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Polémica

Magalhães vendidos no mercado negro?

Os professores alertam que alguns dos portáteis entregues aos alunos do primeiro ciclo podem ter sido cedidos ou até vendidos

visao.ptLusa
12:16 Quinta-feira, 26 de Mar de 2009
Magalhães vendidos no mercado negro?

Helena Amaral, professora no Agrupamento da Escola Quinta de Marrocos, em Benfica, contou à Lusa que os problemas de desaparecimento dos Magalhães "já eram esperados nalguns casos".

"Tenho o exemplo de uma família com três irmãos, todos receberam um computador Magalhães de borla porque pertencem ao escalão social A. Duvido que eles ainda tenham algum em casa", afirmou, lembrando que, nalguns casos, quando os professores avisam o dia em que o computador é necessário na aula, os alunos faltam sempre.

"Nestes casos nós percebemos que os computadores já devem ter levado algum outro destino", disse.

O acesso ao Magalhães pode ser a custo zero, se os alunos forem abrangidos pelo primeiro escalão de apoio social, pode custar 20 euros (segundo escalão) ou 50 euros.

"Este projecto começou muito mal desde o início. Os professores não receberam qualquer informação e nem tiveram qualquer acesso ao Magalhães porque não receberam nenhum", afirmou.

"Dou-lhe um exemplo: É impensável fazer uma sessão de esclarecimento caso a caso, não há tempo. Eu até podia preparar uma sessão para um grupo de pais e projectava as imagens para que os pais percebessem como se faz, mas o Magalhães nem sequer pode ser ligado a um projector".

Questionada sobre a hipótese de as escolas guardarem os equipamentos para garantir que eles ficavam com o aluno que o recebeu e não eram vendidos ou dados a terceiros, a docente respondeu: "Nem pensar. Eu não posso assumir isso. As escolas eram assaltadas logo a seguir".

Contactado pela Lusa, o responsável pelo Ensino Básico no Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL), Manuel Grilo, reconheceu que o Magalhães "é um excelente instrumento de trabalho, com muitas virtualidades", mas lembrou que a iniciativa do Governo foi "precipitada".

"Foi um investimento feito sem preparação, de forma muito precipitada e trapalhona por parte do Governo, como provam os sucessivos problemas com o Magalhães", afirmou, apontando os recentes erros de ortografia, gramática e sintaxe detectados numa das aplicações.

"Nem os próprios professores receberam a formação adequada para poder ajudar os pais na utilização do equipamento", acrescentou.

"É um investimento de todo o país que não tendo sido bem pensado pode não ter os efeitos desejados e até ter consequências perversas", afirmou, quando confrontado com a possibilidade de venda dos Magalhães "no mercado negro" por parte dos pais de alguns alunos.

O objectivo do projecto governamental e-escolinha é distribuir 500 mil portáteis Magalhães aos alunos do primeiro ciclo até ao fim do ano lectivo.

A iniciativa é financiada pelo Fundo para a Sociedade de Informação e o projecto é mantido por contrapartidas financeiras dadas pelas operadoras móveis na atribuição das licenças UMTS (tecnologia de terceira geração móvel).

A factura do Magalhães deveria ser totalmente paga pelas operadoras, mas depois de estas reclamarem que as verbas destinadas à Sociedade de Informação não seriam suficientes para cobrir os dois programas abrangidos (e-escolinha e e-escola) o ministro Mário Lino, em entrevista publicada em Novembro, garantiu que se a situação se confirmasse "o Estado terá de colmatar a parte que faltar".

No início desta semana estavam inscritos cerca de 386 mil alunos e tinham já sido entregues 251.269 Magalhães.

Palavras-chave   magalhães
 
 
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Espectacular
LuisR (seguir utilizador), 4 pontos (Divertido), 13:06 | Quinta-feira, 26 de Mar de 2009
Não sendo jornalista, mas tendo também alguma imaginação, prevejo os seguintes títulos na imprensa: "O Magalhães foi visto na feira do Relógio", "Um Magalhães foi leiloado pela famosa Sotheby", "Vendem-se Magalhães na feira de Carcavelos", "O Sócrates usa o Magalhães para acabar a licenciatura", "O Magalhães e a Justiça - um caso de sucesso", "O Magalhães criou mais de 150 mil empregos", "O Magalhães é um painel solar", "O Governo na sua acção caridosa para com o sistema bancário promete uma versão do Magalhães para todo o sector", "Foram entregues três Magalhães aos seguintes empresários de sucesso; Jorge Coelho, Dias Loureiro, Pina Moura, Vitor Constânco, Ferreira do Amaral, João Salgueiro, Basílo Horta, Miguel Cadilhe, José Luis Judas. "
    "Um Magalhães foi leiloado pela famosa Sotheby"...   
Fraga (seguir utilizador), 1 ponto , 16:41 | Quinta-feira, 26 de Mar de 2009
Campanha negra, mercado negro
edgarinventor (seguir utilizador), 1 ponto , 14:07 | Quinta-feira, 26 de Mar de 2009
Mercado negro?
Não devia ser...
Feira-da-LADRA?
Estavam à espera do quê?
jokerine (seguir utilizador), 1 ponto , 14:36 | Quinta-feira, 26 de Mar de 2009
Por favor, entregarem computadores a alunos do primeiro ciclo?! Para que precisam eles de computadores? Ainda nem sabem ler e escrever e já têm um computador. Ainda por cima nem se pode ensiná-los a usá-lo nas aulas porque não pode ser ligado a um data-show. Isto é vergonhoso. O pior é que, como sempre, são os contribuintes que andam a pagar isto. E depois admiram-se que os pais os vendam na feira. Eu, se tivesse um filho na primária e lhe dessem um magalhães, fazia exactamente o mesmo. Assim sempre dava para recuperar algum do dinheiro que nos roubam em impostos.
magalhães preverso
Manel (seguir utilizador), 1 ponto , 15:17 | Quinta-feira, 26 de Mar de 2009
O governo teve pressa demais em dar o magalhães.
Culpa-se muitas vezes a politização que se dão a certas coisas, mas esta a do magalhães, dá toda a ideia que houve politização por parte do governo, na generosidade de dar o magalhães da forma que o entendeu.
Não se teve em conta, nem a maximização dos objectivos, nem as implicações sociais de tal acto dativo.
Perdõe-me o governo, mas dá toda a ideia, que, o que era preciso era dar, e o mais depressa possível, pois podia fazer-se tarde para acolher mais votos.
Fala-se muito de cultura, da grande distância que estamos de outros povos da União Europeia (o que é verdade), mas não é com este tipo de medidas totalmente precipitadas e descontextualizadas que ficamos mais cultos.
Esta medida que até podia ser altamente meritória e contribuir para rasgar novos horizontes da cultura, acaba por ser ridicula e, ao que parece, pode ser até, em alguns casos, caso de polícia.
É a consequência lógica de todo o processo...
Fraga (seguir utilizador), 1 ponto , 16:45 | Quinta-feira, 26 de Mar de 2009
É a consequência lógica de todo o processo: Vivemos num país faz de conta governado por um engenheiro a fingir, que distribui computadores a fingir, que depois aparecem na economia paralela.
Somos um povo de insatisfeitos
libaniam (seguir utilizador), 1 ponto , 21:03 | Quinta-feira, 26 de Mar de 2009
Se não temos é porque não temos possibilidades, se nos é dado ou a baixo custo é porque tem defeito.
Sempre foi assim. Sou professora e a escola oferecia a natação gratuitamente a todo o grupo. Havia dias que de um grupo de 22 crianças iam para a piscina seis ou sete. Acabamos com a natação gratuita. Passaram a pagar. Resultado, não faltava ninguém. Até com febre queriam ir. É a tristeza da mentalidade que temos. O que é dado não presta, só mesmo quando nos sai do bolso tem valor.
    Re: Somos um povo de insatisfeitos   
ervilha (seguir utilizador), 1 ponto , 13:56 | Sexta-feira, 27 de Mar de 2009
Se tivermos vontade...
Pai Louco (seguir utilizador), 1 ponto , 10:26 | Sexta-feira, 27 de Mar de 2009
Cada Magalhães tem um nº de série e outros elementos que o identificam.
Os alunos e respectivos pais que os receberam podem ser chamados para verificar se ainda os têm
Assim os apanhados sem Magalhães podem ser criminalizados ou, no mínimo, pagar o valor comercial do dito e o Governo ainda ganha dinheiro com este negócio.
Jornalismo de mercado negro
roberto do vale (seguir utilizador), 1 ponto , 23:28 | Sexta-feira, 27 de Mar de 2009
Que raio de jornalismo é este. Uma professora «suspeita» que os computadores entregues a uma família de três irmãos podem ter sido vendidos e, de imediato, o «cérebro» autor da notícia consegue escrever, e título, que há Magalhães à venda no mercado negro. Depois, num assomo de consciência, acrescenta-lhe um ponto de interrogação, como desculpa esfarrapada. Chamam a isto jornalismo? Ainda por cima com origem na agência noticiosa nacional, que deveria ser um exemplo de rigor. Que tristeza!
NESTE CASO QUEM É O CULPADO...
correiaventosa (seguir utilizador), 1 ponto , 15:49 | Domingo, 29 de Mar de 2009
Claro não podemos sacar culpas ao Governo, afinal tudo fez para que os alunos tivessem ao seu alcance esta ferramenta para iniciar os primeiros passos no uso do computador.
Com isto evidentemente não estou a defender o Governo ou coisa parecida.
Temos de admiir que enfim se este assunto é verdadeiro, traduz a pobreza de espirito, tudo serve para ganhar uns euros, sem trabalho nenhum.
A ser verdade devia de haver mecanismos para estes autores serem responsabilizados. Afinal esta matéria tem indicios criminosos.
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