA. Já noutra crónica topei com esta crase que nao se faz na escrita e que na altura levei na conta de lapso, embora nos jornais ela seja o pao nosso dos jornalistas e na oralidade pronunciemos como se houvesse crase. Trata-se da frase "...para o caso do rapaz que comprou a fotografia aparecer." Ora reescrevendo, temos: "...para o caso de o rapaz que comprou a fotografia aparecer." É uma agramaticalidade que pode escapar na escrita aos mais sábios e mais talentosos como é o caso do nosso autor. Espero, com isto, nao o entristecer...
Obrigado!
jvpaiva (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 11:24 | Quinta, 11 de Março de 2010

Obrigado, António, ...obrigado por trazer ao espaço público tudo quanto é verdadeiramente importante para qualquer ser humano: o amor de mãe e o reconhecimento desse amor pelo filho cúmplice!

Se houvesse muitos "António" no Mundo, este lugar seria o Paraíso!

Mas V., António, tal como o Colibri, faz a sua parte!

E com uma mestria que não pode deixar ninguém indiferente!

Obrigado, mais uma vez!

Permita-me que lhe deixe um abraço

JVPaiva
Vidas ! Vidas ! Vidas e, o Amor de Mãe !
margarida douwens (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 16:03 | Sexta, 12 de Março de 2010
Sem duvida que esse amor por sua mãe é daqueles amores que hoje em dia já não existem ! Também eu ainda hoje Amo minha Mãe como Sempre e, ela se foi, tinha eu 17 anos mas, o amor permanece sempre como o luto que nunca consegui fazer, pena é que sendo eu mãe de uma certa jovem ela diga aos amigos que não a tem, porquê ? bom, talvez por a Amar demais, sim foi esse o meu Erro. A tristeza de sua mãe toca fundo meu coração pois, me retrato no seu casamento e desventuras, peço só não viver até aos 90 anos pois não iria suportar tanto tempo de más mas, pior as boas recordaçoês e, é delas que faço a minha vida, vidas ! Que os poemas de Antonio Sardinha continuem a fazer feliz sua mãe e, que o Dt. o faça por muitos anos. Eu faço para mim os meus poemas que passado certos anos lá vão uns poucos de cadernos para o lixo, guardo no entanto 2 folhas amarlecidas pelo tempo, nesse tempo eu era Feliz , agora restam as tais recordaçoês, essa que fazem sua mãe sorrir. Beijos ainda existem para si Dt. que bom ! fico feliz, Nossa Mãe é tudo o que de melhor temos e Amor de Mãe é unico ! Dt. como sempre tudo aquilo que escreve, escreve com o coração que posso dizer mais ? palavras para quê ? e para terminar « Agora, que ela tem noventa anos, olho-a e não a vejo com a sua idade, vejo uma rapariga, igual.............. » Também eu me vejo a mim a rapariga de 20 anos, aquela que continua cá dentro e que nada nem ninguém destruirá ! Obrigada Dt. pelo retrato que aqui deixou, quadros de Vidas ! Vidas !
Parabéns escritor Antunes.
CAfonso (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 18:20 | Sábado, 13 de Março de 2010
Quero começar por dizer que não consigo ler um livro seu, e olhe que já tentei...não porque não goste de uma escrita " à deriva" mas porque tudo o que é demais...fico também " à deriva "também e não encontro um caminho. Sei que é reconhecido o seu trabalho em todo o mundo, e sinto-me orgulhoso por ser um escritor português. Quanto a esta crónica, e a tantas outras que já escreveu, sinto um prazer enorme beber essas palavras soltas, cheias de conteúdo, de história e de Amor. Bem-haja!
O Nobel adiado
vitorrpedro (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 2:56 | Quinta, 18 de Março de 2010
É tão estranho como um homem que é difícil no trato, o que é notório nas entrevistas (será timidez, mau feitio, sobranceria ou noção do que é realmente importante?), pode escrever de forma tão sublime...
Como é possível que a alma de António Lobo Antunes esteja tão cheia destas coisas tão pequeninas e tão belas?
Para mim, é um Nobel eternamente adiado.
Saramago tem tanto de (que me desculpem a sinceridade) irritantemente intragável como de génio, mas Lobo Antunes é diferente. É um homem "difícil" com pés de lã. Tem algo de ternura e de mansidão que nos desarma, que nos deixa perplexos. Por mim, tem todo o direito de ser difícil. Ganhou esse direito, porque, de facto, vê o mundo com outros olhos, e consegue transmiti-lo para a caneta, mesmo quando não o consegue dizer nos olhos. Obrigado Lobo Antunes. Deus lhe pague.
Mãe ............. Amor inexcedivel !
N.Q.S. A.M.D. (seguir utilizador), 1 ponto , 23:15 | Sexta, 5 de Março de 2010
Tudo isto é bem- aventurança eterna , e o contrário dor sem fim .
retrato de Mãe.
Apolo (seguir utilizador), 1 ponto , 3:44 | Domingo, 7 de Março de 2010
Olá DR., é extremamente belo, o retrato antigo de sua mãe! "pastorinha de vitral e bruma"...
O carinho, é o melhor presente que uma mãe pode receber, o DR. fá-lo elegantemente! este seu artigo é valoroso!
" - Valeu a pena casar-me pelos filhos que tive.", esta frase é me muito familiar! às vezes as mães têm certas semelhanças...

Com três letrinhas se escrevem,
as palavras Pai e Mãe,
palavras doces pequenas,
as maiores que a vida tem!

E ficam recordações,
sempre em nossos corações.
Ficam fotos de lembrança,
e nelas, nossa imagem de criança.

E a vida dá a volta,
meu Deus, é tão pequena!
agora estou eu nessa volta,
mas, acho que vale a pena!...

Manuela R.
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