Marco Túlio Ferreira é um verdadeiro especialista em adultério. Professor universitário doutorado em Ciências da Cultura, com uma tese sobre o adultério na literatura portuguesa do séc. XVIII, cada vez que participa nalgum congresso internacional aproveita para dar uma 'facada no casamento'
Rita Silva Freire
15:14 Quarta, 17 de Fevereiro de 2010
Partilhe este artigo:
Marco Túlio Ferreira é um verdadeiro especialista em adultério. Professor universitário doutorado em Ciências da Cultura, com uma tese sobre o adultério na literatura portuguesa do séc. XVIII, cada vez que participa nalgum congresso internacional aproveita para dar uma 'facada no casamento'. A personagem principal de O Cavaleiro da Torre Inclinada, último romance de José Leon Machado, acabado de editar com o selo das Edições Vercial (236 pp, 12,95 euros), tem um código de conduta muito próprio. Professor de Semiótica e de Língua e Cultura Portuguesas na Universidade de Trás-os-Montes, José Leon Machado, 44 anos, é autor de, entre outros, O Guerreiro Decapitado, Não me Guardes no Coração e Memória das Estrelas sem Brilho.
Jornal de Letras: Este é um romance sobre a vida académica. O que lhe interessou neste tema?
José León Machado: Vários aspectos. É uma rábula ao actual sistema de ensino superior em Portugal, com uma descrição realista de certos vícios e comportamentos dos seus docentes. Além disso, como nos congressos académicos estão pessoas de todo o mundo, aproveito para pôr em confronto várias culturas, comparando os respectivos sistemas de ensino e investigação. Destaco também a chamada praxe académica. Parece que tudo parou no tempo. As pessoas relacionam-se de forma quase medieval, a apresentação de provas públicas faz lembrar a Inquisição. Depois há também a questão da obsessão pela carreira, a competitividade, pequenas traições...
É baseado na sua experiência como professor universitário?
Devido à minha carreira vou a muitos congressos. Por isso, comecei a escrever pequenas histórias baseadas nessas viagens e nos lugares que ia conhecendo, como a Alemanha, Espanha, Áustria... Quando já tinha algumas escritas decidi alinhavá-las. Mas a personagem não sou eu.
Inspirou-se em David Lodge?
Leio muito David Lodge, que é a grande referência dos romances sobre a vida académica. Mas as suas personagens raramente chegam a cometer adultério e, no meu livro, a personagem principal é um autêntico Casanova. No entanto, há uma certa influência do autor no uso da ironia e em como é vista a universidade.
Habitualmente escreve romances históricos. Como articula este livro com o resto da sua escrita?
É realmente diferente dos meus romances anteriores, não só pelo tema, como pelo próprio estilo e a estrutura. Está mais próximo dos meus livros de contos, não só por cada capítulo ter uma história diferente (apesar de a personagem ser a mesma), como por ser mais divertido. Os outros são mais sérios.
E o que está a escrever agora?
Uma trilogia sobre as três guerras em que Portugal esteve, de algum modo, envolvido. Memória das Estrelas sem Brilho, já publicado, versa sobre a partida dos soldados portugueses para a I Guerra Mundial. Agora estou a rever o segundo, em que a acção decorre durante a II GM. E, quando o terminar, quero fazer um terceiro, sobre a Guerra Colonial.
... de pensar contra-a-corrente, mas não consigo considerar o adultério associado ao "casamento", qualquer que seja a relação formal de que se possa revestir o "casamento"!
O casamento é, para mim, uma união sentimental, fundada no mais nobre e profundo dos sentimentos, que é o amor!
E esse amor é que define e impõe, intrinsecamente e autonomamente, a cada um, o seu padrão moral e ético de fidelidade, um padrão de conduta voluntária de respeito ao ente amado, sem constrangimentos ou obediência de qualquer outra natureza, estranhas aos próprios!
É uma união voluntária que não é submetida ou submetível a qualquer enquadramento social, administrativo ou de qualquer outra natureza da organização formal, racional!
Por isso, o casamento nos termos desta união sentimental dura enquanto durar a ligação sentimental e os consequentes princípios éticos e morais que impõem a manutenção dessa ligação !
Se por qualquer razão essa ligação sentimental terminar, a parte que sente que esse sentimento terminou, ou ambas as partes, porque pode acontecer que ambas as partes concluam no mesmo sentido, o casamento sentimental extingue-se, naturalmente!
O que acontece normalmente é que há uma consideração promíscua entre casamento formal e casamento sentimental!
E é esta promiscuidade que conduz à conclusão, errada, segundo a minha apreciação, de que há adultério no "casamento" sempre que uma ou as duas partes se deixam envolver em novas relações sentimentais ou pura e simplesmente de cama!
Como é que possível que esta interessante notícia não mereça nenhum único comentário de ... ódio, ou de ... amor. País de cornudos que se levam demasiado a sério, triste país.
A notícia mais original e interessante do JL e já agora da imprensa online portuguesa, passa assim sem praça pública, bitaites, vox populi e coronési reformados na sua iracunda. Portugal é uma reunião de condóminos zangados.
Sem uma clara definição do conceito de Adultério este debate é estéril. Como freira que sou estou casada com Cristo (juntamente com mais um batalhão de mulheres), a relação é espiritual e a ele entrego toda a minha alma. A parte carnal, profana, é vivida com um Padre Anglicano que dá apoio logístico ao nosso convento.