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Marcelo sem escolha

António Vitorino retira o touro da arena. E sem fazer sangue

12:00 Quinta, 14 de Janeiro de 2010
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Primeiro caso: foi no pequeno ecrã, contracenando com  Pedro Santana Lopes, que o  então discreto José Sócrates granjeou uma aura de credibilidade e popularidade que o levou a liderar o PS e o País. Por ironia, foi Santana quem, assim, apadrinhou a entrada, em casa dos portugueses, do metódico debutante socialista.

Segundo caso: nos jogos de Portugal, no Mundial da Alemanha, em 2006, Marcelo Rebelo de Sousa, que não falhou um, era vitoriado pelos adeptos, à porta dos estádios, como se de um jogador se tratasse. Pediam-lhe que se candidatasse à Presidência da República. O homem que perdeu Lisboa para Sampaio e enfrentou dificuldades, no PSD, que o levaram à demissão de presidente do partido, tinha acabado de ser relançado, na aceitação quase unânime da opinião pública, pelas suas prédicas semanais na televisão.

Terceiro caso: até Garcia Pereira mantém viva uma peça de museu chamada MRPP graças à sua presença assídua na televisão, bem superior, em decibéis, à expressão eleitoral da ideologia que oficialmente professa.
Em Portugal, a análise política confunde-se com a propaganda, sem que o eleitor incauto tenha a possibilidade de distinguir uma da outra. O panorama opinativo está cheio de políticos, daqueles que vão a todas, aparecem em todo o lado, escrevem em toda a parte, tão depressa envergando as vestes do militante partidário, deputado ou dirigente, como vestindo a capa do comentador distanciado. O facto de certos comentadores, como o próprio Marcelo, António Vitorino ou, sobretudo, José Pacheco Pereira, aparentarem uma independência de espírito que lhes permite fugir ao estilo cassete, confere a este tipo de comentário uma capacidade de influência decisiva na formação da opinião. Por momentos, esquecemo-nos de que aquelas personagens estão ali com uma agenda própria, debitando mensagens pré-preparadas, para defender interesses de conveniência político-partidária. Este comentarismo de marca,  de onde está geralmente ausente o PCP, porque, alegadamente, os seus representantes, amarrados a uma linguagem de colectivo, não pensam pela própria cabeça, atingiu o seu expoente máximo com as lições do prof.
Marcelo, na TVI, originadoras de uma crise que em muito contribuiu para a queda do Governo de Santana Lopes.

Sócrates lembra-se bem. Foi também por isso que chegou a primeiro-ministro.

Em ano de pré-campanha para as Presidenciais, de escolha da liderança do PSD e de arranque de um Governo de maioria relativa, o tempo de antena de Marcelo Rebelo de Sousa (ele próprio um putativo candidato a líder da oposição ou a Belém?) no principal canal do Estado era-lhe quase insuportável. A suspensão  do programa As Escolhas de Marcelo desencadearia uma tempestade política. Mas a saída, por vontade própria, de António Vitorino, da RTP, resultou numa feliz coincidência, que permite dispensar, de caminho, o professor, com o pretxto de uma remodelação do formato do comentário político. Finalmente, a estação pública implementará as virtudes de um "maior equilíbrio".

Sem qualquer ofensa para os visados, mas usando uma imagem tauromáquica, o fim do programa Notas Soltas, de António Vitorino, permite, na prática, ao dirigente socialista fazer de cabresto: retira o touro da arena. E sem fazer sangue. 

Palavras-chave  sexto sentido, Filipe Luís, Opnião
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Marcelo sem escolha
a.dúvida (seguir utilizador), 2 pontos , 16:22 | Quinta, 14 de Janeiro de 2010
Caro Filipe Luís,
Brilhante o seu artigo e o humor que emprega no último parágrafo.
Por curiosidade gostava de conhecer o "share" de cada um deles. Confesso que ao Professor MRS já não tinha paciência para o ouvir.
Porém, penso haver entre ambos uma grande diferença, óbviamente na componente partidária...
António Vitorino tem o lugar que quiser, até pode chegar a PM. Marcelo só poderá chegar a lugares de 2ª ou 3ª linha, o que óbviamente não quer.
Cumprimentos,
Sara
    Re: Marcelo sem escolha   
Filipe Luís (seguir utilizador), 1 ponto , 15:30 | Sexta, 15 de Janeiro de 2010
opinando a propósito
Zé Cravinho (seguir utilizador), 2 pontos , 16:12 | Segunda, 18 de Janeiro de 2010
Se nós temos a marcela,
podemos ter o marcelo,
se é boa tizana aquela,
êste pode ser bom p'ró cabelo.

O Ré belo está a seguir,
ao Dó que na pauta pousa,
e há quem queira zurzir,
sem dó no Povo que ousa.

Se há um ou outro que ousa,
levantar um pouco o cabelo,
há sempre um ou outro sousa,
a morder-lhe o tornozelo.
Mula
vguerra (seguir utilizador), 1 ponto , 19:14 | Quinta, 14 de Janeiro de 2010
Acho que Vitorino é mais do tipo mula de arrasto,à espanhola..
Toureados...
ffortes (seguir utilizador), 1 ponto , 1:10 | Sexta, 15 de Janeiro de 2010
... andamos a ser todos nós!
Mas que escolha?...
lygnus (seguir utilizador), 1 ponto , 12:47 | Quarta, 20 de Janeiro de 2010
De facto nao há margem para dúvidas que os entao comentadores no tempo de antena do Telejornal, Santana Lopes e José Socrates, eram brilhantes e, quanto a mim, destaque para Sócrates, a desilusao foi quando o socialista chegou ao Governo, teve outra oratória e prática totalmente diferente de entao.
É, quero parecer-me, o sabor do poder, a vaidade, altera o pouco de bom que as pessoas possuem.
Quanto a Marcelo, afigura-se-me sempre dúbio e Vitorino, sendo inteligente, penso, aguardará oportunidades que lhe sejam favoráveis ou entao quererá manter uma certa "aurea" de reserva.
Ainda, Pacheco Pereira é um pseudo-intelectual convencido.
Sexto sentido
IRTÓPITO (seguir utilizador), 1 ponto , 21:23 | Quinta, 21 de Janeiro de 2010
Este é um artigo muito bom. Uma visão desapaixonada,... o verdadeiro sexto sentido!
Assim vale a pena perder um "tempinho", e ler um artigo de opinião!
Parabens Filipe Luís!
    Re: Sexto sentido   
Filipe Luís (seguir utilizador), 1 ponto , 12:46 | Segunda, 25 de Janeiro de 2010
marcelo
rafeiro27 (seguir utilizador), 1 ponto , 18:44 | Quinta, 18 de Fevereiro de 2010
marcelo é um pinga azeite , pousa em tudo quanto é seguro é um despavorado , fala muito com as mãos não tem tarimba tem pouca preparação é mais homem de estar sentado na cadeira
o pseudo (Pacheco o leitão), lingua comprida ex - revolucionário dos anos70 e 80, agora quer é prato e copo cheio
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