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Congresso do PS

José Sócrates dramatiza maioria absoluta

Apelos à maioria absoluta, apoio esmagador ao secretário-geral, críticas duras às "campanhas negras" e oposição, Vital Moreira como candidato às europeias e a ausência de Manuel Alegre marcaram os três dias do congresso socialista.

Lusa
15:54 Domingo, 1 de Março de 2009
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José Sócrates dramatiza maioria absoluta
AP

José Sócrates, que já tinha sido eleito secretário-geral do PS com 96 por centos dos votos em eleições directas, recebeu o apoio esmagador dos 1.700 delegados ao XVI Congresso, que ouviram o líder dizer que se recandidata a primeiro-ministro em nome da decência na democracia portuguesa e pedir uma nova maioria absoluta considerada indispensável para assegurar a estabilidade e governabilidade.

O secretário-geral foi especialmente aplaudido quando se insurgiu contra sucessivas campanhas negras contra a sua dignidade e honra, afirmando que os socialistas nunca consentirão sem um "sobressalto cívico" que a democracia se transforme num terreno de "calúnias".

Em nome da "qualidade da democracia" e de uma "ética democrática", Sócrates sustentou que "é preciso que fique claro que, em democracia, quem governa é quem o povo escolhe - e não qualquer director de jornal com as suas campanhas".

As críticas duras à oposição foram uma marca das intervenções do secretário-geral, que na sessão de encerramento visou a presidente do PSD e terminou a prometer a construção de uma plataforma eleitoral aberta a independentes.

Sócrates aproveitou o discurso de encerramento para apresentar algumas medidas de Governo, nomeadamente a instituição de bolsas de estudo para os jovens carenciados entre 15 e 18 anos e a concretização a curto prazo da universalidade do ensino pré-escolar.

Estas intervenções deram o tom para o congresso, onde praticamente não houve vozes dissonantes. Até o histórico Edmundo Pedro "corrigiu" a leitura que tinha sido feita das suas declarações pré-congresso, onde referiu que "existe medo no PS".

António Costa, que coordenou a moção do secretário-geral aprovada por 1094 delegados e apenas com um solitário voto contra, fez um dos discursos mais fortes do Congresso, afirmando que os movimentos em nova da convergência da esquerda, em que participam Bloco de Esquerda e a corrente de Manuel Alegre, visam "exclusivamente dividir e enfraquecer o PS".

Dirigentes socialistas, membros do Governo, militantes anónimos usaram o microfone na Nave Desportiva de Espinho para manifestar solidariedade a Sócrates, explicar que só a maioria absoluta do PS garante estabilidade governativa e criticar duramente a "irresponsabilidade" do Bloco de Esquerda (principal alvo à esquerda do PS) e criticar o neo-liberalismo do PSD, que Vieira da Silva considerou ser o código genético do partido liderado por Manuela Ferreira Leite.

Um dos momentos mais altos do congresso ocorreu sábado à noite, quando José Sócrates apresentou Vital Moreira como cabeça de lista do PS às eleições europeias.

O secretário-geral definiu o professor de Direito de Coimbra como um "grande intelectual" e um "defensor do projecto europeu", mas Vital Moreira preferiu apresentar-se como "um socialista freelance" e assumiu o compromisso de tentar "fazer vingar o Tratado de Lisboa e uma nova ordem constitucional" na Europa.

O nome de Vital Moreira foi recebido com alguma surpresa pelos congressistas, mas rapidamente colheu o apoio praticamente unânime, resumido nesta frase de Viera da Silva: "É uma excelente escolha que alarga a base do partido".

A par com um apagão que sábado à noite deixou às escuras a Nave Desportiva de Espinho levando à interrupção dos trabalhos, um dos focos de maior interesse dos congressistas foi a dúvida em torno da presença de Manuel Alegre.

O ex-candidato à Presidência da República acabou por confirmar apenas no sábado à tarde a sua ausência em Espinho, adiantando que tinha avisado o presidente do PS.

Hoje, minutos antes do discurso do líder fez saber que recusou um convite para integrar a lista de José Sócrates à Comissão Nacional, onde já não consta o ex-ministro João Cravinho.

Palavras-chave  josé sócrates, congresso, PS
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As cores da Esquerda
bestway (seguir utilizador), 1 ponto , 21:51 | Segunda, 2 de Março de 2009
A meu ver acho uma má estratégia em escolher o Vital Moreira, sabendo que este deseja um referendum "Portugal deve sair da UE?". O que demonstra uma plena incoerência sobre as políticas europeias apoiadas pelo PS.
Não estou de acordo com o que o António Costa ao dizer "movimentos em nova da convergência da esquerda, em que participam Bloco de Esquerda e a corrente de Manuel Alegre, visam "exclusivamente dividir e enfraquecer o PS"". Na verdade eles sustentam a incapacidade de implementar as ditas políticas imprescindíveis pois não dão os meios e face a tudo que surge à tona, tais como, o não querer intervir na transacção da CGD com o emrpesário Manuel Fino, prova mais uma vez, que o consórcium está activo pois buscam fundos para pagarem o custo de entrada no mercado de Africa, em detrimento do povo português. Mas se este povo tivesse a profunda cosnciencialização de cidadania, estou certa que jamais Portugal tocaria a lama do descaramento de emissões de atestados de estupidez. O grande problema no sistema político e financeiro deste país é que não têm vontade de dinamizar uma economia social sustentável proveniente da apatia do povo português. As verbas destinadas à comemoração do 25 de Abril deveriam ser injectadas na economia da educação dos carenciados e na economia da saúde dos reformados com pensões de miséria. Pois vendo o estado em que Portugal chegou, o 25 de Abril não se destaca em grande.
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