Começou hoje a edição de 2010 do Correntes d'Escritas. A sessão inaugural teve lugar no Casino da Póvoa e foi marcada pela homenagem a Agustina Bessa-Luís. JL/Universidade do Porto
Ágata Ricca
12:40 Sexta, 26 de Fevereiro de 2010
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Inês Pedrosa na sessão de homenagem a Austina Bessa-Luís
A 11º edição do Correntes d'Escritas começou hoje, na Póvoa de Varzim. A sessão inaugural teve lugar no Casino da Póvoa e contou com presenças ilustres como Inês Pedrosa, valter hugo mae e o Presidente da Câmara da Póvoa.
A abertura do evento foi o momento escolhido para a entrega dos prémios aos vencedores dos concursos. O divulgado Prémio Literário Casino da Póvoa foi atribuído a Maria Velho da Costa, pelo livro Myra. A concurso estavam também obras de Inês Pedrosa, Mário de Carvalho, valter hugo mae, entre outros. Também os mais novos tiveram direito a reconhecimento público, através do Prémio Conto Infantil Ilustrado Correntes d'Escritas Porto Editora e do Prémio Literário Correntes d'Escritas Papelaria Locus.
Mas, acima de tudo, a manhã foi de homenagem e de palavras sentidas. A destinatária, Agustina Bessa-Luís. Perante uma sala cheia, vestida de preto e dourado, no Casino da Póvoa, onde escritores e jornalistas escutavam atentamente tudo o que era dito, valter hugo mae, Inês Pedrosa e Mónica Baldaque, filha de Agustina, prestaram homenagem à escritora de Sibila.
Numa primeira intervenção, valter hugo mae, em representação de todos os escritores, falou da ligação que tem com a Póvoa e de como foi nessa cidade que se aproximou, através da leitura, de muitos dos grandes autores. Foi graças à curiosidade que sempre teve em conhecer os escritores que admira que chegou até Agustina Bessa-Luís. "Abeirei-me para adorá-la".
Já Inês Pedrosa pegou exactamente neste conceito - o adorar - para questionar a sua utilização. Compreende a postura de adoração como a de contemplação de algo que está num pedestal, considerando que a mulher tem sido objecto de adoração ao longo dos anos. Prefere o termo amar. E afirma que Agustina deve ser amada.
"A minha mãe sempre disse que não gostava de homenagens mas que também não gostava de não ser homenageada". Quem o contou foi Mónica Baldaque. A filha da escritora explicou, por sua vez, como é incómodo representar Agustina Bessa-Luís, doente há 3 anos. Referiu-se ainda às memórias que tem da sua mãe e dos locais onde estiveram juntas. As tertúlias no Diana Bar, na Póvoa, em que participavam Agustina, José Régio, pontualmente Manoel de Oliveira, ..., foram também relembradas, num exercício de "direito à memória".
Numa sessão onde foi ainda invocada a Declaração Universal dos Direitos das Crianças, jovens de escolas da zona subiram ao palco para ler alguns poemas como o Urgentemente, de Eugénio de Andrade.
Coube ao Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, José Macedo Vieira, o encerramento da sessão. Foi um momento de reflexão sobre o actual panorama mundial e sobre os ainda existentes "adversários da liberdade". Para o Presidente da Câmara, os meios electrónicos não substituem os livros. "Livro, em papel e ponto final". E é de livros e dos seus autores que se vão tecer correntes até Sábado, na Póvoa de Varzim.