Um movimento feminino do Quénia dedicado aos direitos das mulheres decidiu convocar, na quarta-feira passada, uma greve de sexo, como forma de pressionar os homens - que gerem, mal, o país - a acabar com os conflitos. Milhares de quenianas aderiram, incluindo a mulher do primeiro-ministro.
Rukia Subow, a dirigente da Organização para o Desenvolvimento das Mulheres, justificou a ideia: "Estudámos todas as hipóteses de luta e chegámos à conclusão de que o sexo era a melhor resposta."
Não estou a brincar.
Por vergonha do meu género, não vou tentar interpretar a facilidade com que as mulheres aderem, em massa e sem pestanejar, a uma greve de sexo (mas desconfio que não é por estarmos a ser tremendamente competentes).
Quero só avisar, em voz alta, os homens portugueses: AS MULHERES JÁ PERCEBERAM! O NOSSO LONGO REINADO APROXIMA-SE DO FIM!
Não há muito com que a gente possa contra-atacar. Vejam bem as nossas possíveis réplicas a uma greve de sexo das mulheres portuguesas e os respectivos resultados:
Medida a) Aguentar.
Eficácia: Nula. É uma questão de tempo até quebrarmos. Sendo assim, o sofrimento, além de desnecessário, é estúpido. Só conduz a um aumento das discussões no trânsito.
Medida b) Suplicar.
Eficácia: Duvidosa. São precisos dois cromossomas X para se ter direito àquele botão que faz chorar quando se quer. Além disso, duvido que alguma vez na História um homem tenha conseguido convencer uma mulher só com a força de soluços choramingas.
Medida c) Ameaçar com uma greve de sexo masculina.
Eficácia: Risível. Uma imensa gargalhada feminina é a consequência óbvia. A ideia é patética e todos o sabemos. Elas também sabem.
Não temos saída. Podemos apenas rezar a Deus para que as grandes mulheres por detrás de quem nos governa não saibam do exemplo queniano. Pode ser que o pessoal tenha sorte com as preces anti-greve de sexo. Ouvi dizer que Deus é homem.
Agora, de repente, ocorreu-me: se Deus é homem, por que razão deu tal arma ao inimigo? Achará Ele que ficaríamos melhor comandados por mulheres? Até parece que não temos dado conta do recado...
Luís, as suas observações, certeiras, fizeram-me sorrir. Especialmente essa de "se ter direito àquele botão que faz chorar quando se quer."
Ouviu dizer que Deus é homem. Pois é, mas foi depois de ter mudado de sexo. Sempre estivémos melhor comandados por mulheres. E, na verdade , não temos andado a dar muito boa conta do recado. Tudo o que conseguimos foi desenvolver uma cultura da irresponsabilidade desde aquele longínquo 'reality show' em que o homem tinha de demonstrar a sua resistência ao desejo, sucumbiu à tentação e, para cúmulo, disse ao produtor do programa que a mulher é que lhe tinha dado a provar o fruto proibido...
Acho que essa foi a única vez em que a mulher não precisou daquele botão que faz chorar.