Hoje acordei, a meio da noite, a recitar um texto genial de Luís Fernando Veríssimo
4:44 Quinta, 4 de Março de 2010
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Não sei exactamente porquê. Terá sido excesso de sol? Terá sido uma overdose de canal Parlamento? O que é certo é que a memória tem razões que a própria razão desconhece e hoje acordei, a meio da noite, a recitar um texto genial de Luís Fernando Veríssimo. Talvez estejam lembrados, é a história de Leonor e Ataíde que resolvem "botar" um microfone escondido no elevador do prédio. Querem saber o que dizem os amigos quando entram e saem de sua casa.
"- Vai dar galho, Ataíde...
- Vai nada.
E Ataíde instalou um microfone no elevador. O primeiro teste foi quando convidaram o Júlio e a Rosa para jantar. Ataíde ouviu Júlio dizer para Rosa dentro do elevador, na subida:
- Às onze horas a gente dá o fora.
- Acho que às onze ainda não serviram o jantar. Se eu conheço a Leonor...
- Não importa. Às onze nos mandamos. Amanhã eu tenho academia.
E Ataíde ouviu Júlio dizer para Rosa dentro do elevador, na descida:
- Saco, Rosa. Uma hora da manhã. Não viu eu fazer sinais prà gente ir embora?
- Aquilo era um sinal? Pensei que você estivesse limpando o ouvido."
Da segunda vez a coisa piora:
"- O Ataíde está meio acabadão, tá não?
- Acho não. Prà idade dele...
- Também, ter de aguentar a Leonor... (...)
- Cachorra!"
Mas Leonor e Ataíde persistem. Leonor e Ataíde insistem.
"Ligam da portaria para anunciar que o Sr. Marcos e a Dona Lia estão subindo. No elevador, Lia diz:
- Se a Leonor servir salmão outra vez, eu me mato.
Depois, Lia não entende a frieza da Leonor com ela, durante todo o jantar. Não sabe que Leonor teve de suspender o salmão que serviria. Que substituiu o salmão por um resto de pernil que, graças a Deus, ainda tinha na geladeira. Descendo no elevador, Lia comenta com Marcos:
- A Leonor enlouqueceu. Você viu? Serviu pernil com molho remolado pra peixe."
Mas à quarta tentativa, tudo azeda de vez.
"Depois de um jantar para os amigos que ainda restavam, os melhores amigos do casal foram os últimos a sair. Marjori e Adão. Amigos chegadíssimos. Amigos de muito tempo. Depois das despedidas, depois de fechada a porta do elevador e de o elevador começar a descer com Marjori e Adão, Ataíde hesitou. (...) O que ouviram foi o fim de uma frase dita pelo Adão:
- ...cada vez mais chato.
- Viu só, Ataíde? - disse Leonor. - É sobre você.
- Porquê eu? Tinha mais gente no jantar!
- Sei não... Sei não...
E nunca saberiam mesmo. No dia seguinte, Ataíde tirou o microfone escondido no elevador."
Eu também estou a ficar deprimido. Sendo impossível desligar o País, não sei se não é, apesar de tudo, de fazer como o Ataíde.
Genial a escolha do texto "Microfone Escondido" de Fernando Luís Veríssimo, para falar do caso das escutas.
Concordo, melhor fazer como o Ataíde,... desligar o microfone.
O autor, num outro texto fala das 10 coisas que levou dez anos a aprender: Deixo apenas esta : "A coisa mais destrutiva do mundo é a fofoca".
Afinal continua-se com a vertente bem elabora verdade de que uns-somos todos iguais mas,-uns porcos são mais iguais que outros-,não é utopia,acontece neste pedaço,ainda me atreveria de dizer-pedaço de jardim a beira mar plantado-e alguns estao acima de toda a suspeita,mal vai a -JUSTIÇA-em Portugal-se mal não houvesse nessas tão afamadas cassetes já se teria criado um tribunal Púbico,para esclarecer tudo,........,quem não teme,deve a cabar a fraze,epá já falei demais,por favor para quando todos iguais em pro deste NOSSO PORTUGAL,e falavam de quem mesmo,harazar,comohazar,um nome proibido a terminar em ...azar,velhos tempos,pois hoje é o futuro,vamos para a rua gritar por uma justiça igual para todos,.....