O mundo (não todo, mas uma boa parte) vive hoje em estado de hipnose e o hipnotizador é Barack Obama
10:59 Quinta, 22 de Outubro de 2009
Partilhe este artigo:
A hipnose é um estado psíquico, induzido artificialmente, em que o hipnotizado fica sujeito à influência do hipnotizador. O estado de concentração hipnótica filtra a informação de modo a que ela coincida com as directivas recebidas. Passado o seu efeito, o contacto com a realidade pode ser penoso. O mundo (não todo, mas uma boa parte) vive hoje em estado de hipnose e o hipnotizador é Barack Obama (BO). A hipnose consiste numa mudança radical de percepção sobre o que se passa no mundo sem que na realidade haja razões para sustentar tal mudança.
A crise financeira global. Mudança: as medidas corajosas de BO para regular o sistema financeiro e assumir o controle de empresas importantes fez com que a crise fosse ultrapassada e a economia retomasse o seu curso. Realidade: BO injectou montantes astronómicos de dinheiro dos contribuintes nos bancos e empresas à beira do colapso sem assumir o controle da sua gestão; não introduziu até agora nenhuma regulação no sistema financeiro: prova disso é o regresso do capitalismo de casino à Wall Street com o banco Goldman Sachs a registar lucros fabulosos obtidos através dos mesmos processos especulativos que levaram à crise, enquanto o desemprego continua a aumentar e os americanos continuam a perder as suas casas por não poderem pagar as hipotecas.
O regresso do multilateralismo. Mudança: BO cortou com o unilateralismo de Bush e os tratados internacionais voltaram a ser respeitados. Realidade: as recentes negociações de Banguecoque, que deveriam levar ao reforço do Protocolo de Quioto sobre as mudanças climáticas, conduziram, por pressão dos EUA, ao resultado oposto, com a agravante de terem atenuado as responsabilidades globais dos países desenvolvidos; os EUA, que não assinaram a Declaração de Durban contra o racismo, de 2001, voltaram a retirar o seu apoio ao documento sobre a sua revisão, na reunião da ONU de Abril, em Genebra; os EUA desautorizaram o corajoso relatório do juiz Goldstone sobre os crimes de guerra cometidos por Israel e o Hamas durante a invasão israelita da faixa de Gaza, no Inverno de 2008, e pressionaram a Autoridade Palestiniana a fazer o mesmo.
O fim das guerras. Mudança: BO estendeu a mão da fraternidade ao mundo islâmico e vai pôr fim às guerras do Médio Oriente. Realidade: houve mudança de retórica, mas Guantánamo ainda não encerrou; os generais dizem que a ocupação do Iraque continuará por muitos anos; os camponeses afegãos continuam a ser mortos "por engano" e as mortes estendem-se já ao Paquistão, com consequências imprevisíveis.
As bases militares na Colômbia. Mudança: sem precedentes, BO criticou o golpe de Estado nas Honduras, o que dá garantias de que as sete bases militares a instalar na Colômbia são destinadas só à luta contra a droga. Realidade: BO criticou o golpe mas não lhe pôs termo nem retirou o seu embaixador; o alcance dos aviões a estacionar na Colômbia revelam que os verdadeiros objectivos das bases são: 1) mostrar ao Brasil que, como potência regional, não pode rivalizar com o EUA, 2) controlar o acesso aos recursos naturais da região, nomeadamente da Amazónia, 3) dissuadir os governos progressistas da região a terem veleidades socialistas, mesmo que democráticas.
Donde provém o poder hipnótico de BO? Da insidiosa presença do colonialismo na constituição político-cultural do mundo. O Presidente negro de tão importante país dá aos fautores históricos do racismo o conforto de poderem espiar sem esforço a sua culpa histórica, e dá às vítimas do racismo a ilusão credível de que o fim das suas humilhações está próximo.
E o que passará depois da hipnose? BO está a preparar-se para governar durante oito anos, fará algumas reformas que melhorarão a vida dos americanos, ainda que ficando muito aquém das promessas e sem nunca pôr em causa o Estado de mercado; evitará a todo custo "mexer" no conflito Israel/Palestina; manterá a América Latina sob apertado controle; agradará em tudo à China, tal o medo que ela deixe de financiar o american way of life.
Já li o seu texto várias vezes...
Mas decidi resumir o meu comentário a uma frase "O que vale na vida não é o ponto de partida...e sim a caminhada.
Caminhando e semeando...no fim haverá o que colher".
É que ninguém muda a sua vida em 90 dias...nem ninguém muda um país em 10 meses.... há a caminhada que se tem que fazer. Certo?
Como qualificar esta crónica? Ingénua? Presunçosa?
Ó Professor, mas quais medidas corajosas de BO para regular o sistema financeiro?
Quais "fez com que a crise fosse ultrapassada e a economia retomasse o seu curso"?
Facto:
a) A crise do sistema financeiro (do capitalismo, aliás, como muito bem sabe e não pode não saber) continua. Não foi, não está, nem jamais será ultrapassada enquanto persistir o poder dos banqueiros corruptos e cúpidos da Wall Street continuarem a dispor da capacidade de fazer aparecer dinheiro a partir do nada.
b) A economia real, (que produz bens materiais concretizados no ciclo produção/consumo), também conhecida pela economia dos 'doers' - aqueles que fazem fazer - por oposição aos 'getters' - os especuladores da onzena - continua de rastos. Reflexo disso, o recente protesto dos produtores leiteiros da UE: milhões de litros desse alimento derramados pelos campos... Verdadeiramente obsceno! Ao menos o agricultor tuga da pêra rocha, não a podendo escoar como deseja, tem a humanidade de a ofertar a quem a queira - e ainda há quem diga que o norte da Europa é civilizado...
Os acontecimentos mostram que a economia do papel - puramente administrativa - acabou. Porém, qual roda de fiar que continua a girar cessada propulsão inicial, a crise do capitalismo financeiro continua a predar a economia real. Vai levar ainda algum tempo até os ventos de mudança que sopram nos dias de hoje, nos tragam o fim do deus dinheiro e o advento do princípio da civilização.
Quanto ao “Presidente negro”dos EUA, Obama, meu caro Professor. é apenas ‘um bom branco’... não porque ele não seja um ser humano genuíno, que muito admiro, mas pela simples razão de que o sistema (‘establishment’) assim o quis.
Já que fala das chagas do esclavagismo, quanto a mim, os descendentes dos esclavagistas limitaram-se a fazer com Obama o que já os seus pais faziam com os ancestrais do cidadão Barak, quando, nas plantações, chegavam ao terreiro e gritavam, olhando sem visar ninguém em particular:
“Boy, clean up this mess. Now!”(Ouve lá ó rapaz, limpa esta porcaria. Já!)
Só podemos é esperar que o tiro lhes saia pela culatra –é o único milagre possível, quanto a mim. Que lhes saia o tiro pela culatra...
Obama e´daqueles politicos que caiem na graça dos votantes e isso é que dá o poder.Tal como "operário" Lula no Basil ."Um dos nossos.." e aí estão os votos.Quanto à politica,o "charmoso" Obama parece que a leva a "gozar"(fun).O facto é que a realidade está lá e no mundo .E para manter a América como grande potencia, há que ter incómodos.E depois ,o mundo tem montanhas daquele papel verde que eles imprimem e não se pode matar o devedor
Sr. Santos... respeito muito as suas opinioes. Na realidade pouco ou mesmo NADA vai mudar, e so acho hilariante essa sua suspeita ter "nascido" AGORA! Naif? Pateta? Crente? Hummm... pessoalmente acho que precisava de escrever "qualquer coisa" para justificar o salario, e escreveu ISTO. Cool!
Pois acho que Boaventura Sousa Santos fez uma correcta análise
àcerca de Obama e da Política que domina na terra do Tio Sam mafioso e flibusteiro que pretende dominar o Mundo inteiro.
Não será fácil ao Obama tirar as castanhas do lume que o Bush acendeu.O conflito na Palestina há de durar toda a vida.Lord Balfour
e o anglo-saxão Imperialismo,não mediram as consequências da
criação do Estado de Israel.
Fiquei estupefacta quando Estocolmo declarou o detentor do Prémio Nobel da Paz do ano de 2009: Barack Obama. Uma figura ainda há pouco tempo desconhecida para além da fronteira dos E.U.A., caído na luz da ribalta mundial durante a sua campanha para Presidente dessa potência, tendo como distinção o facto de ser afro-americano e ser um forte opositor de outro candidato.
Eleito é levado a todas as televisões, jornais, rádios e canais de comunicação da www, criando inclusive um perfil em redes sociais.
A sua imagem, a sua actuação em cimeiras e reuniões políticas com congéneres de outras potências são divulgadas como nunca antes se viu acontecer depois do assassinato de John F. Kennedy.
A máquina política defensora da tese de globalização não descurou a sua simpatia, o seu poder demagógico e a sua flexibilidade para o nomear o líder adequado às mudanças necessárias para a tornar numa realidade incontestável.
Desde os anos '60 que o mundo pede mudança dos padrões políticos, sociais e económicos instituídos.
Vejamos se um só Homem se consegue fazer rodear das pessoas certas para impulsionar essa mudança nas estruturas. Por ora ainda é demasiado cedo. Vejamos se as com as medidas até agora instituídas terá coragem para fazer com as consequências delas advindas impulsionar a verdadeira mudança (e evitar um segundo F.Kennedy-event).
Mas acho muita mais objectiva a análise feita por Kizzaka,pois êle
retrata muito bem o que se passa nos USA que (ab)USA de tudo e de
todos.Pois apesar do Dólar ter um valor fictício e os USA terem um
enorme Défice,todavia os ianques conseguem manter dezenas de
Bases Militares nos cinco Continentes e Esquadras Navais nos Sete Mares.Como tal,eu pergunto:-Quem é que ameaça a Paz no Planeta?
Porque razão os ianques têem tantos inimigos especialmente entre
os árabes,mas também entre os Povos do chamado Terceiro Mundo?