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Turqia

Istambul - Frenética e contemporânea

Nem asiática nem europeia mas contemporânea convicta, eis o novo credo de Istambul. A cidade turca reinventa-se à velocidade da luz, exibindo uma movida frenética, convulsionando artes e mentalidades, polindo os novos cromados. Onde se esconderam, então, as sombras?

16:50 Quinta, 28 de Janeiro de 2010
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Pátio da Mesquita Azul
Pátio da Mesquita Azul
Edal Anton Lefterov/Creative Commons Licença 3.0 Unported

CHEGAR DE NOITE A UMA CIDADE é como sentarmo-nos à beira de uma fogueira.

A escuridão aperta o corpo, as paisagens são movediças como canaviais sacudidos pela ventania que nada deixam ver acima deles, a combustão dos primeiros sentimentos é absolutamente falível. Vista pela janela do taksi, a Istambul nocturna é só um enigma. Uma massa negra pontilhada de luzes fracas, coisas perdidas lá ao fundo da auto-estrada, 25 quilómetros de deserto urbano que demoram a passar, apesar do motorista, um turco circunspecto de olhos escuros sempre alerta (que se tornarão familiares após uns dias na cidade), acelerar num contra-relógio. O estereótipo do trânsito caótico que aflige os povos mediterrânicos e afins cumpre-se nestas paragens, descobrir-se-á passado algum tempo, perante uma memorável cena em pleno centro da cidade, junto à magnífica Mesquita Azul: o condutor de um Fiat branco, gasto de uso, guina bruscamente para a esquerda, um sentido proibido, e pára no meio do cruzamento, encurralado por umas dezenas de viaturas e autocarros de turismo, bloqueado pelo semáforo vermelho, ignorando ostensivamente o polícia de trânsito que, a poucos metros, grita, apita, ordena. Em vão. Mas ainda não chegámos lá. Agora, a Istambul desejada nesta estrada é a energética Istambul, celebrada pela sua Bienal de Arte e pelas ambições europeias, pela integração nos circuitos de arte internacional e pelo charme do Bósforo. Mas a cidade não se entregará à primeira. Obrigar-nos-à antes a descascá-la como uma matrioska.

O romancista contemporâneo Hamdi Tampinar reactualizou assim uma máxima, velha de alguns séculos, sobre a metrópole turca que abriga hoje 16 milhões de habitantes ao longo de 362 km2 de superfície: "Ou se ama Istambul como se ama de paixão ardente uma mulher, ou se detesta." Os dois passageiros portugueses que partilham igualmente o taksi, um casal gay em fim-de-semana romântico, comungam desta mesma admiração quando falam da 'sua' Istambul: a capital imperial que durou 16 séculos, a mais rica e culta cidade da cristandade durante mais de mil anos. Foi Bizâncio por ideia do colono grego Byzas, em 667 a.C., tornou-se Constantinopla pela mão do imperador romano Constantino trezentos anos mais tarde. Perceber-se-á, logo ao primeiro dia sob a luz esbranquiçada que lembra a luminosidade de Lisboa, a presença dessa glória antiga na topografia de Sultanahmet, Süleymaniye, Beyazit Meydani, Ortaköy: as colinas arrumam-se suavemente à volta das monumentais mesquitas, de cúpulas redondas como luas inchadas e minaretes pontiagudos, dispostos como sentinelas atentas.

Há mesquitas que desafiaram a arquitectura de Meca, disse-se por altura da sua construção, na arrogância de ostentar seis minaretes como os da Mesquita Azul, um gigante ocre que guarda na barriga um oceano sem vagas, criado pelos arabescos em azulejos azuis de Íznik. Há mesquitas que nasceram igrejas cristãs, como foi o caso de Hagia Sofia, que abandonou o serviço religioso cristão em 1453, um dia antes da caída da cidade às mãos do exército otomano de Mehmet II. As paredes cor-de-rosa-Florença abrigam imagens de Cristos e anjos dourados ao lado dos gigantescos medalhões corânicos. Como se de um castigo divino se tratasse, o andaime imenso que trepa até à sua cúpula central não mais foi retirado desde o último terramoto que assolou Istambul. Porque não sabem o que aconteceria.

Mas à noite, observadas da ruína medieval da Torre de Gálata, no outro lado do Bósforo mas ainda no Corno de Ouro, todas as mesquitas parecerão naves espaciais adormecidas, à espera de um sinal para acordarem de um sono profundo e erguerem-se como gigantes.


O TASQUI CONTINUA A CORRER NA ESTRADA ESCURA e é preciso saber de que lado se encontra o destino, que ponte atravessar.

Outra matrioska que se fende. A da Istambul dividida entre as identidades asiática e europeia, ancorada na confluência do Bósforo, esse estreito de 30 quilómetros que flui desde o Mar de Marmara até ao Mar Negro. Divisor de continentes, nome secreto dado pelo escritor Michael Ondatje à depressão no pescoço de uma bela mulher aninhada nos braços do amante, no romance O doente inglês. Atravessar as duas pontes que voam sobre o Bósforo revelar-se-ão experiências diferentes, mundos suspensos por direito próprio. A Ponte de Gálata já foi um passadiço de madeirame, que repetia a respiração das águas, construído em 1912 como se de uma bússola bizarra se tratasse: a oeste, "olha" a Europa; a leste, vê a mancha cinza de Üsküdur e a Ásia. A norte, enfrenta Karaköy; a sul espelha Eminönü, o mercado de especiarias, a Estação Sirkeci onde chegava o Expresso do Oriente.

A ponte nunca está vazia: de dia, por baixo da reencarnação de betão que lhe vestiram, em 1922, os navios passam sem cessar como uma música em surdina. À noite, os istambulenses aí se entregam a uma paixão nacional: encostados ao varandim, ombros com ombros como se estivessem a dançar o folclore turco típico, lançam as suas canas de pesca e esperam. Estão em boas mãos: chamam à ponte o "coração da cidade" e esta proporciona--lhes o postal perfeito. A outra ponte, criada em 1973 e baptizada de Ponte Bósforo, ligando as margens da europeia Ortaköy e da asiática Beylerbayi, e figurando nos rankings como sendo a 15.ª maior ponte pênsil do mundo, parece reduzida a uma engenharia do progresso que a cidade persegue com afinco mais um risco feito na lista de metas exigidas para que a porta da União Europeia se abra? A noite desceu há muito tempo sobre Istiklal Caddesi, uma imensa avenida pedestre enquadrada por edifícios do século XIX, onde se escondem portões, pátios interiores, escadas que sobem para cafés que anunciam leituras de tarot ou bares de onde a música ecoa com furor. A Istambul ávida de contemporaneidade também se encontra aqui, uma multidão que se espalha como uma mancha de óleo, invadindo as lojas de roupa jovem, os restaurantes ruidosos que improvisam esplanadas empoleiradas em poucos quadrados de asfalto, os espaços lounge com design contemporâneo, os dois cafés da cadeia norte-americana Starbucks, a marcar presença como todas as grandes marcas ocidentais. Mas há mais: a cidade turca parece nunca fechar os olhos. As discotecas, alcandoradas nos últimos andares dos edifícios, reúnem uma nova fauna dedicada ao design, à moda, às artes.

São eles também que percorrem o crescente circuito de galerias de arte, inauguradas por entre as ruelas paralelas a Istiklal ou fundadas por uma espécie em franca expansão: a do coleccionador. E, no entanto, a primeira exposição de Picasso em Istambul data de 2005, um feito algo desfasado aos olhos europeus. Mas a abertura da Istambul Modern (ver caixa), também ela instalada à beira desse eterno cartão-de-visita do Bósforo, trouxe um fôlego de autoconfiança à cidade, agora vista como metrópole emergente e uma parceira integrada no circuito da arte contemporânea internacional. Abre assim a última e definitiva matrioska à volta de Istambul?

UM OUTRO TASQUI ACELERA DIAS DEPOIS. A intenção é fugir ao emaranhado de turistas que cercam a Cisterna ou o Grande Bazar, labirinto velho de seis séculos, e procurar os corredores da modernidade, passe o trocadilho. O destino é Santralistambul, o centro cultural ligado à Universidade Bilgi, sediado na primeira fábrica de electricidade da cidade, fundada em 1913. À primeira vista, os subtextos e conceito da arte contemporânea parecem deslocados, aqui no pulmão do Corno de Ouro, tendo como vizinhança pequenas lojas suburbanas, incrustadas em prédios baixos, de cor comida pelos fumos. O jovem taxista desconhece o que seja essa Santralistambul. Ou faz que desconhece.

O folclore popular da cidade é rico em histórias sobre estes condutores "perigosamente" armados de um taxímetro com duas tabelas. Ainda o sol plana sobre a cidade e já a tabela nocturna, mais cara, está a ser accionada à socapa. Talvez a medida do conhecimento de uma cidade possa ser também dado pela identificação sumária dos pecadilhos dos naturais. Istambul, a magnífica, a cosmopolita, tem vários: a insistência maratonística dos seus vendedores em angariar clientes pelo verbo, pelo braço ou pela pressão, os olhos escuros sempre alerta a concentrarem-se no alvo. A destacar ainda o mais desconcertante assédio exercido pelos táxis de Istambul, uma verdadeira coreografia de tango: os motoristas gritam ao cliente, param, fazem que arrancam, retrocedem, acompanham vagarosamente ao lado, esperam ali ao virar da curva, fazem inversão de marcha e tudo recomeça. E ainda a despreocupada mania dos turcos furarem as longas filas.

Mas esses são episódios para outros dias. Dentro do táxi, a tabela inflacionada junta-se rapidamente aos pecadilhos enunciados. Perante o protesto, o condutor desfia explicações: o taxímetro que funciona sozinho, as tabelas que ganham vida própria, os táxis que são diferentes uns dos outros. E nem perante a incredulidade do cliente, ele desarma, rematando a discussão de dez minutos com. "me no speak english". A corrida terminará num terreiro abandonado. Por gestos, alguém indica o complexo industrial onde fica supostamente localizada a Santralistambul.

Lá chegados, há apenas um portão de arame em mau estado. Novo esticar de braço, a apontar mais lá para o fundo, algures entre as árvores. Aí estão os dois cubos gigantes, feitos em concreto e vidro, que integram a estrutura industrial remodelada e ampliada para mostrar arte contemporânea. Joana Vasconcelos já aqui expôs por duas vezes. Recentemente, Martin Parr exibiu grandes ampliações conceptuais que reflectiam sobre a sociedade de consumo, sobre vícios de ocidentais. Não há vivalma a observá-las.

Istambul é, à vista desarmada, uma cidade cheia de contradições, que vão além da topografia, da História milenar, das novas aspirações. À semelhança dos derviches dançantes, esses devotos místicos cujos rodopios incessantes os induziam em transe, também a cidade roda ainda sobre si mesma. Os homens de túnicas brancas já só aparecem como atracção turística, ou estão escondidos no livro A Casa dourada de Samarkanda, onde Corto Maltese procura um tesouro em plena guerra dos movimentos nacionalistas turcos. Mas Istambul, laica e muçulmana, europeia e asiática, revela nas ruas esse caminhar no arame: as proezas arquitectónicas têm o contraponto nos subúrbios que alastram ameaçadoramente, sobretudo na margem asiática.

A marcha das meninas de 20 anos, de braço dado, evidencia choques de mentalidades: uma, vestida com essa espécie de gabardina até aos pés, encimada pelo lenço que cobre os cabelos, a outra, de minissaia, madeixas de cores fluorescentes no cabelo. Ainda que se detecte uma mansa subversão, quando os casacões e lenços transbordam de cores vivas... Outros paradoxos não faltam, como a visão de mulheres recatadas, exibidas nas montras dos restaurantes turísticos, a cozinhar. Ou a gulodice evidente de um povo que, em pleno feriado religioso, cobiça a multidão de carrinhos vermelhos dos vendedores ambulantes de simit (rodelas de pão de sésamo), de baklava (folhados de nozes), de castanhas assadas arrumadas delicadamente em minúsculas pirâmides. Matrioskas de outro género, portanto.

No topo de Istlikal Caddesi, numa praça circundada de pequenos bares iluminados a néons, onde se servem sumos de nar (romã) e kebabs durante a noite inteira, combustível certo para quem vai a caminho da praça Taksim, também ela circundada por vendedores, mas de rosas azuis e outros mistérios florais, a Europa fica mais distante. Sobretudo depois da passagem de um homem em cadeira de rodas, forrada com um retrato de Atatürk, adorado pai da república turca. Foi ele que definiu os limites territoriais da Turquia actual, aboliu o sultanato, separou religião e Estado, deslocou a capital para Ancara. Na sua Turquia actual, dois escritores foram acusados de denegrir os valores turcos: Orhan Pamuk ganhou depois o Nobel, a autora Eli Shafak foi absolvida pelo tribunal. Censura no bastião reluzente da contemporaneidade triunfante, que prepara Istambul 2010 Capital Europeia da Cultura, é uma contradição final.

O PRIMEIRO TASQUI ESGOTA A ESTRADA e chega finalmente a Istambul. A cidade, afinal, é sombria. Cinematográfica.

Poderia ligar-se uma câmara de filmar e registar as luzes do beco, descoberto depois do passeio pela Ponte de Galata. Capturar a Estação de Sirkeci (Sirkeci Gari), o edifício rosa de grandes janelas encimadas por arcos muçulmanos, onde está um museu improvisado sobre o Expresso do Oriente, que, decadente, abandonou Istambul em 1977. Subindo por Beyoglu, labirinto de ruas empedradas, haveria que eternizar aquele homem adormecido na cadeira, um pleno sossego com as portas escancaradas da sua lavandaria, aberta às quatro da madrugada. Ou os outros, sapateiros, alfaiates, vendedores de água e tabaco de narguilé, que parecem esperar realmente por algo a meio da noite. Fazer um zoom sobre os prédios high--tech que, no entanto, penduram olhos de loiça azul ancestral para afastar o mau-olhado. Acompanhar o bulício dos vendedores do Grande Bazar que, ainda a fechar as portas, armam mesas improvisadas para uma refeição colectiva, de legumes recheados e pão de azeitonas, indiferentes a tudo.

Ou focar os objectos dos antiquários de Istambul, dignos e misteriosos ainda que nada tenham a ver com instalações artísticas valorizadas pelo novo establishment que quer falar inglês, integrar-se na Europa, deixar de se angustiar com essa esquizofrenia geográfica vivida entre margens diferentes. À sombra de casas antigas com varandas fechadas de madeira, ouve-se o constante pulsar de uma cidade que efectivamente não dorme. Istambul repousa do frenesim, resguardando-se numa dignidade familiar.

Os gatos, verdadeiros donos da cidade, têm uma resposta secular: ignorar a passagem do tempo. Os turcos talvez pudesem rumar ao Milário, esse pilar de pedra carcomida, esquecido nas correrias dos turistas é o que resta do arco de triunfo bizantino a partir do qual se mediam as distâncias das estradas que partiam para todos os cantos do império. Para tentarem descobrir quantos passos são necessários para viver a modernidade desejada. Ainda de madrugada, Istambul oferecerá outra obra de arte sem moldura nem curador: a história verdadeira de um futebolista do Galatasaray que conduz uns europeus perdidos até à luz.


ISTAMBUL MODERN
É a bandeira da nova Istambul, este primeiro museu nacional de arte contemporânea inaugurado em 2004, num antigo armazém industrial com oito mil metros quadrados, localizado no porto de Karaköy. Ao lado de uma mesquita do século XVI, bem entendido, a sublinhar involuntariamente essa dualidade constante entre passado e futuro, entre Oriente e Ocidente. Vira-se as costas ao Bósforo e entra-se ali sob um 'céu' elaborado por centenas de livros, obra do artista inglês Richard Wentworth, antigo assistente do escultor Henry Moore. Os amplos corredores brancos estão divididos em dois pisos unidos por uma escadaria de vidro e metal, criada pela artista Mónica Bonvicini para a Bienal de Istambul, de 2003. Há exposições temporárias de artistas estrangeiros. Ali estiveram já obras de Jeff Koons, Anish Kapoor ou Louise Bourgeois. Mas a prioridade é mostrar a arte contemporânea turca. Que existe. Nomes como os de Haluk Akakçe, Dennis Gun, Gurbuz, Bedri Baykam (bem como o do criador de moda Hussein Chalayan, cujas roupas parecem mais próximas da arte conceptual do que das tendências de moda) impõem-se como uma geração sub-40 que trabalha com mais à-vontade as linguagens contemporâneas e alimenta o crescente circuito de galerias e de coleccionadores locais. O objectivo, dizem, é promover o encontro da população com a arte moderna. Oya Eczacibasi, presidente do Istambul Modern e mulher do milionário Bulent Eczacibasi, com quem trabalhou 15 anos para conseguir abrir este museu, referia em entrevista, nove meses após a abertura da Istambul Modern, que dos milhões de visitantes que tinham tido, 300 mil eram crianças. O investimento foi de €3,8 milhões. O futuro é já aqui, pago a 7 liras a entrada. www.istambulmodern.org


O DEDO DE ORHAN PAMUK
"Há autores como Conrad, Nabokov, Naipaul, que conseguiram escrever mudando de língua, de nacionalidade, de cultura, de pátria, de continente e mesmo de civilização. A criatividade, neles, foi buscar alento precisamente ao seu exílio ou migração. Da mesma forma, sei que a minha ligação à mesma casa, à mesma rua, e à cidade, influenciaram a minha identidade. Esta ligação a Istambul significa que o destino da cidade passa a fazer parte do carácter dos seus naturais." Isto escreve Orhan Pamuk, prémio Nobel da Literatura em 2006, na sua biografia Istambul -Memórias de uma cidade (Editorial Presença, 365 págs.). Aos 51 anos, o escritor turco cruza a história familiar, a de uma família de alta burguesia que sempre viveu no mesmo edifício, com escritos e curiosidades sobre a cidade a que não faltam sequer notícias sobre a queda frequente de carros ao Bósforo... É um relato agridoce, umbilical, por vezes tingido de ambivalência ("pode acontecer que eu esteja num processo de culpabilização pensando que não pertenço inteiramente a esta cidade") mas revelador das paisagens mais genuínas de Istambul.
Pamuk fez da cidade personagem na sua obra. Aqui, mergulha mais no huzun, "esse sentimento negro experimentado conjuntamente por milhões de pessoas", uma melancolia colectiva. Um istambulense que confessa, perante os escritos do século XX sobre os costumes da sua cidade: "Quarenta e cinco anos depois de ter aprendido a ler e a escrever, de cada vez que tenho diante dos olhos um editorial cheio deste género de reprimendas e de conselhos, baseados numa vassalidade quer à ocidentalização, quer aos valores tradicionais, lembro-me vivamente da voz da minha mãe a dizer-me: NÃO SE APONTA COM O DEDO."

OS SULTÕES DO DESIGN
Istambul destila uma intensa criatividade em termos de artes plásticas, moda e design, mas o nome incontornável, omnipresente em casas particulares, hotéis, bares e restaurantes, é o da dupla Autoban 212, constituída pela arquitecta Seyhan Ozdemir e pelo designer de interiores Sefer Çaglar. As suas peças, mais de vinte criações até à data, destilam uma simplicidade de inspiração nórdica contemporânea com apontamentos otomanos, construídos com técnicas e materiais locais. Entre as obras mais emblemáticas, estão os candeeiros em madeira ou ferro cortado a laser (como o Magnólia, uma 'flor' em camadas de madeira que pende do tecto) e os sofás Bergere que reinventam o clássico cadeirão francês com orelhas.
Estas e outras criações estão expostas na Autoban Gallery (Tatar Bey Sokak 1, em Túnel): uma imensa loja/showroom com chão de mosaico e janelões-vitral. Mas não faltam espaços da movida turca concebidos pelos Autoban (que quer dizer auto-estrada), como os dez Café House, o hotel Witt Istambul Suites ou o restaurante Muzedechanga. O seu trabalho pode ser visto em www.autoban212.com .
 

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