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Página inicial  >  Opinião  >  Ricardo Araújo Pereira  >  O país mais cristão do mundo

O país mais cristão do mundo

No ano de 1143, o Papa Inocêncio II reconheceu que Portugal era um país. Oitocentos e sessenta e sete anos depois, temo que Bento XVI venha cá dizer-nos que talvez o seu antecessor se tenha precipitado

4:34 Quinta, 6 de Maio de 2010
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No ano de 1143, o Papa Inocêncio II reconheceu que Portugal era um país*. Oitocentos e sessenta e sete anos depois, temo que Bento XVI venha cá dizer-nos que talvez o seu antecessor se tenha precipitado. O Papa visita Portugal numa altura em que, ao que dizem pessoas versadas em economia, embora contradizendo outras pessoas igualmente versadas em economia, o País está à beira da bancarrota. É inquietante não perceber se o Papa vem abençoar-nos ou dar-nos a extrema-unção. Seria demasiado atentatório do protocolo que o Presidente Cavaco Silva tentasse convencer o Santo Padre a devolver-nos aquelas quatro onças de ouro que D. Afonso Henriques começou a pagar anualmente à Santa Sé? Podia ser uma boa ajuda para sair da crise, mas é provável que o Vaticano já tenha gasto tudo em hóstias e talha dourada.

Portugal pode ao menos aproveitar a visita do Papa para aprender com a Igreja, sobretudo nesta altura em que o País parece condenado a fazer à União Europeia o que a Igreja faz aos fiéis: pedir esmola. Na verdade, dificilmente haverá país que viva mais de acordo com a lei de Cristo do que Portugal: há anos que os portugueses têm vindo a despojar-se dos bens materiais e a abdicar da riqueza. Se os países morressem (e não é assim tão certo que o nosso não esteja com os pés para a cova), Portugal seria certamente dos que iriam para o céu.

Para o Papa, visitar Portugal é a decisão mais inteligente que poderia ter tomado. A Igreja tem sido abalada pelo escândalo de pedofilia, e não haverá nada mais sensato a fazer quando se está envolvido num escândalo do que viajar para um país em que os escândalos são corriqueiros. De todos os altos dignitários que vai encontrar, Bento XVI deve ser o que está menos atormentado por escândalos. Portugal é a Brobdingnag dos escândalos. Assim como Gulliver se sente mínimo em Brobdingnag, qualquer escândalo estrangeiro se sente pequenino em Portugal. O périplo do Papa pelo nosso país será o equivalente a uma pessoa que tem uma pequena nódoa na camisa ir rodear-se de pintores de parede com os fatos-macaco todos sarapintados. Quem se atreverá a censurar o Papa por comandar uma instituição que só pediu desculpa a Galileu mais de 350 anos depois do seu julgamento quando é essa, precisamente, a duração média de um julgamento em Portugal? Aqui, qualquer um se sente impoluto. Deve ser nisso que consiste a nossa celebrada hospitalidade.

 

* Mais ano menos ano, mais Papa menos Papa. Não me chateiem. O rigor histórico atrapalha quem quer trabalhar.

 

 

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opinando a propósito
Zé Cravinho (seguir utilizador), 4 pontos (Divertido), 10:46 | Quinta, 6 de Maio de 2010
O meu aplauso para êste correcto artigo de Ricardo Araújo Pereira.
Aqui vai o meu desabafo a propósito,com o título de Vigarice.
Vigarice tem a ver com vigário/e vigário pode significar espertalhão
que tem com o Cristianismo relação/o que há séculos vigariza o Povo vário.Pois o significado de vigarice/pode ser burla,lôgro ou engano/mas também pode ser,do Vaticano/uma enorme e refinada intrujice.Desde Constantino,romano Imperador/que o Pontífice é,de Cristo,o Vigário/como sendo de Deus,o Bom Pastor/para conduzir o rebanho gregário.O Pontífice,de Cristo,o Vigário/está
a braços com uma epidemia/que é dos Padres,a pedofilia/o que
enche de gozo o Diabo salafrário.E o Povo supersticioso e crente/
pede a Deus que ajude o Papa/mas o Diabo tece-as à socapa/e Deus manifesta-se indiferente.Porém os Cardeais da Cúria romana sabem
que o Padre Eterno salafrário/para apaziguar a sua ira insana/
sacrificou o seu Filho no Calvário.Também uma outra grande intrujice/foi,da Mãe de Deus,a sua Ascensão/ao Céu,mesmo sem foguetão/o que racionalmente,é uma vigarice.Também em Fátima,o aparecimento/da Mãe de Deus,aos três pastores/foi aprovado p'los dogmáticos doutores/uma burla do teológico conhecimento.
Pela morte da irmã Lúcia,uma vidente/que em Fátima «viu» a Mãe de Deus/em Portugal,o Governo de fariseus/luto nacional,decretou
comovente.É sintomático que a fascistóide Reacção/promova em
Fátima,o Conto do Vigário/e seja uma astuciosa aliada da Religião/
para mante submisso o Povo vário
    Re: opinando a propósito   
omilitao (seguir utilizador), 1 ponto , 12:26 | Sexta, 7 de Maio de 2010
    Re: opinando a propósito   
Zé Cravinho (seguir utilizador), 2 pontos , 15:47 | Sexta, 7 de Maio de 2010
A propósito do Céu
IsaCota (seguir utilizador), 4 pontos (Bem Escrito), 21:27 | Quinta, 6 de Maio de 2010
Ia-me esquecendo de referir, se o nosso país fosse para o céu, com a sorte que temos com os que negoceiam as contrapartidas, iamos parar a uma nuvenzita num canto. De lá via-se o departamento de imagem do inferno: Todos no bar a beberem, a divertirem-se, sempre saudáveis, todos ao molho....
E nós obrigados a tocar Harpa, e só depois de pagarmos o aluguer com imposto de selo, e só duas horas por dia, para o resto dos nossos dias na eternidade. ( falíamos e teríamos de ir para Marte)
IsaCota / Montijo
Rigor e trabalho
Epicuro (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 14:32 | Quinta, 6 de Maio de 2010
"O rigor histórico atrapalha quem quer trabalhar." Sábias palavras. O rigor atrapalha o trabalhador. Se houver rigor intelectual o individuo começa a perguntar porque é que há-de estar a executar uma tarefa para proveito e enriquecimento de terceiros, e o mais natural é abandonar o acto de trabalhar. Se pensar também abandona a religião, acaba por notar que é mais sensato assumir a ignorância do que embarcar em fantasias de seres de outros mundos. Por isso é que trabalhar e rezar é para os pobres de espírito, ou pelo menos para os que não praticam o rigor. O rigor atrapalha o trabalho, e a inteligência permite que se saiba viver sem trabalhar. A inteligência e o rigor são por isso ferramentas do demo. Felizes os pobres de espírito porque deles será o reino dos céus, até lá que trabalhem e que suportem o poder de terceiros, para eles imporem o seu poder a quem não quer trabalhar, e assim atazanar e destruir a vida de todos. O planeta dá muito trabalho a destruir, que o digam os trabalhadores, que há anos que trabalham nisso e ainda não conseguiram. Os religiosos pelo menos quase conseguiram dizimar a população da Europa no século XVII, com a instigação às guerras religiosa. Entretanto a praga dos pobres de espírito, que antes eram soldados e agora são trabalhadores, nunca mais acaba.
    Re: Rigor e trabalho   
cesar ferreira (seguir utilizador), 1 ponto , 0:08 | Sábado, 8 de Maio de 2010
O país mais cristão do mundo
IsaCota (seguir utilizador), 2 pontos , 20:16 | Quinta, 6 de Maio de 2010
Gostei imenso, Ricardo.
Mas devo dizer que este sol maravilhoso, e clima tão ameno, nos faz pensar que é muito melhor andar a apanhar vitamina D.
Quando olhamos para trás, mesmo nos livros de história do 5º ano, fala-se nas diversas crises económicas, nos pobrezinhos que nunca conseguem deixar de pagar dizimos / impostos / a carne / os olhos da cara... Mas, se os primeiros Papas nos ficaram com muita da nossa riqueza, agora, até era justo, nos pedirem perdão por esses momentos menos felizes e nos devolverem com juros.
IsaCota / Montijo
É o nosso triste f de fátima...
CAfonso (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 22:28 | Sexta, 7 de Maio de 2010
Que belo texto de desmistificação de todo este estender de passadeira a um simples homem que é o super homem da igreja católica, que reflete uma ostentação suportada pelos ricos desta sociedade e de esmolas de pobres que apesar da sinceridade da sua fé, são levados para uma mentira e para um milagre de coisa nenhuma. E tem a igreja dentro dos seus conventos, e monumentos tanta pessoa preversa, que aprogoa o bem e faz tanto mal a crianças. Pode o papa pedir á santa para salvar um país deprimido e falido e já agora avisar quem são os pedófilos ainda no activo?
Os rigores só atrapalham...
spitzer (seguir utilizador), 1 ponto , 15:01 | Quinta, 6 de Maio de 2010
Não é só o rigor histórico que atrapalha quem quer trabalhar. O rigor económico também. Que o digam os 700 000 desemprgados que não querem trabalhar nos 5 000 empregos disponíveis nos centros de emprego.. tudo por causa do «rigor» das contas públicas...
Ignorancia, Meu Deus
ramos pereira (seguir utilizador), 1 ponto , 12:55 | Sexta, 7 de Maio de 2010
O País mais Católico do Mundo É o Vaticano!
O País onde a pedofilia mais demora a ser alvo de julgamento e consequente condenação é Portugal!
Por favor não confundir.
Classificação
Diogo de Freitas (seguir utilizador), 1 ponto , 19:50 | Sábado, 8 de Maio de 2010
Dentro da minha modesta opinião tinha duas classificações a fazer. Primeiro o artigo do ricardo onde de facto cumpriu o seu objectivo e teve muita graça. Segundo é para mim um flagelo o que se escreve em comentários. Resumindo rapidamente tres tirei as seguintes opiniões: Trabalhar e rezar é para burros, o rigor é prejudicial e a igreja é assassina e pedofila. POR FAVOR SEJAM MAIS ATENTOS!
    Re: Classificação   
IsaCota (seguir utilizador), 2 pontos , 14:59 | Domingo, 9 de Maio de 2010
    Re: Classificação   
CAfonso (seguir utilizador), 1 ponto , 10:46 | Domingo, 9 de Maio de 2010
Opinião de cariz irónica ou humoristica...
Lira (seguir utilizador), 1 ponto , 20:56 | Segunda, 10 de Maio de 2010
Uma vez que esta opinião escrita por o humorista Ricardo A. P. é uma das poucas que leio e que tem para além da ironia, uma comicidade muitas das vezes bastante acutilante e engraçada, por isso fazer comparação com outras não é possível. O humor é uma das poucas formas que se tem para aligeirar qualquer assunto por mais sério que ele seja. Mas faz algo que nenhum outro faz, pôe um sorriso ou uma gargalhada quando até apetece mesmo chorar com o que de tão terrivel e trágico a situação tem! E a pedofilia que é um dos temas que quase ninguém enfrenta, a que todos fogem o quanto podem, é dos assuntos mais trágicos que eu conheço. Ou seja, nunca me faz rir. Para mim a verdadeira cristandade está na aceitação da diferênça de cada um, no seu país e no mundo, a vida é diversidade, não é uniformidade.
...
susana_al_silva (seguir utilizador), 1 ponto , 16:47 | Terça, 11 de Maio de 2010
Da maneira em que o país se encontra, nem o papa em toda a sua santidade (ou falta dela) poderia fazer o que quer que fosse por nós!
E pedir a extrema unção ao papa seria, e dado que somos um país de corruptos, a "corrupção divina".
O que mais me choca nesta visita do Papa a Portugal, que a meu ver são umas miniférias em regime de pensão completa, e da maior qualidade, o que realmente me preocupa, é a quantidade de dinheiro que se anda a gastar.
Todos os dias ouvimos notícias de que cada vez há mais desempregados, de que se querem fazer cortes em subsídios e pensões e etc...até os ricos já são pobres, pelo menos aqueles que apesar de continuarem a conduzir os seus grandes carros, vão às instituições pedir ajuda...apesar de toda esta crise financeira, há dinheiro para gastar com estas férias de sua Santidade.
Afinal, os investimentos de uma vida dos clientes do BPP têm que servir para alguma coisa.

O Ricardo como sempre fez um artigo de opinião muito bom, ao nível a que já nos habituou. Apreciei o facto de aproveitando a visita do papa não ter escolhido a saída mais fácil, que seria atacar a igreja, à custa dos escândalos dos últimos tempos, mas sim ter aproveitado para fazer esta excelente crítica ao país.
Parabéns.

PS.:Viva o SLB! Grande festa este domingo, e o nosso caro Ricardo também andou pela Av. da Liberdade a Festejar. E eu como acérrima fã dele q sou consegui tirar uma foto com ele. Só tenho pena de na altura n me ter lembrado de o ter convidado para um almoço!
...
susana_al_silva (seguir utilizador), 1 ponto , 16:49 | Terça, 11 de Maio de 2010
Já agora Ricardo, para quando um artigo sobre o Título do nosso Glorioso?
O PAÍS MAIS CRISTÃO DO MUNDO
Avelino Barroso (seguir utilizador), 1 ponto , 22:15 | Quinta, 13 de Maio de 2010
Ricardo só não disse que nos recusámos a pagar as onças. Por isso o Papa mandou um Cardeal a Portugal para pedir ao infante Afonso Henriques que cumprisse o acordo pagando as onças. Como não pagou o Cardeal excumungou o País. Todos os bispos ficaram impedidos de praticar actos religiosos. Afonso Henriques fez à força de um padre negro um Bispo Nego e foi depois atrás do cardeal e obrigou-o a levantar a excomunhoão. Ver o Bispo Negro ede Alexndre Herculano
O PAÍS MAIS CRISTÃO DO MUNDO
Avelino Barroso (seguir utilizador), 1 ponto , 16:30 | Quarta, 14 de Julho de 2010
Nem todas as onças foram pagas, Ricardo. Dai o Papa enviar um Cardeal excomungar Portuga. O rei D. Afonso Henriques logo que soube montou o seu fogoso cavalo e foi numa celere cavalgada atras do cardeal que logo levantou a excomunhão. Chegado a Roma o Papa repreendeu-o. Mas o cardeal desabafou: "Se sua Santidade visse um homem talentoso e arrogante montado num bravo cavalo com as patas da frente a cacar o chão como que a fazer ali uma cova para me enterrar, Vossa Santidade não só levantaria a eximunhão como até daria o papado.
Ver Bispo Negro de Alexandre Herculano
Avelino Barroso
avelino.baroso@sapo.pt
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