- Quando for adulto, quero ir à lua - afirmou o Jorge, todo convicto.
- Que estranho! Ir à lua?
- Para conhecer planetas e outros seres.
Passaram-se anos e o Jorge acabou por ter trabalho a limpar foguetões e fatos de astronauta na NASA, nos Estados Unidos. O seu chefe gostava do seu trabalho e prometeu-lhe:
- Se estudares e te habituares a estas coisas do espaço, dar-te-ei formação de astronauta e poderás realizar o teu sonho.
Foi uma vida de muito sacrifício, mas conseguiu ser um astronauta. E, num fim de semana, o seu chefe enviou-o à lua.
Já no espaço, admira tudo o que vê e o silêncio que sente até lhe provoca arrepios. De repente, numa turbulência, algo choca com a nave. Vê um ser esquisito, bem anafado, rechonchudo, em que só se descortinava a camisa às riscas, com um número de colarinho bem grande onde estavam enfiadas as pernas de alguém, vestido com calças de xadrez e uns sapatos pretos, bicudos que atavam com cordões. Não era possível!
- Mas quem és tu? - perguntava ele, em altos gritos, pois não via o lado da cabeça, nem os olhos.
- Bloc, bloc, bloc!
- Anda, explica-te - continuava ele, mas sem ouvir resposta.
Aquele ser começou a rodopiar à volta da nave, deu várias voltas, mas palavras é que nem ouvi-las. Era um autêntico ser saído de um planeta que se tinha despedaçado e que insuflara aquela alma de tal forma que só as pernas enfiadas ao contrário naquela camisa nos ajudava a ver que deveria ser um homem. E seria? O que é certo é que de tanto rodopiar e de tanto ter apanhado ar, acabou por se perder no espaço sideral. Senti-me incapaz de o ajudar.
Já de regresso ao meu planeta, contei o sucedido. A explicação do filho do chefe do Jorge foi esta:
- Mas isso explica tudo! O bruxo Zagazig desapareceu há anos, depois de uma noite das bruxas bem divertida e, com a explosão que provocou, acabou por desaparecer no ar. É por isso que ninguém soube mais nada dele. Anda a vaguear pelo espaço. Ainda bem que nos dizes isso. Foi o castigo que mereceu por ser tão mau.