Se Portugal segue de perto a Grécia no iminente risco de "morte lenta", a companhia que atribui notações de risco ao cumprimento da dívida por parte de empresas e países, a Moody's Investor Service, é subsidiária de uma das companhias cotadas com maior nível de endividamento, de acordo com o rácio de dívida total face à totalidade do capital.
Para Portugal, que deverá chegar a uma dívida pública de 85 por cento da riqueza anual, a firma de rating vaticina um cenário bastante negativo se forem canalizados mais recursos para o serviço da dívida e se os investidores exigirem um prémio mais elevado para continuar a suportar as obrigações, de acordo com a agência Bloomberg. Ainda assim, a economia portuguesa tem mais tempo do que a mediterrânica Grécia (viu o rating cortado em 22 de Dezembro) para contornar a situação, mas não evita estar a pagar o dobro do spread aos investidores face a 2008.
Se os países com níveis de dívida pública elevados se devem preocupar com o excessivo fardo, as empresas com grande endividamento (medido pelo rácio: dívida total/capital total) devem fazer o mesmo. O sítio financeiro Investopedia.com, da Forbes, revela que "uma empresa com um rácio dívida/capital elevado, comparado com a média geral ou de um sector, pode mostrar fraca capacidade financeira porque o custo dessa dívida pode pesar na empresa e aumentar o risco de incumprimento". Tomando as 50 empresas do sector financeiro do país de origem da Moody's com capitalizações bolsistas aproximadas, a média de dívida face ao capital total (dívida e participações accionistas ordinárias e preferenciais) está nos 51 por cento, bastante abaixo dos 202 por cento que a agência de notação de risco revela.
Apesar do elevado fardo face ao capital, também há quem lembre que "as empresas muito endividadas podem e devem ser mais rentáveis", apesar do elevado risco financeiro que comportam, como é o caso do "Manual do Investidor" publicado anualmente pelo Banco de Investimento Global.
Fonte: Carteira