Sócrates tem uma atitude terceiro-mundista na interacção com os jornalistas
3:06 Quinta, 11 de Fevereiro de 2010
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Nunca houve tanta gente a escrever e a falar livremente. A internet veio acrescentar aos tradicionais suportes possibilidades infinitas. Não há bicho careta que não tenha um blogue, onde pode dizer tudo. Esta mesma coluna, quando estiver disponível no site da VISÃO, poderá ser comentada livremente por qualquer leitor, em igualdade de circunstâncias, e de espaço, com o articulista. Isso nunca tinha sido possível antes. As manifestações sindicais de 2009 foram das maiores de sempre. Só no PREC (e no período que antecedeu a ditadura de João Franco, no princípio do século XX) encontramos cartazes ou palavras de ordem tão impunemente insultuosas para com os detentores do poder. Contra Sócrates e alguns dos seus ministros choveram invectivas e, até, ovos. E nada aconteceu. É completamente desonesto dizer, portanto, que há um problema de liberdade de expressão dos cidadãos, bloggers, jornalistas ou comentadores. Daí que as audições anunciadas para a Comissão de Ética do Parlamento partam de uma premissa errada.
O problema que se põe, e que é diferente, é o de saber se há ou não há uma tentativa ilegítima de condicionamento de algumas empresas ou órgãos de comunicação social, pelo Governo. Do que este caso precisa, não é de ouvir uns carolas ou uns bufos, nem de um processo judicial, mas de um inquérito parlamentar a sério, como defende o Bloco de Esquerda. Juízes, ou procuradores (aliás não eleitos...) nada têm a ver com isto. Não é um caso de polícia, mas de política. não dá prisão, pode dar demissão.
Em quase dez anos a escrever opinião, nunca me senti pressionado ou condicionado, interna ou externamente. Querem o meu testemunho? Não sinto a minha liberdade de expressão ameaçada. Já recebi reclamações, chamadas, cartas de políticos, incluindo um telefonema irado, para não dizer violento, de um primeiro-ministro, e até fui alvo de um processo judicial (ainda não resolvido). Mas ninguém me viu na praça pública a fazer queixinhas por ter sido "pressionado", "condicionado" ou "censurado". Entendi esses episódios como ossos do ofício. Faz parte do trabalho. Os políticos têm toda a legitimidade para criticar os jornalistas. Não sou nada corporativo e encaro isso com fairplay: "Quem vai à guerra, dá e leva", diziam, nas rixas de recreio, os rapazes da minha geração.
Já nem falo do "plano" de controlo da TVI, em 2009, de que Sócrates agora é suspeito. Plano, aquilo? Parece ter mais ingredientes de um golpe de chico-espertismo. O problema inquietante é outro e mais "estrutural", se quiserem: é chegarmos à conclusão de que o primeiro-ministro, que se reclama de tão "moderno", é um tipo antiquado e paroquial, na sua relação com os jornalistas. A sua reacção ao que se diz e escreve não é saudável. Ora, um primeiro-ministro impreparado para os embates do circo mediático é, nas sociedades actuais, um primeiro-ministro impreparado... Ponto.
José Sócrates tem uma atitude terceiro-mundista na interacção com os media, os comentadores, os telejornais - e as televisões, já agora... - só comparável (numa analogia caricatural) com a do seu amigo Hugo Chávez (et pour cause, diz-me com quem andas....). Não admira, assim, que tenha a sua primeira manifestação a la venezuelana, esta sexta-feira, às portas de São Bento. Semeou ventos, colha, agora, as tempestades.
Nada tenho a acrescentar ao seu artigo. Destaco apenas:" Em quase dez anos a escrever opinião, nunca me senti pressionado ou condicionado, interna ou externamente... Não sinto a minha liberdade de expressão ameaçada. "
Parabéns pela sua frontalidade, pelo excelente artigo de opinião , assinado por um jornalista.
só tens o sexto sentido? é muito pouco para a nossa praça o que digo é que os jornalistas são maliciosos com aquilo que escrevem e cada um escreve a história á sua maneira é próprio do povo
português quequando há um acidente se 10 pessoas assistiram há 10 opiniões diferentes os jornalistas são o mesmo não mudam são venenosos por natureza podem dizer muitas verdades mas também mentem muito mas mesmo muito CRESPOS ,MANUELAS, SARAIVAS ISSO É PESSOAL QUE TEM JÁ OS BRAINS QUEIMADOS, mas há mais a (biblia) também foi escrita por muitos contaram á sua maneira
Partir do seu caso particular, como profissional da comunicação social que se sente livre, que o demonstra ser e que proclama que não existe aquilo que "quase todo o seu mundo profissional diz que existe e que é um sério problema para o regime democrático", a censura de Estado e consequente condicionamento à liberdade de expressão e de informação, é em si mesmo notável e ao mesmo tempo insuficiente.
Nem todos os que se proclamam ou reclamam ser "jornalistas" o são na verdade!
Lamentável é que se não tenham dado conta, ainda, que o jornalismo de hoje está escrutinado pelos cidadãos consumidores de informação como nunca esteve, exactamente por um aspecto capital que V. enuncia: a net, que imediatamente permite a qualquer pessoa interagir com a notícia e interpelar a origem ou a autoria da mesma, ao mesmo tempo que pode difundir também o seu e os demais comentários, incluindo aqueles que fazem a apreciação da notícia original!
Dito isto, defende-se V. com o que classifica, como sua conclusão
"que o primeiro-ministro... é um tipo antiquado e paroquial, na sua relação com os jornalistas... ao que se diz e escreve não é saudável... um primeiro-ministro impreparado para os embates do circo mediático é, nas sociedades actuais, um primeiro-ministro impreparado"
Ou seja, a inabilidade de um primeiro ministro para se calar ou sorrir hipocritamente e cinicamente aos ataques mais sórdidos e inqualificáveis de alguns ditos "jornalistas", justifica tudo!
Não justifica, não, Luís!
Cpt
Apesar do seu charme de jornalista !
para sua ou nossa imformacáo só ano passado morreram mais de
1100, jornalistas pelos tais exajeros tambem de exprecáo.
Tudo na vida tem limites e nos tempos modernos, ja náo se uza quem
vai a guerra da e leva ,morre-se mais do que se leva ? (HH)
Cito o Texto " Sócrates tem uma atitude terceiro-mundista na interacção com os jornalistas "
Desculpe que lhe diga, mas parece-me precisamente o contrario do que transmite, esta postura de o jornalista estar no galarim e ter a postura, de ou és a favor, ou és do contra é que vem minando a classe. Já é altura de voltar ao tempo do Bom senso e das duvidas , antes de partir para certezas.
E repare que o Socrates é apenas um exemplo, porque aplica-se a qualquer outro ser social, seja politico ou da sociedade civil .
Nem sempre estou de acordo com o que escreve.Para mim o jornalismo que se faz em Portugal é demasiado opinativo, nem sempre imparcial, e normalmente fundamentado em questões que se prendem com convicções pessoais.
Sempre que o faz , não procurando cuidar das razões e dos factos perde um pouco da sua imensa capacidade como jornalista.
Deixe-me antes de tudo dar-lhe os parabenms pela frontalidade em reconhecer trê coisas:
Que não há e Portugal falta de Liberdde de expressão...
Que há jornalistas que são de terceiro Mundo.
Que os políticos, e «pour cause» o PM , têm direito a defender-se.
Como Transmontano que sou , já não estou de acordo em lhe limitar a dimensão do direito à indignação , mesmo que para tal tenha de ser contundente, e que utilize palavras que podem ofender os ouvidos das virgens púdicas do jornalismo...
faço-lhe o favor de lhereconhecer que nunca faria jornalismo à moda das Moour Guedes , das cabritas e do Crespo , cá do burgo, pelo que lhe digo que perante o exercício do tal jornalismo de sarjeta, com perseguições ao homem a paciência , mesmo a de um santo não se esgote.
E depois meu caroJosé Sócrates sempre foi um tribuno contundente, e como homem e político é dificil encontrar quem o bata em coragem... e como « quem não se sente não é filho de boa gente» os referidos jornalistas de bordel têm o que merecem...
-Opinar,todo mundo pode né,como diz o -ZÉ-agora comentar com intenção de induzir o púbico em erro,ou para defender certas coisas que frontalmente os visados se estivessem livres de culpa a dizerem-que se procure a verdade dos factos-,o que acontece é que neste país é mais facil dizer-é calúnia do que dizer a verdade e ai daquele que queira a verdade,e muito mais aqueles que representando o POVO tenhem o -DEVER-de projetar essa mesma verdade-vive-la,e deixem essa versaliazação desculpatória de que tudo que é negativo advem do -terceiro mundo-,afinal a tão falada aldeia global acabou,deitar as culpas para os outros é facil,enfrentemos os nossos fantasmas,......