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O jovem, pá

Pedro Passos Coelho será um liberal nos costumes. Na política e economia propõe as receitas do costume

18:16 Quarta-feira, 20 de Jan de 2010
Sou do tempo que já me permite dizer frases do tipo "sou do tempo".

Ora, na época em que ainda frequentava o cartão-jovem, conheci o culto dos "jovens, pá". O culto dos "jovens, pá", era a maneira que o País e, em particular, as empresas, tinham para valorizar tudo o que era novo, fresco, divertido e, invariavelmente, "giro". E dispensar o que cheirava a mofo.

Nos jornais, este culto nacional teve méritos e desastres, sobretudo os últimos. Promoveu os primeiros afastamentos e despedimentos cruéis de jornalistas experimentados, na vida e na profissão, para dar lugar a jovenzinhos ambiciosos, muitos deles meros malabaristas sem pai nem mãe. A época, é certo, ajudou a fundar O Independente, a irreverência ao serviço da criatividade e de alguma irresponsabilidade. Mas também fez com que alguns diários sérios, de vetusta idade, quisessem pôr gel na careca e brinco na orelha porque assim, diziam eles, se chegaria melhor aos "jovens, pá".

Na política, o culto dos "jovens, pá" produziu uma colheita de jovens agricultores subsidiados - como Braga de Macedo - que, como se saberia mais tarde, eram pouco jovens e muito menos agricultores. O cavaquismo tinha, aliás, uma virtude contrária às leis da natureza: secava tudo à volta, mas produzia rebentos destes.

Nesse tempo, Pedro Passos Coelho foi um jovem com opiniões próprias que desassossegaram o pensamento único do senhor Aníbal. Enquanto líder da JSD, mostrava desconforto público com o espartilho do vazio de ideias no interior do partido. E a falta de debate. Lembro-me de palavras e temas que ele lançava para os jornais que faziam espumar os vizires do sultão. E recordo como enfrentou, lá dentro, a polémica das propinas, sendo ele do partido do Governo. Tudo virtudes? Longe disso. Mas havia uma marca.

O tempo, entretanto, fez o que devia: passou.

E Pedro Passos Coelho atravessou o deserto.

Quando o voltamos a ver, vinha mais engravatado e bem escudado por Ângelo Correia. E com manias de líder, que quer ser à força. Vai daí, escreveu um livro. Título? "Mudar" (onde é que eu já li isto?). Os amigos e apaniguados dizem - e ele escreve - que tem ideias novas para o País. Escolho duas, retiradas da "obra": privatizar ainda mais a Saúde e promover maior competitividade entre o público e privado. Louve-se o esforço de reflexão. Pedro Passos Coelho será um liberal nos costumes. Na política e economia propõe as receitas do costume. Fica a moral da história: ideias velhas não têm idade.
 
 
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Título: Mudar? O quê!!
a.dúvida (seguir utilizador), 2 pontos , 12:58 | Domingo, 24 de Jan
Caro MIguel,
Claro que este é o título do livro de Passos Coelho. Mas "eu sou do tempo" em que lia as histórias do D. Quixote.
Lembra-se quando ele via um moinho? Pois, o moinho do PSD...hoje, é Pedro Passos Coelho.
O PSD deixou-se enredar na teia do imobilismo. Agora, Santana Lopes, decidiu fazer um congresso extraordinário, de onde sairá o "Frankenstein" que poderá derrotar Passos Coelho !!
Mas o PSD continua distraído, ou não entende que hoje os partidos, têm que escutar o som das ruas... E aí creio que o PSD vive fechado numa câmara de eco: só escuta a sua própria voz.
A sociedade mudou e os partidos deixaram de ser "expressões de facções da sociedade"´e é por isso que os líderes se tornam tão importantes. Mas as inteligências do PSD não entendem este mundo: por isso ainda sonham com nomes como Aguiar Branco ou Paulo Rangel.
Os discursos de Aguiar Branco, sempre que aparece na comunicação social parecem um castelo de cartas a ruír... o PSD sonha com um salvador !!!
Há por aí algum líder?
Sara
    Re: Título: Mudar? O quê!!   
NÃO TENTO (seguir utilizador), 1 ponto , 22:24 | Domingo, 24 de Jan
    Re: Título: Mudar? O quê!!   
a.dúvida (seguir utilizador), 2 pontos , 23:14 | Domingo, 24 de Jan
    Re: Título: Mudar? O quê!!   
NÃO TENTO (seguir utilizador), 1 ponto , 10:20 | Segunda-feira, 25 de Jan
    Re: Título: Mudar? O quê!!   
Ruben Loup Chama (seguir utilizador), 1 ponto , 9:42 | Quinta-feira, 28 de Jan
    Re: Título: Mudar? O quê!!   
IRTÓPITO (seguir utilizador), 1 ponto , 18:40 | Quinta-feira, 28 de Jan
Na medida em que...
mrstones89 (seguir utilizador), 1 ponto , 3:33 | Quinta-feira, 21 de Jan
Até que ponto esta aragem do 'cartão jovem', como referes, tem influenciado todo os media? Não fosse esta brisa desanuvia as cabeças dos administradores com novas esperanças, com novas cores, com novas vontades.

A vida é feita de mudanças repleta de ciclos lamentáveis e louváveis.
De que esperas? Que ladrem enquanto a caravana passa?

Acabaram-se os tempos de ficar a olhar, passemos à acção.
Deixemos o hábito terrível de criticar e não actuar.

Deixemos coisas do passado. Avancemos, sempre estimando o nosso presente...

Quando à mudança estratégico-política Passos Coelho é tudo para conseguir best-seller. Só pode mas entretanto vai entretendo este povo que dá às mãos a quem engana descaradamente aos portugueses.
Duas ideias retiradas da obra
NÃO TENTO (seguir utilizador), 1 ponto , 15:50 | Quinta-feira, 21 de Jan
Meu caro MC, li o seu artigo e gostaria de fazer os seguintes comentários:

- Privatizar ainda mais a Saúde - Como sabe o sistema nacional de saude não tem capacidade de apoio atempado e condigno aos portugueses, esta situação agravou-se consideravelmente com o termo de alguns sub sistemas, no governo socialista, e que não davam encargos ao estado. Com esta situação começaram a surgir mais hospitais privados tendo por trás instituições bancárias e seguradoras.
Ora estes hospitais estão a dar origem á saida de muitos médicos do publico para o privado, pois nestes têm condições que não têm no publico. Obviamente que a privatização da saude não é o desejável, mas é uma consequência da má politica para a saude deste governo.
A redução da despesa publica não pode ser feita com o sacrificio de saude de todos nós.

-Maior competitividade entre o público e privado - A competitividade quando leal é boa, agora não pode haver competitividade entre a saude publica e a privada, pois a primeira é relativamente acessivel á bolsa de cada um mas deixa muito a desejar e a segundo é sem duvida melhor mas só acessivel a certas pessoas.
Cumorimentos
Estupendo , o seu artigo
alaurens (seguir utilizador), 1 ponto , 2:07 | Sexta-feira, 22 de Jan
Por aquelas paragens, ninguém tem mais objectivos que esses mesmos. Afinal o que é a Direita?
MC
caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:01 | Segunda-feira, 25 de Jan
Dentro desta democacia á uma novela bem grande onde á certos episódios que são para recordar outros é melhor esqueçer.
Parece que já há lider
JoaquimOliveiraJC (seguir utilizador), 1 ponto , 19:42 | Domingo, 31 de Jan
Concordo com o Miguel Carvalho, quando se refere ao Pedro Passos Coelho, e conclui que este não diz nada de novo, e que as suas novas ideias, são já muito mais velhas que ele próprio. E, como será certamente o próximo lider do PSD, que anda desnorteado à demasiado tempo, para mal do nosso país, os seus militantes irão agarrar-se a ele como o naufrago à tábua de salvação, na ansia de atingir o poder. Como consequência da sua eleição, o PSD será um partido assumidamente de direita, dando pouco espaço de manobra ao CDS/PP. Deixará de ser social democrata, espaço ocupado pelo PS à largos anos, e tornar-se-á liberal. No entanto as "novas" (velhas) ideias e ideais do P.Passos Coelho, são impraticáveis em Portugal, que não está minimamente preparado, em nenhum sector, muito menos no económico, para suportar o modelo que defende.
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