Portugal não deve fazer uma tragédia de não ser o vencedor, tem é de fazer tudo para ganhar. No futebol, e ainda mais fora dele
3:02 Quinta, 8 de Julho de 2010
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O Campeonato do Mundo de Futebol é hoje não só um dos grandes "espetáculos", como mesmo um dos grandes acontecimentos à escala planetária. Assim, o seu significado e as suas consequências ultrapassam o campo desportivo, para serem muito importantes para a projeção externa e a imagem de um país além de para a autoestima dos seus nacionais, dentro e (mais ainda) fora dele. E tal importância é ainda maior para os pequenos países. Compreende-se bem, pois, a relevância para Portugal do Mundial da África do Sul, o interesse e o entusiasmo de milhões de portugueses. E a esta luz, e à das expectativas existentes, se compreende também a nossa deceção face à eliminação pela Espanha, nos oitavos de final.
Portugal cumpriu os "serviços mínimos" e a eliminação não foi surpreendente.
A questão não é só (só?) termos chegado aos oitavos de final, mas a forma como chegámos; não é termos sido eliminados, mas a forma como o fomos e a comparação com o que ocorreu em 2006. Aqui é que bate o ponto.
Porque em 2006 vimos uma equipa profundamente unida, empenhada, motivada, movida por uma espécie de desígnio nacional. Podia a "tática" ser discutível, haver maus momentos, erros, disparates. Mas, onde agora, com Carlos Queirós, só pareceu existir rotina, falta de ambição, um grupo resignado a cumprir ordens de um chefe frio que encara o futebol como uma "ciência", havia antes, com Scolari, autêntico espírito de equipa, atitude, disciplina mas dando aos "artistas" a sua margem de liberdade e criatividade, inconformismo, alegria, emoção. Emoção que foi também de todos os portugueses.
Por isso, em 2006, mesmo quando perdemos (com a França, nas meias-finais) não merecendo perder, os portugueses receberam a seleção em apoteose. Por isso, em 2006, um pequeno país ficou no G4 do Futebol (que é muito mais do que futebol) Mundial e nunca o nome e a imagem de Portugal chegou a tanta gente em todo o globo, suscitando tantos apoios: no site da FIFA fomos considerados, em todas as latitudes (por exemplo, por 65% dos votantes chineses) a seleção mais "simpática" e que jogava o futebol mais bonito.
Portugal não deve fazer uma tragédia de não ser o vencedor, finalista ou chegar aos quartos de final tem é de fazer tudo para ganhar; não deve passar a vida a vitimar-se e a arranjar bodes expiatórios para as suas desgraças, reais ou presumidas tem é de trabalhar a sério, combater com determinação e convicção pelos seus objetivos. No futebol, sem dúvida. E, ainda mais, fora dele.
O Governo fez o que devia ao acionar a golden share na PT e impedir, embora não se saiba por quanto tempo, a venda à espanhola Telefónica da sua mais valiosa e estrategicamente importante participação a de 50% na brasileira Vivo. O que a Vivo representa hoje no Brasil, e o que Brasil hoje representa, além do que sempre representou, para Portugal, impunham este veto. A todas as luzes e por todas as razões. Até num plano simbólico, que às vezes e esta é uma delas também constitui um valor, embora não tenha um "preço", como o das ações, as das empresas e as outras. Os acionistas que decidiram vender, realizar dinheiro, obter lucros, atuaram de acordo com a lógica dos negócios e exerceram um direito. O Governo, o Estado, além de exercer um direito, cumpriu um dever, à luz do que entendeu serem os interesses do País. O resto é conversa mole, que não tenho espaço para desmontar.
Apenas mais uma nota. Aquando da privatização da PT os agora acionistas sabiam da existência da golden share e aceitaram-na. Mais, sabiam que, alegadamente, a privatização só se fazia por o Estado garantir, através dela, do seu acionamento, que, se necessário, os interesses nacionais se anteporiam aos interesses particulares dos acionistas. Não é sério esquecê-lo e invocar apenas o "mercado". E caso venha a ser decidido, a nível europeu, pela ilegalidade da golden share ou do veto, isso só mostrará que não se deve privatizar o que tem inquestionável interesse estratégico nacional, sendo inadmissíveis algumas das privatizações que o Governo anunciou.
Não posso estar mais de acordo com o seu artigo.
No momento em que comento a decisão do tribunal Europeu Já foi estatuada, ...Claro de maneira a ir contra os interesses do estado Português e sob pretexto de Liberalismo ou movimento de capitais.
Devo expressar a minha indignação pois outros Paises europeus teem Golden Shares ou outras coisas para limitarem os capitais estrageiros nos mesmos, a comissão não estatua contra tais maneiras de agir, presumo que efectivamente tudo isto não passa apenas de uma questão de atitude, saber se fazer respeitar, mas porém a humildade é dos valores esseciais da cultura portuguesa..........o problema é que esse valor está fora de moda em toda a europa ...