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O homem das mil caras

Agora, mais convincente é parecer de esquerda. E é isso que Sócrates vai ser nos próximos meses... Com toda a convicção!

4:38 Quinta, 15 de Julho de 2010
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Até há poucas semanas, Passos Coelho era uma espécie de wonder boy para o PS. Chegado à chefia do maior partido da oposição, fez tábua rasa de convicções e promessas, como não aumentar impostos ou diminuir a despesa do Estado, e apressou-se a amparar, carinhosamente, um governo e um primeiro-ministro à beira do precipício. E foi tão rápido que, de um dia para o outro, o País percebeu que havia um acordo entre PS e PSD. A crise, o défice e as agências de rating explicaram a urgência da entente, o "alto sentido de responsabilidade" do novo líder social-democrata servia para justificar a reviravolta no rumo traçado pelo próprio Passos Coelho, na sua campanha para a chefia do partido. Sócrates & cia. não pouparam elogios ao recém-chegado.

Ninguém conhece verdadeiramente a natureza do acordo entre os dois partidos (às vezes até parece que os próprios também não), nem nenhum deles alguma vez mostrou interesse em revelá-lo, o que não deixa de ser extraordinário, dada a importância do que está em jogo. Mas conhecem-se os efeitos demolidores que as medidas provocam na vida de milhões de portugueses.

Qualquer observador percebe, também, que o PSD de Passos Coelho ficará para sempre ligado a esses efeitos e que não pode esquivar-se à respetiva corresponsabilização, trapalhadas do Governo incluídas, por não ter sabido acautelar as balizas do seu entendimento com os socialistas. A prazo, tudo vai ser pago e com juros elevados mas, para já, os sociais-democratas têm capitalizado, sobretudo porque, aparentemente, os portugueses querem qualquer um menos Sócrates. Mas este não desarma, mesmo moribundo. As sondagens, demolidoras, sinalizam já um outro tempo e o calendário eleitoral exige outras companhias e outro discurso, mesmo que o primeiro--ministro contradiga em absoluto o que disse e fez há meia dúzia de dias. Minudências que nunca inibiram o atual chefe do Governo. Esquecido das virtudes e do "sentido de Estado" de Passos, Sócrates investe contra o aliado de há pouco, agora mascarado de perigoso neoliberal, execrado por todos quantos no PS o incensavam publicamente.

De momento, o mais conveniente é parecer de esquerda e é isso que Sócrates vai ser nos próximos meses... Com toda a convicção! Antes das presidenciais e quando a perspetiva é andar por perto de Louçã e conviver com tantos de quem tantas vezes fez questão de se distanciar, eis o primeiro-ministro mais plástico e mais de plástico de que há memória a transformar-se subitamente no cavaleiro andante capaz de salvar o País do neoliberalismo selvagem, seja lá o que isso for.

O chefe do Executivo que, como conta a última edição do Expresso, podia estar agora a governar com Paulo Portas (e lá tinha ido para as urtigas o casamento gay, a flor de esquerda da legislatura); que tem na forja um plano de privatizações tão extenso como o do PSD e que só não avançou porque os tempos não estão de feição para bons negócios; que não hesita em esbulhar os contribuintes de qualquer condição social ­ é esta figura que se propõe defender o Estado Social e as virtudes da esquerda. Palavras, para quê?

Palavras-chave  opinião, áurea sampaio
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Olhar para Sócrates é ver um verdadeiro mitómano.
Sakamoto (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 17:16 | Sexta, 16 de Julho de 2010
Olhar para Sócrates é ver um verdadeiro mitómano. A pseudologia do senhor Sócrates (será que devo mesmo chamar-lhe de senhor?) levá-lo-á a ser considerado como o pior ministro que Portugal teve de todos os tempos. Daqui a uns anos dir-se-á: “ ai, deus queira que não voltemos ao socratismo
Diálogo Estado contribuinte
bluelizard (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 10:17 | Quarta, 21 de Julho de 2010
Afinal pagamos todos estes impostos, mais aqueles camuflados para quem? sim para quem? Para sustentar altos rendimentos, altas reformas, altas patentes, profundos buracos nas obras publicas. Creio que esta não deve ser a função do Estado. O que revolta é que depois vem alguns bem instalados, a receberem reformas luxuosíssimas clamar contra os funcionários públicos. Dizia ontem o Dr. Mexia que as regras não devem ser mexidas a meio do jogo, isto no que diz respeito ao negócio PT/Telefónica. Pois não, mas a nós que trabalhamos desde o tempo do Prof. Doutor Oliveira Salazar, com contracto definitivo, quase na reforma, mudaram as regras. É uma violência digna de queixa no tribunal europeu. Que saibamos não fizemos mal algum ao Estado nem ao Povo que o sustenta para que nos tenham tão mal tratado além de cumprirmos com vontade e zelo as nossas obrigações tendo procurado ao longo de 40 anos feitos cursos, pós-graduações, mestrados para continuarmos cada dia que passa a sermos espezinhados, insultados, maltratados, enxovalhados. É uma violência que nem Passos Coelho, nem Sócrates, nem Jerónimo de Sousa, nem Paulo Portas nem Louçã parecem prestar atenção e muito menos Cavaco que um dia afirmou que lhe restava esperar que os funcionários publicos morressem. Admiro-me que todos eles lá queiram estar, tudo fazem para para lá ir. Precisamos de um ESTADO exemplar, digno, despolitizado, capaz de governar sem politiquices este belo país que amamos.
PARECER MAS NÃO SER
C.S.R. (seguir utilizador), 1 ponto , 16:14 | Sexta, 16 de Julho de 2010
Cara Colunista

Este seu Artigo tem para mim muita coisa que coincide com a minha maneira de pensar; é evidente que não vou - seria uma ousadia da minha parte - dissecar - o que disse porque no seu todo está muito bem observado (Infelizmente para Portugal).
É evidente para todos aqueles que se preocupam com este nosso Cantinho que os "POLITIQUEIROS" continuam a manter a todo o custo o seu Posto (mas ainda temos Políticos).
O PM por muito que tente e pelas más actuações tomadas ao longo dos tempos caiu em Desgraça não só no partido (PS) como no conceito dos portugueses.
Agora assistimos à entrada de Novos Políticos/Politiqueiros mas a "PORCARIA É A MESMA" e para confirmar o que digo basta somente possuir UM olho para ver o que se está a passar e para Cúmulo vemos um outro partido a tentar agradar a Gregos e Troianos (CDS) que se disponibiliza a fazer Coligações com PS/ PSD.
Estou Farto de tanta Mentira e Tentativas para Alcançar o Poder.
Lamento somente que o Povo Português ainda não tenha entendido que um Partido não é um Clube de Futebol.
Um Partido é a nossa vida e aqueles que estão a Governar, GOVERNAM-SE mas não pensam em PORTUGAL NEM NOS PORTUGUESES E MUITO MENOS PENSAM EM CRIAR MECANISMOS (PORQUE OS POSSUÍMOS) PARA DEIXARMOS DE SER LACAIOS DE BRUXELAS.
Pensemos em Português e pensemos em Ouvir Aqueles que Sabem e não os Líricos/Utópicos.
Parabéns pelo seu Artigo
TROCA TINTAS
NÃO TENTO (seguir utilizador), 1 ponto , 19:22 | Domingo, 18 de Julho de 2010
Este 1º ministro está agarrado ao poder, por direito próprio, pois votaram nele não votaram? Se agora estão arrependidos, já é tarde, têm que aguentar, ele não sai, e quem o podia mandar embora não tem coragem para tal. Enquanto teve maioria absoluta, não dava confiança á oposição, dizia e estava dito. Agora com maioria relativa, quis o apoio do PSD, que estupidamente ainda lhe facilitou um pouco a vida. Neste momento, este Sócrates, que não é mais que um incompetente, aceita qualquer tábua de salvação para continuar a sua politica de desgraça para o país. Mas atenção, existem mais incompetentes no governo, contudo estes não têm culpa, pois foram lá colocados por serem amigos e nada mais, a sua unica culpabilidade foi ter aceite o cargo.
O desgaste de Passos Coelho
bettencourt de lima (seguir utilizador), 1 ponto , 0:04 | Segunda, 19 de Julho de 2010

Lider da oposição também está sujeito ao chamado «estado de graça» ? Se sim já passou.

A partir de agora Passos Coelho será sujeito a pelo menos um ano de desgaste, e, então se verá, o custo para o PSD do abandono da matriz social-democrata e se este «líder» não é a mais perigosa aposta para o partido e para o país.

Dialogo Estado contribuinte.
bluelizard (seguir utilizador), 1 ponto , 10:01 | Quarta, 21 de Julho de 2010
Diálogo entre o Contribuinte

                              e o Estado

Contribuinte - Gostava de comprar um carro.
Estado - Muito bem. Faça o favor de escolher.
Contribuinte - Já escolhi. Tenho que pagar alguma coisa?
Estado - Sim. De acordo com o valor do carro (IVA + IA)
Contribuinte - Ah. Só isso.
Estado - E mais uma "coisinha" para o por a circular (IUC)
Contribuinte - Ah!
Estado - E mais uma coisinha na gasolina necessária para que o carro efectivamente circule (ISP)
Contribuinte - Mas sem gasolina eu não posso circular.
Estado - Eu sei.
Contribuinte - Mas eu já pago para circular.
Estado - Claro.
Contribuinte - Então vai cobrar-me pelo valor da gasolina?
Estado - Também. Mas isso é o IVA. O ISP é outra coisa diferente.
Contribuinte - Diferente?
Estado - Muito. O ISP é porque a gasolina existe.
Contribuinte - Porque existe?
Estado - Há muitos milhões de anos os dinossauros e o carvão fizeram petróleo e você paga.
Contribuinte - Só isso?
Estado - Só. Mas não julgue que pode deixar o carro assim como quer.
Contribuinte - Como assim?
Estado - Tem que pagar para o estacionar.
Contribuinte - Para o estacionar?
Estado - Exacto.
Contribuinte - Portanto pago para andar e pago para estar parado?
Estado - Não. Se quiser mesmo andar com o carro precisa de pagar seguro.
Contribuinte - Então pago para circular, pago para conseguir circular e pago por estar parado.
Estado - Sim. Nós não estamos aqui para enganar ninguém. O carro é novo?
Contribuinte - Novo?
Diálogo Estado contribuinte
bluelizard (seguir utilizador), 1 ponto , 10:04 | Quarta, 21 de Julho de 2010
Estado - É que se não for novo tem que pagar para vermos se ele está em condições de andar por aí (IPO).
Contribuinte - Pago para você ver se pode cobrar?
Estado - Claro. Acha que isso é de borla? Só há mais uma coisinha...
Contribuinte - Mais uma coisinha?
Estado - Para circular em auto-estradas
Contribuinte - Mas eu já pago imposto de circulação.
Estado - Mas esta é uma circulação diferente.
Contribuinte - Diferente?
Estado - Sim. Muito diferente. É só para quem quiser.
Contribuinte - Só mais isso?
Estado - Sim. Só mais isso.
Contribuinte - E acabou?
Estado - Sim. Depois de pagar os 25 euros acabou.
Contribuinte - Quais 25 euros?
Estado - Os 25 euros que custa pagar para andar nas auto-estradas.
Contribuinte - Mas não disse que as auto-estradas eram só para quem quisesse?
Estado - Sim. Mas todos pagam os 25 euros.
Contribuinte - Quais 25 euros?
Estado - Os 25 euros é quanto custa.
Contribuinte - Custa o quê?
Estado - Pagar.
Contribuinte - Custa pagar?
Estado - Sim. Pagar custa 25 euros.
Contribuinte - Pagar custa 25 euros?
Estado - Sim. Paga 25 euros para pagar.
Contribuinte - Mas eu não vou circular nas auto-estradas.
Estado - Imagine que um dia quer...tem de pagar
Contribuinte - Tenho de pagar para pagar porque um dia posso querer?
Estado - Exactamente. Você paga para pagar o que um dia pode querer.
Contribuinte - E se eu não quiser?
Estado - Paga multa !
Conclusão : Prefiro a iniciativa privada, é menos violenta, de longe!
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