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VISÃO História

I Guerra Mundial - Portugal nas trincheiras

Já está nas bancas o número 4 da VISÃO História. Portugal nas Trincheiras assinala os 90 anos da do Tratado de Versalhes e analisa a participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial.

14:10 Quinta, 26 de Fevereiro de 2009
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I Guerra Mundial - Portugal nas trincheiras

Uma guerra esquecida

Quando passam 90 anos sobre o Tratado de Versalhes, que traçou as fronteiras e definiu as relações internacionais depois da Primeira Guerra Mundial, este quarto número da VISÃO História é dedicado àquele que terá sido o mais dramaticamente absurdo de todos os conflitos bélicos, com especial incidência na participação que Portugal teve nele.

Com efeito, as rivalidades entre as grandes potências de 1914 prendiam-se exclusivamente com o choque dos interesses económicos (onde a componente colonial desempenhava um importante papel), nada tendo que ver com diferenças ideológicas insanáveis semelhantes às que oporiam mais tarde as democracias e as ditaduras, o capitalismo e o comunismo ou o liberalismo e o fundamentalismo. Em 1914, ano terminal da Belle Époque e do poderio europeu sobre o planeta, havia apenas a vontade de um bloco de países afirmar a sua supremacia sobre outro bloco de sistema sociopolítico semelhante, e vice-versa.

Portugal, onde a jovem República triunfara menos de quatro anos antes sobre uma monarquia quase oito vezes secular, não era obviamente uma potência com ambições de domínio mundial, mas nem por isso deixava de desempenhar papel de relevo no acesso às riquezas africanas. O receio de ficar excluído do banquete dos vencedores, a cuja sobremesa seriam partilhadas as colónias, impulsionava para a guerra, ao lado da "velha aliada" Inglaterra, este nosso país já então claramente periférico. O desejo de afirmação internacional do novo regime republicano, aliado a interesses político-partidários do momento, faria o resto.

A nossa participação na hecatombe mundial seria uma vitória de Pirro: as colónias foram mantidas, mas à custa de 7 mil mortos (carne para canhão maioritariamente analfabeta que desconhecia a razão por que lutava) e de uma crise económico-financeira de amplitude sem precedentes, que haveria de abrir a porta a uma ditadura de 48 anos.

Permaneceu, por isso, durante muitas décadas, na memória colectiva portuguesa, a lembrança simultaneamente doce e amarga da Grande Guerra - assim chamada antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial, e ainda depois disso, por hábito de duas décadas. Raras eram as famílias que não tinham sido directamente visitadas pela morte, num País onde pululavam os monumentos e as avenidas e praças dedicadas aos "Combatentes da Grande Guerra" e onde passou a ser venerado o "Soldado Desconhecido" sepultado no Mosteiro da Batalha. A participação portuguesa no conflito era diariamente lembrada em todo o tipo de situações pelo menos ate à década de 50, antes de Salazar ter enviado tropas para Angola "rapidamente e em força", inaugurando a segunda aventura guerreira portuguesa do século XX - esta, em contraste com a anterior, isolada e fora de época.

Hoje, a Primeira Guerra Mundial está praticamente esquecida entre nós, ao ponto de muitos jovens a confundirem com a Segunda ou, quando não é esse o caso, desconhecerem que Portugal participou nela.

Foi essa lacuna que pretendemos colmatar, em parceria com o Museu da Presidência da República, que está a organizar uma exposição sobre o tema. Alguns dos textos explicativos e interpretativos que publicamos são da autoria de redactores da VISÃO, e outros de especialistas. Estes últimos são Isabel Pestana Marques, mestre em História Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, membro do Conselho Científico da Comissão Portuguesa de História Militar e autora do livro Das Trincheiras com Saudade (A Esfera dos Livros); Elzira Machado Rosa, licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e mestre em História Social Contemporânea pela Secção Autónoma de História do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, co-fundadora do Museu Bernardino Machado e da Associação Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres; Elsa Santos Alípio, licenciada em História e mestre em História Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, autora de diversos trabalhos de investigação e membro da equipa do Museu da Presidência da República, onde actualmente coordena o projecto da exposição Portugal nas Trincheiras; João Paulo Oliveira, licenciado em História da Arte e pós-graduado em Museologia, colaborador do Museu da Presidência da República onde integra a comissão executiva da exposição Portugal nas Trincheiras e de outra dedicada aos artistas nacionais que pintaram os retratos oficiais dos Presidentes da República; Francisco Carrilho, licenciado em História pela Universidade Nova de Lisboa com especialização em Ciências Documentais, ramo de Arquivo, ex-comissário da exposição 50 Anos da Visita de Estado da Rainha Isabel II a Portugal, no Museu da Presidência da República em 2007 e actualmente a preparar uma exposição sobre Sidónio Pais a inaugurar em Caminha; e Pedro Caldeira Rodrigues, licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e autor de uma tese de mestrado sobre o teatro de revista na I República, também jornalista.

Todos os textos são ilustrados com muitas fotos da época, assinadas nomeadamente pelo grande fotógrafo Joshua Benoliel (1873-1932), pioneiro da reportagem fotográfica em Portugal e considerado por muitos o maior fotor-repórter português do século XX, e por Arnaldo Garcez (1885-1964), o único fotógrafo autorizado a acompanhar os soldados portugueses na frente de combate do Norte de França. Alguns destes documentos iconográficos são praticamente inéditos, já que não eram publicados há muitas décadas.

Mapas e infografias esclarecedores integram ainda esta edição que esperamos seja do agrado dos leitores, tanto os que conhecem como os que desconhecem os segredos de uma guerra esquecida

SUMÁRIO:

Cronologia 1867-1913: a marcha para a Guerra
Linha Directa
Mapas: como o mundo mudou numa década
IMAGENS

ORIGENS DA I GUERRA
Bruscamente, num Verão passado
Mapa: a Europa em 1914
Cronologia 1914-1918: a Grande Guerra
Participação portuguesa: contra os canhões marchar, marchar

A GUERRA NAS TRINCHEIRAS
Quotidiano nas trincheiras: levantados do chão
Mapa: a localização dos portugueses
Infografia: como estavam equipados
Os soldados conhecidos por Elsa Santos Alípio
Sousa Lopes, um artista na Guerra
Soldado Milhões, um herói quase acidental
Bernardino Machado, um Presidente na Frente
O enigma de Sidónio Pais
O desastre de La Lys
Caça-minas contra submarino: batalha desigual
Prisioneiros: filhos de ninguém


A GUERRA NA RETAGUARDA
Quotidiano:
memória dos dias sombrios
A grande cruzada
Imprensa: notícias dos nossos bravos
Teatro: revolução na revista
Economia: o preço da Guerra
Pneumónica: o outro holocausto
Monumentos: a memória da Grande Guerra
Opinião: Como eles nos viram por Isabel Pestana Marques
Mapa: o mundo em 1924
Cartoon
Cronologia 1919-1939: a grande ilusão

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Uma guerra esquecida...
Henrique Trindade (seguir utilizador), 1 ponto , 22:17 | Segunda, 2 de Março de 2009
- Não sei ao certo como será noutros países, mas só uma gestão mais que incorrecta dos curricula permite que, neste, a Históra seja tão pouco estudada.
  - Já no que respeita à cronologia apresentada no nº 4 de Visão História - tem piada que não vi os N.os 1, 2 e 3 à venda! - foi o tema muito bem abordado (falta-me ler o resto...) começando onde começou e tratando a Guerra Franco-Prussiana como primeiro acto dum teatro de guerra que, a bem dizer, só pode considerar-se com tendo o seu epílogo na Guerra do Vietname.
- Na verdade, se no caso da guerra de 14/18 há a vontade da França de vingar a derrota em 1871, na seguinte foi o humilhante tratado imposto no fim da I GG um dos principais temas a motivar os alemães para aceitar a ditadura de Hitler e consequente desencadear da de 39/45.
- Da filosofia colonialista a resistir aos desejos de autonomia dos povos colonizados e da consciência que estes ganharam durante a II GG de terem importância nos destinos das suas terras e do peso destas na economia dos colonizadores resultou o deslocar do teatro de guerra para as colónias, onde o Sudoeste Asiático ganhou destaque pelo apoio recebido da China, logo contraposto pela substituição da derrotada França pelos EE UU.
- A derrota deste país - derrota política, que não militar - terminou o epílogo de um teatro que começou bem longe dali na Europa do século XIX.
- Com génese diversa as actuais guerras são um outro teatro... e estamos bem longe do seu epílogo.
Parabéns!
Fraga (seguir utilizador), 1 ponto , 18:44 | Terça, 3 de Março de 2009
Como nos habituou em 4 números, também a última Visão História está fantástica. A equipa que a elabora está de parabéns. Faltam apenas duas coisas: 1) poder assinar esta revista e 2) um sitezinho.
Excelente!
ffortes (seguir utilizador), 1 ponto , 9:50 | Sexta, 13 de Março de 2009
Não consigo decidir-me de qual gostei mais: se do n.º 1, que tratava do Maio e do ano de 1968, se do 2, sobre Salazar e a Primavera Marcelista, se do 3, sobre os 50 anos da revolução cubana. Mas este é o mais inesperado e, talvez, o mais cuidado. A Visão História está a apurar e as expectativas para o 5 estão numa fasquia elevadíssima!...
Meu desabafo
José Gonçalves Cravinho (seguir utilizador), 1 ponto , 8:51 | Quinta, 2 de Abril de 2009
Durante séculos,a Moral do Cristianismo/ensinando ao Povo que
todos somos irmãos/com refinada hipocrisia e fariseísmo/até provoca inimizade entre cristãos.E no que respeita ao Povo de Portugal/onde sempre dominou o Cristianismo/a reaccionária fidalguia e a classe clerical/mantiveram o Povo no obscurantismo.
Presentemente com a Política do Liberalismo/e com a Moral da livre concorrência/o estertalhão que singrou no Fascismo/com a democracia liberal,tem mais apetência.A democracia burguesa,na Grécia antiga/nada tinha do demo,quer dizer,do Povo/era uma democracia de élites,e hoje de novo/a Burguesia é,do Povo,uma velha inimiga.E o Povo nas várias camadas sociais/flutua entre o individual e o colectivo/na sua maioria ignorando o motivo/porque razão há desníveis sociais.Portugal caminha de facto na dianteira/no que respeita à paralela economia/e o Povo que quer imitar a Burguesia/foge ao Fisco com habilidade sorrateira.
Porque com a Moral do neo-liberalismo/há a disputa,o salve-se quem puder/e é estúpido aquela que assim não fizer/e que se lixe o democrático Socialismo.O Povo afectado p'lo epidémico Liberalismo/nesta demo-cristã e liberal Europeia União/nós vemos,das Fôrças da Esquerda,a desunião/o abandalhamento do democrático Socialismo.Pois as alavancas do liberal Mercado/quem
as manobra é o Capitalista/que com experiente golpe de vista/corrompe a consciência do Proletariado.
    Re: Meu desabafo   
logojo (seguir utilizador), 1 ponto , 18:27 | Quinta, 15 de Abril de 2010
O meu desabafo (contin.)
José Gonçalves Cravinho (seguir utilizador), 1 ponto , 9:06 | Quinta, 2 de Abril de 2009
Das classes sociais,a classe proletária/pretende livrar-se do jugo capitalista/mas sem uma teoria revolucionária/não pode haver uma Revolução Socialista.O Povo português é o mais atrasado/mas que dizer do Povo italiano/do espanhol,do francês,do germno/em que
o Socialismo foi adulterado?!Pois a Social Democracia com cinismo/
e com demagogia e arenga populista/arvora o pendão da Internacional Socialista/e desvia o Povo do democrático Socialismo.
Digo que o Povo tem o Governo que merece/porque me sinto bastante desiludido/pois o Povo pouco ou nada tem aprendido/com as desilusões que a vida lhe oferece.Também sei que o Povo não é culpado/de séculos de ignorância e opressão/mas desde o 25 d'Abril,com livre opção/inda não viu onde o inimigo está alapado.
Não é meu contento ou minha alegria/dizer que o Povo tem o Governo que merece/pois sou filho do Povo,mas gritar me apetece:
-P'rà próxima,não batam com as ventas na pia!!!
A propósito de Militarismo
José Gonçalves Cravinho (seguir utilizador), 1 ponto , 9:41 | Quinta, 2 de Abril de 2009
Em tempo há muito já passado/um tal santos Costa militarista/ porque tinha alma de fascista/da Guerra,foi Ministro nomeado.
Dum modo geral,a vida militar é dura/o militar é instruído de forma brutal/e Santos Costa via na cultura musical/um amolecimento da fascista Ditadura.Dizem que tinha azar à musical cultura/e tal como muito coriféu salazarista/pensava que todo o músico era comunista/e a música podia perigar a Ditadura.Nêsse tempo havia
em muitos Regimentos/Bandas Militares de rèpublicana energia/mas de Santos Costa,os fascistas sentimentos/reduziram a meia dúzia,as Bandas que havia.Pois todo o Militar fascista consequente/
considera ser um óptimo sentimento/que em todo e qualquer
Regimento/só exista,do clarim,o som estridente.E ouvimos até
mesmo nas velhas Catedrais/com Guarda d'Honra militar aparatosa/à Missa solene,o som dos clarins marciais/que empolgam do cristão, a Fé religiosa.Dentro da demo-cristã militar cultura/
cultiva-se o ânimo,o embrutecimento/pois dêste modo,qualquer Regimento/deve ser um sólido suporte da Ditadura.
A propósito de Militarismo (contin.)
José Gonçalves Cravinho (seguir utilizador), 1 ponto , 9:49 | Quinta, 2 de Abril de 2009
Afinal,num dado Regimento,certo dia/o Tenente,a Banda ensaiava confiante/e devido a uma falta,parou a sinfonia/quando entrou na sala,o Comandante.Pensa que por êle,a Banda tinha suspendido/
autoritário,diz que podiam continuar/e o Tenente fazendo a saudação militar/disse-lhe que tinha faltado um sustenido.
O Comandante,militarista abrutalhado/diz ao Tenente,que estava em sentido/que lhe enviasse o faltoso sustenido/ao seu Gabinete, para ser castigado.
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