Os outros povos curam a ressaca do fim de ano com café e sono, nós curamos com a mensagem de Cavaco Silva
7:18 Quinta, 7 de Janeiro de 2010
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Quem diz que o fim de ano é deprimente, em geral refere-se apenas àquela alegria artificial que começa na primeira badalada e termina logo na décima segunda, altura em que somos confrontados com a dura realidade de estarmos a soprar numa língua da sogra sem qualquer razão válida - isto supondo que há momentos que proporcionam razões válidas para se soprar numa língua da sogra. Julgo, no entanto, que seria injusto deixar de reconhecer que o fim de ano não é só a deprimente cerimónia da meia-noite. É também a deprimente mensagem de ano novo do Presidente da República. Seja qual for o Presidente que, nesse momento, ocupa o Palácio de Belém, é a ele que cabe a desagradável função de nos recordar que, muito embora estejamos a entrar num novo ano, num novo começo de possibilidades ilimitadas - isto continua a ser Portugal. Os outros povos curam a ressaca do fim de ano com café e sono, nós curamos com a mensagem de Cavaco Silva. Não há nada como recordar que estamos endividados, desempregados e na cauda da Europa para espantar uma embriaguez. Cavaco é o Guronsan de Portugal.
Dito isto, há que moderar o entusiasmo relativamente à mensagem de ano novo do Presidente da República. O melhor, aliás, e tendo em conta o que o futuro nos reserva, é moderar o entusiasmo relativamente a tudo. E o discurso de Cavaco Silva, ao mesmo tempo que apela ao bom-senso, parece excessivamente confiante nas suas próprias virtudes. Diz o Presidente, por exemplo, que tem "a obrigação de alertar os portugueses para a situação difícil em que o País se encontra". Não se trata exactamente de alertar, pois não? Uns portugueses já tinham sido alertados pela nota de despedimento, outros pela execução da hipoteca. Não desfazendo em Cavaco, o desemprego e as dificuldades financeiras são ligeiramente mais eloquentes do que um alerta de ano novo.
Por outro lado, o Presidente tem razão quando diz que "os portugueses compreenderiam mal que os diversos líderes políticos não se concentrassem na resolução dos problemas das pessoas". Imagine o leitor que determinado político, em lugar de se concentrar na resolução dos problemas das pessoas, se entretinha a promover uma intriga de espionagem, com a colocação de notícias nos jornais, entradas e saídas de assessores em cargos da Casa Civil e perturbação do resultado das eleições. Que diriam desse político os portugueses? Não sei bem. Mas não é muito provável que quisessem dar-lhe ouvidos no dia de ano novo.
Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias a que se deu o nome de Ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que, daqui para adiante, vai ser diferente...
"Para você,
Desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.
Para você,
Desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.
Para você neste novo ano,
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
Que a sua família esteja mais unida,
Que sua vida seja mais bem vivida.
Gostaria de lhe desejar tantas outras coisas.
Mas nada seria suficiente...
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto,
ao rumo da sua FELICIDADE!!!"
O tiro foi bem na testa, não comerá mais criancinhas no caminho da floresta...
Pronto, se calhar ainda vai comer mais umas quantas mas, cá para mim, não vai dar para encher a barriga...
"Por outro lado, o Presidente tem razão quando diz que "os portugueses compreenderiam mal que os diversos líderes políticos não se concentrassem na resolução dos problemas das pessoas". Imagine o leitor que determinado político, em lugar de se concentrar na resolução dos problemas das pessoas, se entretinha a promover uma intriga de espionagem, com a colocação de notícias nos jornais, entradas e saídas de assessores em cargos da Casa Civil e perturbação do resultado das eleições. Que diriam desse político os portugueses? Não sei bem. Mas não é muito provável que quisessem dar-lhe ouvidos no dia de ano novo.".
Concordo plenamente RAP. É caso para dizer, para quê palavras?
Os problemas são tão óbvios que acho esta mensagem uma perca de tempo. Por umas e por outras, sorte a nossa de ser apenas uma mensagem curta e não um 'livro'' monárquico. Em Inglaterra embora não exista uma mensagem de ano novo por parte da rainha; existe sim, uma cerimónia totalmente medieval e sem sentido por parte dela mesma, antes do natal - a leitura do programa politico do governo ou 'The Queen's Speech', folha atrás de folha. Não compreendo o fascínio de ouvir uma senhora a ler um texto, sinceramente.
Voltando ao assunto em questão, nunca consegui pensar no Cavaco Silva como um Presidente de República. Pelo facto de ele ser tudo menos imparcial. Engana bem o man.
A mensagem do PR não foi de todo animadora, mas para um pr que faz pouca menção à situação do país, optando por realçar o que há de bom, até nem esteve mal de todo. Agora, pessoas que vão de vento em popa, de 80 para 800, vêm queixar-se da mensagem?! "Wake up call", já ouviram falar?! - é a mensagem do PR.
Oh Ricardo, deixa-me dizer que te amo. És um pão, és um giraço e como se não bastasse ainda me fazes rir...
Quando um dia te fartares da mulher que te acompanha (acho k li que és casado) avisa-me para encontrarmos forma de ficarmos juntos. Já te disse que és um pão? Mas dos bons, tipo pão alentejano ou então aquele do Pingo Doce (pão da avó) Experimenta que é óptimo até para perceberes esta comparação...Quando deixares a tua mulher, nessa altura, terei que expôr a situação ao meu marido, pois, não tinha pensado nisso! Também sou casada! Se a coisa correr mal eu contento-me com qualquer coisa do tipo platónico, que te parece? És mesmo engraçado e grande. Sempre que adquiro a Visão (que por acaso até costuma ser o meu marido que a compra, ups!) lá vou eu para as últimas páginas à procura da tua crónica e nunca me arrependo. Ainda por cima és inteligente e grandeeee. És mesmo giro! E extremamente xenxual e xexi (sexy) e esperto e grande. Deves ter algum defeito, tens que ter. Já sei, não gostas que comam pipocas ao teu lado no cinema! Ou então....quando estás cansado não fazes amor! Não, não deves ter defeitos, mas mesmo que os tenhas eu continuo a gostar de ti.
Bem, agora um pouco mais a sério. Gosto mesmo de ler as tuas crónicas que deixam transparecer a tua inteligência, formação (escolar + familiar) e a tua maneira de estar na vida: gozar e rir de tudo. Acertei? Bem duma coisa tenho a certeza, se algum dia te vir à minha frente prego-te um xoxo (beijoca). Feliz 2010
Estes socialistas andam a embebedar o povo português já decorre bastante tempo, e depois o PR serve de Guronsan, o problema é que a bebedeira tem sido enorme e não há Guronsan de faça efeito.