Bashar al Assad é como uma viúva-negra, incapaz de imaginar a política para além da teia de teorias conspirativas que ele próprio teceu.
Victor Ângelo
8:37 Quinta, 26 de Janeiro de 2012
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Face à desgraça da Síria, a comunidade internacional está dividida, confusa e impotente. Entretanto, o Presidente Bashar al-Assad continua obstinado, numa caminhada cega e fatal. Nas últimas três semanas, desde o início da missão de observação árabe, acrescentou mais de 400 mortes ao seu cadastro. A ONU diz que terão morrido, nos dez meses que a revolta popular já conta, pelo menos 5 400 pessoas. Pensar, como alguns acreditam, que Assad aceitará mudar de rumo e poderá negociar com os líderes da oposição é uma ilusão. O ditador vive num mundo desligado da realidade. É como uma viúva-negra, incapaz de imaginar a política para além da teia de teorias conspirativas que ele próprio teceu.
Por isso, em relação a Assad, há que ser realista: a sua queda é essencial para a resolução da crise.
O Conselho de Segurança, enquanto expressão da vontade internacional, está dividido. A Rússia, atrás da qual se alinha a China, tem-se oposto a qualquer tipo de decisão que possa significar uma condenação de Assad e permitir uma intervenção externa. As razões russas serão várias. Uma terá certamente que ver com o desagrado que lhe causou a operação ocidental na Líbia. É o momento da desforra. Outra estará relacionada com a intenção de Putin de adotar uma política externa mais aguçada, que permita lembrar a todos que a Rússia continua a ser uma potência mundial, que deve ser tida em conta. Há também quem refira os interesses económicos de Moscovo. A Síria é, entre outras coisas, um cliente assíduo de armamento russo. Importante, no meu entender, é a questão do relacionamento da Rússia com a NATO. O Kremlin está profundamente agastado com a Aliança Atlântica, por causa do escudo antimíssil. Com o avanço da instalação deste sistema de defesa, sem acordo com os russos, Putin joga a carta da obstrução em matérias que o Ocidente considera de peso.
Aqui, o desafio passa por saber encontrar maneiras de negociar com a Rússia.
Quanto à confusão, o problema começa no seio da Liga Árabe. A missão de observação, que agora foi prolongada por mais um mês, faz pensar num uádi, num fio de água que se perderá no deserto. É uma via que todos continuam a aconselhar, mesmo os poderes ocidentais, embora saibam que não leva a parte alguma. Uma missão deste tipo só faz sentido quando há um mínimo de vontade das partes de encontrar uma solução negociada. Tal não é o caso, no que respeita ao regime - já rejeitou o novo plano de transição, que fora proposto no início desta semana. A oposição também se está a radicalizar. A Liga Árabe deveria, isso sim, transferir o caso para o Conselho de Segurança e pôr a Rússia e os outros membros perante as suas responsabilidades. Essa seria a evolução normal da crise. Não o fez, sobretudo por oposição dos militares egípcios, que têm relações históricas com os seus camaradas da Síria. E o Egito, para não aparecer sozinho, pediu à Tunísia e à Argélia que o acompanhassem. Estes serão, de momento, os únicos Estados da região que ainda ouvem os militares do Cairo.
A UE, por seu turno, vai impor novas sanções ao regime de Assad. É um gesto que dá nas vistas, mas vazio de impacto.
Fica-se, assim, com um sentimento de impossibilidade. Como se não houvesse saída para a crise síria. Não pode ser. À impotência das instituições internacionais, será preciso responder com a mobilização da opinião pública. Os media, as redes sociais, as organizações não governamentais, os meios académicos, não podem continuar a deixar morrer o povo sírio.
A minha opinião não pesa,mas em todo o caso eu verifico que os Emiratos árabes com destaque para a Arábia Saudita são Regimes feudais em que não existe democracia nem liberdade de crítica.
São Teocracias e o Povo tem de se curvar de cabeça no chão.
E êstes Regimes são apoiados pelo Tio Sam mafioso e flibusteiro que pretende ser Polícia do Mundo inteiro.Israel ocupa o planalto sírio de Golan e pelos vistos já o considera território conquistado.
Eu não estou a apoiar o Regime da Síria,mas há que ter em conta que os USA e a UE usam dois pêsos e duas medidas.Quanto à Rússia e à China,êstes dois Países não téem tal como os USA,Bases Militares
nos cinco continentes e Esquadras Navais nos Sete Mares.E eu não sei
como é possível aos USA que está em bancarrôta,isto é,o Dólar é simplesmente um papel sem valor real,como é possível,dizia,que consiga manter tôdas estas Fôrças descomunais com centenas de milhar de soldados.Afinal que é que ameaça a Paz Mundial?!Eu estou convencido que os USA estão preparando a Terceira Grande Guerra Mundial e como sempre na casa dos outros a milhares de quilómetros
da terra do Tio Sam.
Acaba de publicar um Artigo que na minha modesta opinião nada tem de incorrecto. Nota-se que a sua leitura dos factos corresponde à realidade a qual infelizmente NÃO terá um Fim Feliz pois acredito que interesses dos Oportunistas - caso material Bélico, Equiibrio de Forças com a Rússia, Caso do Egipto etc. - não permite que a Síria e outros Países possam ter para o seu Povo, uma Vida Normal e Equilibrada.
Não creio que a ONU ou o Conselho de Segurança possam responder a mais este desafio; viu-se em casos semelhantes que o Silencio ou mesmo a Irresponsabilidade, fazem hoje parte do seu dia a dia.
Estamos a Viver uma Crise Internacional como nunca vivemos e acredito sim que esta Crise acabe num Conflito Militar Abrangente, porque os Oportunistas com Poder mostram um Desinteresse na resolução dos problemas internacionais porque os Ganhos são superiores aos Interesses de Povos Indefesos.
Pretendo cumprimentá-lo por este Oportuníssimo Artigo e ao mesmo tempo lamentar que as pessoas com Poder Deliberativo, não sejam conscientes e Lutem pelo Intersse Comum.
Devemos sempre pensar que somente é possível termos uma Vida melhor, desejando que Todos Vivam Melhor e nunca mantendo a Discódia e o Caos de outrém porque os males dos outros acabam sempre por nos atingir.
Muito boa noite, caro Amigo V.A
Não podia concordar mais com o que diz em relação à apatia das instituições Internacionais no combate/evitar dos massacres que estão a ocorrer na Síria. A melhor arma que existe é a mobilização da opinião pública e que fará com que as forças mundiais capazes de por termo ao conflito o façam, mesmo contrariando seus interesses.
No entretanto mesmo que haja uma mudança radical na postura de Bashar al-Asaad, e se consiga por termo a tudo, e o povo se liberte das suas loucuras e ditadura, o mesmo deverá sem sombra de dúvidas enfrentar a justiça (interna e internacional). Não será por vir ao “perdoa-me” que ficará “Perdoado” pelos crimes que cometeu. Sinto que é esse o sentimento de desespero que lhe vai na alma. Derrotado já está, só lhe resta na sua (limitada) mente a tentativa de uma saída à base da força da ditadura levando-o a cometer todos os crimes que são do nosso conhecimento (para além do que não temos conhecimento). O Povo por norma é cobarde, mas depois de cair na arena e ter de enfrentar o “touro”, vai buscar forças onde nunca pensava as ter.
Parabéns por esta crónica, pois já esta a ajudar a Síria, com este seu passo, espero que muitos mais o sigam,
Bem-haja