A História aprova esse ponto de vista: cada vez mais, as condições são favoráveis à conscientização do ser humano da necessidade de vida social baseada na sua prioridade.Assim, veremos Cristo em Sua vida na Terra, quando pensamos de que maneira relaciona-se com esse tema, ou seja, com a primazia da mulher e do homem no processo de desenvolvimento da família humana.Vendo o ser humano constituído pelo corpo e pelo imaterial, admitimos a vida e a consciência referenciais básicos para essas reflexões. O primeiro relacionado à vida digna para todos; o segundo referindo-se a liberdade, entendida em função da "consciência da necessidade".Numa visão preliminar, duas passagens permitem identificar posições de Jesus, sobre esses referenciais. "Em João 10.10 afirma: Eu vim para que tenhas vida..." A Vida é questão decisiva para Nele pensar. Não é a riqueza, mas a vida sem exclusão. Em Mateus 5.1-12, externa as bem-aventuranças, proclamando, a meu ver, a liberdade constituem conjunto básico para esclarecer Sua visão, aqui explica através do humanismo.Pensemos algumas cenas dos Evangelhos, entre inúmeras outras, que permite melhor entender o humanismo subjacente à Sua palavra e ação. Em Marcos 2.27, afirma que "o sábado foi feito para servir ao homem e não o homem para servir o sábado". Numa ampla visão, isso pode ser entendido como reconhecimento da prioridade do ser humano e, portanto, da vida e da liberdade, quando pensamos nas relações sociais.Em Lucas 4.14-21, Jesus anuncia, de vez, a missão referente à libertação dos pobres e oprimidos. Lendo Isaías 61.1-2, que anuncia a vinda do Messias, com essa missão, Ele assume para si essa indicação.Após a leitura, Jesus disse para todos os presentes: "Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura que vocês acabam de ouvir".Em Marcos 12.31, Jesus afirma "Ame seu próximo como a si mesmo". É a mensagem que permite pensar o processo orientado para a libertação, seguindo o pensamento geral da fraternidade. Em Mateus 7.12, Cristo fala em importante procedimento para as relações sociais: "Tudo o que vocês desejam que os outros façam a vocês, façam vocês também a eles". É o convite para a realização de sociedade com vida digna para todos.Tenha-se presente que as relações sociais nos tempos vividos por Jesus tinham características econômicas, políticas e ideológicas que constituíam obstáculos decisivos para o desenvolvimento da sua palavra e ação, principalmente quando temos em vista que Sua pessoa concreta era identificada com os pobres e oprimidos.Suas idéias e modo de proceder constituem centro da tendência histórica que tem por perspectivas a vida e a liberdade. Opondo-se, de vez, aos obstáculos para que isso aconteça, foi revolucionário sem igual na construção da História. Os tempos atuais confirmam que a evolução da família humana assim vem acontecendo.
Movimentos Humanistas como os do séculos XV a XVII, em que se contrapôs o antropocentrismo ao teocentrismo medieval; o Iluminismo do século XVIII em que se criticava abertamente a Igreja sem medo ir parar à fogueira; e as filosofias do século XX em que se promoveu a alternativa humanista e racional face às tradicionais perspectivas baseadas na fé, eram todas em grande parte de inspiração Ateísta.
Já Nietzsche dizia no séc.XIX, em «Crepúsculo dos Deuses»: ««O conceito de «Deus» foi, até agora, a maior objecção contra a existência». Hoje, em pleno sé XXI, em nome de Deus, nas igrejas, nas mesquitas e em certos programas ditos religiosos das televisões americanas procura-se recuperar a velha filosofia dum deus pessoal e fiscalizador dos nossos actos. Depois, em nome dessa entidade inventada parte-se para a guerra contra os que são considerados «infiéis» conforme o lado em que se situam os opositores. É lamentável que o sr. Dguedes ainda continue com os olhos vendados a fazer a apologia de ideias que estiveram na origem de tantos momentos trágicos vividos pela humanidade: das guerras religiosas à "Santa Inquisição", a morte e a dor têm sido uma constante. Desde que, no séc. IV o Imperador Constantino criou o catolicismo, deu origem ao surgimento duma classe privilegiada e exploradora uma classe que se ocupa a dominar os espíritos menos esclarecidos enquanto vai gozando as benesses que soube conquistar ao longo dos séculos praticando entretanto todos os desmandos conhecidos que vêm constantemente a lume através da comunicação social: vigarices, estupros sobre mulheres e crianças indefesas... É isto a fé e a crença num Deus bom e redentor? Certamente NÃO. Por isso eu digo, como Buñuel: «Sou ateu, graças a Deus»
Agradeço-lhe a amabilidade da sua resposta, que já esperava e que só me surpreendeu pela sua falta de agressividade. Por acaso ainda não tive a oportunidade de ler «Cristo Filósofo» de Frederic Lenoir.
E já agora, a talhe de foice, pergunto-lhe se já leu «O Santo Condestável» de Tomás da Fonseca (Antígona, Lisboa, 2009) e «A Desilusão de Deus» de Richard Dawkins (Casa das Letras, Oficina do Livro, 2007). Também eu gostaria de escrever qualquer um deles embora não sinta capacidade para tal.
Quanto à utilização da expressão - «Ateu, graças a Deus» é evidente que se trata de uma «boutade» que me ocorreu na altura, parafraseando Buñuel em «Nazarín».
Com os meus cumprimentos,
leaoferro
Obrigado também pelo 'feed beack".
O que me atraiu, sobretudo, foi o tema "humanismo" que pressenti emanar de si, essa tônica mais evidente, e que a amalgama de conceitos, ideologias e religiões mais não fazem, do que atropelar essa vertente, e que, para mim, e acho que para si também, merece ser talvez a que mais devesse ser posta no cimo da pirâmide.
Quanto a minha falta de agressividade, ela talvez não tenha a tônica de mais destaque no modo de como procuro fazer a abordagem dos diversos temas, embora isso em nada impeça que seja bastante persistente e raramente deixar cair a consumação do que me proponho fazer ou obter. Desempenhei funções de comando e coordenação, onde essa pratica tem de ser tida permanentemente em conta, especialmente quando pretendemos desempenhar cabalmente qualquer missão a que temos de dar resposta onde as boas relações têm de ser apanágio quer com quem se encontra hierarquicamente acima, quer abaixo, e quando tem de se interagir também com todos os cidadãos.
Mas referindo o que me disse, não tive ainda disponibilidade de ler, ainda que ha já muito que esta em minha intenção fazê-lo. Tenho uns cinco livros que ainda não terminei de ler, por falta de disponibilidade. O último dos quais, A FURIA DIVINA, de que estou a gostar, especialmente depois que o Jose Rodrigues dos Santos fez a entrevista na TV, e que ajuda muito ao enquadramento da leitura que, não tendo acontecido tal leitura, pelo menos de inicio se tornaria para mim menos perceptível.
Um abraço e continuo por aqui. J. Costa