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Frio em Bruxelas

A impressão que fica é a de que o trem europeu saiu da estação, o Tratado de Lisboa deu o sinal de partida, mas sem que o destino da viagem seja claro

2:43 Quinta, 25 de Fevereiro de 2010
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Tem sido um começo de ano difícil. Há ansiedade no ar, nos gabinetes e corredores das instituições europeias. Pouco mais se tem feito, para além da gestão da rotina. Não deixar a máquina burocrática emperrar parece ser a única preocupação. Mas faltam o entusiasmo, a determinação e a coragem. Ninguém quer fazer ondas. Tudo isto reflecte a desorientação em que a Europa se encontra.

Não se trata apenas das dificuldades de arranque e de habituação aos arranjos institucionais, resultantes da entrada em vigor do Tratado de Lisboa. É verdade que os novos mecanismos mexem na maneira como os dois lados da rua, o Conselho e a Comissão, passam a funcionar. É a nível da Comissão que os ajustamentos são mais delicados. Está a perder peso político e institucional. E será cada vez mais confrontada com a tendência, que agora começa a surgir, de ser considerada, apenas, um secretariado executivo, ao qual o Conselho atribui, sem mais, responsabilidades de execução e acompanhamento. As grandes directrizes políticas serão um atributo exclusivo do Conselho.

Está em curso, de facto, um processo de reafirmação do papel primeiro dos Estados membros da União. A Europa volta a recordar-se de que é, simplesmente, uma associação de Estados independentes. O projecto colectivo, visto pelos actuais chefes de Estado e de Governo, reduz-se ao menor denominador comum. Ou seja, as instituições europeias, as regras em vigor, as decisões comunitárias têm apenas como objectivo uma maior coordenação entre os países, a harmonização de práticas e procedimentos e a criação de um espaço de livre circulação das pessoas e das mercadorias. Já não se fala de convergências políticas, de ambições supranacionais, nem da "casa europeia". É tudo muito mais terra-a-terra. Enveredar por esta opção, como agora está a acontecer, faz cair Bruxelas das nuvens e os eurocratas do pedestal onde muitos anos de retórica grandiloquente os haviam colocado.

A reorientação a que se assiste traz consigo um retorno a uma Europa com um motor a dois cavalos: a França e a Alemanha. Um regresso à história, em que a burguesia belga, neste caso Herman Van Rompuy, faz, como sempre fez, a ponte entre vizinhos. O resto é periferia, mais ou menos importante.

Só que a periferia pode, como agora acontece com a Grécia, dar origem a ondas de choque. A crise grega põe em causa o pacto de estabilidade e enfraquece, de modo significativo, a moeda única. Nunca se escrevera tanta opinião tão pessimista sobre o futuro do Euro, como nas últimas semanas. As declarações de solidariedade recentes não chegam para fazer esquecer que a Grécia tem, a curto prazo, que ser capaz de responder aos enormes encargos financeiros que chegam a vencimento. Conseguirá? Como também terá de adoptar políticas macroeconómicas com grandes custos sociais. Haverá suficiente força política em Atenas, para que isso aconteça? Estas interrogações têm um impacto profundo sobre o futuro da UE.

Neste momento, a impressão que fica é a de que o trem europeu saiu da estação, o Tratado de Lisboa deu o sinal de partida, mas sem que o destino da viagem seja claro. Nem mesmo os nomes das estações intermédias são conhecidos do grande público. Os poucos passageiros a bordo parecem gente de um outro mundo, sem qualquer relação próxima com o cidadão europeu. É uma elite desligada das massas, a viajar em carruagens de primeira classe, num comboio chamado incerteza.

Palavras-chave  Victor Ângelo, opinião
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Incertezas! /1
a.dúvida (seguir utilizador), 2 pontos , 10:25 | Quinta, 25 de Fevereiro de 2010
Caro VA,

Um excelente artigo sobre o que se passa nos corredores de Bruxelas... e que têm repercurssões em todos os estados membros e na sua política externa.

Uma máquina burocrática conduzida sem fulgor pelos actuais governantes e onde existe muita inércia. Ninguém parece disposto a tomar grandes decisões, Tal como escreve, um comboio de incertezas... onde por exemplo, para nós como portugueses... Bruxelas é tão longe, que não contamos para nada.

O problema da inexistência de uma política externa europeia, é estrutural e não é resolvido acrescentando títulos mais ou menos pomposos a uma ausência de vontade política comum( o tal "menor denominador comum", que refere). Londres-Berlim-Paris farão o que entenderem... os outros ficarão mais distantes.

Van Rompuy e a senhora Ashton em nenhuma circunstância mostraram até agora autoridade política própria ou deram sinais de liderança política.

Na cúpula de Bruxelas, os líderes europeus não cogitam medidas de apoio à Grécia. Ou seja, Atenas deve assumir as suas responsabilidades. O pacto de estabilidade tem como objectivo "evitar que um país-membro pague as consequências de políticas fiscais insustentáveis dos outros".

Mas não podemos ignorar que a UE vive hoje um quadro de profundas "assimetrias". O mercado comum e a moeda única coexistem com uma fragmentação nacional dos regimes fiscais,

(Continua)
Incertezas! /2
a.dúvida (seguir utilizador), 2 pontos , 10:32 | Quinta, 25 de Fevereiro de 2010
(continuação)

... dos regimes fiscais, da legislação laboral, das políticas sociais, cujo grau de harmonização é diminuto ou mesmo inexistente.

Esta assimetria de regulação (que a meu ver) impõe regras comuns nuns domínios... descentraliza as responsabilidades políticas noutros. Estamos assim perante as duas faces da moeda.

Atrevo-me a escrever, que a União Europeia é uma espécie de "tragédia grega".

Cordialmente,
Sara

    Re: Incertezas! /2   
victor ângelo (seguir utilizador), 1 ponto , 22:08 | Segunda, 8 de Março de 2010
BRUXELAS (diálogo)
Zé Cravinho (seguir utilizador), 2 pontos , 15:32 | Domingo, 7 de Março de 2010
De Bruxelas,a luz é bruxuleante/quando devia ser um farol-guia/mas nas trevas,a burguesa democracia/pratica o seu sortilégio bacante.A meia-luz tem uma certa magia/e a Plebe sedenta da necessária mudança/bebe,da social democracia,a esperança/de partilhar do Poder da Burguesia.-Eh pá!mas a Política de Bruxelas/talvez tenha relação com bruxaria?!-Eu não creio em
bruxas,mas todavia/as Multinacionais,as Leis,ditam elas.
-Queres dizer então que os Liberais/são os bruxos que fazem a bruxaria?!/-E impingem ao Povo a «democracia«/que é a panaceia das Multinacionais.Ao Povo,agrada a palavra liberal/porque os Liberais em tempo passado/lutaram contra a Aristocracia feudal/e também contra o Clero anquilosado.O Capitalista,embora liberal/
a sua democracia é um arremêdo./Da Bôlsa de Valores,êle tem o segrêdo/e em Bruxelas,está o Comando Central.E como a Social Democracia/usa linguagem socializante/o Povo segue-a pois confiante/e Bruxelas vai fazendo a «bruxaria«. Em Bruxelas,a «bruxaria«liberal/é que tem o Poder da prestidigitação/
e até mesmo o Partido Popular Cristão/alinha a seu modo,na Globalização total.

BRUXELAS (diálogo)contin.
Zé Cravinho (seguir utilizador), 2 pontos , 15:44 | Domingo, 7 de Março de 2010
Os Partidos Populares Cristãos e a Cleresia/téem bastante pêso e muita influência/mas em Bruxelas,o Capital tem ascendência/
e dita as Leis da liberalizante Economia.A plebe,a média e pequena Burguesia/desiludida e também desesperada/p'lo socialismo da socialdemocracia/vota na Direita,que é bruxa abalizada.
Quanto à social ou demo-cristã ideologia/depois que Cristo foi aclamado Rei/o Povo aceita,do Capital,a supremacia/e cresce a
influência da Opus Dei.Receando o verdadeiro Socialismo/o cristão socialdemocrata ou liberal/com conversa fiada ou certame verbal/
defende a seu modo,o Capitalismo.Para justificar,do Céu,a existência/foi necessário inventar o Inferno/assim como o Deus sempre eterno/e o Diabo com sua maleficência.Para justificar o
Global Liberalismo/e do Tio Sam,a sua nomenclatura/faz-se nascer o Global Terrorismo/para justificar,do Capital,a Ditadura.
    Re: BRUXELAS (diálogo)contin.   
victor ângelo (seguir utilizador), 1 ponto , 22:11 | Segunda, 8 de Março de 2010
Sem dúvida
gtgv (seguir utilizador), 1 ponto , 18:51 | Segunda, 8 de Março de 2010
O liberalismo conduziu a europa a este beco sem saída, e os europeus cada vez são menos europeistas, a solidariedade europeia acaba quando aos concidadãos gregos se impõe tamanha restrição, onde pára a europa social? Será que não veremos um novo século do povo? Competitividade, globalização e concorrência, substituíram o estado social, direitos básicos, e somos carne para canhão nos números do défice, os grupos empresariais que tanto beneficiaram e beneficiam deste liberalismo escapam impunes, desinvestem cá desde que deixem uns "trocos" aos políticos europeus, o liberalismo esgotou, não há concorrência leal com escravatura e sem direitos humanos. A europa está aterrorizada, não só pelos resultados económicos, mas pela austeridade imposta em nome de uma situação que só agrada aos grandes à custa do povo, acho que em Bruxelas assiste-se a uma petrificação, os membros do conselho e da comissão já sentem o calafrio de não ser apenas o ministério das finanças grego o ocupado, o percurso do povo europeu foi muito longo pelos seus direitos, para virem os políticos e eurocratas retirá-los sem qualquer pudor, tal como antes o decisor surdo está em minoria e o povo cala o seu protesto na expectativa, mas não tolera mais cortes.
    Re: Sem dúvida   
victor ângelo (seguir utilizador), 1 ponto , 22:13 | Segunda, 8 de Março de 2010
Somos bons a ignorar-nos a nós próprios
Moreira da Silva (seguir utilizador), 1 ponto , 21:33 | Segunda, 8 de Março de 2010
É interessante sabermos que por estes dias, as Nações Unidas intensificam os seus esforços no sentido de contribuírem para minorar os riscos e perigos múltiplos que pesam sobre as populações de países do centro de África, como os povos do Chade, da República Centro Africana e do Sudão.
Mia Farrow, Embaixadora de Boa-Vontade da UNICEF http://www.unicef.org/med... , acaba de visitar a região http://victorangelo.blogs...
Por estes dias também, reúnem-se e intervêm na região dois dirigentes das Nações Unidas de ‘ranking’ equiparado a Secretários-gerais Adjuntos das NU http://www.un.int/protoco... , no caso dois cidadãos portugueses http://victorangelo.blogs... que, embora com percursos pessoais e profissionais bem diversos, prestigiam lá fora o nosso País, embora cá dentro no País quase nada nem ninguém deles fale, escreva ou saiba.
Na região, são em número significativo, e com um desempenho que se diz notável, os profissionais de forças de segurança portugueses que diariamente asseguram missões arrojadas e importantes, com prestígio assinalável para o nome do nosso País.
São presenças, iniciativas e notícias importantes, quase tão notáveis quanto o silêncio dos “media” portugueses sobre o que de tão significativo se passa nessa região.
Porquê tanto desinteresse, tanta desatenção?
    Re: Somos bons a ignorar-nos a nós próprios   
victor ângelo (seguir utilizador), 1 ponto , 22:05 | Segunda, 8 de Março de 2010
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